quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017: Blog "Ministro do Investimento" (7 meses, 30 posts, 16 mil acessos, 674 comentários)



Estamos em dezembro, encerramento do ano, e é hora de fazermos a retrospectiva do ano que passou e avaliar se conseguimos cumprir as metas a que nos propomos, e se conseguimos nos aproximar dos nosso objetivos de vida (se é que temos um rsrs).

Uma das coisas interessantes que me ocorreram em 2017 foi a criação desse blog. Não foi algo planejado, eu já acompanhava a blogosfera de finanças desde 2016 e em algum momento de 2017, após algum tempo flertando com a ideia, resolvi que era hora de criar o meu blog.

O início é a parte mais chata: fazer todas as configurações, criar usuário, criar um nome para o blog, escolher e personalizar um layout, etc. Mas passada essa parte pré-operacional, depois o foco passa a ser no conteúdo, que é a melhor parte.

Minha primeira postagem foi no dia 05 de maio de 2017, com o título "Foi Dada a Largada Para o Milhão" e fique muito feliz com a boa quantidade de comentários de boas vindas que recebi logo de cara.

Uma das minhas principais motivações para criar o blog era me envolver ativamente com a blogosfera, de forma que eu "me obrigasse" a seguir no rumo da independência financeira. Hoje, 7 meses depois, posso dizer que essa estratégia funcionou muito bem: comparando a minha primeira atualização patrimonial (Abril/2017) com a minha última (Novembro/2017) é possível ver uma evolução gigante, talvez não tanto em valores absolutos, mas em diversificação e consciência de onde investir o dinheiro (isso será assunto para outro post de retrospectiva do ano).

Mas o blog não só me tornou mais financeiramente consciente como me inseriu dentro dessa comunidade chamada Blogosfera de Finanças, onde impera um senso de cooperativismo dificilmente visto em outros extratos da sociedade, principalmente quando se trata de dinheiro. Aqui, todo mundo torce pelo outro. Me refiro a todos os participantes da blogosfera, não só os blogueiros como também os Anons. Claro que há exceções, mas são raras

Falando um pouco mais do blog e suas estatísticas, o blog completou agora 7 meses de vida, alcançando os seguintes números:

Foram publicados 30 artigos
Média de 4 artigos por mês

O blog recebeu 16.134 visualizações 
Média de 2.305 visualizações por mês ou 77 visualizações por dia
Média de 538 visualizações por artigo

O blog recebeu 674 comentários
Média de 22 comentários por artigo

O artigo mais comentado foi:
"A Blogosfera Está Disseminando Uma Mentalidade de Pobreza?"
Foram 39 comentários

O artigo mais visto também foi:
 "A Blogosfera Está Disseminando Uma Mentalidade de Pobreza?"
Foram 828 visualizações

Em relação à origem dos visitantes do blog, os Top 3 parceiros são:
1 - Mestre dos Centavos
2 - Finasnferas
3 - Executivo Pobre

Troféu joinha pra vocês!
(O google por enquanto está em 9º lugar como provedor de tráfego para o blog)

Então é isso, comparando com alguns gigantes da blogosfera, que recebem em apenas um dia um número de visualizações que recebo no mês inteiro, ainda estou engatinhando, mas estou muito feliz com os visitantes do blog, tanto em quantidade como em qualidade. O blog sempre recebe comentários muito construtivos que fomentam boas discussões e é praticamente inexistente a presença de haters.

Meu objetivo para 2018 é continuar escrevendo com regularidade artigos que agreguem valor e gerem boas discussões, e, claro, continuar usando o blog como uma ferramenta para alavancar a minha própria vida financeira.

Abraços

Ministro

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Financeiramente Independente e Escravo do Trabalho. Como é Possível?

 
Esse mês tive uma conversa que me levou a uma reflexão interessante, em que percebi que ainda estou engatinhando no que diz respeito aos aspectos não financeiros da independência financeira.

Conversei com um senhor de 62 anos, escrivão da Polícia Federal. Solteirão, barrigudo, mora numa chácara, e é um legítimo Sugar Daddy, pra ele mulher de 30 anos é muito "coroa", ele sustenta umas novinhas GBR (gatinha baixa renda) que em contrapartida lhe oferecem "agrados". Pois bem, mas a questão principal é a seguinte: esse senhor já poderia se aposentar (com salário integral) há tempos (se não me engano a aposentadoria para PF é aos 55 anos). Entretanto ele dizia: "Qual a graça de me aposentar? Ficar em casa sem fazer nada?".

Em relação a esse senhor eu faço até uma ressalva pois a atividade policial é cheia de viagens, emoções, etc, o que acaba viciando a pessoa no trabalho (apesar de o trabalho de escrivão ser a parte mais chata). Entretanto eu conheço outros senhores que trabalham em atividades burocráticas e que também já poderiam se aposentar e entoam o mesmo discurso:  "Qual a graça de me aposentar? Ficar em casa sem fazer nada?".

Para algumas pessoas isso faz todo sentido, muita gente vive a vida quase toda sustentada em dois pilares: emprego e filhos. Entretanto os filhos crescem e vão tocar suas vidas, daí resta só o emprego. É ai que surge esse pensamento que se sair do emprego, a vida se tornará um mar de ócio e tédio.

Outra questão é a de se sentir útil. Todo mundo conhece aquela célebre frase: "o trabalho dignifica o homem". O trabalho é visto como fonte de realização pessoal, como algo que dá sentido à vida. Então ficar sem trabalhar é visto como algo ruim, uma porta de entrada para uma vida improdutiva, entediante e sem graça.

Retrato da alegria do trabalhador brasileiro. Aposentar pra quê?

Diante dessas situações eu comecei a fazer alguns questionamentos pessoais: financeiramente falando estou caminhando em direção à independência financeira, imagino que em algum ponto entre os 40 e 50 anos poderei fazer minha declaração oficial de independência. Ok, eu terei a grana para me declarar independente, mas e ai?

Claro que o questionamento vai ser aquele: "nossa, estou ganhando R$ 20k e tenho renda passiva de R$ 10k, total R$ 30k. Teria eu coragem de abrir mão de 2/3 da minha renda e viver "só" com R$ 10k em troca de liberdade? Vou perder grana em troca de ficar ocioso dentro de casa?

O ponto é: se não nos planejarmos desde já para a independência financeira, simplesmente chegaremos lá e nada vai acontecer. Vamos continuar trabalhando e trabalhando buscando uma aposentadoria "mais segura", quem sabe aos 65 anos, e vivendo nossa vida quase toda como escravos do trabalho. Essas são as pessoas que costumam frequentar a "sala dos aposentados" das suas antigas empresas.

Quando falo em planejar, é algo mais estruturado mesmo, afinal é fácil pensar em coisas como: "ah vou sair do emprego e viajar o mundo". Será que eu gosto tanto assim de viajar para viver fazendo isso? "ah vou passar o dia lendo e assistindo séries". Será que existem tantos livros e séries assim de que eu goste? "ah eu vou abrir uma empresa de consultoria". Será que eu tenho aptidão e disposição para ser empreendedor e tenho know how suficiente na área de consultoria?

Sinceramente, vejo que se eu não começar a traçar desde já planos não financeiros para a independência financeira, atingir a IF será só uma formalidade. E digo mais, não basta definir o que fazer no "pós-IF" é preciso, antes de chegar lá, tentar degustar um pouco dessa vida que se projeta após a declaração de independência, a fim de testar se é realmente algo que agrada.

Que fique claro que não odeio meu trabalho e nem quero sair a todo custo, pelo contrário, em 70% do tempo eu gosto e tenho orgulho do que faço, mas a vida é muita curta (quando se passa dos 30 percebemos isso) e o mundo é muito grande pra ser ficar preso a um trabalho por 30, 40 anos.

Então, na próxima listinha de metas e objetivos para o ano novo, além de traçar as rotineiras metas de investimentos e aportes, também será o momento de começar a pensar nos planos não financeiros para a independência financeira, quem sabe testar fazer uma viagem mais longa para um lugar mais exótico ou mesmo testar novas atividades como escalada.

Abraços,

Ministro

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Atualização Patrimonial Novembro/2017: 226.625,34 (+ 3.223,30) e Rentabilidade (- 0,85%)



Então é o fim de mais um mês, como outro qualquer, mais considero o encerramento do mês de novembro uma data importante pois abre as portas para o último mês do ano: dezembro. Embora o início e fim de um ano seja apenas algo simbólico, não há dúvidas que é algo que mexe muito com nosso psicológico no que diz respeito à metas e objetivos de vida. Portanto dezembro é um mês para se fazer uma retrospectiva do ano vivido e já começar a projetar os planos para o ano seguinte.

Por isso, em dezembro, provavelmente farei um ou mais artigos de retrospectiva do ano, tentando contemplar logicamente a evolução das minhas finanças no ano, mas também outras áreas da vida como carreira, blog e atividade físicas. Aliás, essa é uma estrutura interessante para o homem moderno bem sucedido: estar bem financeiramente, estar bem profissionalmente, ter um blog/site de respeito, e estar bem fisicamente. Para completar a estrutura perfeita falta apenas o pilar "mulheres", mas esse assunto não pretendo abordar aqui.

Em relação às finanças, infelizmente foi mais um mês de rentabilidade negativa, a instabilidade do governo (já reflexo da corrida eleitoral do próximo ano) e as dúvidas sobre a aprovação da reforma da previdência estão derrubando o mercado. De qualquer forma, me mantenho sereno, focando nos aportes e tendo a consciência que meus investimentos são de longo prazo. Se eventualmente a reforma da previdência sucumbir e o mercado desabar, será uma grande oportunidade de compras. 

Pois bem, vamos aos destaques do mês de novembro e para a carteira.

BOAS NOTÍCIAS: IMÓVEL ALUGADO



No fechamento patrimonial passado eu havia relatado que o inquilino do meu imóvel tinha rescindido o contrato, o que significaria não só a queda de receitas (com a perda do aluguel), mas acréscimo de despesas com os custos do imóvel (notadamente condomínio).

O imóvel estava anunciado para aluguel por R$ 1.000,00 e um interessado fez a proposta de R$ 800,00, inegociável. Como relatei antes, não gostei dessa postura nem do valor e recusei o negócio. Poucos dias depois surgiu outro interessado fazendo uma proposta de R$ 850,00. Novamente eu avisei a imobiliária que o valor mínimo aceitável era R$ 900,00. Dessa vez, eles foram habilidosos na negociação e fecharam o aluguel por R$ 900,00.

Considerando que os aluguéis estão em queda, achei o valor bem satisfatório. E o melhor é que acabei nem ficando no prejuízo, pelo contrário: a multa que o outro inquilino pagou cobriu com sobras o prejuízo do tempo que o imóvel ficou desocupado. Foram, no total, 40 dias de vacância.

A parte ruim é que indaguei a imobiliária sobre a possibilidade de não declarar os aluguéis para a Receita Federal (vide essa postagem) mas eles falaram que não existe essa possibilidade. Malditos!

CARTEIRA

APORTE DO MÊS: R$ 4.000,00

O aporte do mês, seguindo a estratégia que tracei, foi novamente direcionada integralmente para a renda variável, visto que meu portfólio atual ainda está muito concentrado em renda fixa.

Ainda na onda de balancear a minha carteira, o aporte foi totalmente destino à compra de Fundos Imobiliários. Eu iria fazer mais uma compra na oferta pública de MFII11, que é um fundo que tem mostrado um potencial grande com seus empreendimentos - loteamentos e incorporações residenciais -, entretanto quando fui efetuar a reserva, a oferta tinha se encerrado. Dessa forma pretendo deixar R$ 2.750,00 na corretora para ver se pego a próxima oferta. Comprei efetivamente um punhado de FIIB11, que é um fundo detentor de parte do Perini Business Park, um gigantesco condomínio industrial em Joinville/SC.


Esse mês ainda comprei GRND3, mas foi com recursos do aporte do mês passado, que haviam ficado parados no caixa da corretora. A empresa está com cotação em queda, seu último balanço mostrou um pequeno recuo do lucro, principalmente em virtude de aumento de tributação e queda do dólar. Embora a companhia esteja exposta à incentivos fiscais (que precisam ser periodicamente renegociados em cada estado, o que é uma dor de cabeça) e variação cambial (visto que suas receitas de exportação são significativas), os fundamentos ainda estão consistentes, merecendo assim o investimento, mas mantendo um olhar atento.

A carteira ficou então da seguinte forma:



A seguir, detalhes das carteiras de ações e fundos imobiliários:





Já a rentabilidade auferida foi a seguinte:




Observa-se que os Títulos Públicos foram os grandes vilões do mês, apresentando a segunda forte queda seguida, mês passado havia caído -2,58% e esse mês caiu mais -4,00%.

No que tange às Ações, a queda também foi forte, decréscimo de -2,37%. Como relatei antes, a instabilidade do governo e as dúvidas sobre a aprovação da reforma da previdência estão derrubando a bolsa.

Os Fundos Imobiliários vieram novamente para impedir que o estrago fosse maior, entregando uma rentabilidade de 1,39%. O acumulado do ano já passa de 15%.

Então é isso, dezembro vem ai e o foco serão as retrospectivas e projeções para o futuro. Em relação à aportes, prevejo um mês não muito bom pela frente, dada as altas despesas dessa época de fim de ano.

Abraços!

Ministro

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

A Importância de Estar Sempre em Movimento No Mundo Corporativo

oportunidade
 
Não sei se onde vocês trabalham acontece algo semelhante, mas pelo menos no meu trabalho conheço algumas pessoas que estão há 6, 7 anos (ou mais) no mesmo departamento, que às vezes estão saturadas de executar as mesmas atividades, e que embora tenham vontade de mudar de área,  buscar novos ares, dar uma oxigenada depois de anos no mesmo setor, acabam ficando receosas de mudar, mesmo que tenham a chance.

Eles têm medo de que em outro setor o trabalho seja pior, a equipe não seja boa, o clima de trabalho seja ruim. Afinal, é melhor ficar com o que já tem garantido, mesmo que não seja lá essas coisas, do que se arriscar num lugar novo, que, pode ser pior ainda. Mal sabem eles que quando se exclui a possibilidade de outro lugar ser pior, também se exclui a chance de lá ser melhor.

Soma-se a isso o fato que no meu trabalho há uma certa dificuldade em mudar de departamento/coordenação/diretoria. Mesmo que o trabalhador esteja insatisfeito, os gestores são muito resistentes em perder pessoas, resultado disso é que os pedidos para mudança de departamento, geralmente, são negados.

Quando escuto meus colegas de trabalho se queixando que "estão há muitos anos fazendo a mesma coisa", mas que "tem receio de mudar pois pode ir para um lugar pior" eu faço um paralelo com a minha trajetória, que foi totalmente oposta a esse marasmo.

Breve relato: desde que entrei no órgão onde trabalho, de antemão já soube de uma área que fazia uma atividade que me interessava e fui atrás de ser lotado logo de cara nesse setor. Fiz todo aquele trabalho de conversar com gestor da área, mostrar currículo, etc. Estava tudo certo, mas no fim das contas essa negociação não prosperou, mas acabei ficando próximo do gestor dessa área, que hoje ocupa um dos cargos mais altos da organização.

No outro departamento para o qual fui efetivamente lotado, fui perguntado se eu estava disposto a aprender a mexer em códigos SQL (minha formação não tem nada a ver com TI). Minha primeira reação foi de decepção, pois me havia sido negado trabalhar no setor que eu tinha afinidade e queriam me colocar para aprender coisas de TI. Mesmo assim, resolvi encarar o desafio. O resultado é que estive a frente de um trabalho que gerou enorme repercussão e me deu a oportunidade de trabalhar com diversas pessoas importantes de outras áreas da casa.

Não vou ficar aqui contando toda minha trajetória, mas no pouco tempo que tenho de casa (4 a 5 anos) já passei por n situações, tais como: convite para ser chefe, convite para deixar de ser chefe (rsrs), participação em trabalhos Brasil afora, ministrar palestras, participação em CPI, etc. Sempre que tem uma possibilidade interessante de trabalho eu fico com as antenas ligadas e o melhor é que quando nos colocamos abertos às possibilidades, as oportunidades acabam chegando até nós.

Enquanto tem gente com mais tempo de trabalho do que eu que passou anos e anos fazendo a mesma atividade no mesmo setor, minha trajetória foi cheia de reviravoltas, pontos altos e pontos baixos também. Isso acontece por que eu me predisponho a isso, aceito as mudanças e muitas vezes as procuro (eventualmente tendo que ser cara de pau mesmo), assim grandes oportunidades vão surgindo e o networking vai aumentando (claro que algumas decepções fazem parte da jornada). Mesmo quando se recebe um "não", só o fato de se ter tido a coragem e "cara de pau" de tentar já gera uma expansão da rede de contatos e consequentemente de oportunidades.

Vou fechar esse post fazendo um breve relato de uma situação que ocorreu com um conhecido: foi aberto um processo seletivo para um alto cargo. Esse conhecido nunca tinha ocupado chefia nenhuma, de qualquer nível, era da área meio, mas mesmo assim se inscreveu no processo seletivo, na cara de pau, disputando só com gente graúda. Lógico que ele não foi selecionado, mas um dos entrevistadores (que é um gestor de alto cargo) gostou dele, conversou com ele melhor e o convidou para uma chefia de nível mais baixo.

Vejam que esse colega foi "cara de pau" e acabou se dando bem...assim aparecem as oportunidades, elas não caem do céu e nem sempre são resultados de "QI" ou "peixe", tem que correr atrás!

Abraços,

Ministro 

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A Maior Vantagem de Morar de Aluguel: Liberdade!



Muito já se discutiu na blogosfera e diversos outros veículos que tratam sobre finanças sobre o velho dilema: é melhor alugar ou comprar um imóvel? A resposta para essa pergunta envolve um mix: o lado racional (matemática e finanças) e o lado emocional (sonho e segurança da casa própria), de forma que é impossível ter uma resposta pronta para essa pergunta.

Os mais antigos abominam a ideia de morar de aluguel, defendem piamente que é jogar dinheiro no lixo. Quando alguém de mais idade vem me perguntar se pretendo comprar um imóvel na cidade onde vivo atualmente, sempre invento uma desculpa, digo que estou pretendendo comprar, etc. Antes eu até argumentava sobre as vantagens de morar de aluguel, mas vi que esse pessoal tem muito enraizado em seu subconsciente que pagar aluguel é a mais completa burrice, então não vale nem a pena argumentar.

Também não sou defensor ferrenho de morar de aluguel, se surgisse uma boa oportunidade de comprar um imóvel que realmente me agrade e por um preço justo e compatível com meu orçamento e planos futuros eu certamente o compraria, entretanto achar um imóvel que conjugue esses fatores é missão bem difícil, principalmente em determinadas capitais brasileiras em que os preços dos imóveis inflacionaram muito nos últimos anos. Se for pra comprar um apartamento/casa meia boca, ferrando o orçamento, só pra dizer que moro num imóvel próprio, prefiro pagar aluguel, pelo tempo que for necessário.

Entretanto, o cerne desse post é abordar uma das principais vantagens de morar de aluguel em relação a comprar um imóvel: liberdade!



Para exemplificar, vou citar um fato recente que aconteceu eu meu condomínio:

Como hoje em dia tudo vira grupo de Whatsapp, não podia ser diferente com o condomínio, temos um grupo só com os moradores onde são feitas as mais diversas discussões relacionadas ao condomínio. Esses dias uma moradora foi surpreendida ao sair de manhã para trabalhar e se deparou com o seu carro com os quatro pneus esvaziados. Tal fato foi levado a conhecimento dos demais moradores, inclusive com fotos, no tal grupo do Whatsapp, onde se levantaram várias hipóteses: desde ela ter furado os pneus na rua (o que seria difícil, pois foram os 4 pneus) até ser alguma "brincadeira" de crianças do prédio.

Após consultar as câmeras de segurança do prédio, constatou-se que o delito fora cometido por outro morador (adulto), e o pior: o dito cujo praticou tal ato acompanhado de sua mulher e filhos, que riam enquanto o ato delituoso era cometido. Ainda não tomei conhecimento de quem é esse indivíduo, mas certamente não é uma pessoa que bate bem da cabeça. Também não sei qual foi a motivação de tal ato.

Após descobrir tal fato, a dona do carro danificado fez um desabafo no grupo do Whatsapp, relatando o quanto estava triste e frustrada pois havia realizado um sonho de comprar aquele apartamento e reformá-lo inteiro a seu gosto, para no fim das contas ser surpreendida por um vizinho louco, e que estaria perdendo o prazer de ali morar. Apesar disso, dificilmente ela vai se mudar, pois além da fortuna que gastou para comprar o apto, gastou muitos outros Temers para reformá-lo, afora a questão que para vender um apto (e comprar outro) é um processo muito demorado, custoso e burocrático.

Já se algo semelhante acontecesse comigo, e eu realmente perdesse o prazer de morar onde moro, eu simplesmente abriria um site de anúncios de aluguéis, escolheria uns 2 ou 3 imóveis que me agradassem, iria visitá-los, e se eu gostasse de algum, simplesmente notificaria a imobiliária atual que estou saindo e reservaria na outra imobiliária o outro imóvel. É um processo que levaria umas 2 a 3 semanas para ser resolvido, a um custo de R$ 2k a R$ 3k, incluindo pintura, multa de rescisão, aluguel concomitante e mudança.

Mudar de moradia sempre gera transtornos, tanto burocráticos como financeiros, mas para quem mora de aluguel, esse processo é MUITO mais simples, rápido e barato comparando-se com quem mora em casa própria. Justamente por isso, quem mora de aluguel acaba gozando de maior liberdade e mobilidade de moradia, enquanto aqueles que tem casa própria acabam ficando presos àquela moradia, mesmo que tenham vontade de mudar.

Claro que essa questão da liberdade e mobilidade é apenas um aspecto a ser considerado na briga aluguel x casa própria, mas certamente é algo que deve ser levado em conta.

Abraços,

Ministro

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Dúvida Cruel: Aposentadoria Servidor Público - Duas Opções, Qual Escolher?



E ai, tudo tranquilo?

No post de hoje eu vou pedir ajuda para os amigos leitores sobre um dilema que estou sendo acometido, dilema esse relacionado à minha aposentadoria e, portanto, diretamente ligado à independência financeira. Talvez outros colegas que estejam passando pela mesma situação possam compartilhar suas opiniões.

Pois bem, sendo bem direto, a minha situação de aposentadoria hoje é a seguinte: como já mencionei aqui, sou servidor público, e ingressei no serviço público antes de 2014, portanto o meu salário de aposentadoria será equivalente a 80% do salário médio, considerando todo os 80% maiores salários em todo o período que contribui.
Não entendeu? Deixa eu traduzir. A grosso modo, pega-se todos os meus salários de 35 anos de trabalho (420 salário), separa-se os 336 melhores salários, a partir deles tira-se meu salário médio desse período e minha aposentadoria será 80% desse salário médio. A grosso modo é isso.

Pelos meus cálculos grosseiros, meu salário de aposentadoria seria algo em torno de 60% a 70% do meu último salário como servidor ativo. Portanto se eu me aposentar ganhando R$ 20k, minha aposentadoria seria algo em torno de R$ 12k a R$ 14k. É uma queda considerável de renda? Sim, é, mas nem se compara se eu me aposentasse pelo INSS, onde a minha aposentadoria seria de R$ 5,5k (teto de hoje).

(Antes que você já já se dirija ao campo de comentário para criticar os servidores públicos marajás, saiba que comparando-se um servidor que ganha 20k e um empregado da iniciativa privada que ganha 20k, em 35 anos de trabalho o servidor público contribui para a previdência cerca de 300% a mais que o colega da iniciativa privada)

Essa é minha situação atual, mas está sendo oferecida uma migração para outro regime de aposentadoria (que é obrigatório para os servidores que ingressaram após 2014). Nesse regime, os servidores públicos se igualam aos empregados da iniciativa privada, ficando sujeito a receber o teto do INSS.
Em compensação, foi criado um fundo de pensão exclusivo para servidores públicos: o Funpresp. Por esse fundo o servidor pode contribuir mensalmente para uma conta individual de aposentadoria e o fundo vai gerindo esses recursos para, quando da efetiva aposentadoria, o servidor dispor de um complemento salarial. É como se fosse uma previdência privada.



O grande atrativo desse fundo é o patrocínio do poder público: se o servidor aportar R$ 1.000,00 na sua "conta de aposentadoria" a União Federal (ou o ente correspondente) entra com mais R$ 1.000,00 na "conta de aposentadoria" do servidor (lógico que esse patrocínio tem um limite, que é, salvo engano, 8,5% do valor do salário do servidor que exceder o teto do INSS).

Então veja, para que o servidor novo (teto do INSS: R$ 5,5k) tenha uma aposentadoria igual a do servidor antigo (R$12k, no meu exemplo), ele precisaria acumular no Funpresp recursos que lhe deem um complemento de R$6,5/mês por um determinado período de tempo (até morrer).

VANTAGENS E DESVANTAGENS


1) Meu Regime Atual de Aposentadoria

Vantagens:

a) Posso seguir trabalhando "normalmente" e quando chegar o dia de me aposentar, irei ganhar um ótimo salário, ou seja, mesmo que eu tenha pouca ou nenhuma reserva financeira, ainda receberei uma aposentadoria que me permitirá viver muito bem.

b) A aposentadoria é vitalícia, ou seja, não importa até quando eu viva, se lá na frente a medicina avançar a ponto de eu viver por 120 anos, o governo vai me pagar a minha aposentadoria até eu morrer.

Desvantagens:

a) A contribuição previdenciária que pago mensalmente é muito maior que a de quem está no regime do INSS. Eu pago hoje 11% sobre meu salário integral, no outro regime, o pessoal paga 11% sobre o teto do INSS. Portanto quem ganha R$ 20k no meu regime, tem descontado R$ 2.200,00 por mês de contribuição previdenciária, já o pessoal do novo regime tem descontado apenas R$ 600,00 + contribuição para o Funpresp (o teto, com patrocínio equivalente da União seria uns R$ 1.200,00).

b) Foi recentemente editada uma medida provisória que aumenta o percentual de contribuição previdenciária de 11% para 14% sobre o salário integral, ou seja, redução salarial. Sabe-se lá se daqui há 10 anos o governo inventa de subir esse percentual para 18%, depois 22%, e assim por diante.

c) O meu regime é, digamos, comunitário e solidário. Todo mundo contribuiu para uma conta única e esses recursos vão sendo consumidos por quem já está aposentado. Não preciso nem dizer que há um risco de daqui há uns anos o governo não tenha mais como pagar essas aposentadorias.

d) Se eu quiser sair do serviço público antes de me aposentar (idade mínima é hoje de 60 anos com expectativa de subir para 65), eu perderei minha aposentadoria de servidor público e ficarei, no máximo, com o tempo de serviço que pode ser usado para me aposentar pelo INSS. Ou seja, perco tudo que contribui durante todos os anos, e ganharei no máximo o teto do INSS. Portanto, para ganhar a aposentadoria de servidor eu fico "preso" ao serviço público até os 60 anos (e pode ser que suba para 65 anos).


2) Novo Regime (Teto do INSS + Funpresp)

Vantagens:

a) Terei um desconto menor referente a contribuição previdenciária (como relatei logo acima), o que deixará mais recursos na minha mão para eu investir por conta própria (diferença não é tão significativa mas é uma diferença).

b) a contribuição é feita para uma conta individual de aposentadoria, portanto posso acompanhar, sempre que eu quiser, o saldo da minha conta e a evolução do meu bolo de aposentadoria.

c) se eu me aposentar antes de atingir a idade mínima (hoje é 60 anos), ainda posso sair recebendo uma parte (não sei exatamente quanto) dos recursos que eu (e o governo como patrocinador) investiu na minha "conta aposentadoria", podendo também fazer a portabilidade para outra previdência privada.

Desvantagens:

a) Como se trata de uma empresa pública, o Funpresp (fundo de pensão) está sujeito a todos os males que esse tipo de organização sofre, principalmente má gestão e corrupção. Portanto pode ser que daqui há uns anos se identifique um rombo nas contas do Funpresp sendo necessário que até os aposentados contribuam novamente para reerguer o caixa do fundo (como aconteceu com os fundos de pensão dos Correios, Petrobras, Banco do Brasil e Caixa).

b) Pode ser que depois de todo o tempo de contribuição, o valor acumulado não seja suficiente para me dar uma aposentadoria equivalente a que eu teria caso tivesse ficado no meu regime atual de aposentadoria.

c) Pode ser que o valor acumulado na minha conta aposentadoria possibilite o pagamento de uma boa aposentadoria durante X anos que prevejo como expectativa de vida, mas se na pratica eu viver mais que o previsto, os valores vão acabar, ao contrário do meu regime atual em que a aposentadoria é vitalícia.

CONCLUSÃO


Essa é minha dúvida cruel. É muito difícil tomar uma decisão dessas sabendo que não tem volta e que é algo que pode me impactar daqui a 20 ou 30 anos.

Por enquanto, meu lado racional tem me dito que é melhor migrar para o novo regime (Funpresp), por outro lado, meu lado emocional diz que se o governo está incentivando os servidores "antigos" a migrarem para o Funpresp, isso quer dizer que o regime antigo é melhor para o servidor (já que o governo sempre quer gastar menos).

Ademais, o meu maior medo nessa migração é a gestão que o Funpresp vai fazer dos recursos. Tudo bem que tem conselho de gestão, conselho fiscal, e o escambal, mas ontem, numa conversa de elevador, ouvi uma pessoa dizendo que um ex-presidente (ou gestor importante, não sei ao certo) do Funpresp havia sido nomeado por indicação da Rosemary Noronha (amante do Lula que foi presa há tempos atrás). Não sei até que ponto isso é fofoca/teoria da conspiração, mas é um risco real.

No órgão onde trabalho, muitos servidores do regime antigo decidiram migrar para o Funpresp e outros tantos estão na mesma dúvida que eu.

Dúvida cruel....alguém tem alguma sugestão?

Abraços!

Ministro