segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Financeiramente Independente e Escravo do Trabalho. Como é Possível?

 
Esse mês tive uma conversa que me levou a uma reflexão interessante, em que percebi que ainda estou engatinhando no que diz respeito aos aspectos não financeiros da independência financeira.

Conversei com um senhor de 62 anos, escrivão da Polícia Federal. Solteirão, barrigudo, mora numa chácara, e é um legítimo Sugar Daddy, pra ele mulher de 30 anos é muito "coroa", ele sustenta umas novinhas GBR (gatinha baixa renda) que em contrapartida lhe oferecem "agrados". Pois bem, mas a questão principal é a seguinte: esse senhor já poderia se aposentar (com salário integral) há tempos (se não me engano a aposentadoria para PF é aos 55 anos). Entretanto ele dizia: "Qual a graça de me aposentar? Ficar em casa sem fazer nada?".

Em relação a esse senhor eu faço até uma ressalva pois a atividade policial é cheia de viagens, emoções, etc, o que acaba viciando a pessoa no trabalho (apesar de o trabalho de escrivão ser a parte mais chata). Entretanto eu conheço outros senhores que trabalham em atividades burocráticas e que também já poderiam se aposentar e entoam o mesmo discurso:  "Qual a graça de me aposentar? Ficar em casa sem fazer nada?".

Para algumas pessoas isso faz todo sentido, muita gente vive a vida quase toda sustentada em dois pilares: emprego e filhos. Entretanto os filhos crescem e vão tocar suas vidas, daí resta só o emprego. É ai que surge esse pensamento que se sair do emprego, a vida se tornará um mar de ócio e tédio.

Outra questão é a de se sentir útil. Todo mundo conhece aquela célebre frase: "o trabalho dignifica o homem". O trabalho é visto como fonte de realização pessoal, como algo que dá sentido à vida. Então ficar sem trabalhar é visto como algo ruim, uma porta de entrada para uma vida improdutiva, entediante e sem graça.

Retrato da alegria do trabalhador brasileiro. Aposentar pra quê?

Diante dessas situações eu comecei a fazer alguns questionamentos pessoais: financeiramente falando estou caminhando em direção à independência financeira, imagino que em algum ponto entre os 40 e 50 anos poderei fazer minha declaração oficial de independência. Ok, eu terei a grana para me declarar independente, mas e ai?

Claro que o questionamento vai ser aquele: "nossa, estou ganhando R$ 20k e tenho renda passiva de R$ 10k, total R$ 30k. Teria eu coragem de abrir mão de 2/3 da minha renda e viver "só" com R$ 10k em troca de liberdade? Vou perder grana em troca de ficar ocioso dentro de casa?

O ponto é: se não nos planejarmos desde já para a independência financeira, simplesmente chegaremos lá e nada vai acontecer. Vamos continuar trabalhando e trabalhando buscando uma aposentadoria "mais segura", quem sabe aos 65 anos, e vivendo nossa vida quase toda como escravos do trabalho. Essas são as pessoas que costumam frequentar a "sala dos aposentados" das suas antigas empresas.

Quando falo em planejar, é algo mais estruturado mesmo, afinal é fácil pensar em coisas como: "ah vou sair do emprego e viajar o mundo". Será que eu gosto tanto assim de viajar para viver fazendo isso? "ah vou passar o dia lendo e assistindo séries". Será que existem tantos livros e séries assim de que eu goste? "ah eu vou abrir uma empresa de consultoria". Será que eu tenho aptidão e disposição para ser empreendedor e tenho know how suficiente na área de consultoria?

Sinceramente, vejo que se eu não começar a traçar desde já planos não financeiros para a independência financeira, atingir a IF será só uma formalidade. E digo mais, não basta definir o que fazer no "pós-IF" é preciso, antes de chegar lá, tentar degustar um pouco dessa vida que se projeta após a declaração de independência, a fim de testar se é realmente algo que agrada.

Que fique claro que não odeio meu trabalho e nem quero sair a todo custo, pelo contrário, em 70% do tempo eu gosto e tenho orgulho do que faço, mas a vida é muita curta (quando se passa dos 30 percebemos isso) e o mundo é muito grande pra ser ficar preso a um trabalho por 30, 40 anos.

Então, na próxima listinha de metas e objetivos para o ano novo, além de traçar as rotineiras metas de investimentos e aportes, também será o momento de começar a pensar nos planos não financeiros para a independência financeira, quem sabe testar fazer uma viagem mais longa para um lugar mais exótico ou mesmo testar novas atividades como escalada.

Abraços,

Ministro

24 comentários:

  1. É de se pensar, eu não sei se gostaria de ficar sem trabalhar, o modelo ideal que penso seria o de trabalhar por hobbye, preocupar o tempo, mas sem compromisso, tipo uns dois ou três dias por semana e sem horário fixo. Por que convenhamos, vai ficar viajando o mês inteiro?
    Sei lá a IF que almejo na verdade é uma folga financeira pra não ser escravo do trabalho.

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    1. E ai falido!

      Também acho que mesmo após a IF é interessante ter alguma atividade. Entretanto os empregos e atividades convencionais, que são nossa atual fonte de renda, raramente permitem trabalhar 3x por semana e sem horário fixo. Provavelmente para conseguir isso teríamos que desenvolver alguma atividade por conta própria, e de preferência uma atividade que gostemos.

      Mas qual atividade? Daria lucro? Se sim, compensa meu trabalho? Se não, não seria melhor curtir a vida de outras formas?

      É esse tipo de planejamento a que me refiro.

      Abraços!

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    2. Então Ministro, talvez esse meu pensamento esteja alinhado com a minha realidade. Sou autônomo, tenho meu escritório em sociedade e trabalho na minha área de formação, que diga-se de passagem gosto de atuar. Se eu tivesse uma renda complementar faria alguns ajustes, como terminar a sociedade e dar uma selecionada nos serviços que pego, daria pra diminuir o ritmo tranquilamente.
      Mas entendo que quem trabalha de empregado cumprindo horários rígidos venha a pensar de outra forma.

      Até!

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  2. Pq voces complicam oq eh simples? Façam o que gostam na pos IF. Eu gosto de viajar (eh oq to fazendo nesse exato momento) mas nao gosto apenas de viajar. Aproveitem a vida po. Inacreditavel alguem sentir tedio no tempo livre.

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    1. E ai Anon!

      Cara, pode até parecer simples, mas só chegando lá para saber como é. Viajar é massa, com certeza, mas tanto cansa, como demanda muitos gastos. Para sustentar uma vida com boas viagens tem que ter uma IF poderosa.

      Mas a questão é que uma vida assim meio aleatória, fazendo uma coisa que gosta ali, outro acolá, corre o risco de enjoar, por ser uma vida sem propósito. Claro que é possível achar um propósito não vinculado à trabalho, esse é o desafio!

      Abraços!

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  3. Excelente post Ministro.

    Eu já tenho as coisas definidas a fazer quando atingir a IF. Esse negócio de ficar prezo ao trabalho por décadas não dá.

    Abraços.

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    1. Massa Cowboy!

      Depois compartilhe seus planos pós-IF, podem inspirar outras pessoas!

      Abraços!

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  4. Acabei de comentar no blog do Aposente aos 40 e vou repetir aqui. Não acredito na IF, e sim na semi-IF. Ficar sem fazer nada é chato pra caramba e acredito que devemos buscar uma profissão na qual tenhamos muito prazer em exercer. Dito isso, acredito que em dado momento devemos diminuir nosso ritmo. Ter mais tempo para aproveitar os momentos de ócio porém ter uma ocupação.

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    1. E ai Enriquecendo!

      Pois é, concordo com você. Como relatei logo acima, não dá pra ficar vivendo aleatoriamente sem um propósito, isso é porta aberta para desânimo e depressão.

      O desafio é achar uma atividade que se encaixe nas nossas expectativas de vida pós-IF. Certamente não será numa empresa CLT, como fez o Corey (cada um com suas loucuras).

      Abraços!

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  5. Sempre preciso ter metas e planos

    Se poder vote no enquete no meu blog "como voce pretende usar o seu décimo terceiro"


    Abraço e bons investimentos

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  6. Excelente post Ministro!

    É algo que precisamo começar a refletir desde já mesmo!

    Abraços

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    1. E ai Inglês!

      Pois é, embora a IF ainda esteja longe é bom já ir considerando esse tipo de coisa.

      Abraços!

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  7. Ministro,

    Também passo boas horas desenhando meu plano de ação para a vida pós-IF, se e quando ela chegar. Ainda que seja bom pensar sobre isso em linhas gerais, não acho que valha a pena se incomodar muito sobre o assunto... Nossa perspectiva de mundo se altera muito em algumas décadas, é difícil saber de antemão como levar a vida ao atingir mais maturidade.

    Abraço!

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    1. E ai DM!

      Nisso você tem razão. Daqui há 10 anos pode ser que pensemos de forma totalmente diferente, mas ainda assim acho que vale a pena irmos lapidando um plano e aperfeiçoando-o ao longo do tempo, de forma que quando a IF chegar, não fiquemos em cima do muro esperando um momento mais seguro (que nunca vai chegar) para se aposentar.

      Abraços!

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  8. 1º A maioria das pessoas não trabalham na profissão dos seus sonhos, nem exercem trabalhados desafiadores, criativos etc.
    Pra grande maioria a vida profissional nada mais é o do que uma rotina. Porém as pessoas se adaptam, se acostumam e por passar tanto tempo no trabalho ou em atividades relacionadas a ele simplesmente tem dificuldade de viver de outra forma, porque nunca aprenderam a viver de outra forma.

    Ter uma atividade é bom, o que estraga profissionalmente falando, são as pessoas com quem convivemos que nem sempre agregam algo (gente falsa, fofoqueira, puxa sacos etc).
    Politicagem.
    Falta de reconhecimento no trabalho e/ou salários baixos. Esses são os três pilares da insatisfação profissional.
    O cara pode até não ser apaixonado pelo trabalho, mas se ele não passar pelas coisas citadas acima, já dá uma paz danada e a vontade de sair do emprego diminui, nesse caso por motivos justos.

    Mas o que temos mesmo é uma multidão de pessoas que simplesmente se viciaram em suas rotinas e não sabem fazer outra coisa, nem sequer tentam.

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    1. E ai Anon!

      Você foi muito feliz no seu comentário. Tudo verdade. Mesmo que se trabalhe em um suposto emprego dos sonhos, existe uma série de fatores que gera insatisfação pessoal, como você bem citou: rotina, salário baixo, politicagem, pessoas tóxicas, falta de reconhecimento, etc.

      Por isso que imagino uma atividade pós-IF como algo bem autônomo, que dê para trabalhar sozinho ou com uma equipe enxuta, e algo que seja delegável ou "automizável", para que não fiquemos presos ao trabalho. Uma atividade assim, mesmo que gere pouca renda (já que renda não será o foco no pós-IF) me parece mais apropriado para viver a independência financeira.

      Abraços!

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  9. Um ponto que venho me questionando é se vale a pena me preparar muito pra uma IF ou se eu deveria tirar uma(s) licença sem vencimento agora... Meu racional é: será que daqui a 10, 20, 30 anos vou querer fazer as mesmas coisas que gosto de fazer hoje (ou ainda, será que vou ter a disposição física pra fazer as coisas q gosto de fazer hoje?!)

    Será que quando eu tiver 50, 60 não vou querer simplesmente assistir séries e/ou ir pro trabalho encher o saco da "garotada" (como uns velhos no serviço púbico fazem rsrs) do que ir nadar, pedalar, correr (ou no seu caso escalar) ?!

    sei lá ... não foi exatamente o tópico do post, mas tem relação... só pensando alto aqui ... rs
    abraço
    Victor

    Ps. Já se decidiu sobre RPPS ou FUNPRESP ?? Tb tô pensando nisso e tô bem inclinado a mudar...

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    1. E ai Victor!

      Eu também penso nisso, e é até uma das principais bandeiras do Gustavo Cerbasi no livro "Adeus, Aposentadoria". O conceito dele é justamente esse que podemos curtir "micro aposentadorias" ao longo da vida, sem esperar chegar a velhice. Tim Ferris no livro "Trabalhe 4 Horas Por Semana" também defende algo parecido.

      Seria muito bom, mas tem alguns poréns:

      1 - Se você tirar uma licença sem vencimento, com que renda você vai cobrir suas despesas? Já tem alguma renda passiva boa ou vai queimar o patrimônio?

      2 - No órgão em que você trabalha, há essa flexibilidade para tirar licença sem vencimento de tempos em tempos? Geralmente o pessoal bota muita dificuldade para autorizar esse tipo de coisa.

      Eu sinceramente acho que é uma boa, desde que se tenha uma outra renda, passiva ou não, para cobrir alguma coisa das despesas. Por exemplo, conheço um cara que tirou licença sem vencimento de um cargo de R$ 15k, e está dando aulas online para uma faculdade americana. Está ganhando menos, mas ele tem uma vida frugal, e com certeza tem muito mais liberdade para curtir uma "micro aposentadoria".

      Em relação ao Funpresp, estou quase decidido a migrar para ele mesmo.

      Abraços!

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    2. Fala Ministro!

      1 - seria queimando patrimônio mesmo rs
      Esse é um dos medos de tirá-la. Mas como sou mochileiro acho que não gastaria muito numa viagem longa (seria o motivo pra eu tirar a licença) poderia inclusive trabalhar num workaway em troca de hospedagem. Mas aí é estilo de cada um

      2 - Cara, não há muita flexibilidade não. depende do chefe do momento rs Mas de qualque maneira, é melhor estar com com um plano básico caso surja a oportunidade do que planejar do zero né...

      maneiro esse lance do seu conhecido! ta aí ... dar aulas pode ser uma ideia... Ps. Mas como ele conseguiu dar aula online pra uma faculdade americana ?! Ele deve ser muito pica pra receber um convite desses...

      abraço

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  10. E aí Ministro, blz.

    Cara, policial Federal, por enquanto, ainda não tem idade mínima!

    Por exemplo, Se ele começou trabalhar em qualquer coisa desde os 16 anos, e contribuiu desde então, basta ter 30 anos de contribuição, e 20 anos como policial. Ou seja, ele poderia ter saído aos 46 anos!

    Tá esquentando cadeira, podendo usufruir outras coisas. Mas sei sair perde o abono que da recebe, que deve estar próximo de 2000 reais, mais o auxílio alimentação de 458, mas alguma bonificação que que tenha em chefia, ou outra coisa. É uma baita diminuída no orçamento. Muitos no meu órgão pensam assim é continuam trabalhando.

    No órgão onde trabalho, num local próximo, tem um senhor com mais de 70 anos, NA ATIVA. Já deveria ter saído pela compulsória, mas está com liminar na justiça o autorizando continuar. Veja a que ponto chega o argumento de não querer sair!

    Existe uns posts, creio que do Soul surfer, sobre a síndrome do "mais um ano". Em que a pessoa vai ficando ano após ano sem se aposentar, esperando um aumento na renda passiva, e nunca se aposenta.

    Abração

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    1. Eu sabia que policial aposentava cedo, mas nem tanto rsrs

      Esse lance de abono permanência é uma coisa que já devia ser extinta há muito tempo, serve só para ficar segurando os antigões no serviço público ao invés de dar espaço para gente nova oxigenar a máquina.

      Como você destacou, a queda de renda é razoável para quem se aposenta, e esse pessoal vive no limite financeiro, então acaba deixando para a última hora pra se aposentar (ou nem isso, como você citou que conhece um senhor que está sobrevivendo à "expulsória").

      Vou dar uma olhada nesse post do Soul!

      Abraços!

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  11. Fala Ministro, baita reflexão e sempre rende boas discussões e ideias. No fundo, bem no no fundo a maioria das pessoas precisa ter uma rotina e não sabe viver sem ela. Acredito que depois da IF, ou semi-IF, é adotar uma nova rotina seja com atividades culturais, dedicando-se aos investimentos, rotinas com atividades saudáveis. Enfim, é uma questão pessoal. Abraço!

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    1. Essa questão da rotina dá uma boa discussão. Eu particularmente adoraria não ter uma rotina, mas não sei se falo isso só porque eu tenho uma rotina rsrs

      Mas realmente, no pós-IF em se optando por largar empregos formais ou dar uma "relaxada" no negócio próprio, algum tipo de rotina vai se formar, obviamente que bem menos rígida que a rotina de trabalho atual que levamos e com atividades mais prazerosas.

      Abraços!

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