segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Guia Rápido Para Investir Certo no Tesouro Direto (Sem Frescura e Direto ao Ponto!)


Eu adoro falar de renda variável aqui no blog, porém não podemos ignorar que existe um negocinho chamado renda fixa e ela tem sua importância dentro de uma carteira de investimento de longo prazo.

Sim, existem pessoas que fazem all in em renda variável, uma estratégia que tem seus riscos, assim como tem pessoas que fazem all in em renda fixa (muitos apenas em poupança, como eu antigamente) que igualmente tem seus riscos (relacionados ao custo de oportunidade), porém penso que um mix entre essas duas categorias de investimento é o cenário perfeito, tanto no sentido de proteção como expansão do capital.

Dentro dos investimentos em renda fixa, temos poupança, LCI, LCA, debêntures, CDB, LC, COE (sim, essa porcaria é quase renda fixa), CRI, CRA, etc, porém acredito que o principal investimento em renda fixa são os títulos públicos, carinhosamente conhecidos como Tesouro Direto.

Dentro do Tesouro Direto, por sua vez, temos três tipos de títulos públicos: Tesouro IPCA+, Tesouro Prefixado e Tesouro Selic.

Vou explicar agora de forma rápida e prática como funcionam esses três tipos de títulos e qual a função de cada um deles dentro de uma carteira de investimentos.

Tesouro IPCA+

Nesse título seu dinheiro vai render a inflação + um percentual definido na hora do investimento. No cenário atual a inflação tá em torno de 4,5% a.a e o percentual do Tesouro IPCA tá uns 5% a.a (depende da data de vencimento do título). Se a inflação aumentar, seu dinheiro rende mais, se a inflação diminuir seu dinheiro rende menos. Esse tipo de título se caracteriza por ser de longo prazo, hoje, por exemplo, estão sendo negociados títulos com vencimento em 2024, 2035 e 2045.

Há também a opção de comprar Tesouro IPCA com juros semestrais, isso quer dizer que todo semestre vai cair na sua conta os rendimentos desse título, com o devido desconto do imposto de renda.

Vantagem: seu dinheiro vai estar protegido da inflação, ou seja, você sempre garantirá a inflação mais um troco por um longo período de tempo.

Desvantagem: se você resgatar o título antes do vencimento estará sujeito à marcação de mercado e pode perder dinheiro.

Orientação Prática: Coloque em Tesouro IPCA dinheiro que vai pra aposentadoria, por isso invista em títulos com data de vencimento próximas a quando você tem expectativa de se aposentar. Não invista em títulos com juros semestrais, pois a cada juros que é retirado do montante é um valor a menos para ser capitalizado para o longo prazo.

Tesouro Prefixado


Nesse título seu dinheiro vai render a uma taxa fixa determinada no momento do investimento, hoje essa taxa está entre 8%  a 10% a.a, dependendo do vencimento do título. Esse tipo de título se caracteriza por ser de médio prazo, atualmente estão sendo negociados com vencimento em 2021, 2025 e 2029. Assim como no TD IPCA, também há a opção de comprar Tesouro Prefixado com pagamento de juros semestrais.

Vantagem: se você conseguir pegar um TD Prefixado com uma rentabilidade interessante (acima de 10% pelo menos) terá a oportunidade de "travar" essa rentabilidade por alguns anos.

Desvantagem: se você resgatar o título antes do vencimento estará sujeito à marcação de mercado e pode perder dinheiro. Além disso, se a inflação subir muito, você sairá prejudicado pois sua rentabilidade está "travada" e pode até perder para a inflação.

Orientação prática: Coloque em Tesouro Prefixado um dinheiro que você não vai precisar no curto prazo, porém vislumbra utilizá-lo no médio prazo (para comprar um imóvel ou trocar de carro por exemplo), ou que tenha a expectativa de alocá-lo em outro tipo de investimento futuramente. Não invista em títulos com juros semestrais, pois cada juros que é retirado do montante é um valor a menos para ser capitalizado para o longo prazo.

Tesouro Selic

Nesse título seu dinheiro vai ter rendimento igual à Taxa Selic, que é definida pelo Banco Central em reuniões realizadas a cada 1 mês e meio mais ou menos. Hoje ela está em 6,5% a.a. Se a Taxa Selic subir seu dinheiro rende mais, se a Taxa Selic cair, seu dinheiro rende menos. A principal diferença desse título para os outros dois é que ele não sofre com a marcação a mercado, seu rendimento é praticamente linear, por isso você pode resgatar a qualquer momento sem medo de perder dinheiro.

O Tesouro Selic pode até ser considerado a "nova poupança", pois rende mais que a poupança, tem rendimento diário (rendimento da poupança é mensal) e tem liquidez quase diária.

Vantagem: o dinheiro rende mais que a poupança (mesmo considerando o desconto de imposto de renda) e pode ser resgatado a qualquer momento sem riscos de perdas.

Desvantagem: esse título tende a render menos que os outros títulos disponíveis no Tesouro Direto e outras opções disponíveis no mercado

Orientação Prática: Coloque em Tesouro Selic o dinheiro da reserva de emergência, ou seja, aquela grana que você não se importa de render um pouco menos, pois o mais importante é ter ela disponível em eventuais necessidade urgentes (ou quase urgentes).

Taxas e Impostos a Pagar

Ao investir em Tesouro Direto, você estará sujeito à uma única taxação, que é a tarifa de custódia da B3 (Bolsa de Valores) referente aos serviços de guarda dos títulos e às informações e movimentações dos saldos. Portanto, não importa por qual corretora ou banco você invista, sempre terá a taxa de custódia da B3. O valor dessa tarifa é de 0,3% ao ano em cima do seu saldo investido. A cobrança é feita semestralmente, debitada direto da sua conta.

Em relação aos impostos, quando do resgate do título você pagará imposto de renda sobre o rendimento auferido. A alíquota do imposto varia de 22,5% a 15%. Se você investir por mais de 2 anos já garante a alíquota mínima, e mesmo que o investimento for inferior a 2 anos, em qualquer cenário o rendimento do Tesouro Direto bate a poupança.

Se o seu banco ou corretora quiser cobrar mais alguma taxa, simplesmente diga que vai comprar cigarros e não volte mais.

Conclusão

Em mais ou menos 800 palavras, que demandam algo em torno de 6 ou 7 minutos de leitura, destrinchamos tudo que importa sobre investir no Tesouro Direto. Agora basta colocar em prática e ficar rico (ou morrer tentando!)

Abraços,

Senhor Ministro

12 comentários:

  1. "Não invista em títulos com juros semestrais, pois a cada juros que é retirado do montante é um valor a menos para ser capitalizado para o longo prazo."
    Cuidado ao recomendar isso. Vc tem certificação CFP® ?

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  2. Me ajuda a entender porque eu deveria ter cuidado ao recomendar isso.

    Não, não tenho essa certificação®.

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  3. Vc está violando a norma CVM que requer que toda indicação de investimento deve ser feita apenas por profissionais certificados.

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    1. Obrigado pelo alerta, mas discordo de você.

      Inclusive tem um aviso lá no rodapé indicando que "esse blog é amador e em nenhuma hipótese meus comentários e opiniões representam recomendações de investimento, mas tão somente minhas experiências pessoais".

      Mas claro, se você citar o número da Instrução CVM e o respectivo artigo que eu estou violando, irei agora mesmo para a delegacia mais próxima confessar os meus crimes.

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    2. hahaha não foi neste intuito. Só quiz de dar um toque pra nao ter probrema. texto ficou bem bão

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  4. Resolucao CVM No 592, DE 17 DE NOVEMBRO DE 2017 e 539/2013

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    1. Essas normas regulam a profissão de consultor de valores mobiliários.

      Títulos públicos não são valores mobiliários (Lei 6.385/76 Art 2º).

      Abraço!

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  5. A taxa da B3 é sobre todo o patrimônio ou apenas sobre o rendimento?

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    1. É sobre o valor total dos títulos, com provisão diária, até o valor máximo de R$ 1,5 milhão.

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