terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Diploma de Ensino Superior Ainda Vale Alguma Coisa?

Diploma de Ensino Superior Ainda Vale Alguma Coisa?

Faaaala pessoal

O papo de hoje é sobre faculdade/universidade no Brasil. Muita coisa que escrevo aqui vem de algum insight que tenho no dia a dia, que me leva a alguma reflexão e acabo desenvolvendo a ideia aqui. Pois bem, já relatei aqui antes que gosto de ouvir podcasts enquanto dirijo, é uma forma de transformar um tempo "morto" num espaço de aquisição de conhecimento.

Pois bem, estava ouvindo esses dias um podcast do Raiam Santos (Mundo Raiam) em que ele entrevista a Kim Farrel, uma garota americana que se tornou gerente/executiva de marketing do Google no Brasil. Nessa entrevista a Kim conta toda a história dela que é muito baseada no meio acadêmico americano, toda a saga de tirar boas notas, ter comportamentos destacados, ser aceita em grandes universidades (ela estudou em Harvard), o perfil de profissional formado por cada universidade, o prestígio profissional que tem os profissionais formados em determinadas universidades (ela até cita que na entrevista pra trabalhar no Google havia um requisito de ser formada nas top 10 universidades do país), etc.

Pode ser que para muitos tudo isso não seja novidade, mas para mim, alguém que nunca se interessou nem pesquisou sobre fazer faculdade nos EUA, achei bem curiosa a cultura americana relacionada ao ensino superior, principalmente em dois pontos: o diploma universitário em determinadas universidades ter um peso decisivo no currículo e na vida da pessoa; e as grandes universidades terem mentes brilhantes como professores formando outras mentes brilhantes.

Talvez eu tenho caído um pouco na romantização da coisa, mas pelo que foi "pintado" percebi uma diferença abissal com a realidade de hoje no Brasil. Acho que há uns 25 ou 30 anos atrás havia uma cultura aqui de se estudar pesado para entrar em universidades públicas, pois eram as que tinham o melhor ensino (além de ser de "graça") e tinha uma ou outra particular de muito destaque que também eram muito disputadas.

Com todo o boom de democratização do ensino superior, principalmente por meio do FIES e Prouni, houve uma explosão de criação de faculdades, muitas com ensino de qualidade duvidosa, sem qualquer critério de seleção, prontas para entregar o diploma para qualquer um com cérebro maior que de uma formiga (desde que eles, ou o governo, paguem as mensalidades), as famosas Uniesquinas.

diploma universitario


Resultado: o diploma de ensino superior perdeu seu valor, recém formados sofrem para conseguir empregos mal remunerados.

Faz bastante tempo que estou por fora desse meio acadêmico e de busca por emprego, porém minha percepção é que mesmo diplomas de universidades públicas já não tem tanto valor também. É como se a contaminação do mercado tivesse afetado a todos, mais ou menos como acontece no mercado de venda de carros usados: como tem muito vendedor picareta, os bons vendedores acabam ficando com a má fama também.

E aí o cidadão acaba dedicando 4 anos de sua vida e boa parte de seus recursos financeiros, até mesmo contraindo dívidas elevadas, em um projeto de ensino que tem mais probabilidade de não lhe dar o retorno esperado do que o contrário.

Será que a tal democratização do ensino superior, da forma como foi feita, transformou o diploma de graduação num pedaço de papel sem valor? Eu não tenho uma resposta conclusiva pra isso, pois, como citei, não vivo essa realidade.

E você, o que acha? Como o seu diploma te ajudou ou como você espera que vá ajudá-lo? Como a sua empresa encara a questão da formação acadêmica para seleção e promoção de profissionais? Ainda vale a pena fazer faculdade?

Abraços,

Senhor Ministro

37 comentários:

  1. Olá Ministro. Acho que ficou de fora uma parte verdadeiramente importante da equação: a expansão desenfreada da universidade privada. Tem "universidade" dentro de shopping, anexa à escolas, dentro de estação de metrô (e do jeito que tá, qualquer dia dentro do vagão).

    Alguns diplomas "perderam o valor" porque existem centenas de milhares de profissionais formados e o mercado não tem capacidade de absorvê-los. Mas algumas grandes empresas que fazem parte de seus processos seletivos online, (veladamente) já descartam estudantes que não sejam das públicas ou de algumas privadas de excelência.

    Quanto a sua pergunta, se vale a pena fazer faculdade, penso que depende. Se o sujeito pensa em fazer faculdade pelo diploma, acho que não vale a pena. O mercado não vai absorver todo mundo. Melhor investir num profissionalizante.

    Agora se o camarada quer muito se aprofundar naquela área de conhecimento ou terá oportunidades na carreira, tem paixão pela área, necessita do diploma, quer fazer algum concurso específico, etc., vale sim fazer faculdade.

    Desculpa ter me estendido. Um abraço.

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    1. A questão de cursos técnicos e profissionalizantes também tem um lado bem contraditório.
      A algum tempo atrás muito se falava das vantagens dos cursos técnicos, mas o profissional que faz curso técnico provavelmente se deparará com a exigência por um curso superior quando estiver no mercado de trabalho.
      Acho os cursos menores como opção válida para inserção no mercado de trabalho (dependendo da área), mas o teto da profissão fica bem limitado e pra subir a patamares maiores provavelmente o curso superior fará falta.
      Exemplo: O Cara faz técnico em mecânica entra numa indústria, 2 ou 3 anos depois ou ele faz faculdade ou fica ganhando 2k.

      A mídia mostra casos de pessoas com curso técnico que ganham 5k, mas não falam a quanto tempo estão trabalhando na empresa, não mostram outros cursos que a pessoa fez entre outras coisas.

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    2. Paguei 600 reais prum cara instalar dois ar condicionados.
      Ele fez isso numa tarde.
      Depois pago 150 na limpeza de cada um, por semestre e ele quem faz isso. O cara trabalha todo dia, instalando ou limpando. TEm dias que ele não tem agenda pra instalar e limpar.

      Qnt vc acha que ele ganha?
      Vidraceiro, marceneiro, instalador de ar, de placa voltaica solar e essas coisas podem dar um dinheiro bom na mão de quem trabalha bem e faz tudo certinho. Ganham mt mais do que muita gente com curso superior.

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    3. Autônomos sem dúvida podem ganhar um bom dinheiro. Quem trabalha para os outros geralmente não ganhará muito.

      Até dono de boteco pode ganhar mais que muita gente com curso superior.

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    4. ICV,

      De fato a proliferação das Uniesquinas contaminou o mercado, despejando no mercado de trabalho profissionais com péssima formação e que, em contrapartida, se colocarão em péssimas oportunidades de trabalho.

      A opção dos profissionalizantes é um caminho interessante, porém como destacou o Anon, esse pessoal ainda é visto como chão de fábrica, como de segundo escalão dentro das organizações.

      Quem faz profissionalizante tem que focar em ser autônomo, como o Frugal demonstrou, as possibilidades de ganhos são maiores.

      A verdade é que as organizações ainda olham torto para quem não tem nível superior, mas com a crescente de Uniesquinas, acredito que a tendência é cada vez mais se ignorar esse tipo de diplomação no mercado de trabalho.

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  2. Curso superior virou praticamente um papel higiênico, claro tirando AINDA o curso de medicina. Nunca vi um médico recém formado desempregado ainda que esteja trabalhando no fim do mundo consegue tirar uns 10 a 15k. Agora outros cursos como direito (só se tiver parentes ja com escritório estabilizado, concursos), administração, sociologia, história nem preciso dizer.

    Eu acredito que a melhor forma é o indíviduo CRIAR. Ser bom em algo e se aperfeiçoar nisso. Tem muita coisa boa pela internet e muitos ainda preferem assistir novelas, BBB, etc. Abraço

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    1. É a questão da oferta x demanda. No caso de ADM existem dois mundos:
      Os milhares de formados em universdades "populares" e os formados por FGV, INSPER, FIA, etc. O segundo grupo tem sim probabilidade muito maior de fazer uma carreira sólida de fato.

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    2. De fato Gari,

      O curso de medicina ainda é um oásis no mundo profissional, médicos recém formados ainda ganham facilmente 10k. Porém, como o Anon destacou, é oferta x demanda.

      Como a profissão de médico é muito sensível, por lidar com vidas, há uma grande barreira regulatória do governo para a criação de novos cursos, e isso tem dado uma sobrevida para a profissão.

      Na hora que explodir o número de cursos de medicina, aí a profissão médico vai entrar na vala comum também, porém acredito que isso não irá acontecer tão cedo.

      Quanto as universidades mais tops citadas pelo Anon, de fato tem um peso maior no currículo, mas acredito que bem menos do que se possa imaginar. Se alguém que trabalha em RH ler isso pode dar uma opinião melhor.

      A verdade é que tem muito conhecimento na internet de graça ou barato, então qualquer um pode ser bom em alguma coisa e ganhar dinheiro com isso. Veja aí a Udemy, tem curso de tudo que se possa imaginar por preços bem acessíveis, é só querer.

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  3. Que perdeu valor concordo totalmente, mas infelizmente ainda precisamos dele para conseguir abrir as portas do mercado de trabalho. Hoje vc sem um diploma pode ser muito melhor que qualquer profissional diplomado que não vai conseguir entrar em 99% das empresas.
    Algumas como a Google nos EUA e outras já estão se dando conta que diploma nao vale nada mas ainda é algo longe do mainstream. Abcs

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    1. Pois é AA40,

      Ainda há essa cultura de as empresas olharem torto para quem não tem nível superior. Eu mesmo tenho essa cultura: se você me falar de alguém que tem só nível médio já imagino uma pessoa que fez supletivo e tem experiência profissional de atendente do McDonald's.

      Logicamente que uma pessoa dessa tem que mostrar muito mais coisa no seu currículo para se sobressair.

      Acho, contudo, que quem busca empreender, talvez não faça muito sentido.

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    2. já na minha profissão, a maioria dos não formados tem que mais experiencia e capacidade de todos os que estao entrando agora ! Profissionais acima dos 50 anos sao ainda mais valorizados, alguns nem ensino fundamental completo tem mas sabem mais que todos!

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  4. Serve pra passar em concurso ou então ter uma profissão mais técnica (eng, medicina, direito). Diploma de humanas só pra dar aula e ficar liso.

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    1. De fato Frugal!

      Porém pra concursos vale fazer esses tecnológicos de 2 anos que o diploma tem a mesma validade.

      Porém pra profissões técnicas, com regulação mais pesada de conselhos profissionais, aí sim a faculdade acaba sendo um mal necessário.

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  5. ACho que a maioria dos cursos não valem a pena.
    Ainda há algumas exceções, na minha opinião, como medicina, enfermagem, engenharia de minas e o velho ITA.
    Agora, absurdo, novamente na minha opinião, é o Estado ainda ter cursos de direito nas universidades públicas, com o tanto de profissional que já existe no mercado.
    Nada contra quem quer fazer direito, mas o Estado não deveria bancar mais profissionais nessa área, assim como em outras, tipo história, filosofia, letras e sociologia.

    Abraço!

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    1. Anon,

      Você tocou num ponto muito interessante.

      O Estado poderia fomentar, por meio de suas universidades públicas, as profissões que tem carência de profissionais no Brasil.

      Fala-se muito que no Brasil há muita gente trabalhando na burocracia (advogados, contadores, etc) e pouca gente trabalhando na criação (engenheiros, cientistas, etc).
      O Estado poderia ser um catalizador dessa mudança.

      Mas aí entra na questão de o Estado interferir na economia, talvez possa potencialmente criar anomalias. Por exemplo, se há essa demanda de profissionais "criadores" ao invés de "burocratas", por que as instituições privadas não estão focando nisso e absorvendo essa demanda? É preciso pensar direitinho...

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  6. Fala Ministro!

    O Investidor Como você apontou coisas que já presenciei ao longo dos anos. Trabalho com TI e essa é uma área que conta mais você saber executar do que o diploma. Mas, eu só entrei na área devido ao ensino superior (estágio) Ironia não?

    Mas reforçando o comentário do ICV, também acredito que depende. Se pretende se graduar pois isso irá te ajudar a desenvolver um projeto pessoal, um negócio. Faça nível superior. Caso contrário, fuja! rs

    Abraço!

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    1. Verdade Inglês!

      TI é um mundo gigantesco e a graduação, muito provavelmente, só forma um profissional genericão, que sabe um pouco de várias coisas, mas não manja de nada específico.

      A verdade é que hoje em dia é muito mais fácil que antigamente ser autodidata, ou aprender em cursos online, mas no mundo corporativo ainda não é algo tão aceito.

      Se rolasse uma entrevista para programador Java, será que contratariam o cara com graduação em TI ou o cara que só tem nível médio mas que fez cursos online de Java?

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  7. Olá SM,

    Eu sou formado na área de TI e esse curso só serviu para eu passar em um concurso. Se eu não tivesse passado teria perdido meu precioso tempo e dinheiro nesse curso. No meu ponto de vista não vale a pena fazer curso superior para ganhar dinheiro. Claro, exceto medicina e algumas engenharias.

    Abraços!

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    1. Cara, é isso!

      O diploma ainda serve para abrir algumas portas, como a de concursos ou alguma ou outra vaga de emprego que tenha como requisito o nível superior, mas no campo prático, o que se aprende na faculdade é muito distante do que se vê no mercado de trabalho.

      No dia que as empresas começarem a virar essa chave e passar a selecionar pessoas muito mais pela competência pratica do que pelo currículo acadêmico, muitas faculdades serão colocadas em cheque.

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  8. Quanto a administração, concordo com o anon das 19:05.... existe uma enoorme diferença na empregabilidade das Uniesquina e e das FGV, INSPER,.... adicionaria também as federais, se a pessoa for esperta e correr atrás. Eu sou graduado em Adm. Para mim não faltou oportunidades. Fiz escolhas que me fizeram ganhar menos do que poderia, mas mesmo assim possu um salário entre R$20.000 e R$25.000 (trabalho no setor financeiro). Quando minha filha crescer eu daria o maior apoio se ela quisesse fazer ADM (claro que preferiria medicina), já que conheço o caminho das pedras...

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    1. Fala Anon,

      Bom, você deve saber qual é a fama do curso de administração né. Se no seu caso o diploma de Adm te abriu muitas portas, então ótimo, porém penso que não seja a regra.

      Você se formou onde? Acha que a sua universidade teve impacto importante nessas oportunidades ou foi mais devido a sua proatividade e rede de relacionamentos (networking)?

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  9. Houve uma expansão muito grande no ensino superior do Brasil, tanto público quanto privado, o que fez os diplomas se tornarem mais comuns e, por consequência, os salários mais baixos. Mas essa discussão de que "deixou de valer a pena" é ilusória, porque é efeito dessa expansão também a diminuição dos salários de quem não tem curso superior. Isso é óbvio: se existem bacharéis em direito não absorvidos pelo mercado trabalhando como auxiliares de escritório, aquele que tem apenas a formação básica (e normalmente ocuparia essa vaga) passa a ter que procurar um emprego de qualificação (e salário) ainda menor.

    Mas é fato que o fato de ter um diploma de curso superior não é, hoje, a mesma tranquilidade profissional de anos atrás. Vejo três caminhos possíveis para driblar essa dificuldade adicional, todos com seus contras:

    1- mais qualificação depois do curso superior: dedicação à graduação, depois mestrado, doutorado e atualização constante. É um diferencial mas não há nada garantido. Com a desaceleração da economia, o Brasil se tornou um país de doutores desempregados;

    2- empreendedorismo: um negócio próprio pode ser muito mais vantajoso financeiramente do que o curso superior, mas a verdade é que esse é um caminho muito mais banalizado do que a própria formação superior. Já somos há muitos anos o país com maior número de empresários no mundo, uma minoria se destaca e a imensa maioria quebra.

    3- curso técnico: o Brasil tem uma deficiência de profissionais técnicos muito grande. A verdade é que isso é consequência da disparidade salarial, que aqui ainda é uma das maiores do mundo, entre quem tem e quem não tem curso superior. O curso técnico não é atrativo. Ainda assim, em algumas áreas, um bom profissional de nível técnico é tão raro que pode alcançar salários excelentes. O senão é a sazonalidade desse tipo de contratação, muito dependente de um bom momento da economia.

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    1. É verdade jardineiro, é questão de oferta e demanda, com muito mais gente com o canudo na mão, não há demanda suficiente de bons salário pra esse povo todo, o que acaba pressionando também os não formados, como você bem destacou, já que os subempregos passam a ser preenchidos por pessoas com graduação.

      Mas ai que está a questão. Os graduados estão ocupando subempregos que, em tese, não necessitam de toda a especialização que eles adquiriram durante 4 anos de faculdade. Então no plano prático, de saber executar aquela função, o graduado e o nível médio tem a mesma competência para lidar com aquele desafio.

      Então num processo seletivo que privilegie conhecimentos e habilidades práticas em detrimento de currículo, o cara com nível superior estaria competindo pau a pau com o cara que só tem nível médio.

      Lógico que hoje ainda não funciona assim, o curso superior ainda vale algo no currículo, porém acredito que a tendência é valer cada vez menos.

      Quanto aos caminhos que você citou, eu acho que mestrado/doutorado é perda de tempo, a não ser pra quem quer seguir no meio acadêmico, aí valeria a pena. Tenho minhas dúvidas se isso traz um diferencial importante no mercado de trabalho.

      Empreendedorismo é uma grande interrogação, é mergulhar no desconhecido, pode dar muito certo ou muito errado, porém é o caminho mais democrático, onde o que conta é somente habilidades práticas de mercado e não diplomas e cursos teóricos.

      Já o curso técnico é bom para quem vai ser autônomo, que não deixa de ser um empreendedor.

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  10. Excelente discussão Ministro. Hoje eu sou formado na Estácio, curso tecnólogo à distância, 2 anos. Mas entrei no cargo que ocupo hoje por concurso público, e à época era ensino médio, quase 9 anos atrás. Hoje é ensino superior, e o salário bruto de mais de 13mil. Na época não tinha diploma algum de faculdade.

    Abração e fica com Deus.

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    1. Fala Diário!

      Imagino que o seu objetivo era apenas cumprir a formalidade de ter um curso superior, nesse caso um curso de 2 anos a distância é a melhor coisa!

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  11. Sou formado em Administração, em uma universidade privada conceituada, mas nunca exerci a profissão. Trabalhava durante o dia (banco) e estudava à noite (acho que isso contribuiu bastante para o baixo aproveitamento do curso, pois quase sempre chegava exausto à universidade). A única utilidade do curso para mim foi permitir o ingresso no serviço público em um cargo bem remunerado (já faz uns 7 anos). Não lembro mais nada do que "aprendi" na universidade, especialmente daqueles trabalhos em grupo que os professores adoravam passar para os alunos, para se eximirem de suas responsabilidades como docentes. Se na minha época eu já achava o ensino ruim, imagina agora...

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    1. Esse negócio de trabalho em grupo é um capítulo à parte.
      Me formai em ADM numa "uniesquina" e alguns professores adoram passar atividades em grupo ao melhor estilo sexta série.

      Aí já viu... Grupos com 4 ou 5 pessoas, onde 1 ou 2 fazem tudo e o resto só coloca o nome ou fica conversando.
      Os professores já fazem isso pra não ter que reprovar ninguém, fazendo os tais trabalhos já se alcança a média, independente de provas.

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    2. Quando o objetivo é passar em concurso público realmente não tem diferença nenhuma em qual faculdade estudar e as vezes qual curso fazer (existem muitos concursos com exigência de formação específica, assim como existem muitos que aceitam qualquer nível superior).

      Mas o que percebo é que mesmo já estando dentro, para conseguir promoções e oportunidades, dificilmente a formação acadêmica é decisiva, embora ajude.

      Esses trabalhinhos de faculdade são padrão, acontecem em todo lugar, desde as uniesquinas até universidades conceituadas. Também tive alguns professores que passaram conteúdos rasos e passavam quase o semestre inteiro passando "seminários", eram aulas e mais aulas de alunos fazendo apresentação (e o professor sentado olhando) sem falar no "up" na nota pra todo mundo passar.

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  12. Na minha visão o diploma de esquina matou o ensino superior, qualquer um se forma desde que pague por isso, uma das poucas profissões que ainda se salvam é a Medicina, porque para formar um Médico é necessário uma estrutura bem maior, principalmente as aulas práticas.
    Tirando a Medicina hoje se tem "engenheiro de papel" e "bacharel de esquina", eu me formei em uma federal, tinham alunos que não sabiam nem física básica e entraram no primeiro semestre (por cotas), obviamente não se formaram, mas se fosse uma particular haveria essa possibilidade. O diploma vai começar a valer algo se essas uniesquinas acabarem e as cotas também.

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    1. Pois é Douglas, é tudo questão de oferta/demanda e seleção adversa.

      As empresas vendo a diminuição da qualidade do pessoal e o aumento de oferta, começam a pagar salários mais baixos, assim ninguém se sente incentivado a buscar uma universidade de renome já que não compensa o custo/benefício, isso ajuda a lotar as Uniesquinas e perpetuar o ciclo.

      A solução mais óbvia seria diminuir o lado da "oferta" de graduados, assim a "demanda" de bons empregos seria maior para disputar os talentos. Porém isso iria na contramão do que se fala que é: "falta mão de obra qualificada no Brasil".

      Não sei exatamente qual a solução, mas APENAS essa medida seria muito rasa, é preciso pensar em outras pontas da cadeia.

      Pensa no mercado de Medicina, mão de obra escassa e tal. Um médico sai da facul ganhando 10k, eu mesmo conheço uma médica recém formada que tá ganhando isso e a garota é bem "normal", diria até que com inteligência bem mediana.

      Já pensou se todos os mercados ficassem assim, não ia ter empresas suficientes pra pagar altos salários para profissionais em início de carreira, e logo o lado da "demanda" por profissionais de nível superior iria cair.

      É meio louco isso, uma discussão que vai longe!

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  13. Na Minha Opinião vale sim, é o "Novo Ensino Médio" diria, pois muita gente está Fazendo.

    Indispensável para Entrar no Mercado de Trabalho, na margem dele pelo menos, pois Experiência e Q.I. (Quem Indica) são também indispensáveis para o Crescimento Profissional.

    Leitor Bruno L. Silva,
    Porto Alegre / RS.

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    1. Fala Bruno!

      Realmente o ensino superior está tomando um status que antigamente era do ensino médio, mas algo apenas necessário e que não agrega muito valor.

      Mas aí que está minha provocação, em outros países a formação em ensino superior em determinadas universidades ainda tem um status decisivo, de modo a atrair talentos para essas universidades. Isso no Brasil parece que se perdeu.

      Em relação ao Q.I, isso é normal, networking é quase tão importante quanto conhecimento técnico, é a velha questão de hard skills e soft skills.

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  14. Para algumas profissões acho bem importante o curso superior, principalmente as que exigem responsabilidade técnica como engenharia, medicina, farmácia e etc. Agira alguns cursos realmente é complicado.

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    1. Pois é Beto, profissões mais técnicas e que tem uma proteção muito forte de seus conselhos profissionais acabam ainda demandando a formação na faculdade. Acho que esses são justamente os casos em que ainda é muito válido o diploma.

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  15. Hoje meu trabalho nada tem a ver com a minha graduação. Tenho ex-colega de universidade que vende pacotes de TV paga. Conheço gente formada em História que hoje é cozinheira em lanchonete.
    No Brasil o governo investiu em quantidade de cursos de graduação sem investir na qualidade e o pior, o mercado de trabalho não cresceu na mesma proporção do aumento dessas vagas de nível superior.

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    1. Perfeito IS!

      É a velha questão oferta/demanda e com uma pitada de qualidade. Some um monte de gente se formando em Uniesquinas inundando o mercado de currículos a um mercado e uma economia retraída, boa coisa não pode sair!

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