terça-feira, 17 de julho de 2018

Vale a Pena Se Arriscar em "Banquinho" Para Ganhar 1% ao Mês LÍQUIDO?

Rendimentos de 1% ao mês
 
Em tempos de vacas magras na renda variável muitos olhos começaram a se virar para a renda fixa. Obviamente não temos mais aquele cenário de vacas gordas na renda fixa semelhante ao tempo em que a Taxa Selic estava nas alturas, porém, vira e mexe aparecem algumas boas "oportunidades" que são prontamente alardeadas pelas corretoras buscando ganhar os corações de seus clientes mais conservadores ou daqueles mais machucados com as recentes pancadas que a bolsa tem dado.

Digo isso pois recebi recentemente um e-mail da minha corretora com o seguinte título: "Quais são seus planos para 7 anos?". O indicativo é para que o cliente faça um plano financeiro de longo prazo e apresenta, para tanto, um CDB prefixado com vencimento em 7 anos e com remuneração de 14,35% ao ano, emitido pelo Banco Máxima.

Descontando-se os 15% de imposto de renda incidente sobre os rendimentos, teríamos esse CDB pagando uma remuneração líquida de 12,20% ao ano, durante 7 anos. Isso equivale a um rendimento de cerca de 1% ao mês líquido! Vejam só o tão famoso "1% ao mês" de volta!

Não há dúvidas que trata-se de um ótimo rendimento e com a oportunidade de "travá-lo" por 7 anos, garantindo excelentes ganhos ao fim do período. No entanto existe um pequeno porém que muitos investidores acabam passando batido: a saúde financeira do banco emissor.

De acordo com o site Banco Data, os resultados do Banco Máxima, emissor do CDB supracitado, não estão lá essas coisas, conforme imagem abaixo:

Banco Máxima
Será que vale a pena emprestar dinheiro para um banco que parece que não vai muito bem das pernas?

Advogando a favor da causa eu diria dois pontos:

1. É difícil um banco quebrar no Brasil: segundo reportagem do Valor Econômico, entre 2008 e 2015 apenas sete bancos quebraram, porém é algo possível sim de acontecer, vide o caso recente do Banco Neon.

2. Existe a garantia do FGC: investimentos de até R$ 250 mil numa mesma instituição financeira são cobertos pelo FGC. Portanto se o banco quebrar e você tiver investido nele um montante inferior a essa quantia, você será restituído. Até onde sei o FGC funcionou muito bem no caso recente da quebra do Banco Neon.

E ai, será que vale a pena se aventurar num investimento desses ou é muita dor de cabeça para ganhar uns trocados a mais?

Abraços,

Senhor Ministro

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Atualização Patrimonial Junho/2018: R$ 245.256,13 (+R$ 5.732,66) e Rentabilidade (-1,14%)


E ai moçada!

Vamos então a mais um fechamento de mês. Esse mês acabei ficando um pouco ausente da finansfera, mês de copa do mundo, acabei dando uma desligada do modo "finanças". Isso me trouxe uma reflexão importantíssima: para sustentar uma disciplina de aportes e investimentos no longo prazo, é preciso simplificar o processo. Querer estar sempre nas "melhores oportunidades" ou "bater o mercado" mesmo que não leve a prejuízos, pode levar a perda da vontade ou motivação para manter uma regularidade de investimento.

O mercado continua aquela coisa né, baixa após baixa, tudo vermelho. Esse mês já é meu 4º mês seguido fechando com rentabilidade negativa, mas paciência né, o foco é o longo prazo.

Já tenho sérias dúvidas se conseguirei atingir a meta de patrimônio que estabeleci para 2018: R$ 300.000,00. 

O aporte do mês foi de: R$ 6.578,00

A carteira ficou da seguinte forma:


A rentabilidade do ano é a seguinte:


E a rentabilidade, pro investimento, no mês, ficou assim:

Esse mês o fechamento vai ser simplificado mesmo, basicamente o aporte foi todo em renda variável nos seguintes papéis:

Ações: TAEE11, SAPR11 e ITUB3
FII: VRTA11 e SPTW11.

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

terça-feira, 12 de junho de 2018

Se Você Não Acredita no Brasil, Não Invista na Bolsa

Se Você Não Acredita no Brasil, Não Invista na Bolsa


Calma! Antes que você pense que fui tomado por um sentimento ufanista em virtude da Copa do Mundo, te adianto que não é nada disso! Eu gosto de futebol e acho que o Brasil tem grandes chances de ser hexa, mas o papo aqui é finanças, mais especificamente: bolsa de valores.

O mês de maio foi um dos piores meses da bolsa nos últimos tempos, com quedas fortes em todos (ou quase todos) os ativos. Além de acompanhar a blogosfera eu também acompanho uma galera que fala de finanças no Youtube e Instagram, e o que percebi foi o seguinte: os investidores amadores não aguentaram ver seu patrimônio derretendo e caíram fora da bolsa. Já os investidores mais "antenados" decidiram aproveitar o momento para comprar pechinchas.

Mas uma coisa engraçada aconteceu: muitos investidores "antenados" começaram a "arregar". Muitos começaram a duvidar da capacidade de o Brasil e, consequentemente, da bolsa se reerguer. Alguns decidiram parar de aportar em renda variável e aguardar a turbulência passar, outros decidiram investir só no exterior. A breve experiência "venezuelística" que tivemos com a greve dos caminhoneiros  certamente contribuiu para essa descrença generalizada. Ficou escancarada a fragilidade política e econômica do país.

Como então investir em ações em um país tão instável? Será que num país como o nosso é possível pensar em investir em ações no longo prazo?

E pensando no agora, no meio dessa crise toda, é hora de aguardar as eleições e uma definição melhor do que será o país ou enxergar esse momento como oportunidade de investimento?

Não existe uma resposta certa ou errada para essa pergunta, mas uma coisa eu afirmo: se você não acredita que o Brasil pode melhorar e dar a volta por cima, não invista na bolsa. Por melhor que sejam as empresas listadas na Bovespa, todas estão expostas ao risco sistêmico, portanto se o Brasil tomar um rumo equivocado economicamente, todas as ações vão sofrer. Portanto investir na bolsa é acreditar que o Brasil do futuro pode ser melhor que o Brasil do presente, pelo menos economicamente falando.


Nesse momento há uma descrença generalizada no país, sentimento diretamente refletido na cotação das ações, que estão em queda livre. Nesse momento o Brasil está em baixa, com baixíssima credibilidade. Nesse momento cabe a você, investidor, perguntar a si mesmo se acredita que o Brasil, 9ª maior economia do mundo, pode dar a volta por cima (e aproveitar para pagar "barato" pelo Brasil), ou se você acha que o Brasil ainda não chegou no fundo do poço e o buraco ainda é mais embaixo.

Como estamos em clima de Copa do Mundo, vamos fazer uma analogia com a história do grande jogador Ronaldo "Fenômeno". Copa de 1998, Ronaldo, recém eleito o melhor jogador do mundo pela 2ª vez, era a maior esperança de gol para o Brasil, porém, na final da copa, sofreu de misteriosas convulsões que prejudicaram severamente o seu desempenho e que levou o Brasil a derrota de 3x0 pra França.

No ano seguinte, 1999, Ronaldo, jogando pela Inter de Milão, sofre uma lesão no joelho que resulta na sua primeira operação. Depois de 5 meses parados, ele retorna a campo no 2º tempo da final da Copa da Itália, contra a Lazio, depois de 6 minutos em campo ele acaba contundindo gravemente o mesmo joelho operado (imagem abaixo) e sai de campo chorando.

ronaldo lesão

Essa lesão deixou o jogador mais 1 ano e 3 meses fora dos gramados. Ronaldo volta a jogar em Julho/2001, exatamente 1 ano antes da Copa, porém em Dez/2001 mais uma lesão, mais 3 meses sem jogar. Naquele momento o jogador Ronaldo estava em baixa, muitos questionaram a convocação dele para a Copa do Mundo de 2002, afinal entre 1999 e 2002 ele passou mais tempo machucado do que em campo e tínhamos o baixinho Romário artilheiro do campeonato brasileiro na época. O resto da história vocês devem conhecer. Quem "comprou" Ronaldo barato antes da copa, deve ter "vendido" caro, depois do penta.

ronaldo

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

quarta-feira, 6 de junho de 2018

O Tesouro Direto Pode Ser o Gatilho Para a Queda dos Fundos Imobiliários


Quando um investidor aplica seu dinheiro em fundos imobiliários ele está basicamente esperando duas coisas: recebimento de renda de aluguéis e valorização da cota acompanhando, por exemplo, a valorização dos imóveis do fundo.

Como os aluguéis, em regra, são reajustados pela inflação, o investidor fica tranquilo em relação à renda que ele está recebendo aumentar em linha com a inflação. Portanto se um FII hoje paga um DY de 8% ao ano, o investidor pode esperar que ele irá receber esses 8% a.a + Inflação ao longo dos anos.

Em contrapartida, a valorização dos imóveis é um "plus" a mais para o investimento porém não parece ser algo tão impactante. Em um estudo de 2015 que achei pela internet, foi realizado um levantamento da valorização REAL dos imóveis entre 1979 e 2015 e chegou-se ao número final de 1,23% ao ano.

É bem verdade que o valor da cota de um fundo imobiliário varia (pra cima ou pra baixo) por diversos fatores e não apenas pela valorização ou não do imóvel. Também é verdade que dependendo das condições de mercado e dos imóveis, os aluguéis podem não ser reajustado pela inflação e podem até sofrer redução. Não podemos esquecer que os fundos imobiliários são produtos de renda variável e, portanto, variam, não há linearidade.

Por outro lado, em oposição aos FII mas com algumas semelhanças temos um título público específico disponível no Tesouro Direto, aplicação mais segura e previsível,  trata-se do Tesouro IPCA+. Em síntese, esse garotinho garante ao investidor que o dinheiro aplicado seja reajustado pela inflação e renda um determinado prêmio, que varia dependendo das condições macroeconômicas. Hoje esse prêmio está em 5,89% ao ano.

Percebe-se nessa breve introdução que há semelhança entre o investimento em Fundos Imobiliários e no Tesouro IPCA+. Em ambos os casos o investidor espera que o valor aplicado renda um determinado percentual + inflação. Vamos analisar isso então:

O Tesouro IPCA+ está pagando hoje, sem risco: Inflação + 5,89% e os FIIs??

Com auxílio da plataforma de FIIs da Socopa, fiz um levantamento do DY anualizado médio dos fundos imobiliários integrantes do IFIX, baseado na última distribuição. Exclui apenas o KNRE11 que está com o DY distorcido em virtude de o fundo estar fazendo amortizações.

A partir desse levantamento, verifiquei que o rendimento anual (DY) médio dos fundos imobiliários que compõem o IFIX é de 7,01%.

Considerando que os rendimentos dos fundos contam, em tese, com reajuste inflacionário, a briga entre Tesouro IPCA+ e Fundos Imobiliários ficaria assim:

Tesouro IPCA+: Inflação + 5,89%  
Fundos Imobiliários: Inflação + 7,01%

Observa-se, portanto, que hoje ainda há uma vantagem de 1,12% a favor dos Fundos Imobiliários, que é justamente o prêmio pelo risco. A questão é: esse prêmio de risco me parece estar muito pequeno o que faz com que muitos investidores optem pela segurança e previsibilidade dos títulos públicos.

Nesse cálculo eu não levei em conta a valorização ou desvalorização da cota do fundo imobiliário, que é um componente relevante, mas só a título de curiosidade, considerando os mesmos ativos do IFIX, os FIIs variaram, em média -1,07% no ano.

Dessa forma, caso a taxa de remuneração do IPCA+ continue crescendo, a tendência é que haja uma migração de investimentos para os títulos públicos, o que irá impactar fortemente o mercado de fundos imobiliários, gerando forte quedas no mercado. Logicamente que caso isso aconteça, essa queda irá assustar muitos investidores, porém, quando a poeira baixar os mais preparados perceberão que é a oportunidade de pagar mais barato pelas cotas de FIIs aumentando assim o DY do investimento, e assim o mercado se equilibra.

Considerando a instabilidade política e a expectativa de aumento da inflação, se desenha um cenário propício para a ocorrência dos fatos narrados. Não sou economista nem gosto de futurologia, mas, na minha percepção, em breve (alguns meses) se abrirá uma boa janela de entrada em fundos imobiliários, corrigindo um pouco o mercado, que, como há um consenso, está muito esticado.

E ai, você concorda?

Abraços,

Senhor Ministro

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Atualização Patrimonial Maio/2018: R$ 238.706,06 (- R$ 2.828,23) e Rentabilidade (- 4,91%)

 
Uma nuvem negra pairou pela bolsa no mês de maio. A greve dos caminhoneiros escancarou um país frágil e debilitado, somando-se às perspectivas de aumento de juros americanos e ainda a proximidade de um das mais controversas e imprevisíveis corridas presidenciais das últimas décadas, os investidores, principalmente os estrangeiros, não perdoaram.

O resultado disso é que caiu tudo: ações, FII, tesouro direto e até as criptomoedas (que não tem qualquer relação com o cenário macroeconômico brasileiro) também caíram, ou seja, não sobrou pedra sobre pedra. Por outro lado, como relatei no post em que falo das lições de Peter Lynch, mercados em queda são ótimas oportunidades para comprar boas ações a preços mais baixos e foi isso que fiz, continuei aportando normalmente.

Vamos ao estrago então:

Aporte: R$ 2.830,25

Na verdade o aporte do dinheiro de maio vai totalizar algo em torno de R$ 5.800,00 mas o que foi efetivamente aportado em maio foi o valor acima, o restante estou aportando agora no comecinho de junho, portanto será contabilizada no fechamento seguinte.

Tal aporte foi destinado à compra de KROT3 e ITUB3. Com o que estou aportando agora no comecinho do mês comprarei duas grandes geradoras de dividendos: TAEE11 e SAPR11. Por enquanto sem aportes em FII's, a próxima reunião do COPOM ainda é uma incógnita e caso haja elevação dos juros, os FII's podem cair, então preferi aguardar. Posso estar errado, mas nesse momento vejo uma janela de oportunidade melhor nas ações.

A carteira fechou o mês assim:


Mesmo com o aporte, a carteira fechou com valor de quase R$ 3 mil inferior ao mês passado. Nos números de rentabilidade abaixo fica evidente os motivos disso:


Observa-se portanto que todos os produtos de renda variável (incluindo Tesouro Pré e IPCA, que se comportam como renda variável antes do vencimento) fecharam em fortes quedas. As carteiras de ações e FII fecharam assim:



Os papéis com melhor (ou menos pior) desempenho foram os seguintes: EGIE3 (0,0%), VRTA11 (-0,9%) e KNIP11 (-0,9%).

Os papéis com pior desempenho foram os seguintes: KROT3 (-22,8%), FIGS11 (-22,7%) e ABEV3 (-15,6%).

Então é isso, sigamos aportando, pois quando a maré virar estaremos bem equipados!

Abraços

Senhor Ministro

terça-feira, 29 de maio de 2018

Lições de Peter Lynch Para o Atual Momento de Bolsa em Queda

bolsa em queda


Nesse momento, todos aqueles que investem em ações devem sentir um friozinho na barriga ao abrir o home broker, o sangue está escorrendo na Bovespa e os números vermelhinhos pipocam na tela. A verdade é que todos esperávamos que isso iria acontecer, desde 2014 o Brasil tornou-se um caldeirão de pólvora prestes a explodir a qualquer momento e um ano eleitoral é a faísca perfeita para causar algumas explosões. A greve geral dos caminhoneiros e a crise de abastecimento no país é apenas um sintoma, a verdadeira causa do declínio nos mercados é a fragilidade política que foi escancarada para o mundo inteiro ver, está dado o recado: "o Brasil não é um país sério".

Mas convenhamos que isso não é novidade para ninguém. Vamos então ao que importa: bolsa em queda livre, e agora, o que fazer? Em momentos como esse há duas correntes de investidores, de um lado aqueles do "que merda, eu devia ter realizado o lucro logo, agora é tarde demais" e do outro lado temos aqueles do "bolsa em queda, é hora de comprar ações por preço de oferta". E ai, quem está certo?

Quem vai responder essa pergunta não serei eu, mas sim Peter Lynch, lendário gestor de fundos de ações americano. Todas as citações a seguir foram extraídas do livro "O Jeito Peter Lynch de Investir".

peter lynch

"Os investidores tendem a ser otimistas e pessimistas precisamente nos momentos equivocados, de modo que é prejudicial a si próprio a atitude de tentar investir em bons mercados e sair em maus mercados"

"Diversos investidores preferem debater se uma ação está subindo, como se a musa das finanças fosse lhe proporcionar a resposta, em vez de checar a empresa"

"As ações têm maior probabilidade de serem aceitas como prudentes no momento em que não o são".

"As ações são relativamente previsíveis entre 10 e 20 anos. Em relação à dúvida sobre estar em alta ou em baixa dentro de 2 ou 3 anos, você poderia lançar uma moeda para ter a resposta".

"O investidor incauto continuamente passa por três estágios emocionais: preocupação, descuido e capitulação. Ele fica preocupado após uma queda no mercado ou após a economia transmitir a sensação de que começa a falhar, o que o impede de comprar ações de boas empresas a preços baixos. Então, após comprá-las por preços elevados, ele fica tranquilo porque os preços das ações continuam a subir. Esse é precisamente o momento em que ele deveria estar suficientemente preocupado para analisar os fundamentos, mas não está. Assim, finalmente, quando suas ações perdem valor em momentos difíceis e os preços caem para níveis mais baixos do que aqueles em que ele havia comprado, ele capitula e as vende em um momento de turbulência."

"Se economistas profissionais não podem predizer economias e analistas profissionais não podem prever mercados, então que chances tem um investidor amador? Eu não acredito na previsão de mercados. Eu acredito em adquirir ações de grandes empresas - especialmente daqueles que estão subavaliadas ou subapreciadas."

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O Que Você Faria Se Sua Vaca Caísse do Penhasco?

vaca penhasco precipício mestreUma pergunta corriqueira quando duas pessoas estão se conhecendo é aquela velha “o que você faz da vida?” e a resposta geralmente é bem simples e curta: “sou programador”, “sou vendedor”, “sou analista de recursos humanos”, “sou contador”, “sou advogado”, “sou dentista”, “sou médico”, “sou engenheiro”, etc.

E nós usamos a palavra “sou” porque de fato é aquilo que somos: se um cidadão passou 4 anos na faculdade de direito, ralou para ser aprovado na OAB, tem experiência de trabalho apenas em escritórios de advocacia, como ele poderia ser algo se não advogado?

Feita essa introdução, vou trazer, rapidamente, a historinha da vaca no penhasco. Acredito que seja uma história bem conhecida, mas se você ainda não conhece, vale a leitura e reflexão.

vaca penhasco precipício mestre

"Mestre e discípulo andavam pela estrada. O caminho era inóspito, agressivo. Muitas pedras e montanhas escarpadas de muito pouca vegetação. Avistaram, ao longe, uma casinha de aspecto pobre e humilde, e para lá se dirigiram.

Foram recebidos, hospitaleiramente, pelo dono da casa e sua numerosa família. Foram abrigados, e os residentes, com eles, compartilharam sua escassa comida e seu espaço para dormir. Interrogado pelo mestre, o dono da casa disse que a alimentação provinha de uma única fonte: uma única vaca da qual tiravam leite e seus subprodutos. O excedente era usado para efetuar trocas no povoado mais próximo.

Mestre e discípulo ficaram ali mais alguns dias, e depois partiram. Algumas horas depois da partida, o mestre disse ao discípulo:

- Volte lá, às escondidas, e jogue a vaca no penhasco.

Estupefato, o discípulo argumentou:

- Mestre, como podes me pedir isto? Então não percebes a pobreza de tão numerosa família, e que seu único sustento é a vaca? E, mesmo assim, pedes-me para jogá-la no penhasco?

- Sim - disse o mestre. Jogue a vaca no penhasco.

Desorientado, o discípulo decidiu atender o mestre, no entanto, não conseguia fazê-lo, sem sentir uma enorme culpa. Mesmo assim, o fez pelo mestre.

Alguns anos depois, passavam novamente pelas proximidades, o mestre e o discípulo. Sem nada dizer ao mestre, o discípulo decidiu que pediria perdão por ter jogado a vaca do penhasco. Assim, dirigiu-se até lá. Mas, quando chegou, não mais encontrou a pobre casinha em seu lugar. Havia uma construção nova e confortável. As pessoas que avistou eram limpas e bem vestidas, o ambiente era de trabalho, e o progresso era evidente. Foi, então, até uma das pessoas e perguntou:

- Há uns dois ou três anos, aqui havia uma pequena e pobre casinha. Saberia me dizer para onde foram aquelas pessoas?

- Somos nós - respondeu o homem.

- Não, refiro-me àquelas pessoas pobres que aqui viviam.

- Somos nós - respondeu ele, novamente.

- Mas, o que aconteceu? - disse, olhando o progresso a sua volta.

- Bem , ocorreu uma tragédia conosco. Nossa vaquinha leiteira, única fonte de sustento da família, se soltou do pasto e caiu no precipício. Entramos em aflição e não tivemos outra alternativa a não ser buscar outras formas de nos manter. Assim, aprendemos a plantar e cultivar diversas frutas e hortaliças, começamos a fazer produtos próprios e comercializá-los lá na cidade. Como resultado, temos hoje uma bonita e confortável casa"

E QUAL A MORAL DA HISTÓRIA?



Na maioria das vezes estamos tão preocupados em ser grandes advogados, arquitetos, engenheiros que esquecemos de nos questionar o que mais nós "somos"...

Será que esse caminho profissional que adotamos, muitas vezes iniciado aos 17 ou 18 anos quando escolhemos um curso universitário ou mesmo quando logramos aprovação em um concurso público, é o que nos dará mais retorno financeiro e pessoal ao longo da vida ou seria interessante atirar essa vaca no precipício?

Você já parou pra pensar se sabe fazer outra coisa além do que você faz habitualmente e se seria bem remunerado por isso? Se sim, compartilha ai nos comentários!

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Aniversário de 1 Ano do Blog "Ministro do Investimento"

 
Sim meus amigos, há exatamente um ano eu começava a minha jornada na blogosfera. Para ser mais preciso, meu primeiro post foi no dia 2 de maio de 2017, e de lá pra cá posso dizer que evolui muito no que tange a investimentos e mindset financeiro.

A verdade é que ninguém começa a investir do nada, sempre existe a influência de alguém, seja um parente, seja um livro, ou mesmo um youtuber. No meu caso, os influenciadores foram os diversos blogs aqui da blogosfera, que embora amadores na pretensão de rentabilizar o conteúdo, são extremamente profissionais quando se trata do conteúdo propriamente dito. Então agradeço a todos que estão compartilhando seus conhecimentos em seus respectivos blogs e a todos que engrandecem os debates comentando aqui no blog, mesmo que anonimamente.

Se você não conhece a blogosfera de finanças, dá uma olhadinha aqui ao lado na lista de "Blogs Parceiros", só gente de qualidade!

Para se ter ideia de como evolui, vamos dar uma olhadinha na carteira do meu primeiro fechamento patrimonial, referente à abril de 2017:


Nessa oportunidade, eu relatei que a partir de 2016 eu adquiri uma consciência financeira maior de poupar mais e evitar comportamentos consumistas, o que fez meu patrimônio aumentar em 30% naquele ano, mesmo "investindo" só em poupança. Também comentei que gostaria de, a princípio, manter esse crescimento de 30% por ano do patrimônio. Bom, vamos ver então como ficou meu patrimônio um ano depois:


O aumento absoluto foi de R$ 52.471,70 e em termos percentuais de 27,7%. Não atingi a marca dos 30% mas chegou muito perto disso. Porém é notável a maior diversificação do patrimônio, com ativos financeiros bem mais rentáveis que a poupança.

Eu também havia estabelecido o objetivo de ter a seguinte alocação de ativos (ex-imóvel): 50% em Renda Fixa, 30% em Fundos Imobiliários, 20% em Ações. Bom, esse é um objetivo que ainda estou um tanto longe de alcançar, estou, hoje, com a seguinte alocação: Renda Fixa (70%), Ações (15%) e FII (15%). Não tenho pressa para cumprir esse objetivo, uma eventual correção mais violenta do mercado pode dar a oportunidade para aumentar no curto prazo a alocação em renda variável. Por enquanto, sigo aportando só em ações e FII, aumentando aos poucos a proporção desse tipo de investimento na carteira.

Lá no meu primeiro fechamento patrimonial eu também delimitei uma meta de rentabilidade de 0,7% ao mês, que, à época, considerei conservadora mas dada a nova realidade de juros e inflação no Brasil, diria que é uma rentabilidade bem aceitável. Essa meta eu cumpri à risca, minha rentabilidade média mensal nos últimos 12 meses, de maio/2017 a abril/2018, foi exatamente 0,7% a.m, conforme abaixo:


Rentabilidade anual de 8,33%

Em relação ao blog, em um ano, foram publicados 57 artigos, média de 4,7 por mês, um número aceitável, mas eu espero escrever mais, quem sabe aumentar essa média para uns 6 ou 7 por mês, claro, tentando não ficar repetitivo ou esgotar a capacidade criativa. Aliás, essa é uma coisa muito interessante de escrever um blog, estamos sempre expandindo nossa capacidade criativa.

Nesse um ano o blog teve cerca de 35.600 visualizações, média de mais ou menos 3.000 por mês, número muito interessante, mas o que acho mais interessante é a participações do pessoal nos comentários, sempre trazendo opiniões construtivas. Outro fato extremamente interessante é que após 1 ano, o Google assumiu a dianteira como a principal fonte de tráfego para o blog.

Então é isso, só para deixar registrado mesmo o primeiro aniversário do blog e o meu agradecimento a todos que nos leem.

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Atualização Patrimonial Abril/2018: R$ 241.534,29 (+R$ 3.182,81) e Rentabilidade (-0,75%)



Mais um fechamento mensal, e esse é um fechamento especial, pois completa-se 1 ano de atualizações patrimoniais aqui no blog. Por enquanto não vou fazer nenhum retrospecto, vou deixar isso para um post  específico que estou preparando, mas sem dúvidas foi uma evolução muito interessante nesse um ano de blog, evolução tanto material como psicológica.

Esse mês consegui completar e superar toda minha meta de renda extra, que era de R$ 1.500,00 no ano. Consegui isso basicamente por meio da venda de milhas (R$ 1.300,00) e venda de objetos usados (R$ 400,00) na OLX. Aliás, é muito interessante esse lance de vender coisas usadas, pois quando paramos para pensar no que não estamos mais usando e que poderia ser vendido, descobrimos uma quantidade enorme de objetos que estão só entulhando dentro de casa e que poderiam liberar espaço gerando renda.

CARTEIRA FINANCEIRA

Aporte do mês: R$ 4.530,00

Esse mês retive em caixa, ou seja deixei de aportar, pouco mais de R$ 1.500,00 pois estou revendo minha metodologia de investimento em renda variável. Em breve falarei mais sobre isso. Esse valor não irá constar dessa atualização pois, ao contrário dos fechamentos anteriores, não irei mais contabilizar aqui no blog recursos em caixa, mesmo que seja na corretora.

Compras do Mês

25 ações MDIA3, 100 ações KROT3, 15 cotas GGRC11.

Aproveitei a queda de preços da MDIA3 e comprei 25 ações para fechar o lote de 100. Depois que eu comprei a ação caiu mais ainda, mas paciência, a empresa é muito boa e acredito que vai superar a má fase trazida pelas recentes operações policiais (se você está por fora do assunto, leia aqui sobre a recente queda da MDIA3)

Comprei um lote de ações da Kroton alguns dias antes de ela adquirir a Somos Educação, iniciando sua jornada no ensino básico. Aqui acho que foi uma jogada arriscada. O setor de ensino é muito pulverizado e a concorrência é muito grande, mas a Kroton vem apresentando números fantásticos nos últimos anos e mostrou muita resiliência frente à queda de alunos FIES. É uma companhia que tem uma sede enorme por aquisições, que pode tanto alavancar o seu crescimento como botar tudo a perder com algumas aquisições erradas, ou "piorizações" como chama Peter Lynch. De qualquer forma, eu acredito que é uma companhia que pode sim ainda crescer bastante.

Pra finalizar, comprei 15 cotas de GGRC11, é um fundo imobiliário novo, que iniciou sua negociação em maio de 2017, mas que tem se mostrado um ativo com bom potencial de retorno e crescimento, com uma boa e diversificada carteira imóveis, todos com contratos atípicos, embora também tenha riscos associados. Em breve farei uma postagem sobre ele. Vamos então à carteira...





Carteira




A rentabilidade foi a seguinte:





Pelo segundo mês consecutivo minha carteira fechou no vermelho impactada, principalmente, pelas minhas ações, que só nos últimos dois meses já caíram mais de 10%. Confesso que esses números me deram uma pequena angústia, essa é a primeira queda expressiva na minha carteira de ações e a gente começa a se questionar se está investindo da forma certa. Entretanto esse lampejo de fraqueza logo é superado quando se tem em mente que o objetivo é o longo prazo.

Em relação às criptomoedas, eu praticamente desisti de aportar mais nelas. É um sobe e desce violento e completamente irracional, além disso não há qualquer base para fazer uma análise fundamentalista desse tipo de ativo, por outro lado acredito que seja um ótimo ativo para trades, porém essa não é minha praia.

A carteira de Ações e FIIs fechou o mês assim:




Principais altas do mês: VRTA11 (+0,56%) - Sim, apenas esse papel subiu esse mês, todos os outros caíram ou mantiveram o preço.

Principais baixas do mês: MDIA3 (-13,74%), CIEL3 (-7,20%) e EGIE3 (-5,54%)

Olhando acima para minha carteira de ações e vendo todos esse números vermelhos inicialmente dá um desânimo, mas analisando friamente estou hoje no prejuízo (virtual) com M. Dias Branco, Engie e Grendene, três companhias com ótimos fundamentos, portanto estou tranquilo. Já quanto à Cielo, não sei muito bem o que pensar dela, os últimos resultados (inclusive o do 1T2018) não foram muito animadores, vou acompanhá-la com mais cuidado. Já tem gente realizando prejuízo com ela, bom, eu prefiro aguardar mais um pouco antes de sair.

Pra fechar, a renda recebida no mês dos FII foi de R$ 139,78, o que me dá um DY de 0,89% a.m considerando o preço médio de aquisição.

Por hoje é só!

Abraços!

Senhor Ministro

Contato: mininvestimento@gmail.com

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Investir em Ações do Banco Inter: Oportunidade ou Furada?


O ano de 2018 talvez simbolize uma virada (tímida) da economia brasileira, estamos começando a sair do buraco, e crescimento econômico traz consigo uma nova onda de IPOs. Se você não sabe o que é IPO, essa é a sigla, em inglês, para Oferta Pública Inicial de ações, ou seja, é o ato de uma empresa abrir seu capital na bolsa de valores.

Esse ano tivemos ou teremos alguns estreantes bem interessantes na bolsa, e um deles é o nosso querido Banco Inter, o amigo de todo investidor, pois permite que façamos transferências para nossas corretoras sem cobrar taxas por isso. Aliás, essa é uma das principais estratégias do banco, atrair clientes isentando-os da cobrança de taxas de manutenção de conta, TED e cartão de crédito.

O grande diferencial do Banco Inter é o fato de ser um banco digital: todo atendimento, abertura de contas, investimento, contratação de serviço é feito pela internet. Num mercado bancário tão tradicional e concentrado como o nosso, em que apenas alguns bancos dominam a cena e acumulam reclamações e insatisfação de seus clientes, o Banco Inter encontra um cenário ideal para abocanhar uma fatia do mercado.

Não à toa o banco informa que está atualmente com a impressionante marca de, em média, 2.700 contas abertas POR DIA. Isso é muita coisa, é uma taxa impressionante de aquisição e novos clientes. Esse crescimento cresceu exponencialmente em 2017, quando o número de clientes saltou de 80 mil para 379 mil.

Olhando sob essa perspectiva o Banco Inter parece um ótimo prospecto mas vamos refletir um pouco: se a proposta do banco é não cobrar tarifas, como ele faz para ganhar dinheiro?

Obviamente que em uma instituição financeira as tarifas são apenas uma das fontes de receita. Como o Banco Inter não possui todo o custo de manter uma estrutura de agências, é razoável que abra mão de algumas receitas para se diferenciar da concorrência. Dessa forma, outras fontes de receitas podem dar os resultados que o banco espera como a concessão de empréstimos e financiamentos. Vamos então fazer uma Raio-X da carteira de crédito do Banco Inter:

Os principais produtos do banco são crédito imobiliário, crédito pessoal e crédito para empresas na seguinte proporção:


Observa-se que nos últimos 3 anos, o crédito imobiliário foi o grande filão do banco e o principal responsável por seus resultados, representando mais de 50% da carteira de crédito. Isso provavelmente remonta às raízes do banco, que pertence ao mesmo grupo familiar proprietário da MRV Engenharia e que fundou o banco em 2008 justamente para atuar no segmento de operações de crédito imobiliário.

Se o crédito imobiliário é tão relevante no Banco Inter resolvi então simular uma contratação desse tipo de financiamento para verificar se, realmente, o Banco tem algum diferencial nessa área e as características do CredCasa, apelido do financiamento imobiliário do Banco Inter, são as seguintes:


Sinceramente, eu não vi muito diferencial nisso, pelo contrário, achei os juros bem elevados: 0,83% a.m daria uma taxa anual de 10,43% e projetando-se um IPCA de 4%, teríamos uma taxa de juros de mais de 14% ao ano. Isso considerando um IPCA controlado, mas todos sabemos que no Brasil, o IPCA pode subir e descer de forma bem exponencial, gerando mais um risco para o tomador de um empréstimo vinculado ao IPCA, principalmente levando em conta que trata-se de um empréstimo de longuíssimo prazo.

Ai eu me pergunto: se nós temos ai no mercado grandes players trabalhando com taxas de, em média, 9% a.a + TR (que varia muito pouco), por que alguém contrataria um financiamento custando 14% a.a e se sujeitando ao risco de variação do IPCA?

Provavelmente essa carteira de crédito imobiliário do Banco Inter seja fruto da estreita ligação com a MRV Engenharia, pois com essas condições acima, dificilmente o Banco conseguiria ter um diferencial competitivo no mercado.

Portanto eu não investiria no Banco Inter buscando ter em minha carteira um player relevante do mercado imobiliário, na verdade não se trata aqui de investir numa instituição financeira com resultados consolidados, mas sim em uma aposta, uma aposta que o Banco Inter conseguirá mudar o perfil do seu portfólio, aumentando receitas provenientes de outras fontes como seguros, cartões, crédito pessoal e crédito a empresas.

A enorme e impressionante captação de clientes em 2017 mostra que o Banco Inter tem a faca e o queijo na mão para crescer muito, além disso, o Banco declara que pretende destinar os recursos levantados no IPO para incrementar suas operações de crédito, investir em tecnologia, investir em marketing e expandir os negócios por meio de aquisições estratégicas. Portanto aqui o banco já dá uma dica: talvez a diversificação da carteira de crédito se dê por meio de aquisições de outros players.

A verdade é que, no fim das contas, ao investir no Banco Inter se está confiando que o Banco fará o que não fez antes, aquisições estratégicas e diversificação de receitas e da carteira de crédito, pois se for para esperar investir num player do mercado de financiamento imobiliário, não vejo um futuro tão brilhante assim para o Banco.

Abraços,

Senhor Ministro

quarta-feira, 18 de abril de 2018

MFII11: A Caixa-Preta dos Fundos Imobiliários


Vamos conversar um pouco sobre aquele FII que é igual ao Big Brother Brasil, todo mundo fala mal, diz que não presta, mas já está na sua 98372ª edição, e possivelmente dando boa audiência, ou seja, é o FII com mais haters no mercado mas que não para de crescer, é isso mesmo senhores, o papo hoje é sobre Mérito Desenvolvimento Imobiliário, também conhecido como MFII11.

Apesar de eu ter participação nesse FII, vou procurar fazer uma análise isenta, sem tentar justificar meu investimento, mas tão somente comentar a situação do fundo na minha percepção pessoal e, claro, receber a opinião dos leitores. Até porque, se eu entender como mais adequado, basta um clique para eu me desfazer dos meus ativos nesse fundo.

Vamos começar dando uma olhada na "fuça" do gestor do fundo, o Sr. Alexandre Despontin, um jovem pródigo, engenheiro aeronáutico formado no ITA em 2010 e que em 2012 fundou a Mérito Desenvolvimento Imobiliário.

Qualquer semelhança com Harry Potter é mera coincidência

Agora vamos falar do fundo propriamente dito. O MFII11 é um fundo de desenvolvimento imobiliário, ou seja, a atuação dele é semelhante a uma incorporadora/construtora, diferente dos fundos "normais" de aluguéis, ele atua adquirindo terrenos, aprovando projetos e vendendo unidades, portanto tem uma movimentação financeira bem maior e bem menos previsível que os fundos de aluguel. Os riscos desse tipo de FII também são maiores pois o fundo assume todo o risco da incorporação e desenvolvimento do projeto imobiliário. Logicamente que os potenciais ganhos também superam os FII convencionais.

Hoje o fundo tem em sua carteira 15 projetos imobiliários em diferentes fases (veja aqui e aqui), alguns já estão 100% concluídos e vendidos, apenas restando ao fundo receber os valores que foram financiados aos compradores das unidades, outros projetos estão com obras em andamento e outros ainda estão em fase de pré-lançamento, ou seja, ainda na fase de aquisição e regularização do terreno. O ciclo de desenvolvimento imobiliário da Mérito é o seguinte:



O fundo pode entrar em um empreendimento em qualquer uma dessas fases, podendo, inclusive adquirir um empreendimento 100% concluído e vendido, restando apenas administrar os recebíveis dos clientes financiados, como é o caso do projeto Vila Ferrara, recém adquirido em Ubatuba/SP.

Cada um desses projetos é tocado pelo fundo em conjunto com um parceiro, para isso é constituída uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), ou seja, uma empresa específica para tocar a empreitada. Nesse relatório constam alguns detalhes de todos os projetos.


Agora vamos às polêmicas! 

Por se tratar de um fundo de desenvolvimento, com projetos nas mais diversas fases e com fluxos de caixa inconstantes, seria normal esperar uma grande flutuação na distribuição de proventos aos cotistas, até mesmo uma distribuição trimestral ou semestral, dada peculiaridade da atuação do fundo. No entanto, o fundo vem distribuindo religiosamente R$ 1,18 por cota todos os meses, um Dividend Yeld mensal de 0,9% (considerando o valor da cota hoje), se enquadrando no Top 5 dos FII com maior DY na bolsa.

E quando a esmola é demais, o santo desconfia né! O investidor começa então a se perguntar: "Se os projetos estão em fases diferentes e o fluxo de caixa é inconstante, de onde está saindo esse dinheiro para fazer distribuições mensais tão generosas? Qual projeto está contribuindo financeiramente para isso?"

Polêmica nº 1 - Falta de Transparência


A resposta é: não sei e ninguém sabe, simplesmente porque o fundo não divulga essa informação. O fundo não divulga os balanços das SPE's de cada projeto, portanto não é possível saber qual projeto está gerando caixa, qual projeto está queimando caixa, qual projeto vai bem, qual projeto vai mal, qual projeto está endividado, etc.

Também não são divulgados os contratos dessas SPE, onde deve constar, por exemplo, que tipo de acordo o fundo fez com o parceiro, quais as responsabilidades e parcelas de ganho de cada parte no empreendimento, etc.

Em entrevista ao Professor Baroni, da Suno Research, o Sr. Alexandre "Harry" Despontin "Potter" informou que o fundo criou uma holding para gerenciar todas as SPE, que os balanços das SPE estão em processo de auditoria, e que, após isso (previsão para Maio/2018) vão estudar como apresentar os resultados das SPE.


Polêmica nº 2 - Queima de Caixa e Esquema Ponzi (Pirâmide)


Mas afinal, de onde saiu a grana para pagar as generosas distribuições? De acordo com informação confirmada pelo próprio gestor, as atuais distribuições estão sendo feitas às custas de parte dos recursos arrecadados na última emissão de cotas, ou seja, o fundo está pagando proventos não com os resultados das suas operações, mas com parte do dinheiro investido pelos recém ingressos.

(para quem não lembra o MFII fez uma emissão, muito bem sucedida, em que se pagava R$ 110,00 por cota, sendo a cota no valor de R$ 100,00 e os outros R$ 10,00 de taxa. São justamente essas taxas que estão custeando as atuais distribuições)

Estima-se que esses recursos irão acabar em meados de junho ou julho de 2018, e ai vem a questão: após "queimados" os recursos da última emissão, o fundo tem condição de continuar pagando os mesmos rendimentos? Na entrevista que supracitei, o gestor disse que sim, que a Holding já tem resultados suficientes para continuar com as distribuições de proventos, PORÉM, como não há transparência dos resultados das SPE, não é possível saber se essa afirmação é verdadeira.

E ai os mais desconfiados começam a levantar a possibilidade de ser um esquema de pirâmide, em que os pagamentos da renda dos atuais cotistas vão sendo custeados pelos recursos dos novos cotistas (emissões). Eu não acho que seja o caso, mas tem gente que defende isso. Se em junho ou julho o fundo vier com outra emissão sem explicitar os resultados da holding, ai sim a coisa vai ficar feia.

Conclusão

O que se percebe é que o MFII11 não se trata de um fundo imobiliário qualquer, é na verdade um fundo que carrega uma certa complexidade de análise pois se assemelha muito mais a uma construtora/incorporadora e, como tal, está sujeito a muitos riscos inerentes ao processo de construção e venda de imóveis (flutuação de preço dos insumos, falha de premissa no planejamento orçamentário, riscos técnicos e legais, distratos e inadimplência, etc). Além disso, como os investidores em ações já estão cansados de saber, o setor de construção civil é cíclico, de forma que é impossível esperar que esse fundo entregue uma renda perene por muitos e muitos anos.

Por outro lado, como todos devem imaginar, construir e vender um imóvel é muito mais lucrativo do que comprar um imóvel para alugar, e se o fundo for competente em fazer isso, vai gerar retornos extraordinários para seus cotistas.

Portanto o MFII11 é um FII que, se bem gerido, pode ser muito rentável, porém, demanda acompanhamento mais ativo do investidor pois eventual descasamento do fluxo de caixa (causado por n fatores, desde imprevistos nos projetos até desaceleração econômica no país) pode comprometer a saúde financeira do fundo. E, para que o investidor possa fazer esse acompanhamento, é essencial que o Gestor aprimore a transparência dos resultados das SPE, pois do jeito que está hoje, o investidor não tem outra opção senão confiar cegamente na gestão.

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Enriquecimento e Sensação de Injustiça Com os Pobres


Esses dias estava lendo alguns blogs, especificamente o blog Clube dos Poupadores, que é um blog de finanças não anônimo e mais mainstream, e que, portanto, não tem algumas liberdades que nós aqui dos blogs independentes temos.

Esse blog fez uma postagem sobre "como juntar dinheiro", artigo bem interessante, mas o que chamou a atenção mesmo foi um dos comentários, que embora expresse tão somente a opinião pessoal do comentarista, reflete o pensamento de muita gente e uma certa doutrinação comunista ainda forte no Brasil. Vejamos então o comentário:



Doar dinheiro para reduzir a sensação de injustiça por enriquecer em detrimento dos pobres....

Fazia tempo que eu não lia tanta besteira. Nada contra fazer doações, inclusive a maioria dos grandes capitalistas e bilionários doam muito dinheiro mas a questão aqui é outra...o que me chama a atenção (negativamente, claro) é esse constrangimento e pesar por enriquecer, como se fosse algo errado, como se o enriquecimento de alguém fosse a causa direta da pobreza de uma multidão, uma visão típica comunista.

A verdade é que, independente da corrente filosófica, tem muito brasileiro que nutre o sentimento de que os ricos são pessoas más, que enriquecem às custas de roubalheira, corrupção ou da exploração escravocrata do trabalho alheio. Outros dizem que dinheiro não compra felicidade, que preferem ter tempo ao invés de dinheiro, que a ganância é pecado, que não devemos focar nossa existência na obtenção de bens materiais.

São inúmeras as desculpas que as pessoas arranjam para racionalizar o simples fato de que não são capazes de acumular capital e enriquecer. A realidade é que todo mundo gostaria de ter mais dinheiro, mas poucos estão dispostos a fazer o que é preciso para conseguir isso e ai entoam as desculpinhas que citei no parágrafo anterior.

Todo mundo conhece ou já conheceu um "João Silva" da vida. Abrir os olhos dessas pessoas é tarefa bem complicada na maioria das vezes, mas, no mínimo, devemos usá-los como exemplo de como não lidar com o dinheiro.

Abraços,

Senhor Ministro

Contato: mininvestimento@gmail.com



quarta-feira, 11 de abril de 2018

Escândalo: M. Dias Branco Envolvida na Lava Jato. Oportunidade ou Ameaça?


É senhores, se tem uma coisa que a Lava Jato tornou (e ainda está tornando) explícita para o Brasil é a relação promíscua entre iniciativa privada e poder público. Grandes empresários, com grandes histórias de vida, donos de patrimônios bilionários flagrados em relações espúrias com agentes políticos.

As empreiteiras são o caso mais clássico pois sobrevivem de prestação de serviços ao poder público, por isso estão muito mais expostas à corrupção e negociatas diversas. Mas hoje, dia 10/04/2018, a Polícia Federal, no bojo da Operação Tira-Teima, cumpriu mandado de busca e apreensão em Fortaleza, na sede de uma das empresas que eu mais respeito (ou respeitava): M. Dias Branco (MDIA3). A suspeita é que a companhia esteja envolvida em pagamentos de propina para o senador Eunício Oliveira, atual presidente do Senado, ou seja, a coisa ainda vai esquentar!




Se você não conhece, a M. Dias Branco é a maior fabricante de massas e biscoitos do Brasil e uma das maiores do mundo. É uma companhia com história muito interessante, que começou em 1936 quando o português Manuel Dias Branco inaugurou em Fortaleza a “Padaria Imperial”. A M. Dias Branco já está na sua 3ª geração de sucessão familiar com sucesso.

Ainda não se sabe muitos detalhes sobre essa operação, mas porra, ninguém tá limpo nesse país. Empreiteiras (Odebrecht e cia), indústria farmacêutica (Hyper Pharma), concessionária de rodovias (Ecorodovias), indústria de massas e biscoitos (M Dias Branco), empresas de carne (BR Foods, JBS e cia.),  bancos (Santander, Safra e Itaú), e por ai vai, todos envolvidos em operações policiais relacionadas à corrupção passiva e ativa.

Isso mostra que esse Estado dominante sobre a iniciativa privada não é sustentável, alimenta a corrupção e prejudica a livre concorrência.

Mas voltando a falar da M. Dias Branco...me corrijam se eu estiver errado, mas trata-se de uma das melhores companhias listadas na Bovespa, com resultados excelentes nos últimos anos, crescimento constante e ganhou especial destaque com a recente aquisição da Piraquê, o que irá contribuir para maior penetração nos mercados do Sul/Sudeste. Venha falando dela há tempos, inclusive.

Tudo isso fez com que a cotação de suas ações tenha obtido crescimento significativo nos últimos tempos, principalmente do início de 2016 pra cá. Recentemente a ação chegou a superar os R$ 60,00. Porém com toda essa agitação relacionada a essa operação policial, a MDIA3 fechou o pregão com queda de 4,4% cotada a R$ 47,15. 

A verdade é que a companhia foi lançada no "seleto" rol de envolvidas em escândalos de corrupção, porém seus resultados e fundamentos não mudaram, continuam ótimos. Dito isso, seria essa uma oportunidade para comprar na baixa, apenas observar aguardando mais informações ou se preocupar efetivamente com o futuro das ações e da própria companhia?

Eu sinceramente estou bem propenso a acreditar que se trata de uma boa janela de oportunidade de compra, e você?

Abraços,

Senhor Ministro

Contato: mininvestimento@gmail.com



segunda-feira, 9 de abril de 2018

A Bolsa de Valores é Um Campo Minado!

Recentemente estive conversando com dois amigos sobre investimentos. Os dois não se conhecem, inclusive moram em estados diferentes, um é servidor público de alto escalão, o outro é médico, mas tem uma coisa em comum: ambos estão decepcionados com os resultados da renda fixa, dada às quedas constantes da Taxa Selic, e estão avaliando migrar seus investimento para a renda variável. Como em algumas oportunidades eu já havia comentado que investia na bolsa, eles vieram conversar comigo sobre o assunto.

O que eu achei mais curioso é que embora esses dois amigos sejam pessoas muito bem instruídas e com remuneração bem acima do padrão brasileiro, ambos nutrem um sentimento verdadeiro que a bolsa de valores é um verdadeiro campo minado, lugar inóspito, povoado por veteranos de guerra, em que um passo em falso pode levar à explosão de uma mina terrestre.

E se você tivesse que atravessar um campo minado, optaria por fazer isso sozinho, arriscando a sua vida, ou preferiria contratar um militar especializado, com anos de treinamento e experiência de campo, para te ajudar no trajeto? A segunda opção, logicamente!

Não sei se você sacou a analogia, mas os meus amigos acreditam que a bolsa é um lugar perigoso, que investir sozinho não é recomendado, que fazer isso é muito arriscado sendo o prejuízo um destino quase certo. Nesse caso, eles acreditam que a decisão mais sensata é investir em fundos de ações, pois contam com profissionais especializados, que saberão fazer as melhores escolhas.

Por um lado, eu tenho que concordar que, de certa forma, a bolsa brasileira é um grande campo minado. Só para ilustrar, das 410 empresas listadas, 110 (27%) apresentaram prejuízo no último resultado. Sem mencionar as várias outras que embora tenham lucro, não inspiram nenhuma confiança. A verdade é que tem muita tranqueira na Bovespa, o universo de empresas sólidas listadas é muito pequeno, talvez algo em torno de 10% do total seja de empresas que "prestam".


Entretanto, a diferença para um campo minado de verdade, é que na bolsa é muito mais fácil identificar e fugir das bombas. Sinceramente, com um ou dois meses de estudo, lendo os livros certos e lendo os blogs certos, qualquer um é capaz de investir na bolsa com alguma desenvoltura, sem muita firula e sem muita tecnicidade. Lógico que sempre vão aparecer aqueles mais "avançadinhos" falando de valuation, fluxo de caixa descontado, dividendos descontado, modelo de Gordon, alpha, beta, suporte, resistência, média móvel, candle, etc. No fim das contas, o que importa é investir em boas empresas e isso não é lá tão difícil de fazer.

O brasileiro em geral ainda tem muito medo da bolsa e mesmo quando decide superar esse medo, acaba fazendo isso de forma parcial, confiando seu investimento nas mãos de um gestor de fundos, o que nem sempre é a melhor opção, por mais ilógico que isso possa parecer. É como diz Peter Lynch:

Os gestores de fundos não podem relaxar porque o jogo é disputado o ano todo. As vitórias e derrotas são revisadas a cada 3 meses por clientes e chefes que demandam resultados imediatos. Há uma regra que não está escrita em Wall Street: você nunca perde o seu emprego perdendo o dinheiro do seu cliente na IBM. Se você perder dinheiro na IBM seus clientes vão pensar "o que há de errado com a IBM?". Se você perder dinheiro numa small cap promissora, seus clientes vão pensar "o que há de errado com você?".  

Abraços,


Senhor Ministro

Contato: mininvestimento@gmail.com


segunda-feira, 2 de abril de 2018

Atualização Patrimonial Março/2018 (Estréia de FII na Carteira) - R$ 238.351,48 (+ 1.282,72) e Rentabilidade (- 0,52%)



Mês de março finalizado, mais um mês vencido na conta da independência financeira. Sem mais delongas, vamos a um breve destaques do mês, em seguida para a discussão da carteira propriamente dita, esse mês tem estreia na carteira de fundos imobiliários, detalhes mais a frente...

BLOG

Esse mês a plataforma do blogger me mostrou uma novidade muito interessante em relação ao blog, mais especificamente nas estatísticas de origem do tráfego: em março, o Google foi o maior provedor de tráfego para o blog!

Geralmente as pessoas que nos visitam e nos leem são oriundas de outros blogs de finanças, mas esse mês o tráfego de pessoas vindo de fora da finansfera foi bem interessante, o que, de certa forma, demonstra o crescimento do blog, algo que me deixa bem feliz, muito embora tal crescimento não tenha significado ganhos adicionais de adsense (que continuam quase insignificantes e, de qualquer forma, não é o meu foco aqui).

CARTEIRA

Aporte do mês:

R$ 3.226,48

Movimentação de Patrimônio:

Inicialmente fiz uma movimentação de R$ 10 mil, tirando esse montante da poupança e transferindo para um CDB 100% CDI, de liquidez diária, do Banco Inter. Pretendo fazer o mesmo com mais outros R$ 10 mil ao longo do mês de abril. O motivo é que além de o CDB estar rendendo mais que a poupança, os recursos já ficam prontos para serem transferidos para a renda variável, em caso de grandes oportunidades com o período eleitoral (que acho cada vez mais difícil que isso aconteça).

Aquisições:

Esse mês o aporte foi totalmente direcionado para os fundos imobiliários, mais especificamente para uma categoria específica de fundos: fundos de recebíveis, reforcei minha posição em KNIP11 e montei posição em VRTA11, totalizando 21 cotas de cada.

Vejo o momento interessante para os fundos de recebíveis uma vez que com a Taxa Selic e a inflação em baixa, esse fundos tendem a perder a atratividade e cair de preço, de forma que estão sendo negociados muito próximo de seu valor patrimonial. Esses dois fundos em específico estão particularmente expostos à inflação, que está em patamares muito baixos agora, mas há uma expectativa de aumento para os próximos meses, o que pode retornar um bom yeld.

Em relação ao VRTA, ainda houve um certo frisson (negativo) pela saída de seus principais gestores que migraram para o Iridium (IRDM11), mas trata-se de um fundo com uma carteira já montada e consolidada, não vejo motivos para preocupação.

Carteira:



Em relação à carteira, fiz um ajuste no valor do imóvel. Eu estava considerando o saldo devedor do financiamento de forma errada. Feito o devido ajuste, o valor desse item na carteira diminuiu em cerca de R$ 1.900,00, o que, obviamente, impactou o crescimento do valor total da carteira nesse mês.

A rentabilidade da carteira foi a seguinte:



Esse foi um daqueles meses em que o dinheiro guardado debaixo do travesseiro teria sido mais vantajoso, mas sem alarde, rentabilidades negativas fazem parte da caminhada. Como se pode ver na tabela acima, os grandes vilões do mês foram as criptomoedas, com a "singela" queda de 30% e as ações que também recuaram forte, fechando com queda superior a 5%.

As carteiras de ações e FII fecharam o mês assim:



Maiores quedas do mês: MDIA3 (-14,8%), CIEL3 (-14,3%) e GRND3 (-3,8%)

Maiores altas do mês: GRLV11 (+12%), ABEV3 (+8,6%), MFII11 (+6,5%)

Detalhe que CIEL e GRND figuram entre as três piores quedas do mês pelo segundo mês consecutivo...

Por enquanto é isso!

Abraços,

Senhor Ministro

quinta-feira, 22 de março de 2018

Fundos de Índice (ETF) x Ações Individuais



Esses dias estava, como de costume, navegando pela blogosfera de finanças e me deparei com o seguinte post do Vagabundo: de calças arriadas, minhas ações.

Em suma, nesse post ele abre a carteira de ações dele, mas o mais interessante é que ele fez uma comparação, dos últimos 12 meses, entre o desempenho da carteira dele, o Ibovespa, um fundo de ações (BNP Paribas) e o ETF* GOVE11.

 *Se você não sabe o que é um ETF, resumidamente é um fundo que busca espelhar determinado índice. Por exemplo, o BOVA11 é um ETF que busca espelhar o índice Bovespa, portanto ao investir no BOVA11, você estará investindo, de uma vez só, numa fração de todas as empresas que compõem o índice Bovespa.

O resultado foi em uma ponta o fundo de ações do BNP levando uma surra, e na outra ponta o GOVE11 apresentando o melhor resultado, ligeiramente acima do Ibovespa e da carteira de ações do Vagabundo.

Isso o levou a seguinte reflexão:

"o investimento em ETF teria me dado um resultado muito melhor. Sem falar na economia de tempo - não precisar acompanhar diversas ações, controlar, declarar uma por uma no IR todo ano. Esses números me surpreenderam e me fizeram pensar. Como pode um índice cheio de empresas geridas por políticos bater uma carteira de empresas escolhidas a dedo?


Assim como ele, eu também fiquei espantado com o resultado apresentado, afinal, temos trabalho estudando empresas, analisado resultados, lendo balanços, tudo para buscar empresas sólidas e de valor, que possa entregar resultados crescentes e, consequentemente, valorizar suas ações. Isso sem mencionar a chatisse que é declarar imposto de renda, etc.

Do outro lado, quem investe em ETF praticamente não tem trabalho nenhum de análise, é simplesmente confiar que aquele índice vai performar bem ao longo do tempo, seja por uma perspectiva setorial, seja por puro achismo.

Então, no fim das contas, será que investir em ETF vale mais a pena que investir em ações individuais?



Apesar do choque inicial, com um pouco mais de reflexão percebemos que o prazo de análise utilizado pelo Vagabundo foi muito curto, apenas 12 meses, para quem investe em ações de valor, os resultados costumam ser melhor mensurados no longo prazo. Além disso, o prazo analisado, últimos 12 meses, está inserido num contexto de mercado em alta, ambiente em que os ETF se saem muito bem.

Dessa forma, visando aprofundar essa análise e ter um resposta mais clara sobre o vencedor do embate ETF x Ações Individuais, resolvi fazer um estudo mais aprofundando, num prazo de 5 anos, comparando uma situação hipotética de dois investidores que aplicaram R$ 30 mil na bolsa no início de 2013 e o resultado que ele obteve até hoje, sendo que um deles investiu em ações individuais e o outro em ETFs.

De um lado, o investidor A, que optou por investir em ações individuais. Para esse investidor, vou replicar a minha carteira pessoal (da vida real!), que é 100% baseada em valor. Portanto, em 07/01/2013 o investidor A escolheu seis empresas e aplicou cerca de R$ 5 mil em cada, conforme a carteira seguinte:


Posição em Jan/2013

Já o investidor B, não querendo "se arriscar" a comprar ações individuais, resolveu investir na bolsa por meio de ETFs, escolhendo os seguintes ETFs: BOVA11, PIBB11 e SMAL11. Por que eu escolhi esses ETFs? Por que são os indicados pelo Blog do Henrique Carvalho um blogueiro de finanças mainstream (na verdade nem sei se ele ainda escreve sobre finanças) que é ferrenho defensor de ETFs frente ao investimento direto em ações. Bom, a carteira do investidor B ficou da seguinte forma:


Posição em Jan/2013
 
Avançando-se pouco mais de 5 anos no tempo, mais especificamente até o dia 19/03/2018, as carteiras do investidor A e do investidor B ficaram da seguinte forma:

Posição em Mar/2018

Posição em Mar/2018

Obs¹: as informações sobre as cotações históricas foram obtidas do site tradingview.com
Obs²: as informações sobre dividendos e JSCP foram obtidas nos sites das empresas
Obs³: na tabela os JSCP não estão descontados de imposto de renda, porém o valor seria irrelevante para o resultado da comparação

Importante destacar que o investidor em ETF não recebe dividendos e JSCP em sua conta, em tese esses valores são reinvestidos automaticamente pelo próprio ETF. No caso do investidor em ações individuais ele também pode (e deve) reinvestir os dividendos, porém no meu estudo (para facilitar) considerei que ele não o fez.

Outro ponto importante é relacionado à tributação. O ganho de capital em ETF é tributado em 15%, independente do valor, já nas ações há isenção de IR para operação de venda de até R$ 20 mil por mês.

A comparação final entre os dois investidores fica então da seguinte forma:



O investidor B, que não teve muito trabalho de análise e simplesmente enfiou seu dinheiro em três ETFs, obteve uma rentabilidade líquida de 28,3% em 5 anos e 3 meses, média de 0,4% ao mês, seguramente um desempenho pior do que obteria na renda fixa, principalmente no período analisado, em que a Taxa Selic estava nas alturas.

Já o investidor A, que se empenhou um pouco mais em escolher boas empresas e acompanhar, pelo menos trimestralmente, o seu desempenho, obteve um rendimento líquido de 124,1% no mesmo prazo, média de 1,9% ao mês. Isso porque eu não considerei que o investidor A reaplicou os dividendos recebidos, senão o retorno poderia ser ainda maior.

Conclusão

Esse não é nenhum estudo acadêmico mas acho que indica que a estratégia de gestão ativa de uma carteira de ações tem muito mais potencial de retorno, no longo prazo, em se comparando com um investimento passivo, como em ETFs.

Os ETFs tem seu propósito, principalmente para os investidores iniciantes ou para aqueles que não se sentem suficientemente seguros para comprar ações por conta própria, entretanto o esforço de estudar e escolher boas empresas compensa no bolso daqueles que o fazem.

Na minha opinião, o investimento em ações baseado em valor ainda é o método de melhor custo/benefício, pensando na variável retorno/risco, porém certamente não é um método indicado para preguiçosos e medrosos (tinha que ter uma cutucada né?).

Abraços,

Senhor Ministro