quarta-feira, 18 de abril de 2018

MFII11: A Caixa-Preta dos Fundos Imobiliários


Vamos conversar um pouco sobre aquele FII que é igual ao Big Brother Brasil, todo mundo fala mal, diz que não presta, mas já está na sua 98372ª edição, e possivelmente dando boa audiência, ou seja, é o FII com mais haters no mercado mas que não para de crescer, é isso mesmo senhores, o papo hoje é sobre Mérito Desenvolvimento Imobiliário, também conhecido como MFII11.

Apesar de eu ter participação nesse FII, vou procurar fazer uma análise isenta, sem tentar justificar meu investimento, mas tão somente comentar a situação do fundo na minha percepção pessoal e, claro, receber a opinião dos leitores. Até porque, se eu entender como mais adequado, basta um clique para eu me desfazer dos meus ativos nesse fundo.

Vamos começar dando uma olhada na "fuça" do gestor do fundo, o Sr. Alexandre Despontin, um jovem pródigo, engenheiro aeronáutico formado no ITA em 2010 e que em 2012 fundou a Mérito Desenvolvimento Imobiliário.

Qualquer semelhança com Harry Potter é mera coincidência

Agora vamos falar do fundo propriamente dito. O MFII11 é um fundo de desenvolvimento imobiliário, ou seja, a atuação dele é semelhante a uma incorporadora/construtora, diferente dos fundos "normais" de aluguéis, ele atua adquirindo terrenos, aprovando projetos e vendendo unidades, portanto tem uma movimentação financeira bem maior e bem menos previsível que os fundos de aluguel. Os riscos desse tipo de FII também são maiores pois o fundo assume todo o risco da incorporação e desenvolvimento do projeto imobiliário. Logicamente que os potenciais ganhos também superam os FII convencionais.

Hoje o fundo tem em sua carteira 15 projetos imobiliários em diferentes fases (veja aqui e aqui), alguns já estão 100% concluídos e vendidos, apenas restando ao fundo receber os valores que foram financiados aos compradores das unidades, outros projetos estão com obras em andamento e outros ainda estão em fase de pré-lançamento, ou seja, ainda na fase de aquisição e regularização do terreno. O ciclo de desenvolvimento imobiliário da Mérito é o seguinte:



O fundo pode entrar em um empreendimento em qualquer uma dessas fases, podendo, inclusive adquirir um empreendimento 100% concluído e vendido, restando apenas administrar os recebíveis dos clientes financiados, como é o caso do projeto Vila Ferrara, recém adquirido em Ubatuba/SP.

Cada um desses projetos é tocado pelo fundo em conjunto com um parceiro, para isso é constituída uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), ou seja, uma empresa específica para tocar a empreitada. Nesse relatório constam alguns detalhes de todos os projetos.


Agora vamos às polêmicas! 

Por se tratar de um fundo de desenvolvimento, com projetos nas mais diversas fases e com fluxos de caixa inconstantes, seria normal esperar uma grande flutuação na distribuição de proventos aos cotistas, até mesmo uma distribuição trimestral ou semestral, dada peculiaridade da atuação do fundo. No entanto, o fundo vem distribuindo religiosamente R$ 1,18 por cota todos os meses, um Dividend Yeld mensal de 0,9% (considerando o valor da cota hoje), se enquadrando no Top 5 dos FII com maior DY na bolsa.

E quando a esmola é demais, o santo desconfia né! O investidor começa então a se perguntar: "Se os projetos estão em fases diferentes e o fluxo de caixa é inconstante, de onde está saindo esse dinheiro para fazer distribuições mensais tão generosas? Qual projeto está contribuindo financeiramente para isso?"

Polêmica nº 1 - Falta de Transparência


A resposta é: não sei e ninguém sabe, simplesmente porque o fundo não divulga essa informação. O fundo não divulga os balanços das SPE's de cada projeto, portanto não é possível saber qual projeto está gerando caixa, qual projeto está queimando caixa, qual projeto vai bem, qual projeto vai mal, qual projeto está endividado, etc.

Também não são divulgados os contratos dessas SPE, onde deve constar, por exemplo, que tipo de acordo o fundo fez com o parceiro, quais as responsabilidades e parcelas de ganho de cada parte no empreendimento, etc.

Em entrevista ao Professor Baroni, da Suno Research, o Sr. Alexandre "Harry" Despontin "Potter" informou que o fundo criou uma holding para gerenciar todas as SPE, que os balanços das SPE estão em processo de auditoria, e que, após isso (previsão para Maio/2018) vão estudar como apresentar os resultados das SPE.


Polêmica nº 2 - Queima de Caixa e Esquema Ponzi (Pirâmide)


Mas afinal, de onde saiu a grana para pagar as generosas distribuições? De acordo com informação confirmada pelo próprio gestor, as atuais distribuições estão sendo feitas às custas de parte dos recursos arrecadados na última emissão de cotas, ou seja, o fundo está pagando proventos não com os resultados das suas operações, mas com parte do dinheiro investido pelos recém ingressos.

(para quem não lembra o MFII fez uma emissão, muito bem sucedida, em que se pagava R$ 110,00 por cota, sendo a cota no valor de R$ 100,00 e os outros R$ 10,00 de taxa. São justamente essas taxas que estão custeando as atuais distribuições)

Estima-se que esses recursos irão acabar em meados de junho ou julho de 2018, e ai vem a questão: após "queimados" os recursos da última emissão, o fundo tem condição de continuar pagando os mesmos rendimentos? Na entrevista que supracitei, o gestor disse que sim, que a Holding já tem resultados suficientes para continuar com as distribuições de proventos, PORÉM, como não há transparência dos resultados das SPE, não é possível saber se essa afirmação é verdadeira.

E ai os mais desconfiados começam a levantar a possibilidade de ser um esquema de pirâmide, em que os pagamentos da renda dos atuais cotistas vão sendo custeados pelos recursos dos novos cotistas (emissões). Eu não acho que seja o caso, mas tem gente que defende isso. Se em junho ou julho o fundo vier com outra emissão sem explicitar os resultados da holding, ai sim a coisa vai ficar feia.

Conclusão

O que se percebe é que o MFII11 não se trata de um fundo imobiliário qualquer, é na verdade um fundo que carrega uma certa complexidade de análise pois se assemelha muito mais a uma construtora/incorporadora e, como tal, está sujeito a muitos riscos inerentes ao processo de construção e venda de imóveis (flutuação de preço dos insumos, falha de premissa no planejamento orçamentário, riscos técnicos e legais, distratos e inadimplência, etc). Além disso, como os investidores em ações já estão cansados de saber, o setor de construção civil é cíclico, de forma que é impossível esperar que esse fundo entregue uma renda perene por muitos e muitos anos.

Por outro lado, como todos devem imaginar, construir e vender um imóvel é muito mais lucrativo do que comprar um imóvel para alugar, e se o fundo for competente em fazer isso, vai gerar retornos extraordinários para seus cotistas.

Portanto o MFII11 é um FII que, se bem gerido, pode ser muito rentável, porém, demanda acompanhamento mais ativo do investidor pois eventual descasamento do fluxo de caixa (causado por n fatores, desde imprevistos nos projetos até desaceleração econômica no país) pode comprometer a saúde financeira do fundo. E, para que o investidor possa fazer esse acompanhamento, é essencial que o Gestor aprimore a transparência dos resultados das SPE, pois do jeito que está hoje, o investidor não tem outra opção senão confiar cegamente na gestão.

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Enriquecimento e Sensação de Injustiça Com os Pobres


Esses dias estava lendo alguns blogs, especificamente o blog Clube dos Poupadores, que é um blog de finanças não anônimo e mais mainstream, e que, portanto, não tem algumas liberdades que nós aqui dos blogs independentes temos.

Esse blog fez uma postagem sobre "como juntar dinheiro", artigo bem interessante, mas o que chamou a atenção mesmo foi um dos comentários, que embora expresse tão somente a opinião pessoal do comentarista, reflete o pensamento de muita gente e uma certa doutrinação comunista ainda forte no Brasil. Vejamos então o comentário:



Doar dinheiro para reduzir a sensação de injustiça por enriquecer em detrimento dos pobres....

Fazia tempo que eu não lia tanta besteira. Nada contra fazer doações, inclusive a maioria dos grandes capitalistas e bilionários doam muito dinheiro mas a questão aqui é outra...o que me chama a atenção (negativamente, claro) é esse constrangimento e pesar por enriquecer, como se fosse algo errado, como se o enriquecimento de alguém fosse a causa direta da pobreza de uma multidão, uma visão típica comunista.

A verdade é que, independente da corrente filosófica, tem muito brasileiro que nutre o sentimento de que os ricos são pessoas más, que enriquecem às custas de roubalheira, corrupção ou da exploração escravocrata do trabalho alheio. Outros dizem que dinheiro não compra felicidade, que preferem ter tempo ao invés de dinheiro, que a ganância é pecado, que não devemos focar nossa existência na obtenção de bens materiais.

São inúmeras as desculpas que as pessoas arranjam para racionalizar o simples fato de que não são capazes de acumular capital e enriquecer. A realidade é que todo mundo gostaria de ter mais dinheiro, mas poucos estão dispostos a fazer o que é preciso para conseguir isso e ai entoam as desculpinhas que citei no parágrafo anterior.

Todo mundo conhece ou já conheceu um "João Silva" da vida. Abrir os olhos dessas pessoas é tarefa bem complicada na maioria das vezes, mas, no mínimo, devemos usá-los como exemplo de como não lidar com o dinheiro.

Abraços,

Senhor Ministro

Contato: mininvestimento@gmail.com



quarta-feira, 11 de abril de 2018

Escândalo: M. Dias Branco Envolvida na Lava Jato. Oportunidade ou Ameaça?


É senhores, se tem uma coisa que a Lava Jato tornou (e ainda está tornando) explícita para o Brasil é a relação promíscua entre iniciativa privada e poder público. Grandes empresários, com grandes histórias de vida, donos de patrimônios bilionários flagrados em relações espúrias com agentes políticos.

As empreiteiras são o caso mais clássico pois sobrevivem de prestação de serviços ao poder público, por isso estão muito mais expostas à corrupção e negociatas diversas. Mas hoje, dia 10/04/2018, a Polícia Federal, no bojo da Operação Tira-Teima, cumpriu mandado de busca e apreensão em Fortaleza, na sede de uma das empresas que eu mais respeito (ou respeitava): M. Dias Branco (MDIA3). A suspeita é que a companhia esteja envolvida em pagamentos de propina para o senador Eunício Oliveira, atual presidente do Senado, ou seja, a coisa ainda vai esquentar!




Se você não conhece, a M. Dias Branco é a maior fabricante de massas e biscoitos do Brasil e uma das maiores do mundo. É uma companhia com história muito interessante, que começou em 1936 quando o português Manuel Dias Branco inaugurou em Fortaleza a “Padaria Imperial”. A M. Dias Branco já está na sua 3ª geração de sucessão familiar com sucesso.

Ainda não se sabe muitos detalhes sobre essa operação, mas porra, ninguém tá limpo nesse país. Empreiteiras (Odebrecht e cia), indústria farmacêutica (Hyper Pharma), concessionária de rodovias (Ecorodovias), indústria de massas e biscoitos (M Dias Branco), empresas de carne (BR Foods, JBS e cia.),  bancos (Santander, Safra e Itaú), e por ai vai, todos envolvidos em operações policiais relacionadas à corrupção passiva e ativa.

Isso mostra que esse Estado dominante sobre a iniciativa privada não é sustentável, alimenta a corrupção e prejudica a livre concorrência.

Mas voltando a falar da M. Dias Branco...me corrijam se eu estiver errado, mas trata-se de uma das melhores companhias listadas na Bovespa, com resultados excelentes nos últimos anos, crescimento constante e ganhou especial destaque com a recente aquisição da Piraquê, o que irá contribuir para maior penetração nos mercados do Sul/Sudeste. Venha falando dela há tempos, inclusive.

Tudo isso fez com que a cotação de suas ações tenha obtido crescimento significativo nos últimos tempos, principalmente do início de 2016 pra cá. Recentemente a ação chegou a superar os R$ 60,00. Porém com toda essa agitação relacionada a essa operação policial, a MDIA3 fechou o pregão com queda de 4,4% cotada a R$ 47,15. 

A verdade é que a companhia foi lançada no "seleto" rol de envolvidas em escândalos de corrupção, porém seus resultados e fundamentos não mudaram, continuam ótimos. Dito isso, seria essa uma oportunidade para comprar na baixa, apenas observar aguardando mais informações ou se preocupar efetivamente com o futuro das ações e da própria companhia?

Eu sinceramente estou bem propenso a acreditar que se trata de uma boa janela de oportunidade de compra, e você?

Abraços,

Senhor Ministro

Contato: mininvestimento@gmail.com



segunda-feira, 9 de abril de 2018

A Bolsa de Valores é Um Campo Minado!

Recentemente estive conversando com dois amigos sobre investimentos. Os dois não se conhecem, inclusive moram em estados diferentes, um é servidor público de alto escalão, o outro é médico, mas tem uma coisa em comum: ambos estão decepcionados com os resultados da renda fixa, dada às quedas constantes da Taxa Selic, e estão avaliando migrar seus investimento para a renda variável. Como em algumas oportunidades eu já havia comentado que investia na bolsa, eles vieram conversar comigo sobre o assunto.

O que eu achei mais curioso é que embora esses dois amigos sejam pessoas muito bem instruídas e com remuneração bem acima do padrão brasileiro, ambos nutrem um sentimento verdadeiro que a bolsa de valores é um verdadeiro campo minado, lugar inóspito, povoado por veteranos de guerra, em que um passo em falso pode levar à explosão de uma mina terrestre.

E se você tivesse que atravessar um campo minado, optaria por fazer isso sozinho, arriscando a sua vida, ou preferiria contratar um militar especializado, com anos de treinamento e experiência de campo, para te ajudar no trajeto? A segunda opção, logicamente!

Não sei se você sacou a analogia, mas os meus amigos acreditam que a bolsa é um lugar perigoso, que investir sozinho não é recomendado, que fazer isso é muito arriscado sendo o prejuízo um destino quase certo. Nesse caso, eles acreditam que a decisão mais sensata é investir em fundos de ações, pois contam com profissionais especializados, que saberão fazer as melhores escolhas.

Por um lado, eu tenho que concordar que, de certa forma, a bolsa brasileira é um grande campo minado. Só para ilustrar, das 410 empresas listadas, 110 (27%) apresentaram prejuízo no último resultado. Sem mencionar as várias outras que embora tenham lucro, não inspiram nenhuma confiança. A verdade é que tem muita tranqueira na Bovespa, o universo de empresas sólidas listadas é muito pequeno, talvez algo em torno de 10% do total seja de empresas que "prestam".


Entretanto, a diferença para um campo minado de verdade, é que na bolsa é muito mais fácil identificar e fugir das bombas. Sinceramente, com um ou dois meses de estudo, lendo os livros certos e lendo os blogs certos, qualquer um é capaz de investir na bolsa com alguma desenvoltura, sem muita firula e sem muita tecnicidade. Lógico que sempre vão aparecer aqueles mais "avançadinhos" falando de valuation, fluxo de caixa descontado, dividendos descontado, modelo de Gordon, alpha, beta, suporte, resistência, média móvel, candle, etc. No fim das contas, o que importa é investir em boas empresas e isso não é lá tão difícil de fazer.

O brasileiro em geral ainda tem muito medo da bolsa e mesmo quando decide superar esse medo, acaba fazendo isso de forma parcial, confiando seu investimento nas mãos de um gestor de fundos, o que nem sempre é a melhor opção, por mais ilógico que isso possa parecer. É como diz Peter Lynch:

Os gestores de fundos não podem relaxar porque o jogo é disputado o ano todo. As vitórias e derrotas são revisadas a cada 3 meses por clientes e chefes que demandam resultados imediatos. Há uma regra que não está escrita em Wall Street: você nunca perde o seu emprego perdendo o dinheiro do seu cliente na IBM. Se você perder dinheiro na IBM seus clientes vão pensar "o que há de errado com a IBM?". Se você perder dinheiro numa small cap promissora, seus clientes vão pensar "o que há de errado com você?".  

Abraços,


Senhor Ministro

Contato: mininvestimento@gmail.com


segunda-feira, 2 de abril de 2018

Atualização Patrimonial Março/2018 (Estréia de FII na Carteira) - R$ 238.351,48 (+ 1.282,72) e Rentabilidade (- 0,52%)



Mês de março finalizado, mais um mês vencido na conta da independência financeira. Sem mais delongas, vamos a um breve destaques do mês, em seguida para a discussão da carteira propriamente dita, esse mês tem estreia na carteira de fundos imobiliários, detalhes mais a frente...

BLOG

Esse mês a plataforma do blogger me mostrou uma novidade muito interessante em relação ao blog, mais especificamente nas estatísticas de origem do tráfego: em março, o Google foi o maior provedor de tráfego para o blog!

Geralmente as pessoas que nos visitam e nos leem são oriundas de outros blogs de finanças, mas esse mês o tráfego de pessoas vindo de fora da finansfera foi bem interessante, o que, de certa forma, demonstra o crescimento do blog, algo que me deixa bem feliz, muito embora tal crescimento não tenha significado ganhos adicionais de adsense (que continuam quase insignificantes e, de qualquer forma, não é o meu foco aqui).

CARTEIRA

Aporte do mês:

R$ 3.226,48

Movimentação de Patrimônio:

Inicialmente fiz uma movimentação de R$ 10 mil, tirando esse montante da poupança e transferindo para um CDB 100% CDI, de liquidez diária, do Banco Inter. Pretendo fazer o mesmo com mais outros R$ 10 mil ao longo do mês de abril. O motivo é que além de o CDB estar rendendo mais que a poupança, os recursos já ficam prontos para serem transferidos para a renda variável, em caso de grandes oportunidades com o período eleitoral (que acho cada vez mais difícil que isso aconteça).

Aquisições:

Esse mês o aporte foi totalmente direcionado para os fundos imobiliários, mais especificamente para uma categoria específica de fundos: fundos de recebíveis, reforcei minha posição em KNIP11 e montei posição em VRTA11, totalizando 21 cotas de cada.

Vejo o momento interessante para os fundos de recebíveis uma vez que com a Taxa Selic e a inflação em baixa, esse fundos tendem a perder a atratividade e cair de preço, de forma que estão sendo negociados muito próximo de seu valor patrimonial. Esses dois fundos em específico estão particularmente expostos à inflação, que está em patamares muito baixos agora, mas há uma expectativa de aumento para os próximos meses, o que pode retornar um bom yeld.

Em relação ao VRTA, ainda houve um certo frisson (negativo) pela saída de seus principais gestores que migraram para o Iridium (IRDM11), mas trata-se de um fundo com uma carteira já montada e consolidada, não vejo motivos para preocupação.

Carteira:



Em relação à carteira, fiz um ajuste no valor do imóvel. Eu estava considerando o saldo devedor do financiamento de forma errada. Feito o devido ajuste, o valor desse item na carteira diminuiu em cerca de R$ 1.900,00, o que, obviamente, impactou o crescimento do valor total da carteira nesse mês.

A rentabilidade da carteira foi a seguinte:



Esse foi um daqueles meses em que o dinheiro guardado debaixo do travesseiro teria sido mais vantajoso, mas sem alarde, rentabilidades negativas fazem parte da caminhada. Como se pode ver na tabela acima, os grandes vilões do mês foram as criptomoedas, com a "singela" queda de 30% e as ações que também recuaram forte, fechando com queda superior a 5%.

As carteiras de ações e FII fecharam o mês assim:



Maiores quedas do mês: MDIA3 (-14,8%), CIEL3 (-14,3%) e GRND3 (-3,8%)

Maiores altas do mês: GRLV11 (+12%), ABEV3 (+8,6%), MFII11 (+6,5%)

Detalhe que CIEL e GRND figuram entre as três piores quedas do mês pelo segundo mês consecutivo...

Por enquanto é isso!

Abraços,

Senhor Ministro

quinta-feira, 22 de março de 2018

Fundos de Índice (ETF) x Ações Individuais



Esses dias estava, como de costume, navegando pela blogosfera de finanças e me deparei com o seguinte post do Vagabundo: de calças arriadas, minhas ações.

Em suma, nesse post ele abre a carteira de ações dele, mas o mais interessante é que ele fez uma comparação, dos últimos 12 meses, entre o desempenho da carteira dele, o Ibovespa, um fundo de ações (BNP Paribas) e o ETF* GOVE11.

 *Se você não sabe o que é um ETF, resumidamente é um fundo que busca espelhar determinado índice. Por exemplo, o BOVA11 é um ETF que busca espelhar o índice Bovespa, portanto ao investir no BOVA11, você estará investindo, de uma vez só, numa fração de todas as empresas que compõem o índice Bovespa.

O resultado foi em uma ponta o fundo de ações do BNP levando uma surra, e na outra ponta o GOVE11 apresentando o melhor resultado, ligeiramente acima do Ibovespa e da carteira de ações do Vagabundo.

Isso o levou a seguinte reflexão:

"o investimento em ETF teria me dado um resultado muito melhor. Sem falar na economia de tempo - não precisar acompanhar diversas ações, controlar, declarar uma por uma no IR todo ano. Esses números me surpreenderam e me fizeram pensar. Como pode um índice cheio de empresas geridas por políticos bater uma carteira de empresas escolhidas a dedo?


Assim como ele, eu também fiquei espantado com o resultado apresentado, afinal, temos trabalho estudando empresas, analisado resultados, lendo balanços, tudo para buscar empresas sólidas e de valor, que possa entregar resultados crescentes e, consequentemente, valorizar suas ações. Isso sem mencionar a chatisse que é declarar imposto de renda, etc.

Do outro lado, quem investe em ETF praticamente não tem trabalho nenhum de análise, é simplesmente confiar que aquele índice vai performar bem ao longo do tempo, seja por uma perspectiva setorial, seja por puro achismo.

Então, no fim das contas, será que investir em ETF vale mais a pena que investir em ações individuais?



Apesar do choque inicial, com um pouco mais de reflexão percebemos que o prazo de análise utilizado pelo Vagabundo foi muito curto, apenas 12 meses, para quem investe em ações de valor, os resultados costumam ser melhor mensurados no longo prazo. Além disso, o prazo analisado, últimos 12 meses, está inserido num contexto de mercado em alta, ambiente em que os ETF se saem muito bem.

Dessa forma, visando aprofundar essa análise e ter um resposta mais clara sobre o vencedor do embate ETF x Ações Individuais, resolvi fazer um estudo mais aprofundando, num prazo de 5 anos, comparando uma situação hipotética de dois investidores que aplicaram R$ 30 mil na bolsa no início de 2013 e o resultado que ele obteve até hoje, sendo que um deles investiu em ações individuais e o outro em ETFs.

De um lado, o investidor A, que optou por investir em ações individuais. Para esse investidor, vou replicar a minha carteira pessoal (da vida real!), que é 100% baseada em valor. Portanto, em 07/01/2013 o investidor A escolheu seis empresas e aplicou cerca de R$ 5 mil em cada, conforme a carteira seguinte:


Posição em Jan/2013

Já o investidor B, não querendo "se arriscar" a comprar ações individuais, resolveu investir na bolsa por meio de ETFs, escolhendo os seguintes ETFs: BOVA11, PIBB11 e SMAL11. Por que eu escolhi esses ETFs? Por que são os indicados pelo Blog do Henrique Carvalho um blogueiro de finanças mainstream (na verdade nem sei se ele ainda escreve sobre finanças) que é ferrenho defensor de ETFs frente ao investimento direto em ações. Bom, a carteira do investidor B ficou da seguinte forma:


Posição em Jan/2013
 
Avançando-se pouco mais de 5 anos no tempo, mais especificamente até o dia 19/03/2018, as carteiras do investidor A e do investidor B ficaram da seguinte forma:

Posição em Mar/2018

Posição em Mar/2018

Obs¹: as informações sobre as cotações históricas foram obtidas do site tradingview.com
Obs²: as informações sobre dividendos e JSCP foram obtidas nos sites das empresas
Obs³: na tabela os JSCP não estão descontados de imposto de renda, porém o valor seria irrelevante para o resultado da comparação

Importante destacar que o investidor em ETF não recebe dividendos e JSCP em sua conta, em tese esses valores são reinvestidos automaticamente pelo próprio ETF. No caso do investidor em ações individuais ele também pode (e deve) reinvestir os dividendos, porém no meu estudo (para facilitar) considerei que ele não o fez.

Outro ponto importante é relacionado à tributação. O ganho de capital em ETF é tributado em 15%, independente do valor, já nas ações há isenção de IR para operação de venda de até R$ 20 mil por mês.

A comparação final entre os dois investidores fica então da seguinte forma:



O investidor B, que não teve muito trabalho de análise e simplesmente enfiou seu dinheiro em três ETFs, obteve uma rentabilidade líquida de 28,3% em 5 anos e 3 meses, média de 0,4% ao mês, seguramente um desempenho pior do que obteria na renda fixa, principalmente no período analisado, em que a Taxa Selic estava nas alturas.

Já o investidor A, que se empenhou um pouco mais em escolher boas empresas e acompanhar, pelo menos trimestralmente, o seu desempenho, obteve um rendimento líquido de 124,1% no mesmo prazo, média de 1,9% ao mês. Isso porque eu não considerei que o investidor A reaplicou os dividendos recebidos, senão o retorno poderia ser ainda maior.

Conclusão

Esse não é nenhum estudo acadêmico mas acho que indica que a estratégia de gestão ativa de uma carteira de ações tem muito mais potencial de retorno, no longo prazo, em se comparando com um investimento passivo, como em ETFs.

Os ETFs tem seu propósito, principalmente para os investidores iniciantes ou para aqueles que não se sentem suficientemente seguros para comprar ações por conta própria, entretanto o esforço de estudar e escolher boas empresas compensa no bolso daqueles que o fazem.

Na minha opinião, o investimento em ações baseado em valor ainda é o método de melhor custo/benefício, pensando na variável retorno/risco, porém certamente não é um método indicado para preguiçosos e medrosos (tinha que ter uma cutucada né?).

Abraços,

Senhor Ministro

quinta-feira, 15 de março de 2018

E Se os Impostos Fossem Extintos...


Não é segredo para ninguém que aqueles que tem uma visão de mundo mais financista, como imagino que seja a maioria das pessoas que frequentam este blog, tendem a ter uma pensamento mais liberal economicamente falando, ou seja, acreditam que a economia, e tudo que ela influencia, poderia fluir melhor com menos intervenção governamental.

Apesar de reconhecer que em alguns segmentos a atuação estatal tem sua importância, e de ter plena ciência que a iniciativa privada não é nenhuma maravilha - também padecendo de problemas como ineficiência, corrupção e politicagem -, tendo a acreditar que o governo, na maioria das vezes, mais atrapalha do que ajuda.

Dai me veio a seguinte "viagem": E se os impostos fossem extintos? Zero imposto!

O pensamento inicial é achar que o mundo seria bem melhor pois os preços iam cair drasticamente e a população em geral teria acesso facilitado a bens de consumo, por exemplo, um carro que custa R$ 40.000,00 (sendo que R$ 15.000,00 são de impostos), com a extinção dos impostos passaria a custar R$ 25.000,00. Dessa forma muito mais pessoas poderiam comprar esse carro e assim a economia ia girar muito mais forte, aumentando o nível de emprego, etc. Isso aconteceria em todos os setores, impulsionando o crescimento econômico e a satisfação das pessoas.

Mas vamos enxergar por outra ótica, tomando o exemplo do carro. Supondo que o empresário vende o carro por R$ 40 mil, sendo R$ 15 mil o custo do carro, R$ 15 mil de imposto e R$ 10 mil o seu lucro. Se eliminássemos os impostos e o empresário continuasse vendendo o carro por R$ 40 mil, o seu lucro, que antes era de R$ 10 mil, passaria para R$ 25 mil.

Entretanto, como essa margem maior de lucro, a concorrência de preços certamente ficaria acirrada, de forma que esse carro passaria a surgir em "promoções" por R$ 35 mil, R$ 30 mil, ou até R$ 25 mil. Com o carro sendo vendido a R$ 25 mil, o lucro do empresário seria exatamente o mesmo de antes da extinção do imposto: R$ 10 mil.

Então, no longo prazo, não havendo cartelização do mercado, e a concorrência funcionando, haveria uma tendência de a margem de lucro do empresário retornar ao mesmo patamar de antes da extinção dos impostos.

Mas se as mercadorias ficam mais baratas, as pessoas podem comprar mais, e assim uma coisa compensa a outra, certo?



Vamos analisar isso sob uma outra ótica também:

Com a queda dos impostos, a tendência é que todos os produtos em todos os segmentos caiam de preço. Então, enquanto antes, um cidadão precisava de uma renda mensal de R$ 2 mil para ter uma vida decente, agora R$ 1 mil já são suficientes para proporcionar o mesmo padrão de vida. Os empresários logo percebem isso e pensam: se meu peão de fábrica pode ter uma vida digna ganhando R$ 1 mil, não tem sentido eu pagar R$ 2 mil pra ele, portanto vou propor redução salarial já que o custo de vida em geral caiu bastante com a extinção dos impostos.

Então vejam que nesse cenário que eu teorizei, após a extinção dos impostos, o mercado em geral tenderia a se "acomodar" à essa nova realidade, com a tendência de queda dos preços (ruim para o empresário) e queda dos salários (ruim para o trabalhador). No fim das contas, a margem de lucro do empresário tenderia a ser parecida com a que ele tinha antes da extinção dos impostos, e, igualmente, o poder de compra do trabalhador tenderia a ser semelhante à época em que havia impostos.

Não sou economista, talvez existam variáveis importantes que eu não esteja levando em consideração, mas me parece que esse seria um cenário plausível.

Estou defendendo a cobrança de impostos? De forma alguma! Só estou teorizando o quanto a economia iria, de fato, se beneficiar com uma medida extrema como a extinção de todos os impostos.

Abraços,

Senhor Ministro

terça-feira, 13 de março de 2018

Feito é Melhor que Perfeito



Há um tempo atrás, participando de uma reunião, eu indicava para os integrantes da outra ponta da mesa a urgência de tomar uma atitude para solucionar determinado problema, que já se arrastava há bastante tempo. Os interlocutores reconheceram a relevância do problema, porém relataram que não poderiam fazer nada no curto prazo, por se tratar de um tema complexo, que demandaria a participação de outras entidades, de pessoal especializado e estudos técnicos. Informaram então que qualquer atitude demandaria um prazo bem longo.

Ressaltei então que o problema já vinha se arrastando há anos, que várias pessoas já tinham pego aquele “abacaxi” mas nunca tomaram atitudes concretas para resolvê-lo. Falei então que era preciso tomar uma atitude urgente para dar um jeito naquilo, alguma solução rápida precisava ser encontrada, mesmo que não fosse a melhor e mais perfeita possível.

Foi aí que eu falei a frase que intitula esse post: “feito é melhor que perfeito”. Apesar de ser uma expressão bem conhecida, naquela reunião ninguém a conhecia, e fez até relativo sucesso.

A verdade é que, muito possivelmente, os tais “estudos técnicos” de longo prazo que estavam sendo propostos, seriam só mais uma forma de postergar a solução do problema e empurrar o pepino para outro (como já deve ter sido feito anteriormente ao longo dos anos). Ou seja, apenas um subterfúgio para evitar o enfrentamento do problema.

Todo mundo fingindo gostar da ideia enquanto pensam outras formas de postergar o problema

Apesar de esse ser um exemplo corporativo, nós, em nossas vidas pessoais, muitas vezes adotamos a mesmíssima postura:

Nós até queremos investir em ações e fundos imobiliários mas temos medo de perder o dinheiro investido ou escolher os papéis errados;

Nós até queremos iniciar um negócio, mas temos medo de colocar a cara a tapa e no fim das contas o empreendimento fracassar;

Nós até queremos malhar e ficar com o corpo sarado, mas temos medo de pagar a academia e no fim das contas nem pisarmos lá;

Nós até queremos sair de um relacionamento falido, mas temos medo de nos sentir solitários ou não achar mais ninguém interessante;

E o que a gente faz quando tem medo? Ou assumimos nossa covardia ou tentamos nos enganar. Poucos gostam de assumir sua covardia, então, ao invés disso se enganam:

Estudam empresas, se cadastram no Folhainvest, e planejam comprar milhares de ações mas nunca sequer abrem uma conta em uma corretora;

Estudam negócios, assistem conteúdo de vendas, buscam produtos, tudo para montar uma mega empresa que nunca sai do papel;

Leem sobre musculação e nutrição, os melhores alimentos, os melhores exercícios, as melhores academias, mas nunca pegam um peso sequer;

Conversa com amigo(a)s sobre seu relacionamento, participa de fóruns de relacionamento na internet, lê livros sobre o assunto, mas continua com o mesmo relacionamento falido.

Preparação, planejamento, estudo, tudo isso é muito importante, no entanto chega um ponto que o planejamento deixa de ser planejamento e passa a ser apenas uma forma de nutrir o medo, de sabotar a execução do plano.

Nada substitui uma coisa: a ação!

Mas como agir se, justamente, eu tenho medo de agir?

Para responder a essa pergunta, vou trazer uma lição do livro “Os Segredos da Mente Milionária”:
“As pessoas ricas agem apesar do medo. As pessoas de mentalidade pobre deixam-se paralisar pelo medo.”

É muito simples: a melhor forma de perder o medo de agir é dando o primeiro passo, ou seja, agindo!

Parece contraditório mas deixa eu explicar:

- Se você tem planos de alocar R$ 50 mil em ações, diversificando em pelo menos 5 setores diferentes, que tal começar comprando apenas R$ 500,00 de ações de uma única empresa?

- Se você quer lançar um negócio online super incrementado, que tal começar fazendo um Mínimo Produto Viável (MVP)?

- Se você quer perder peso e ficar sarado, que tal começar com uma caminhada de 20 minutos, duas vezes por semana?

- Se você quer melhorar ou se livrar do seu relacionamento, que tal começar chamando a parceira ou parceiro para uma conversa franca?

O primeiro passo é transformador!

Os primeiros R$ 500,00 investidos na bolsa, não são só R$ 500,00. São na verdade um grande quebrador de uma barreira invisível. Eu mesmo enrolei demais pra entrar na bolsa, por medo, medo de perder dinheiro, de não saber como fazer, de não escolher a melhor corretora, de não comprar as melhores ações.  

Comecei em julho/2017 investindo R$ 3.400,00, um tanto perdidão, até dei uma vacilada na compra de uma ação que me levou a pagar corretagem desnecessariamente, mas foi uma quebra de barreira violenta. Hoje já tenho mais de R$ 30 mil investidos na bolsa, opero o home broker da minha corretora com naturalidade e obtive rentabilidades que não podia sonhar com a poupança: de acordo com meu fechamento de fevereiro/2018, minhas ações valorizaram 15,8% em 8 meses, e meus FII valorizaram 19,6% em 7 meses, isso sem mencionar os proventos recebidos. Antes disso, havia passado anos auferindo no máximo, 8% ao ano com a poupança.

O primeiro passo transforma, o primeiro passo abre portas que pareciam intransponíveis. Provavelmente o primeiro passo não vai ser o melhor que você pode fazer, provavelmente você vai fazer alguma coisa errada, mas o que importa é quebrar a barreira, afinal, feito é melhor que perfeito!

Abraços,

Senhor Ministro

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Atualização Patrimonial Fevereiro/2018: R$ 237.068,76 (+R$ 4.848,47) e Rentabilidade (+ 0,36%)



Mais um mês na conta da corrida pela independência financeira, e diferente do mês passado, os aportes voltaram ao normal, muito embora eu tenha tido despesas relevantes com carro (Revisão de 40.000 km - a mais cara -, troca da bateria e IPVA à vista).

Esse mês sem muitos relatos a fazer. Antes de apresentar a carteira vou tecer apenas alguns comentários sobre uma experiência profissional interessante que tive:

EXPERIÊNCIA COM HOME OFFICE

Esse mês tive minha primeira experiência com home office, passei três semanas trabalhando de casa. Eu tinha receio que não fosse uma boa ideia, inclusive muita gente foge disso à todo curto, mas no geral eu achei muito positivo, tanto no aspecto pessoal, de ter mais liberdade e tempo livre, quanto no aspecto profissional, de melhorar a produtividade.

À princípio eu trabalhei só em casa mesmo, e numa vibe meio horário comercial, mas pretendo fazer experiências mais prolongadas de home office e testar trabalhar em cafés e, se der certo, tentar até trabalhar viajando. Vamos ver se dar certo...vai depender da minha adaptação ao sistema e da maturidade da instituição de aderir a esse tipo de sistema de trabalho de forma mais profunda.

CARTEIRA

Aporte: R$ 4.000,00 (dinheiro novo) + Reinvestimento de Proventos

Compras: 45 GRND3, 39 EGIE3, 13 KNIP11 e 1 FIGS11

Comprei Grendene e Engie pois continuam com bons fundamentos, apresentaram ótimos resultados anuais e estão com uma margem de segurança ainda interessante.

KNIP11 é um fundo de recebíveis da KINEA (leia-se Itaú) e comprei pensando no futuro, contando com uma eventual elevação dos juros e da inflação no médio prazo. Em relação à esse FII, há uma emissão iminente, mas será destinadas apenas a clientes Itaú Personalité (não é o meu caso). O preço da emissão vai ser algo em torno de R$ 105,00 enquanto a cotação atual no mercado é R$ 107,00. Mesmo assim, especula-se que no período da emissão o mercado secundário tende a acompanhar o preço da emissão, portanto a cotação pode cair. Sinceramente, não vejo vantagem em esperar para TALVEZ comprar o fundo com 2% ou 3% de deságio, é um caso muito diferente do MFII11 em que a emissão estava dando um deságio bem mais significativo.

Já o FIGS11 é um fundo de shopping, que ainda está em RMG (renda mínima garantida), mas que tem potencial para entregar bons proventos ao fim da renda garantida, na verdade comprei ele mesmo só pra raspar o tacho da grana que tinha na corretora.

A carteira ficou da seguinte forma:


Uma movimentação de patrimônio que devo fazer em março é transferir cerca de R$ 30 mil da poupança para um CDB de liquidez diária do Banco Inter. O principal objetivo é deixar a grana no ponto para enviar para a renda variável em caso de quedas fortes do mercado. Já estou montando minha "carteira radar" e ficarei observando eventuais oportunidades de compra que o período eleitoral pode trazer na bolsa.

As carteiras de ações e FII fecharam o mês da seguinte forma:


Destaques positivos do mês: ENGIE3 (+ 9,53%), KNRI11 (+ 3,98%) e MDIA3 (+ 3,87%)
Destaques negativos do mês: CIEL3 (- 10,46%), MFII11 (- 2,88%) e GRND3 (- 2,73%) 

A rentabilidade do mês e anual é a seguinte:



Rentabilidade bem tímida esse mês, com destaque apenas para o Bitcoin, que mês passado havia amargado uma queda de 20,3% e esse mês já subiu 21,6%. Esse mercado de criptomoedas é realmente muito louco, precisa ter nervos de aço para alocar grande parte do capital nisso.

Meu capital (excetuando-se o imóvel) ainda está principalmente aplicado em renda fixa, 76%, contra 24% em renda variável. A expectativa é que até o final do ano essa proporção atinja a igualdade, ou seja, 50/50. 

Em relação à renda extra, estou com uma pancada de milhas acumuladas na TAM e GOL, no total acho que dá umas 80 mil milhas.  Estou com a expectativa de arrecadar entre R$ 1.600,00 e R$ 2.000 com a venda dessas milhas.

Também estou trabalhando num negócio online, na verdade estou trabalhando no meu MVP - Mínimo Produto Viável, e devo iniciar os testes de mercado em março, no mais tardar abril. (Se você não sabe o que é o MVP - Mínimo Produto Viável, leia ESSE POST )

Então é isso!

Abraços,

Senhor Ministro

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Como Testar uma Ideia de Negócio Online



Atingir o primeiro milhão, a independência financeira, ou qualquer objetivo financeiro demanda, primariamente uma coisa: aportar! E para aportar é preciso sobrar dinheiro no fim do mês, coisa que fazemos de duas formas: ou cortando gastos ou aumentando as receitas.

Para os assalariados, como eu, aumentar receita não é uma tarefa tão corriqueira, pois a tendência dos salários é permanecer estável por longos períodos de tempo. A melhor forma então de dar um "up" na renda é fazendo negócios "por fora".

Mas ai surge um probleminha: se o indivíduo já vende quase o seu dia inteiro para o seu emprego formal, lhe sobra pouco do seu tempo para vender. Por isso que, nesses casos, deve-se pensar prioritariamente em negócios escaláveis, que funcionem no semi-automático, que possam crescer mesmo quando o dono estiver dormindo.

É ai que entram os negócios online: a internet é o melhor ambiente para se ter um negócio escalável, e as possibilidades são inúmeras. Por exemplo, enquanto eu estou dormindo, pode ser que alguém esteja lendo esse artigo e clique em algum banner de propaganda do site. Bingo! Ganhei uns trocados dormindo, isso é escalabilidade!

Tudo bem que a renda de adesense não é lá essas coisas, mas existem formas mais rentáveis de ganhar dinheiro na internet. Você pode revender produtos importados, pode ser um Youtuber ou Instagramer e promover o produto de outras pessoas, pode criar aplicativos, pode participar de programa de afiliados, etc.

Mas, acredito que uma das formas mais rentáveis de ganhar dinheiro online é empacotar seus conhecimentos em um produto, e vendê-lo online. Mas que produto? Pode ser um livro, um treinamento em vídeo, um fórum exclusivo para assinantes, um workshop ao vivo pelo facebook, etc.



Mas adivinha só, isso não é novidade pra ninguém. Já tem pipocando por ai produtos de todo tipo, e nos nichos mais conhecidos - ganhar dinheiro online, emagrecer, conquistar mulheres, aprender inglês - a concorrência é muito grande, e já há grandes players disputando o mercado.

Por isso, para se dar bem é preciso inovar: buscar nichos específicos e não explorados, buscar uma forma diferente de entregar o produto, buscar um diferencial de marketing, etc. Lógico que antes de qualquer coisa você deve entender do negócio, não adianta nada querer criar um curso "Como Surfar as Melhores Ondas do Mundo" se você mora no interior do Mato Grosso, nunca viu o mar e nem chegou perto de uma prancha de surf.

Ok, Senhor Ministro, eu tenho uma ideia super inovadora, mas como vou saber se ela vai funcionar? A resposta é simples: testando. Mas ai você pensa: "caramba, eu vou ter um trabalho descomunal para desenvolver esse produto mas nem tenho certeza se há pessoas, de fato, dispostas a comprá-lo".

Deixa eu contar a história do João...

João trabalha como guarda municipal e é isso que sustenta sua casa e sua família. No entanto, não dá pra dizer que João é uma pessoa totalmente realizada profissionalmente, na verdade João é um cara esotérico, um profundo estudioso de assuntos místicos, sendo esse seu hobby preferido, de vez em quando ele até faz o mapa astral de parentes e amigos. Mas a sua especialidade mesmo é a numerologia cabalística.

Precisando de um dinheiro extra, ele então decidiu tentar ganhar alguma coisa cobrando para fazer os mapas, mas logo ele pensou: "se eu conseguir alguns poucos clientes meu tempo vai ficar escasso, pois fazer os mapas demanda muito esforço". Logo ele concluiu que não era um negócio escalável. Pensando na escalabilidade do negócio ele teve uma ideia melhor: fazer um curso online ensinando a numerologia cabalística para outras pessoas, tanto para quem quer fazer seu próprio mapa, como para aqueles que querem ganhar dinheiro com isso. Perfeito! Um negócio escalável!

No entanto João tinha muito receio de dedicar meses na criação de seu curso de numerologia cabalística (escrevendo roteiro, criando apresentações, diagramando material didático, gravando vídeos, editando vídeos, etc) e, quando finalmente lançasse o produto, descobrir que simplesmente não havia mercado suficiente para absorver aquela oferta, afinal, quem mais você conhece que gosta de numerologia cabalística. João pensava que talvez fosse o único na sua cidade que gostasse daquilo, era um nicho muito específico.

Isso acorrentou João por muito tempo, ele queria criar o seu curso, mas pensava "vou ter um trabalhão e no fim das contas não vai ter ninguém para comprar". Até que, certa feita, alguém presentou João com o livro "Startup Enxuta" e ele descobriu o conceito de MVP (Minimum Viable Product).

A ideia é muito simples, antes de gastar uma enorme quantidade de tempo e de dinheiro desenvolvendo um produto sem saber se o público consumidor vai de fato absorver essa ideia, é mais eficiente criar antes um protótipo, uma versão beta do produto, um mínimo produto viável. Essa versão beta teria vários fins: validar o público alvo, conhecer melhor o público alvo, coletar questionamentos e objeções para aperfeiçoar o produto, e ainda levantar alguns fundos. A ideia é vender esse produto beta, o MVP, por um preço muito baixo, sem, contudo, deixar de entregar um produto de valor (apesar de não ser o produto "cheio").



Em se tratando de um jogo de computador é fácil imaginar isso: se tenho uma ideia ultra inovadora de um game de futebol para concorrer com FIFA e PES, eu crio uma versão beta desse game (com poucos times, poucos estádios, apenas um modo de jogo) e oferto esse jogo por R$ 9,90 para um pequeno extrato do meu público alvo (amantes de futebol e de games).

Tal atitude vai me dizer várias coisas: se meu produto tem mercado, se o meu marketing está conectando com os potenciais clientes, se o meu público alvo é de de fato meu público consumidor, se a forma de pagamento e entrega do produto é satisfatória, se o produto em si está atendendo às expectativas dos compradores, etc. Esses primeiros compradores serão minhas cobaias e eu farei questão de estar em intenso contato com eles. Já eles, por sua vez, se sentirão empolgados em fazer parte da construção de algo.

Mas o que fazer no caso do João, que quer lançar um curso online de numerologia cabalística? Bom, João tem planos de fazer um curso bem imersivo, com várias vídeo aulas, workshops ao vivo e encontros presenciais mensais. Tudo isso dá muito trabalho, então como fazer uma versão beta disso, como criar o seu MVP, mínimo produto viável?

Como João tinha facilidade para escrever, ele decidiu criar um E-Book. Não seria tão imersivo como o mega curso que ele planejava, mas já seria um produto muito bom em que ele ensinaria todos os conceitos da numerologia cabalística. Em duas semanas João escreveu o livro, fez a diagramação no Power Point mesmo, e gerou um PDF. Em seguida preparou o seu marketing. Aqui um ponto importante: o produto MVP deve ser vendido como um produto de verdade, e não como um "teste" que você está fazendo, afinal, quem vai pagar por um "teste"? O objetivo é testar o mercado, portanto o marketing deve ser robusto, e, claro, o produto, apesar de não ser o completão que você imagina, deve ser muito bom!

As possibilidades de MVP são inúmeras e nos mais variados modelos de negócio. Por exemplo,  supondo que pretendo montar um negócio de venda de camisas de rugby importadas da China. É um nicho bem específico, como fazer meu teste de mercado, meu MVP? Antes de investir na montagem de um mega site de e-commerce e importar um caminhão de camisas, por que não comprar algumas poucas camisas a pronta entrega no Brasil mesmo e revendê-las pelo Instagram/Facebook com uma margem de lucro mínima ou mesmo sem lucro nenhum?  Se as vendas derem certo, ai sim se passa a importar as camisas e montar o site.

Logicamente se o objetivo é testar e validar o produto é preciso traçar metas, um número de vendas que permita concluir que sim, há um mercado para aquele produto. Também é interessante montar alguns perfis de público alvo diferente, para testar qual é de fato o público consumidor daquele produto. É igualmente importante determinar um orçamento para a oferta desse MVP, pois não adianta queimar dinheiro em todo tipo de anúncio se o produto não funciona. E, por fim, saber abrir mão do projeto, caso seja comprovado que ele não funcione.

E ai vamos tirar as ideias do papel?

Abraços,

Senhor Ministro

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

As Melhores Ações do Setor Elétrico


Esses dias estava ouvindo o podcast da Suno Research e um dos sócios estava respondendo a perguntas variadas. No meio dessas perguntas, ele falou que a bolsa de valores está, de forma geral, muito esticada (o que todos nós sabemos), mas que há um setor específico em que ainda se encontram boas oportunidades: o setor elétrico.

Eu não sei qual o embasamento dele para afirmar isso, mas resolvi estudar um pouco melhor o setor e algumas empresas integrantes dele. Fiz isso sob a ótica da análise de balanços, analisando friamente os números sem considerar questões de governança corporativa e perspectivas específicas para cada empresa.

Antes, vou fazer uma breve introdução sobre o setor para entendermos melhor como a coisa funciona. Basicamente, o setor elétrico funciona em três segmentos distintos: geração, transmissão e distribuição. Veja a imagem seguinte que ficará um pouco mais fácil de entender:



GERAÇÃO

As companhias que atuam na geração de energia são aquelas responsáveis por produzir a energia elétrica, ou seja, transformar um insumo natural em energia propriamente dita, que é posteriormente injetada no sistema de transmissão. No Brasil, a maior parte dos empreendimentos em operação atuam na geração de energia de origem hidrelétrica (64,5%), seguida pela energia Termelétrica (26,7%). Os outros 8,8%  se dividem em fontes de energia nuclear, eólica e solar.

Os principais agentes de geração de energia são os seguintes (3º Tri 2017):

     Fonte: ANEEL

Dos agentes listados acima, quatro tem ações listadas na bolsa de valores: ENGIE, PETROBRAS, COPEL e CEMIG.

TRANSMISSÃO

As companhias atuantes no ramo de transmissão são aquelas que recebem enormes quantidades de energia provenientes das unidade de geração e fazem seu transporte até as companhias distribuidoras (que por sua vez distribuem para os pequenos consumidores). Aqueles apagões que afetam diversos estados se dá justamente quando há falha nas linhas de transmissão de energia.

Se você tiver curiosidade, acesse ESSE LINK para ver um mapa das linhas de transmissão de energia no país.

DISTRIBUIÇÃO

As companhias de distribuição são aquelas que recebem grande quantidade de energia vindo do sistema de transmissão e fazem a distribuição pulverizada entre os pequenos consumidores. É a empresa distribuidora que leva a energia para a sua casa ou seu comércio e que, em contrapartida, envia todo mês uma fatura a pagar.

Os 10 maiores agentes de distribuição, por receita auferida, são os seguintes (3º Tri 2017):

    Fonte: ANEEL

Das empresas listadas acima, apenas a Companhia Energética de Goiás não tem ações listadas na bolsa de valores.

Importante destacar que todo o setor sofre forte regulação estatal, inclusive com controle de preços, um dos pontos de maior vulnerabilidade do segmento, vide a crise enfrentada pelas elétricas no Governo Dilma.

ANÁLISE FUNDAMENTALISTA DAS PRINCIPAIS COMPANHIAS

Como coloquei no início, essa análise será focada nos balanços das empresas, analisando friamente os números sem considerar questões de governança corporativa e perspectivas futuras. Selecionei todas as empresas que apareceram nos quadros anteriores e uma ou outra adicional, totalizando 16 companhias do setor.

A análise foi baseada em 5 critérios: P/L, Margem Líquida, ROE, Endividamento e Dividend Yeld. Explicarei tudo a seguir:

Os dados utilizados são do 3º trimestre de 2017, considerando os últimos 12 meses até essa data. 
  
RELAÇÃO PREÇO/LUCRO (P/L)

O P/L dá uma ideia de quanto o mercado está disposto a pagar pela empresa, considerando o tamanho do seu lucro. Um P/L alto, pode significar que a empresa está cara e/ou há uma grande disposição do mercado em comprar aquele papel. Já um P/L baixo, pode significar que o mercado não está disposto a comprar aquele papel, seja por haver algum fato que desabone o futuro da empresa, seja por que a empresa é uma "joia escondida". Dessa forma, o cenário ideal é encontrar uma empresa com bons fundamentos e com P/L baixo.


A princípio esse índice, por si só, não nos diz nada. As empresas com maiores P/L podem ser as que estão mais caras ou que o mercado está mais de olho, e as com menos P/L pode ser as que estão mais baratas ou que não estão tão no radar do mercado. Os fundamentos seguintes vão nos ajudar a analisar melhor.

MARGEM LÍQUIDA

E é a margem de lucro líquido da empresa em relação a seu faturamento. Companhias com margem líquida baixa vivem na corda bamba, pois qualquer aumento imprevisto de custo pode lhes levar ao prejuízo. Quanto maior a margem líquida, melhor.

Podemos ver que no setor elétrico muitas companhias operam com margens de lucro reduzidas, principalmente as distribuidoras, entretanto há um seleto grupo trabalhando com margens líquidas bem elevadas.

RETORNO SOBRE O PATRIMÔNIO LÍQUIDO (ROE)

O ROE demonstra o quanto do patrimônio investido pelos sócios na empresa está rendendo. Espera-se que esse percentual seja superior à aplicações financeiras disponíveis no mercado. O ROE é um ótimo indicador para comparar o desempenho de empresas do mesmo setor.



DÍVIDA BRUTA/PL

Esse índice revela o grau de endividamento da empresa. Lógico que quanto menos dívida, melhor, entretanto essa análise é melhor realizada considerando o caixa gerado pela empresa e o custo da dívida. De qualquer forma é um índice importante.



DIVIDEND YELD

Esse índice já muito famoso é que compara o dividendo pago pela empresa com o preço da ação. Pra quem busca investir em ações com a expectativa de ter uma renda passiva, esse item é de suma importância. Por outro lado, para quem busca crescimento, às vezes é melhor a companhia distribuir pouco dividendo e reinvestir os lucros na sua operação.



CONCLUSÃO

Baseando-me unicamente nos números levantados, poderíamos considerar as melhores ações do setor elétrico as seguintes:


Logicamente que essa análise não é suficiente para fazer uma decisão de comprar ou não determinada ação. Outros critérios devem ser considerados, por exemplo, a CEEE está no nível 1 de governança da Bovespa, as ações COELCE tem baixa liquidez, a TAESA, em 2017, apresentou queda de receitas relevante em relação à 2016, etc.

Por isso que esse artigo não se trata de uma sugestão de investimentos, mas apenas um olhar mais detalhado sobre o setor, dando um norte para aqueles que estão pensando em se aventurar nas elétricas.

Abraços,

Senhor Ministro



quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Você Precisa PULAR!


Eventualmente estou pesquisando na internet coisas sobre empreendedorismo e vendas, tanto para colocar em prática em projetos pessoais como por achar interessante. Me deparei com um vídeo de um cara chamado Steve Harvey, e achei o discurso excelente, extremamente inspirador. Resolvi então traduzir (com algumas adaptações) o discurso dele e colocar aqui como artigo. Ao final do post colocarei o vídeo original.

Você Precisa Pular 

 

Eu vou compartilhar algo com você. Eu vou te dizer algo que toda pessoa bem-sucedida precisa fazer, incluindo você. Acredite ou não, toda pessoa bem sucedida neste mundo PULOU. Eu vou te explicar o que quero dizer com isso. Você, eventualmente, terá que pular. Você não pode simplesmente existir nesta vida. Você precisa tentar viver. Se você acorda pensando que sua vida deveria ser mais do que ela é, acredite que é verdade. Acredite no fundo do seu coração que é. Mas, para chegar a essa vida, você terá que pular.

Eu lhe digo por que eu chamo isso de pular. Veja, Deus quando criou tudo, deu a cada um de nós um dom. Ele nunca criou uma alma sem dotá-la de um dom. Você simplesmente deve parar de pensar em um dom como algo como correr, pular, cantar, dançar. É mais do que isso. Um dom pode ser se você sabe como fazer um bom networking, se você sabe ligar pontinhos, desenhar, ensinar, alguns de vocês fazem um frango frito melhor do que qualquer um, assar torta, alguns de vocês cortam cabelos, pintam cabelos, algumas pessoas cortam grama.

Eu tenho um amigo que nunca quis sair conosco porque nós costumamos ficar fora até tarde. “Vamos lá cara, vamos sair conosco”, “Não, eu tenho que me levantar cedo amanhã para cortar a grama da Sra. Johnson”. Nós faziamos piada com esse cara, cortando grama, “quanto eles te pagam?”. Hoje ele tem uma empresa de paisagismo em Cleveland no valor de 4 milhões de dólares. Tudo o que ele faz é cortar grama, mas esse é o seu dom. Eu tenho outro amigo que tem um lava-jato e fatura 800k dólares por ano. Limpando carros, ele conseguiu seis caminhões móveis andando por aí.  800k dólares por ano, tudo o que ele faz é limpar carros. Esse é o dom dele, é o que ele ama fazer. Você deve identificar esse dom.

Agora ouça-me. Quando você vê as pessoas na vida. Quando você está de pé no penhasco da vida e você vê as pessoas voando, e você vê pessoas crescendo indo para lugares incríveis. Você ouve sobre as pessoas fazendo coisas maravilhosas. Talvez você olhe para a rua e seu vizinho troque de carro a cada dois anos. Você pensa “como eles estão fazendo isso?”.

Você já parou para pensar que essas pessoas já identificaram seu dom e estão vivendo dele? O seu dom vai te levar a lugares incríveis. O seu dom! Não é a sua educação. Você precisa ter educação, isso é ótimo, mas se você não usar o seu dom, a educação não te levará muito longe. Conheço muitas pessoas que obtiveram diplomas que nem sequer usam.

A única maneira de você voar é pulando. Você deve pegar esse dom que está empacotado nas suas costas e você tem que pular desse penhasco e puxar esse cordão. Esse dom se abre e faz você voar, como um paraquedas.

Se você nunca usa, você vai apenas para o escritório trabalhar. Se você se levanta todos os dias para ir a um trabalho que odeia, você não está vivendo, você está apenas existindo. Em algum momento, você deve experimentar o que é viver de verdade, mas a única maneira de fazer isso é pulando.

Aqui está o problema, eu vou ser sincero com você, quando você pular pela primeira vez, seu paraquedas não vai abrir imediatamente. Eu sinto muito. Gostaria de poder te dizer que sim, mas eu estaria mentindo. Quando você pula não vai abrir imediatamente. Você vai bater em rochas. Você vai se ferir no penhasco. Todas suas roupas vão ser arrancadas. Você vai se cortar algumas vezes vai sangrar bastante, mas eventualmente, eventualmente, o paraquedas tem que abrir. Essa é uma promessa de Deus. Essa não é uma teoria, é uma promessa.

Mas tem outra coisa. Você pode optar pelo caminho mais seguro e viver sem os cortes e as lágrimas. Você pode se manter nesse penhasco da vida. Porém, se você não pular, eu posso te garantir uma coisa: seu paraquedas nunca vai abrir. Você nunca saberá. Você nunca saberá o que Deus realmente tem para você.

Se eu fosse você, eu pularia, porque essa é a única maneira de chegar a essa vida abundante. Você deve pular! Você precisa tentar! Eu sei que após eu terminar de falar, alguns de vocês vão discutir isso no carro e dizer: “eu tenho contas pra pagar”. Bem, eu também tenho. Independente de você pular ou não, você terá contas pra pagar.

Em algum momento da sua vida, faça um favor para si mesmo, veja o que Deus realmente faz. Deus te abraça, ele não vai te deixar cair. Ele não trouxe até aqui para deixar você cair. Faça um favor para si mesmo antes de sair deste mundo. Antes de morrer, PULE. Basta pular uma vez. Apenas pule.





Apesar de o discurso ser mais voltado para o dilema entre permanecer no emprego e abrir um negócio, penso que a ideia é aplicável para diversas situações. Na vida nos deparamos com diversos abismos, desde chegar naquela garota mais gata da festa, largar uma carreira consolidada para abrir um negócio, até pedir exoneração de um cargo publico bem remunerado para viver de renda, e, na maioria das vezes, optamos pela segurança, por não pular, mas como dito no discurso "se você não pular, eu posso te garantir uma coisa: seu paraquedas nunca vai abrir. Você nunca saberá"

Abraços,

Senhor Ministro

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Flanelinhas Usando Técnica de Marketing Para Faturar Alto!



Recentemente tive que fazer um trabalho externo, num local onde que estacionar o carro é bem complicado. Como eu estava chegando um pouco mais tarde, por volta de 09:30h a 10h, nesse horário já não havia mais vagas disponíveis há uma distância razoável do prédio. Mesmo assim. todos os dias eu entrava num estacionamento de frente ao prédio na esperança de achar uma vaga, e um senhor e seu filho, que guardavam os carros ali, sempre eram bem simpáticos e ofereciam que eu estacionasse o carro em fila dupla, e deixasse a chave com eles, que se encarregariam de conseguir uma vaga pra mim, uma espécie de serviço de manobrista.

Nos primeiros dias neguei a oferta deles e estava estacionando o carro beeeem longe (não há oferta de garagens privadas nas redondezas). Entretanto, certo dia estava apressado, quase atrasado para um reunião, e decidi que ia aceitar a oferta do senhor e seu filho. Estacionei o carro em fila dupla e deixei a chave com eles. Às 12:30 fui checar o carro e ele já estava estacionado bonitinho numa vaga. E o melhor de tudo: o serviço de "manobrista" foi gratuito!

Tendo atestado que os guardadores eram boas pessoas, passei a estacionar todos os dias com eles. Quando eu chegava lá já era recebido com "bom dia dotô, pode deixar o carro ali" e apontava onde eu deveria parar o carro. Em seguida eu lhe entregava a chave e no fim do dia pegava de volta, com o carro já estacionado numa vaga "regular". Tudo gratuito (sem moedinhas) e com muita simpatia.

Certo dia, após estacionar o carro em fila dupla e deixar a chave com o senhor, ele perguntou se eu gostaria que meu carro fosse lavado: R$ 30,00 dentro e fora. Como o carro estava relativamente sujo, eu aceitei a proposta, tanto para ter o benefício de ter o carro limpo a um preço razoável, como retribuir pelos "serviços" de manobrista que me foram prestados por vários dias.

Foi ai que eu percebi a sacada dos flanelinhas: se eles utilizassem o método tradicional de abordagem, estacionar o carro dos clientes e pedir umas moedinhas em troca, além de aborrecer diariamente as pessoas, eles receberiam uma quantia não muito relevante de dinheiro. Entretanto, eles optaram por outro "modelo de negócio": estacionam os carros das pessoas gratuitamente e, vez ou outra, oferecem seus serviços de lavagem, principalmente quando notam os carros sujos. As pessoas, assim como eu, agradecidas pelos serviços prestados gratuitamente e desejando um carro limpo sem precisar se deslocar até um lava jato, aceitam a oferta e assim passam a entrar nos bolsos dos flanelinhas não mais moedinhas, mas notas de R$ 10, R$ 20, R$ 50.

Embora os flanelinhas não saibam, eles estão utilizando um dos gatilhos mentais mais poderosos do marketing: reciprocidade. Resumidamente, esse gatilho mental funciona assim: quando alguém lhe oferece algo de valor gratuitamente, você, inconscientemente, tende a querer retribuir a esse favor.

Reciprocidade

Essa técnica é muito utilizada no marketing digital, em que uma empresa ou pessoa lhe oferece um ebook (ou qualquer outro formato de conteúdo) maravilhoso gratuitamente, basta deixar o seu e-mail. Depois disso, a mesma empresa/pessoa ainda manda mais conteúdo de valor gratuitamente para o seu e-mail. Até que, depois de um tempo, vem a oferta de venda. Você já está tão envolvido com aquele conteúdo, e de certa forma grato por tudo que aprendeu gratuitamente, que decide investir no curso completo. Não funciona com todo mundo, claro, mas, estatisticamente, o percentual de conversão de uma venda dessa forma é muito maior do que simplesmente já chegar fazendo a oferta de venda.

Se o flanelinha tivesse me oferecido, de cara, o serviço de lavagem, talvez eu não tivesse aceitado. Porém, o gatilho mental da reciprocidade foi extremamente eficaz, e acabei aceitando o serviço sem pensar duas vezes. Talvez se a lavagem fosse R$ 50,00 eu teria aceitado de qualquer forma, pois o meu valor percebido sobre os serviços que eles estavam me prestando estava elevado.

É por isso que sempre digo que, em qualquer profissão, é preciso dominar a arte da persuasão e de vendas. Muita gente acha que saber marketing ou vendas é coisa para vendedore(a)s de lojas (na verdade a maioria deles são chimpas que não sabem nada de vendas). Dominar esse tipo de técnica pode ser o pilar fundamental para o sucesso ou fracasso de um projeto ou negócio.

Abraços,

Senhor Ministro