segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Atualização Patrimonial Setembro/2018: R$ 254.687,45 (- R$ 2.714,90 ) Rentabilidade (- 2,2%)



Mais uma atualização patrimonial tardia, mais uma rentabilidade negativa e um mês sem aportes. Na verdade nesse mês de setembro fiz uma viagem internacional (EUA) então a preocupação com finanças foi muito perto de zero, até porque eu viajei no auge da valorização do dólar então liguei o "foda-se" mesmo.

Esse mês meu patrimônio variou R$ 2,7 mil pra baixo fruto apenas da desvalorização de papéis, notadamente os FIIs, que registraram queda de 12,35% em setembro. Tamanha queda foi fruto de dois fatos atípicos vinculados a dois FII's que possuo em carteira:

a) MFII11 que teve suas negociações retomadas e em virtude de toda a polêmica viu sua cotação despencar uns 40%.

b) GRLV11, um fundo com um ótimo imóvel porém é praticamente um monoinquilino (Ambev). Em setembro a Ambev notificou sua intenção de sair do imóvel, levando a cota do fundo a despencar uns 20%.

Agora em outubro voltei novamente aos estudos de mercado e aos aportes, então na próxima atualização patrimonial deve vir algo melhor do que setembro trouxe.

CARTEIRA:



Olhando esse patrimônio e pensando na meta de fechar o ano com R$ 300k, o cenário não é dos mais fáceis, faltam R$ 45 mil. Considerando que tenho uns R$ 15 mil em conta corrente esperando destinação, e desconsiderando eventuais rentabilidades positivas, eu teria que gerar novos aportes de R$ 30 mil em 3 meses, complicado, principalmente considerando as despesas de fim de ano.

RENTABILIDADE:







Como se pode perceber, mais um mês com tudo fechando no vermelho, destaque para a queda expressiva nos FIIs, como mencionei no início desse post. Outra situação que devo melhorar daqui pra frente é o excessivo saldo de dinheiro na poupança, devo transferir uma parte para TD Selic e outra parte para renda variável, ainda avalio a possibilidade de aproveitar a tendência de queda do dólar para começar uma diversificação em investimentos internacionais.

Pra quem tiver curiosidade, segue a minha carteira de renda variável no fechamento de setembro. Críticas construtivas, sugestões e dúvidas são sempre bem vindas.



Abraços,

Senhor Ministro

terça-feira, 9 de outubro de 2018

O Que Realmente Está em Jogo na Disputa Entre Bolsonaro e Haddad

 
Cá entre nós, os candidatos escolhidos para disputar o 2ª turno não são necessariamente os melhores, na minha opinião os melhores expoentes da direita e esquerda eram, respectivamente, João Amoêdo e Ciro Gomes, mas bem, é o que temos para hoje.

Minha proposta com esse artigo é deixar o tema "corrupção" um pouco de lado e discutirmos, entre os dois projetos que estão postos, qual deles tem o maior potencial de fazer o país crescer novamente.

As diferenças entre os dois candidatos que disputam o 2º turno são inúmeras, mas a principal delas é a sua orientação acerca do papel do Estado, enquanto Bolsonaro assume uma linha mais liberal, com enxugamento de ministérios e privatizações, Fernando Haddad mantém-se na linha do Estado de Bem-estar Social. Eu já falei um pouco sobre isso aqui no blog, mas vou dar uma nova ótica para aqueles que ainda estão em dúvida acerca do assunto.

Qual a diferença entre esses dois projetos de governo? Tudo depende do grau de liberalismo que o Bolsonaro pretende implementar (algo ainda incerto), mas a ideia central da corrente de pensamento liberal é que a solução dos problemas do país não está no Governo mas sim nas pessoas, portanto o papel do Governo é dar um ambiente que permita que as pessoas tenham liberdade para agir. Já o Estado de Bem-estar Social é aquela ideologia que prega que o Governo deve ser o protagonista das soluções dos problemas do país.

Pra ilustrar e exemplificar a diferença entre essas duas filosofias vou dar um exemplo prático: a Lei Rouanet.  Resumidamente a Lei Rouanet dá desconto no imposto de renda para empresas que patrocinam projetos culturais, em outras palavras, o Governo investe (deixa de arrecadar), por ano, R$ 1 bilhão apoiando os mais diversos projetos culturais. E qual é a principal questão? As maiores empresas culturais que se beneficiam da Lei Rouanet são sempre as mesmas, de uma forma que chegou-se ao ponto em que sem o apoio estatal elas não conseguiriam sobreviver, ou seja, criou-se um "Rouanet-dependência" no mercado cultural.

Veja que nesse exemplo o Estado assumiu o papel de "pai" da cultura, assumindo-a como sua "filha", lhe devendo amor, afeto e, obviamente, lhe sustentando. O problema disso é que cria-se a dependência da filha para com o seu pai, dificilmente essa filha vai conseguir caminhar com as próprias pernas. Algo semelhante acontece com grandes companhias que recebem isenções fiscais para instalar suas fábricas em determinadas localidades. Tais empresas acabam "incorporando" essas isenções às expectativas de resultados financeiros, criando-se também um grau de dependência estatal.




Por isso que o que eu defendo é, ao invés do atual "Estado Pai" um "Estado Amigo". Numa relação de amigo/amigo não existe a obrigação de um sustentar o outro, pelo contrário, o amigo enxerga que seu companheiro está numa situação difícil e o ajuda com um empréstimo, com uma palavra de apoio, com alguns conselhos, sempre na expectativa que ele saia do buraco e caminhe por si só posteriormente. Por isso, penso que quando o Estado atua sobre um setor ou segmento da população ele deve fazê-lo em caráter transitório, visando sempre que aquele setor ou segmento populacional consiga se alavancar e caminhar com as próprias pernas.

Obviamente que um "Estado Pai" tende a se capitalizar mais eleitoralmente, pois os filhos costumam ser mais fiéis aos pais do que aos amigos, porém pensando-se no bem da nação, penso que chegamos ao momento de repensar essa tentativa de implementar o Estado de Bem-estar Social num país como o Brasil, algo que já provou-se inviável.

O que você acha disso?

Abraços,

Senhor Ministro

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Atualização Patrimonial Agosto/2018: R$ 257.402,35 (+ R$ 10.142,39) e Rentabilidade ( - 0,49%)



Talvez essa tenha sido a atualização patrimonial mais tardia que eu já fiz, mas esses dias estão muito corridos. Além da correria normal do trabalho eu meio que espremi algumas viagens (inclusive uma internacional que farei na próxima semana) no 2º semestre do ano, então toda aquela coisa de planejar viagem, reservar hotel, comprar moeda, etc, tem me consumido mentalmente.

Fora outras viagens que "terei" que fazer (casamento de amigo de infância, visitar família, etc). Não reclamo, acho muito legal viajar, porém isso também implica em aumento de gastos, contudo acredito que estou equilibrando bem as finanças e ainda tenho uma pontinha de esperança de terminar o ano atingindo a meta que estabeleci (patrimônio de R$ 300 mil).

Essa correria também gerou como consequência um certo desleixo com os investimentos nos últimos dois meses - não um desleixo de gastar dinheiro, se endividar, nada disso - na verdade estou cometendo o deslize de deixar dinheiro parado na conta corrente por pura preguiça de investir. Tenho mais ou menos uns R$ 15 mil aguardando destinação, porém só devo fazer isso quando retornar de viagem.

Corpo e Saúde

Um destaque bem interessante dos últimos dois meses, não exatamente relacionado com finanças, mas tão importante quanto, é o aspecto saúde. Desde o início do ano eu tinha me comprometido a emagrecer (como 99% das pessoas fazem), cheguei a ir ao nutricionista, porém acabei não levando muito a sério esse objetivo.

Porém, desde meados de julho alguma "chave" virou na minha cabeça e eu simplesmente decidi que era a hora. Troquei de nutricionista, comecei a seguir e acompanhar uma galera da nutrição no Instagram e li o excelente livro "4 Horas Para o Copo" do Tim Ferris. Depois devo fazer um post especificamente sobre isso, mas em 2 meses perdi cerca de 3 kgs de gordura e ganhei 2 kgs de massa magra, sem fazer tanto sacrifício, sem jejum, sem suplementos. Baixei meu % de Gordura de mais de quase 29% para 24% em 2 meses. Para uns isso pode ser bom, para outros ruim, mas pra mim foi um puta resultado e vou seguir firme. Havia estabelecido como meta o percentual de gordura de 15% ao final do ano e vou brigar por isso!

Reavaliação de Bens


Uma vez por ano, nos meses de agosto, eu faço a reavaliação dos meus bens, basicamente um carro e um apartamento. Tenho uma planilha de balanço patrimonial onde registro tudo (que é diferente da carteira que publico aqui no blog) e sempre busco registrar os bens pelo seu valor de mercado.

Em relação à carteira do blog, o impacto se dá pelo valor de mercado do imóvel que tenho (lembrando que não moro nele, hoje o mantenho alugado me gerando renda), uma vez que o registro que faço na carteira é o valor de mercado deduzido do saldo devedor do financiamento.

Tenho relativa segurança pra levantar o valor de mercado desse imóvel pois sempre tem muitas ofertas de apartamentos com a mesma planta e no mesmo condomínio.  No ano passado minha base de comparação foram 33 anúncios, nesse ano consegui levantar 23 anúncios. Pois bem, em 2017 o valor de mercado desse imóvel havia declinado 0,2%, nesse ano o valor de mercado subiu 2,2%.

Apenas a título de informação, já que não integra a carteira, o valor de mercado do meu carro caiu, em um ano, 4,2%.



Carteira de Investimentos

Vamos então às finanças propriamente ditas:

Aporte do mês:  R$ 5.162,31

Papéis comprados: 45 EGIE3, 200 GRND3 e 200 ITSA4

Carteira:




Em relação à rentabilidade, em julho houve um ensaio de recuperação mas em agosto voltamos ao negativo e tudo indica que continuará assim até, pelo menos, o começo do próximo ano. Lógico que se o João Amôedo começasse a subir nas pesquisas o cenário ir mudar muito, porém, infelizmente, é improvável que isso aconteça.




Então é isso, eu particularmente seguirei acreditando na renda variável brasileira e devo destinar, pelo menos até o fim desse ano, 100% dos meus aportes para ações e FIIs. A partir do próximo ano, a depender do cenário que se desenhe para o país, começo a pensar em frear um pouco o ímpeto pelo investimento na bolsa.

Abraços,

Senhor Ministro

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Que Brasil Você Quer Para o Futuro?

Que Brasil Você Quer Para o Futuro?
 
Há alguns meses a Rede Globo lançou a campanha "Que Brasil Você Quer Para o Futuro" convidando um bando de imbecis, quer dizer, telespectadores, a enviarem vídeos em que expressam a sua visão de país ideal para o futuro. O problema é que o Brasil que as pessoas querem para o futuro é um país inviável e fadado o fracasso.

Eu não costumo assistir muita TV, mas às vezes assisto alguns trechos de jornais da Globo e vira e mexe vejo alguns desses vídeos dessa campanha. Não posso afirmar estatisticamente pois não assisti tantos vídeos assim, mas o que percebo é que 90% das expectativas externalizadas pelas pessoas para o "Brasil do Futuro" é basicamente sobre um país em que os políticos não roubem e o governo atenda a todas as necessidades do povo (saúde, educação, emprego, renda, moradia, segurança, comida, roupa, lazer, cultura, terra, etc).

O primeiro destaque em relação a isso é que esses dois desejos ("políticos honestos" e "Estado ultra provedor") são antagônicos. Quanto maior a demanda por um Estado provedor, maior esse Estado precisa ser, necessitando de mais recursos, mais pessoas, mais órgão públicos, etc. Por sua vez, quanto maior for a abrangência governamental e o volume de recursos públicos à disposição do governo, maior será o apetite de agente públicos (políticos ou não) e privados para ficar, ilegalmente, com parte desse enorme bolo, seja o bolo do "dinheiro", seja o bolo do "poder".

O outro destaque é essa tara por um Governo que proporcione tudo aos cidadãos: as pessoas, principalmente as mais humildes, esperam que a solução para tudo venha do governo, as crianças e jovens crescem aprendendo que é obrigação do Governo dar uma vida confortável para "seus" cidadãos, filhos da pátria. Um exemplo bem universal disso é a previdência, a esmagadora maioria das pessoas apenas vão trabalhando "normalmente" pois sabem que sua velhice será garantida pelo aposentadoria "do INSS". Ora, pra quê se preocupar em fazer poupança, investimentos, pé de meia ou previdência privada para a aposentadoria se o INSS está ai pra isso?

Essa cultura gera dois grandes problemas (certamente há outros que não me vem à mente agora): primeiro a síndrome da "gratidão". Como as pessoas esperam que o Governo aja como uma mãe, elas estão sempre apresentando demandas. Uma vez que essas demandas são atendidas cria-se o sentimento de gratidão ao político/governante que viabilizou esse atendimento. O político, por sua vez, usa dessa gratidão para se perpetuar no poder, até chegar ao ponto em que essa gratidão é tão grande que o político em questão pode até usar seu mandato em prol de interesses particulares que, mesmo assim, o público ainda vai lhe apoiar.


Que Brasil Você Quer Para o Futuro?
"Rouba mas faz"
Outro problema está relacionado com o comportamento vitimista que é adotado sistematicamente pelas pessoas, que acham que um ser externo (Governo) tem a obrigação/dever de lhe dar uma vida confortável, ao mesmo tempo em que culpam esse mesmo Governo por suas mazelas. Ou seja, a pessoa abre mão do protagonismo da sua vida, da sua individualidade e do seu potencial e deposita todas suas esperanças sobre um ente abstrato que, não raramente, é comandando por pessoas não comprometidas com o interesse público.

Existe toda uma discussão filosófica acerca disso, nesse sentido destaco um trecho interessante que li num blog aleatório pela internet em que é falado sobre Antonio Gramsci e o Marxismo Cultural:



Esse papo filosófico é longo e certamente eu não sou especialista para debater sobre isso, mas acerca dessa natural devoção e expectativa das pessoas em relação ao Estado, penso que poderíamos mudar essa perspectiva fazendo uma leve alteração na pergunta da campanha da Rede Globo: ao invés de perguntar "que Brasil você quer para o futuro?" a pergunta mais adequada seria: "Que Você o Brasil Terá no Futuro?".

Abraços,

Senhor Ministro

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Cuidado Com a "Gourmetização" de Tudo, o Prejuízo Pode ser Grande!



Eu não sei exatamente há quanto tempo o fenômeno da gourmetização foi iniciado, suspeito que há muitos e muitos anos, porém nos últimos tempo essa tendência tem se alastrado de forma significativa e invadindo os setores e produtos mais inusitados, transformando experiências triviais, como comer um saco de pipoca, em algo totalmente "diferente e inovador" (pipoca com caramelo, coco e noz-pecã). Logicamente que para consumir esse "algo novo" o custo é diferente: enquanto um saco de pipoca normal custa uns R$ 5,00, um saco de pipoca gourmet pode custar mais de R$ 30,00. No universo masculino podemos citar os recentes fenômenos da gourmetização das barbearias e das cervejas.

Isso tudo é colocado na cabeça das pessoas de forma recorrente por meio de infusões massivas de marketing, que vão desde propagandas comuns, blogs e canais de Youtube especializados, até programas de televisão como Masterchef. As pessoas vão sendo levadas a pensar que elas PRECISAM experimentar aquela coisa diferente, que só se vive uma vez, que elas merecem aquela experiência "premium". E ai aquela velha resenha com os amigos tomando Skol, comendo petiscos e falando bobagens, que resultava numa conta aceitável para rachar com todo mundo, vira encontros sem sal e em bares de cervejas especiais, em que se paga por uma cerveja o valor total da conta de outros tempos.

A lista de produtos e serviços gourmets é interminável: barbearia gourmet, cerveja gourmet, café gourmet, restaurante gourmet, pipoca gourmet, churros gourmet, etc. A gourmetização tornou-se um trunfo dos empresários para conquistar e fidelizar seus clientes, porém por trás de uma experiência diferenciada está uma das maiores arapucas financeiras que podem ser montadas. É aquela coisa, depois de ver não dá pra "desver", ou seja, depois que você é inserido nesse mundo gourmet e é inundado de informações e confirmações externas acerca da "maravilha" daquele mundo, a possibilidade de você ficar preso é muito grande.



Retomando o exemplo que dei, o cidadão bebeu sua vida toda Skol e Antarctica e sempre lhe satisfez plenamente. Certo dia porém um amigo lhe convenceu a tomar uma cerveja diferente, pois esses lixos brasileiros não prestam. Ele provou essa cerveja importada e até gostou porém de início não achou que valeria a pena pagar 5x mais por ela, porém, com o tempo, o seu paladar foi se "refinando", ele foi estudando o assunto, lendo reviews de cervejas, participando de eventos cervejeiros, e hoje ele entende finalmente o que é uma cerveja de verdade, que custa, no mínimo, R$ 30,00 uma long neck, isso quando ele ainda não tinha decidido produzir sua própria cerveja, que tem lhe custado mais de R$ 100,00 por litro, porém nada como o sabor de uma cerveja artesanal feita no próprio quintal de casa, afinal de contas uma cerveja com aroma frutado e feita com água filtrada em recipientes alcalinos e ionizados faz toda a diferença!

Perceba que em um mudança de comportamento relativamente rápida, uma pessoa deixa de consumir uma cerveja de R$ 8,00 por litro, para pagar R$ 100,00 por litro. Será que a diferença da experiência entre uma e outra compensa tamanha diferença financeira? Eu duvido! O pior é que uma vez que alguém é atingido pelo "raio gourmetizados" é muito difícil voltar atrás.

E ai o corte de cabelo que custava R$ 15,00 passa a custar R$ 60,00; a pipoca que custava R$ 5,00 passa a custar R$ 30,00; o café que custava R$ 4,00 passa a custar R$ 25,00; a lasanha que custava R$ 15,00 passa a custar R$ 50,00 em sua versão lowcarb, e assim por diante....Essa é a receita perfeita para a derrocada financeira, pois aos poucos essas experiência gourmets vão ficando cada vez mais frequentes e vão corroendo o orçamento pessoal. E como todos sabemos para subir o padrão de vida é num piscar de olhos, mas para baixar são outros quinhentos.....

Então se você almeja grandes objetivos financeiros, fique de olhos abertos com o "raio gourmetizador" pois ele pode acabar com suas pretensões, destruir seu orçamento e frustrar seus investimentos.

E você é adepto de algum produto gourmet e acha que vale a pena? Ou conhece alguém que vende os rins para desfrutar de experiências premium? Comenta aqui embaixo!

Abraços,

Senhor Ministro

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Uma Análise Sobre os Fundos Imobiliários (FIIs) Com Alta Rentabilidade e os Riscos Envolvidos (Caso FAMB11B)

Fundos Imobiliários (FIIs) Com Alta Rentabilidade FAMB11B

O investimento em Fundos Imobiliários ainda é uma modalidade desconhecida por muitos brasileiros, mas vem crescendo a cada dia. Em Junho/2018 a B3 contabilizou cerca de 129 mil investidores pessoas físicas em fundos imobiliários contra 730 mil investidores individuais em ações. Apesar dessa grande defasagem em relação ao mercado acionário, é inegável que os FII vêm crescendo muito e caindo no gosto de novos investidores todos os dias.

Entretanto, no que tange à análise de Fundos Imobiliários no Brasil, ainda vejo algo muito incipiente. Não há muita literatura acerca do assunto e o número de especialistas é igualmente reduzido. Da mesma forma, não há uma maturidade de extração e estruturação de dados dos FII para auxiliar os investidores, como temos com as ações à exemplo do que fazem sites como Fundamentus e PenseRico.

Dessa forma, o processo de escolha de um FII para investir pode ser um enorme desafio para muitos investidores. Que parâmetros utilizar? Existem vários, por exemplo: localização do imóvel, padrão construtivo, idade do imóvel, valor do aluguel em relação ao praticado na região, quantidade de imóveis do fundo, quantidade de inquilinos de um imóvel, tipo e duração dos contratos, qualidade da gestora, etc.

Veja que são inúmeros critérios, alguns extremamente subjetivos, o que torna tudo mais difícil. E ai alguns investidores resolvem simplificar as coisas e utilizar AQUELE critério, o único, o soberano, o magnânimo, aquele que realmente importa: qual fundo está pagando mais. Em termos mais técnicos, chamamos isso de Dividend Yeld.

Caso você não saiba, o Dividend Yeld é o termo técnico utilizado para fazer uma espécie de medição da rentabilidade de um fundo e se dá pelo seguinte cálculo: Rendimentos/Preço da Cota. Supondo então que a cota de um determinado FII custe R$ 100,00 e ele esteja distribuindo mensalmente R$ 0,80 por cota, podemos afirmar que o DY mensal desse fundo é de 0,80%. Só a título de comparação a poupança está pagando hoje um “DY” mensal de 0,37%.

Então o critério do DY é excelente não? Assim podemos escolher os fundos imobiliários que irão nos dar maior retorno. Em tese é isso, porém quando se trata de mercado financeiro temos que lembrar sempre daquela velha máxima: quanto maior o retorno, maior o risco. Nos fundos imobiliários isso se aplica perfeitamente, e para mostrar os perigos de investir buscando apenas rentabilidade, vou citar um exemplo a seguir de um FII com alta rentabilidade porém com riscos significativos.

FAMB11B – Edifício Almirante Barroso

Como o nosso foco é buscar fundos imobiliários com altos rendimentos, vamos inicialmente dar uma olhadinha no DY desse fundos nos últimos meses:

Fundos Imobiliários (FIIs) Com Alta Rentabilidade FAMB11B

Repare na coluna "DY", esse fundo tem rendido mais de 1% ao mês e em agosto/2018 rendeu absurdos 1,6% ao mês!! Isso é muita coisa!! Só pra você ter uma ideia, se você investisse R$ 100 mil nesse fundo receberia todo mês R$ 1.600,00 de proventos. Se aplicasse os mesmos R$ 100 mil na poupança eles renderiam apenas R$ 370,00 por mês. Olha a diferença!



Mas calma, antes de abrir a sua corretora e sair comprando algumas cotas de FAMB11B vamos analisar um pouco melhor o fundo:
a) o fundo é detentor de apenas um imóvel, o Edifício Almirante Barroso;
b) Esse imóvel é integralmente locado para a CAIXA, ou seja, o fundo fica na dependência de apenas um inquilino;
c) O prédio é velho, precisa de reformas e quanto mais gastos com reformas, menos lucro para distribuir para os cotistas;
d) O fundo e a CAIXA não se entenderam sobre a prorrogação do contrato e atualmente vigora um contrato por tempo indeterminado sem multa rescisória, ou seja, a CAIXA pode sair do imóvel quando bem entender sem pagar multa;
e) Há boatos circulando na imprensa de que a CAIXA tem intenção de deixar o Edifício Almirante Barroso;
f) O imóvel está localizado em um dos estados mais falidos e com maior taxa de vacância do Brasil (Rio de Janeiro).

Perceba que após considerar esses fatos, aquele "rendimentão" de 1,6% já não fica mais tão bonito né? Já pensou se a CAIXA resolve deixar o imóvel, seria um caos para o fundo, que teria muitas despesas a arcar com reforma e poderia ter grandes dificuldades para locar seus espaços novamente e, quando o fizesse, faria por um preço de aluguel bem inferior ao atualmente praticado com a CAIXA. O próprio preço da cota reflete esses riscos, uma vez que em 1 ano o valor da cota caiu quase 50%.

Eu não sei na sua cidade, mas perto de onde trabalho tem alguns desses prédios antigões que foram desocupados por um grande inquilino e nunca mais foram locados. Dá pena ver o comércio da região, antes lotado, restaurantes cheios na hora do almoço e agora os poucos que sobraram vão lutando para conquistar os parcos clientes que sobraram.

Conclusão

Ao investir em fundos imobiliários pense que se está fazendo um investimento de longo prazo, portanto é preciso pensar não só nos rendimentos atualmente distribuídos pelo fundo mas a sua sustentabilidade no longo prazo e os principais riscos envolvidos.

Eu usei o FAMB11B como caso prático para a análise mas temos outros exemplos de fundos que pagam, ou pagavam, altos rendimentos mas que carregavam com si riscos significativos. O caso mais recente é o do MFII11, que já abordei aqui no blog, que tinha um dos mais altos DY do mercado mas que acabou tendo suas negociações suspensas em virtude de suspeitas de irregularidades.

De certo o mercado de informações relacionadas aos FII ainda tem muito a crescer e se democratizar, mas isso acontecerá com o tempo e com o próprio crescimento do mercado, afinal quanto mais consumidores mais profissionais interessados em gerar e rentabilizar conteúdo relacionado ao assunto.

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com


terça-feira, 7 de agosto de 2018

Atualização Patrimonial Julho/2018: R$ 247.259,96 (+ R$ 2.821,24) e Rentabilidade (+ 1,88%)


Vamos ao breve fechamento patrimonial, mantendo viva a chama do acompanhamento patrimonial. Esse mês não tenho muito a compartilhar em relação a investimentos porque simplesmente não aportei nada, motivo: em setembro farei uma viagem internacional e ainda estou avaliando os gastos (um bocado de preguiça também, confesso). O dinheiro acabou ficando parado na conta corrente e devo aportar nesse mês de agosto, portanto teremos um aporte turbinado em agosto, certamente um montante de 5 dígitos.

Infelizmente o destaque do mês foi o falecimento repentino do nosso colega VdC, inclusive fiz uma postagem prestando minha homenagem a essa figura icônica da blogosfera, que com certeza vai fazer falta. Tudo envolta do fato foi muito emblemático e surreal: VdC se dizia saudável e praticante de esportes e faleceu jogando futebol. VdC faleceu 1 mês após atingir a independência financeira. Muito triste...

Voltando às finanças, no mês de julho a bolsa deu uma recuperada, mas uma retomada concreta do crescimento acredito que só próximo ano, quando o(a) novo(a) Presidente da República assumir e expor sua agenda de desenvolvimento econômico para o país.

Vamos à carteira então:

Aporte: R$ 0,00 (dinheiro parado na conta corrente)

Carteira:




 Rentabilidade:


Fazia tempo que eu não via essa planilha assim toda azulzinha, coisa linda!

Renda Passiva

No encerramento do mês de julho/2018 pude comemorar uma marca muito interessante: atingi o montante de R$ 3.000,00 de renda passiva no ano. Tudo bem que ganhar R$ 3k em 7 meses é algo ainda muito longe da independência financeira, mas não deixa de ser uma baita marca. Se continuar nesse ritmo no final do ano vou ter atingido renda passiva superior a R$ 5.000,00.

Caso você esteja curioso, a fonte dessa renda foi a seguinte:

1. Dividendos e JSCP de Ações: R$ 420,20
2. Proventos de FII: R$ 801,40
3. Rendimentos Poupança: R$ 938,57
4. Rendimentos CDB: R$ 839,72

Ainda tenho renda passiva do aluguel do apartamento entretanto não vou colocar esses valores na conta pois a prestação do imóvel ainda é superior ao aluguel recebido.


Por hoje é só pessoal!

Abraços!

Senhor Ministro


segunda-feira, 30 de julho de 2018

Análise Fundamentalista: Grendene 2T2018 - Queda de 30% no Lucro!!! O Que Aconteceu?!?

E cá estamos nós em mais uma safra de balanços!

Estamos em momento de divulgação dos balanços do 2T2018 e é chegada a hora de fazermos aquela breve análise das empresas dais quais somos sócios. Todos já sabemos que, como investidores de valor, buy and holders, buscamos boas empresas para sermos sócios e colher os frutos no longo prazo, porém isso não significa que vamos sentar em cima das nossas ações e esperar o tempo passar, não podemos esquecer que uma empresa muito boa pode ficar muito ruim, assim como o contrário também é possível, uma empresa muito ruim se tornar muito boa.

E para acompanharmos o desempenho das empresas das quais somos sócios temos como principal insumo os demonstrativos financeiros, popularmente conhecidos como balanços. Portanto, como investidores em ações, precisamos pelo menos a cada 3 meses dar uma olhadinha nos balanços trimestrais das “nossas” empresas para vermos como elas estão se saindo. A ideia é nos mantermos sócios de empresas boas e que permaneçam boas e deixar de ser sócios de empresas que eventualmente fiquem ruins.

E a escolhida para analisarmos hoje é a nossa queridíssima Grendene, líder de mercado no segmento de calçado, detentora de marcas fortes e consolidadas como Melissa, Ipanema, Rider, dentre outras.  

No 2T2018 a Grendene apresentou um resultado que assustou muita gente: lucro líquido quase 30% inferior ao aferido no 2T2017.

Mas calma, não criemos pânico, vamos entender exatamente o que aconteceu!


O primeiro item que vamos analisar é a Receita!

RECEITA



A receita é um dos principais indicadores de crescimento de uma empresa, se a receita está crescendo significa, a grosso modo, que a empresa está vendendo mais produtos (o que é ótimo) ou, mesmo que não haja aumento da quantidade de produtos vendidos, a companhia está conseguindo cobrar um ticket maior por suas mercadorias (o que também é ótimo).

Como vemos no quadro acima, no caso da Grendene a receita do mercado interno ficou praticamente estável, sendo as receitas advindas das exportações o carro chefe do crescimento de 1,6% na receita bruta total, que, diga-se de passagem, não é um crescimento tão significativo. O crescimento das receitas de exportações ocorreu, principalmente, em virtude da valorização do dólar frente ao real, explico: supondo que a companhia vende seus sapatos no exterior por $ 10 dólares, antes isso equivalia a R$ 33,00 mas com a desvalorização do real hoje os mesmos $ 10 dólares valem cerca de R$ 40,00.

Uma das justificativas da companhia foi a greve dos caminhoneiros, conforme trecho seguinte extraído do release:

"Entretanto, no 2T18 vários acontecimentos afetaram os negócios de uma forma geral. A greve nos transportes interrompeu a  tímida  recuperação  do  consumo  no  Brasil  e,  embora  não  tenha  afetado  significativamente  nossa  produção em  nossa avaliação afetou o sell-out com o varejo apresentando estoques mais elevados por falta de vendas nos dias da paralisação ou  estoques  em  trânsito,  retidos  nos  bloqueios  das  estradas.  Também  afetou  nossas  exportações,  especialmente  para  América Latina, cujo transporte é rodoviário".

ESTRUTURA DE CUSTOS


Em companhias industriais, como é o caso da Grendene, o custo dos produtos vendidos (CPV) merece especial atenção pois qualquer descontrole nos custos da produção pode impactar fortemente o resultado do período. Lembrando que custos são os dispêndios relacionados diretamente com a produção de mercadorias (exemplo: pessoal da fábrica, manutenção de máquinas, aluguel e energia dos complexos fabris, etc), já as despesas são os demais gastos não relacionados com a produção, como gastos com as lojas, salário de vendedores, bônus de diretores e executivos, marketing e propaganda, etc.

Vamos aos números da Grendene:


A melhor forma de analisar a evolução dos custos é compará-lo de forma relativa em relação a receita. Para tanto vamos utilizar o indicador margem bruta (lucro bruto/receita líquida). A margem bruta da Grendene em 2T2017 foi de 45%, já em 2T2018 caiu para 44%, portanto isso indica que houve um crescimento proporcional de 1% dos custos. Não é nada alarmante mas merece o destaque.

No Release a própria Grendene justifica esse fato da seguinte forma:

"A  insegurança  política  pela  proximidade  e  indefinição  das  eleições,  a  greve  nos  transportes,  o  mercado  externo  mais turbulento e a volatilidade cambial contribuíram para o aumento de preços em diversas matérias primas e insumos, inclusive nos nossos produtos o que afetou nossa margem bruta que caiu 1 pp no 2T18 em relação ao 2T17".

DESPESAS OPERACIONAIS


Como destaquei anteriormente, as despesas são os gastos não relacionados com a produção de mercadorias. Na Grendene, destacam-se as despesas gerais e administrativas (DG&A), despesas de publicidade e propaganda, e despesas de vendas. Vamos ver então os resultados:



Observa-se portanto que todos os tipos de despesas caíram em valores absolutos e proporcionais. Tamanho empenho da empresa em enxugar despesas provavelmente se dá em virtude da consciência da estagnação econômica que ainda paira sobre o setor. Isso é bom ou ruim? Depende! Diminuir gastos com marketing nem sempre pode ser bom para uma empresa, por exemplo.

RESULTADO OPERACIONAL (EBIT)


O resultado operacional é o lucro efetivamente gerado pelo negócio, ou seja, deduzindo-se os custos de produção e as despesas operacionais. Esse é um excelente indicador para aferir o desempenho da companhia no que se refere às suas operações, que no caso da Grendene trata-se de produção e venda de calçados. Vamos então aos números:

Observa-se portanto que houve um incremento de quase 9% no lucro operacional da companhia, comparando-se o 2T2018 com o 2T2017, me parece um ótimo número. Porém isso não significou necessariamente crescimento do lucro líquido e no próximo tópico vamos entender o porquê.

RESULTADO FINANCEIRO


O resultado financeiro é segregado do resultado operacional pois não está diretamente relacionado às operações da empresa. A Grendene não é uma empresa financeira, sua operação é produzir e vender calçados, porém ela também faz investimentos financeiros, opera com derivativos e faz hedge cambial. Tudo isso é refletido no resultado financeiro.

E foi justamente o resultado financeiro o grande vilão da Grendene no 2T2018, vejamos:



Observe que houve uma queda de 66,7% no resultado financeiro, equivalente a R$ 64 milhões inferior ao mesmo trimestre de 2017. Tal fato impactou de forma significativa o lucro líquido. O principal motivo dessa forte queda no resultado financeiro foram operações com derivativos cambiais, não que a empresa tenha feita "apostas" em derivativos, ela apenas usa esses instrumentos para fazer hedge de suas receitas no exterior, entretanto a grande volatilidade do câmbio após a greve dos caminhoneiros acabou gerando essa distorção no resultado financeiro. Porém, esse prejuízo contábil com operações cambiais no mercado futuro tende a ser compensado com as receitas em dólar dos próximos dois trimestres.

LUCRO LÍQUIDO


Como destaquei anteriormente, o lucro líquido da Grendene caiu quase 30% no 2T2018 em relação ao 2T2017, e como vimos, embora a companhia tenha incrementado o seu resultado operacional, a grande queda do resultado financeiro levou ao decréscimo de 28,4% no lucro líquido em relação a 2T2017, conforme números abaixo:


OUTROS INDICADORES


Vimos acima os indicadores relacionados ao resultado da empresa, porém existem outros indicadores importantes, vou relatar alguns a seguir:

1. Geração de caixa estável
2. Baixo endividamento
3. Ótima Margem Líquida
4. Ótimo ROE
5. Bom Dividend Yeld

CONCLUSÃO


A Grendene é uma companhia muito estável, que vem crescendo sempre de forma moderada, sem grandes surpresas. Eu trataria essa grande queda do lucro no 2T2018 como algo acarretado por um evento não recorrente: como a própria companhia destaca no release, as perdas contábeis em virtude dos contratos futuros em dólar serão compensadas pelas vendas em dólar nos próximos meses. E como é algo da natureza dos eventos não recorrentes, esse "estrago" tende a não se repetir.

Portanto no que concerne às operações da Grendene ela continua muito bem, o mercado interno de calçados parece ainda estar baqueado mas a companhia vem conseguindo bons resultados.

Quando se trata de Grendene é mais ou menos isso: crescimento devagar e sempre. É uma empresa conservadora e que, talvez justamente por isso, consegue entregar bons resultados para seus acionistas por longos períodos de tempo.


E ai, o que você achou dessa análise? Faz sentido pra você?

Diz aqui embaixo nos comentários!

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

sexta-feira, 27 de julho de 2018

A Estratégia do Lobo de Wall Street Para Vender Ações


 
Atualmente estou lendo o livro "Os Segredos do Lobo - O Método Infalível de Vendas do Lobo de Wall Street" onde Jordan Belfort (o Lobo de Wall Street) fala do método que ele utilizava para treinar sua equipe de corretores para vender ações. No caso, Belfort fez fortuna vendendo ações baratas de pequenas empresas supostamente promissoras para ricassos acostumados a comprar apenas ações "blue chips".

De acordo com o próprio Jordan, o seu método, que ele denomina de "Linha Reta" é tão eficiente que ele fez com que "um bando de idiotas que mal saíram da adolescência confrontar os mais ricos investidores dos Estados Unidos". Muitos desses "idiotas" ficaram milionários ganhando comissões pela venda de ações na corretora Stratton Oakmont. Segundo Jordan, o seu método era tão eficiente e fácil de seguir que era "virtualmente à prova de idiotas".

Uma das coisas interessantes do livro é que o Jordan defende que por mais que alguém saiba as palavras certas a serem ditas para um potencial comprador (ou alguém que precisa ser persuadido), apenas as palavras não são suficientes para se esquivar da mente lógica do comprador e criar uma reação emocional, que é o que move a maior parte das pessoas a tomar uma decisão.

Para tanto, o autor defende que existem dois elementos fundamentais que vão fazer com que um vendedor consiga falar com o lado emocional do comprador: o tom de voz e a linguagem corporal. Ele diz que o seu tom de voz, o modo como move o corpo, suas expressões faciais, o tipo de sorriso que oferece, o jeito como se veste, o modo como estabelece contato visual e todos aqueles grunhidos enquanto se escuta alguém falar (ooh, aah, hanram etc) são parte fundamental da comunicação e causam enorme impacto em como você é percebido. Jordan defende que a comunicação humana é realizada 45% pelo tom de voz, 45% pela linguagem corporal, e apenas 10% pelas palavras efetivamente proferidas.

Não dá pra eu falar detalhadamente de cada aspecto do método "Linha Reta" pois esse post ficaria gigantesco (e talvez eu sofresse um processo por direitos autorais rs) mas uma das partes do "Linha Reta" que eu achei mais interessante e replicável para diversos momentos da nossa vida cotidiana e profissional é o método da "Âncora Olfativa".

O cerne desse método é o seguinte: para que você tenha chances de persuadir alguém - seja para fazer uma venda, apresentar um projeto, fazer uma entrevista, convencer seu filho ou esposa a agir de certa forma, conquistar aquela gata, etc - é preciso estar num estado emocional de poder. Esse estado emocional deflagra os quatro Cs: certeza, clareza, confiança e coragem.

A questão é que ninguém é 100% confiante e tem 100% certeza de tudo a todo momento, e isso nem é saudável, afinal aqueles que tem certeza de tudo toda hora são mais conhecidos como "cara chato" ou "idiota", certo? Ai que está o X da questão, o Jordan ensina com seu método como despertar esse estado de poder em momentos específicos.


O MÉTODO DA ÂNCORA OLFATIVA

Esse método não foi inventando 100% pelo Jordan Belfort, na verdade é um método bem antigo originário da PNL, sobre o qual eu já tinha lido e até tentado colocar em prática, mas a forma como o Jordan apresenta me pareceu bem interessante. A ideia é que podemos ser provativos no que diz respeito a escolher nosso estado emocional, ou seja, deixamos de ser reféns das circunstâncias da vida e passamos a escolher de forma consciente nosso estado emocional.

Para ilustrar, cito um cientista russo chamado Ivan Pavlov, conhecido por seus estudos relacionados à psicologia do comportamento. Certa vez ele fez um experimento que consistia no seguinte: presentear um cachorro faminto com um pedaço de carne ao mesmo tempo que se toca um sino. Previsivelmente o cachorro começou a salivar assim que viu a carne, enquanto o som do sino era só uma coincidência, pelo menos no início. Contudo, o que Pavlov logo percebeu é que a medida que ele ia repetindo o processo não demorou para que o cachorro começasse a salivar simplesmente ao som do sino, a carne não era mais necessária.

Na PNL o som do sino tocando é chamado de âncora e o processo pelo qual dois itens não relacionados (sino e carne) estabelecem um ligação dessa forma é chamado de fixar âncora. Dessa forma, para conseguirmos "ativar" o estado emocional de poder, o método mais eficiente seria criar uma âncora para despertar esse estado. Mas como fazer isso?

O passo a passo tradicional da PNL é o seguinte:

1. Escolha um Estado: estabeleça uma intenção para o estado emocional que você quer ancorar (estado de certeza e confiança, por exemplo)

2. Escolha sua Concentração: fechar os olhos e retomar um momento em que você estava naquele estado de certeza e confiança e criar uma imagem desse momento na sua mente

3. Escolha sua Fisiologia: mudar sua fisiologia para corresponder àquele estado, por exemplo, ficar em pé sustentando a cabeça com certeza, caminhar com confiança, etc.

4. Intensifique seu Estado: foque novamente naquela situação em que você se sentiu com certeza e confiante e tente buscar mais detalhes da situação para intensificar o sentimento.

5. Estabeleça sua Âncora: Pegar o estado intenso que você acabou de criar e ligá-lo a uma palavra ou um mantra, algum som externo ou alguma sensação aguda, como bater palmas ou gritar a palavra "sim".

O PULO DO GATO

No livro, Jordan relata que tentou por diversas vezes seguir esses cinco passos para construir sua âncora porém não obtinha resultados satisfatórios. Ele identificou basicamente duas coisas: não é nada fácil conseguir estabelecer um estado de absoluta certeza por meio de memórias, pois por mais que tenhamos boas lembranças, dificilmente apenas memorar o fato vai nos levar para um estado de pico absoluto de certeza. Outro problema era a âncora, não adianta estabelecer uma âncora genérica demais como pular, bater palma ou gritar a palavra "sim". É preciso ter uma âncora muito específica e individual para despertar aquele estado.

No fim das contas, ele se deu conta de que a única forma infalível de estar naquele grau megaintenso de absoluta certeza e confiança para estabelecer uma âncora legítima era esperar até estar nesse estado organicamente, e ai sim, estabelecer a âncora. Já para a âncora, ao invés de escolher âncoras genéricas, como as citadas acima, ele escolheu uma âncora muito específica: uma âncora olfativa. Ou seja, a âncora para ser vinculada ao estado emocional de certeza absoluta seria cheirar algo específico. Lá nos tempos de Lobo de Wall Street certamente ele usou como âncora muitas substâncias ilícitas, porém no livro ele recomenda o produto Boom Boom Energy (não sei se existem similares no Brasil, mas pelo que pesquisei esse BoomBoom é uma espécie de tubo que exala determinadores odores e que geram benefícios como melhorar respiração, combater sinusite, melhorar concentração, etc)

Portanto, resumidamente a ideia é a seguinte: esperar aquele momento impressionante em que você fecha uma grande venda, faz uma grande apresentação, conquista a mulher mais gata da festa, ou qualquer situação que te leve a um estado de absoluta certeza e confiança, e, nesse instante, sacar o tubo de BoomBoom e dar uma grande inalada em uma narina de cada vez, para fixar bem aquele odor. Depois cerre o punho e aperte com força, para que consiga sentir as unhas apertando a palma da sua mão e solte a palavra "sim" (ou "yes") de forma decidida.

A partir dai, sempre que passar por outra situação de absoluta certeza, reforce a âncora, dê mais uma cheiradinha. Com a prática o simples fato de sentir aquele cheiro em específico vai te despertar o estado emocional de certeza e confiança absoluta.

CONCLUSÃO


Eu ainda não testei esse método mas me parece extremamente interessante. Não sei se no Brasil vende algo semelhante a esse BoomBoom mas se houver vou comprar um e deixar a postos. Na próxima situação em que eu me sentir no estado de certeza e confiança absoluta, vou começar a testar o método.

E você, já conhecia ou já tentou algo do tipo?

Abraços

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

Caso queira conhecer melhor o livro, é só clicar no link abaixo: