segunda-feira, 22 de maio de 2017

Medo de Falar em Público: Um Destruidor de Carreiras


Vira e mexe são feitas pesquisas com a seguinte pergunta: Qual é o seu maior medo? Quase sempre o medo de falar em público aparece em primeiro lugar, à frente de outros medos que, em tese, causariam muito mais dano ou prejuízo como o medo da morte, doença ou problemas financeiros. Isso é perceptível no dia a dia, as pessoas em geral fogem de situações em que precisam falar para um público, mesmo que seja para um pequeno público.

Eu mesmo por boa parte da minha vida fugi de situações como essas, a exceção era na faculdade onde, vez ou outra, era preciso apresentar algum seminário. Como estudei em universidade pública, de vez em quando surgia um professor vagabundo com preguiça de dar aula entupindo os alunos com seminários a serem apresentados.

Entretanto, esse medo de falar em público atingiu o seu ápice quando, em um processo seletivo para uma grande companhia, eu tive uma performance lamentável e embaraçosa na dinâmica de grupo. Estávamos em uma sala, com mais ou menos 20 candidatos, e cada um deveria falar de suas experiências e expectativas profissionais, na frente de todo mundo. Antes da dinâmica eu notei que muitos candidatos já se conheciam e já haviam formado panelinhas de conversa. Meu objetivo ali não era me enturmar, então fiquei meio isolado. Isso, de certa forma, já minou um pouco minha confiança.

Quando chegou minha hora de falar, fiquei muito nervoso e minha voz saiu embargada e trêmula, deixando nítido o meu desconforto e nervosismo. Eu nem sequer lembro o que falei e imagino que não tenha sido nada de muito admirável. Obviamente não fui aprovado nessa etapa e isso me causou um certo trauma relativo a falar em público.

Quando isso aconteceu, eu devia ter uns 21 ou 22 anos.  Desde então eu fugia de falar em público como diabo foge da cruz, sempre pagando de ser uma pessoa que não tem vocação pra esse tipo de coisa, que não era meu perfil, etc (conheço gente com seus 50 anos dando essas mesmas desculpas).

Eu, quando alguém tocava no assunto "falar em público"
Acontece que em determinado momento da minha carreira profissional (eu já devia ter uns 26 anos) eu trabalhava num departamento que era especializado em um assunto específico. Naquele momento estava sendo preparado um evento que iria abordar, dentre outros, justamente esse assunto em que meu setor era especializado e eu era especialista. Sendo assim, fomos convocados a enviar um representante para palestrar nesse evento.

Em condições normais quem iria era o Coordenador, mas por alguma razão ele não pôde ir e a segunda opção dele também não estava disponível na data. Então de especialista no assunto que seria objeto da palestra sobrou eu e outro colega, cada um mais medroso que o outro em relação a falar em público.

Depois de muita pressão e insistência do Coordenador para que um de nós palestrasse, e após tentarmos fugir de todo jeito eu tomei uma decisão meio que no impulso: eu ia encarar esse desafio! Naquele momento eu pensei que aquela situação seria um divisor de águas, ou eu superava esse medo de falar em público ou eu ia fugir disso pra sempre. Já havia se passado alguns anos desde meu vexame na entrevista e já era hora de virar essa página!

Me preparei arduamente para essa palestra, estudei e reestudei o assunto que seria abordado, montei slides maravilhosos, peguei casos práticos bem interessantes, ensaiei na frente do espelho quase todo dia, até que chegou o grande dia.

O público que me esperava não era tão grande, na faixa de 50 pessoas, mas em compensação era um público qualificado, só autoridades. Fui ao banheiro várias vezes me certificar que minha imagem pessoal estava impecável, ajustar a gravata, tirar poeira do terno, ajeitar o cabelo e repetir mantras do tipo “eu posso”, “eu consigo”. Até que chegou minha hora de subir ao palco.

Nos primeiros 2 minutos de apresentação minhas mãos ficaram trêmulas e minha voz ameaçou falhar e embargar, transportando minha mente, por alguns segundos, diretamente para aquele fatídico dia da dinâmica coletiva. Falei de forma pausada para evitar que o nervosismo fosse notado e após esses dois minutos iniciais foi como se uma chave tivesse virado: me senti numa crescente de confiança, gradualmente me senti dono da situação, poderoso na frente de todas aquelas pessoas que prestavam atenção em mim.

Com a confiança aumentando, meu desempenho foi ficando cada vez melhor. Chegado o momento dos casos práticos, rolou uma interação e troca de argumentos muito interessante e minha atuação como mediador foi impecável. Eu realmente me surpreendi com meu desempenho. 

Após os 2 minutos iniciais, não fiquei nervoso em mais nenhum momento da palestra, só perdi um pouco minha linha de raciocínio quando direcionei meu olhar para uma Promotora lindíssima e estonteante. Uma quarentona de tirar o fôlego. Aqueles olhos verdes me fitando me levaram a 2 segundos de deslocalização em relação ao que eu estava falando. Incrível como a beleza feminina exerce um fascínio gigantesco nos homens. Por precaução, evitei olhar pra ela. 

Lembro que ao final da palestra algumas pessoas vieram falar comigo sobre o conteúdo abordado (sinal de que a palestra gerou interesse) e uma pessoa específica chegou pra mim apenas pra elogiar, disse que a palestra foi ótima e que eu era muito cativante! Isso foi incrível, uma redenção após tanto tempo fugindo!

Ninguém me segura mais! Sai da frente se não eu atropelo!
Depois desse episódio, passei a não fugir mais de situações em que é preciso falar em público, tanto em eventos e palestras como (com muito mais frequência) em reuniões internas e externas. É perceptível que quanto mais vezes eu sou exposto a a situações como essa, mais minha capacidade e confiança para encarar esse tipo de desafio aumenta, e logicamente meu desempenho é cada vez melhor.

Em relação a isso faço um destaque importante:

Se você quiser crescer na carreira tem que se acostumar a falar em público!

Para quem almeja crescer na carreira, falar em público com alguma desenvoltura é condição essencial. Não adianta fazer um trabalho técnico impecável, desenvolver sistemas maravilhosos, escrever relatórios elucidativos, desenhar projetos revolucionários se não souber apresentar e defender o seu trabalho na frente de um público qualificado.

As oportunidades de ascensão profissional que me surgiram foram graças ao combo de:
1) trabalho tecnicamente louvável;
2) apresentação impecável; e
3) formação de networking.

Quem tem medo de falar em público se restringe apenas à primeira etapa, o que não é muita coisa pois quem ganha os créditos por um trabalho, sempre é aquele que mostra a cara! Quem está nos bastidores, apenas fazendo o trabalho técnico, só pega as migalhas.

Abraços,

Ministro

terça-feira, 16 de maio de 2017

A Maior Contribuição da Blogosfera e a Importância de Divulgar a Carteira


Quem conhece um pouquinho de marketing sabe que as principais estratégias de vendas estão focadas em trabalhar o sistema límbico cerebral do potencial consumidor, ou seja, driblar a razão e apelar para a emoção, levando o prospecto a tomar atitudes de compra baseadas em critérios muito mais emocionais do que racionais.

A principal arma usada pelos profissionais do marketing/vendas para atingir em cheio nosso sistema límbico chama-se gatilhos mentais. Muitos desses gatilhos foram brilhantemente abordados e explicados no livro “As Armas da Persuasão” de Robert Cialdini. Eu diria que o livro “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas” de Dale Carnegie também aborda muito esses gatilhos (não os tratando expressamente dessa forma), com enfoque maior no relacionamento interpessoal.

Mas o que isso tem a ver com a Blogosfera de Finanças?

Existe um gatilho mental específico chamado “similaridade”. Este gatilho mental é o que tem a capacidade de unir pessoas em torno de um objetivo comum, fazendo coisas semelhantes, criando comunidades, discutindo os mesmos assuntos. Para explicar melhor, vou usar o exemplo que vi outro dia de um dos “gurus” do marketing no Brasil.

Pois bem, ele contava que foi a uma praia e tentava ensinar seu filho de 4 anos a pegar uma onda com aquelas pranchas de bodyboarding (“pegar jacaré”). Por mais que ele mostrasse para o filho como fazer, o garoto simplesmente se recusava a encarar o desafio, tinha medo, não se achava capaz. Entretanto, no mesmo momento surgiu outro pai com seu filho, também na faixa de 4 anos. Esse outro garoto começou a pegar várias ondas com a prancha com o auxílio de seu pai. Nesse momento, o filho do "guru" (o garoto medroso), tomou coragem de encarar o desafio, pois ao ver um moleque da mesma idade que ele conseguindo cumprir aquela tarefa ele pensou “se ele pode, eu também posso”.

A Blogosfera de finanças gera exatamente o mesmo impacto!

Embora existam muitos gurus dos negócios e de investimentos que merecem ser ouvidos e estudados, a capacidade deles de se conectar conosco, meros mortais, é muito pequena. Por mais que eu leia e admire Warren Buffet, não me vejo alcançando os mesmos resultados que ele pois os ambientes a que fomos expostos são diferentes, além, claro, de sermos pessoas completamente diferentes, dificilmente obterei um dia os resultados que ele obteve,

Já na Blogosfera, temos a oportunidade de ver e interagir com pessoas “normais”, "gente como a gente" e acompanhar o seu crescimento em tempo real. São pessoas sujeitas ao mesmo ambiente de trabalho e negócios e que vão, mês a mês, remando em direção a sua independência financeira. Ao ler todos esses blogs e ver tantos colegas blogueiros atingindo resultados expressivos, fazendo negócios lucrativos, se desenvolvendo pessoal e profissionalmente, o que vem na cabeça é justamente o gatilho mental da similaridade: “se ele pode, eu também posso”.



Por isso é muito mais interessante acompanhar os blogs em que são divulgadas as carteiras, os aportes, os investimentos, a trajetória profissional, etc. Se hoje um leitor é estagiário e ganha seus R$ 1k e tem a oportunidade de estar na Blogosfera interagindo com um gerente de uma grande companhia que ganha seus R$ 15k e que está montando uma grande carteira, isso invariavelmente o inspira a chegar lá. Se hoje um pequeno comerciante que está iniciando a montagem de sua carteira tem a oportunidade de acompanhar o crescimento financeiro de um empreendedor já consolidado, isso também inspira! Também é possível que um indivíduo acompanhe um blog e perceba que embora o blogueiro tenha situação financeira semelhante (ou até pior), esteja conseguindo montar uma carteira muito mais robusta, isso igualmente inspira!

É disso que estou falando e foi exatamente o que aconteceu comigo! Eu vi diversos blogueiros com capacidade de aporte inferior à minha com carteiras recheadas e rendimentos interessantes, enquanto eu aportava muito menos do que poderia e não cuidava de investir da melhor forma. A Blogosfera tem me inspirado a mudar essa atitude, de acompanhar meu patrimônio financeiro com outros olhos, e com certeza ainda fará isso por muita gente!

Não tenho dúvidas que a Blogosfera será a grande engrenagem que levará dezenas de brasileiros ao posto de "milionário" nos próximos 10 anos, e em muito pouco tempo teremos rankings mais recheados de colegas que desvirginaram o seu milhão!

Por isso acho importante compartilhar a carteira, aportes, experiências profissionais, etc. Estamos resguardados pelo anonimato, então aproveitemos isso para quebrar tabus e falar de empreendedorismo, carreira e dinheiro de forma nua e crua! Meras taxas de rentabilidade ou códigos de ações não conquistam nem inspiram ninguém! O que move e inspira as pessoas são histórias e números reais e não meras porcentagens.



Abraços,


Ministro

quinta-feira, 11 de maio de 2017

A Falácia do "Funça" Improdutivo e Sugador de Impostos

Quando se fala em "Carreira Pública" na Blogosfera já se pode esperar que muitas opiniões divergentes vão surgir. Enquanto muitos tentam arduamente a aprovação em um concurso público de ponta, muitos outros têm ódio dos "funcionários públicos"* taxando-os como seres improdutivos, sugadores de impostos, que não sobreviveriam na iniciativa privada pois o máximo que sabem fazer é passar numa prova à base de "decoreba". 

*apesar de ainda constar no código penal, a expressão "funcionário público" foi legalmente extinta, o correto é servidor público ou empregado público, a depender do regime jurídico.

Mas até que ponto isso é verdade e até que ponto isso não passa de inveja ou desconhecimento? A verdade é que existem muitas variáveis, que possivelmente não serei capaz de esgotar aqui mas vamos abordar esse assunto sem paixões. Em primeiro lugar destaco que discordo veementemente da expressão que destaquei no primeiro parágrafo. Poucos dos que criticam os "funças improdutivos" de fato conhecem como funciona a administração pública.

De início é importante destacar que o Brasil tem seguidamente optado por um modelo de Estado provedor e regulador, que tem como OBRIGAÇÃO ser provedor de direitos sociais, promotor do bem-estar social e ainda regulador e incentivador do mercado privado. Não vou discutir aqui se seria melhor um Estado mais liberal, talvez até fosse, mas a opção do povo brasileiro é pelo Estado Mãe. Nessa condição, a administração pública é imensamente cobrada pela constante promoção de programas e políticas públicas, principalmente por aquele público das camadas mais baixas da sociedade, que, infelizmente, é maioria no nosso país.

Dessa forma, torna-se natural a necessidade de pessoal para dar conta dos diversos braços da atuação estatal (educação, saúde, cultura, segurança, assistência social, previdência, habitação, saneamento básico, controle e fiscalização, regulação, etc.), sem contar as áreas meios necessárias como RH, financeiro, compras e licitações, etc.

Acontece que nos primórdios o serviço público pagava mal e dava péssimas condições de trabalho, dessa forma, só seguia a carreira pública aqueles que não conseguiam coisa melhor na iniciativa privada, e foi assim até a década de 90. Com a consolidação dos concursos públicos e a melhora salarial que os cargos públicos tiveram nos últimos 10 a 15 anos, a carreira pública passou a ser atrativa e começou a sobrepor a iniciativa privada na atração de talentos, provavelmente 2008 foi o auge disso. O que se percebeu com isso foi uma melhora significativa no nível dos profissionais da administração pública.

Desde o primeiro mandato de Dilma Roussef (em 2011) os concursos e nomeações tem apresentado quedas expressivas, o que de certa forma contribui para que só consigam entrar nos quadros da administração pública pessoas realmente qualificadas. 

Bom mas vamos a questão principal:

O servidor público, vulgo "funça", é realmente um ser improdutivo sugador de impostos que ganha altos salários e benefícios para passar o dia inteiro tomando cafezinho e jogando conversa fora?

Só de intitular a imagem com o termo "Funcionário Público" já mostra que o autor da piada é um leigo
Primeiro vamos desconstruir algumas coisas. Tomemos como exemplo o Distrito Federal, berço da maioria dos órgãos públicos e de servidores públicos. O salário médio de um servidor público federal no DF é de R$ 4.458,00. Eu não sei qual é sua condição de vida, mas pra mim isso passa longe de ser um salário de marajá.

Sobre os benefícios,  reconheço que os servidores "antigões" tem muitos, como licença-prêmio, adicional por tempo de serviço, incorporação de função comissionada, paridade e integralidade da aposentadoria, etc. Entretanto todos esses benefícios já foram extintos há bastante tempo, do governo FHC pra cá. É importante destacar também que servidor público, em regra, não tem bônus, não tem FGTS, não tem participação nos lucros, não tem reajuste anual pela inflação.

Entretanto, eu devo reconhecer que há órgãos públicos que pagam muito bem, salários significativamente superiores à média da iniciativa privada, mas, em regra, essas são instituições mais relevantes e que, por opção da alta gestão e do parlamento, decidiu-se por valorizar determinada carreira frente a sua importância para o Estado (ou pela pressão política).


Mas então os "funças" são improdutivos ou não?

Hoje eu trabalho em uma organização pública respeitada e que tem o corpo profissional extremamente qualificado, fruto do pagamento de bons salários, gestão profissional (com raras indicações políticas) e realização periódica de concursos. Mas também já trabalhei em órgão público sucateado, sem uma função pública relevante, servindo praticamente como cabide de emprego político, com a força de trabalho composta basicamente por servidores "antigões" na faixa de 50 a 60 anos, apenas aguardando o dia de sua aposentadoria enquanto tomam café e falam sobre a vida.

Veja que são realidades opostas, assim como na iniciativa privada temos a Ambev com toda a cultura meritocrática de Jorge Paulo Lemman, também temos a Rede de Supermercado Estrela Cadente, com um estilo de gestão completamente diferente. Da mesma forma não podemos generalizar o serviço público. Só por que o seu pai, mãe ou tio que é um "funça" antigão e preguiçoso que provavelmente trabalha em um órgão público sucateado, conta os "causos" da improdutividade do serviço público, isso não quer dizer que é a realidade de toda a administração pública.

Eu mesmo posso contar um "causo" do tal órgão sucateado que trabalhei. Minha diretoria ocupava o andar inteiro de um prédio e não havia divisórias entre os diversos setores. Pois bem, havia um senhor lá, na casa dos 50 e poucos anos, típico "malandro" carioca, conversador, piadista, falava alto, etc. Na maior parte do tempo estava conversando, mas também ficava lá na sua baia supostamente trabalhando. A baia dele ficava no cantinho da sala, sem muita visibilidade. Pois bem, depois de alguns meses de trabalho eu fui descobrir que na mesa desse senhor não havia sequer um computador, papéis, relatórios, NADA. Quando lá estava sentado ou ele estava lendo jornal ou assistindo a programação da TV aberta em seu aparelho portátil.

"Funça" dos Correios mostrando produtividade no despacho de encomendas

Apesar de surreal, isso passa muito longe de ser a regra no serviço público. Como eu disse, não dá pra generalizar. Em órgãos públicos do Poder Legislativo, por exemplo, esse tipo de situação é mais comum pois os parlamentares indicam "companheiros" de campanha e de luta para ocupar cargos comissionados. É só passear por Câmaras de Vereadores ou Assembleias Legislativas que facilmente se encontram analfabetos funcionais ocupando cargos comissionados. Mas eu faço questão de frisar, isso não é a regra na administração pública!

Existem sim casos de servidores que fazem corpo mole no trabalho, que apresentam baixa produtividade. Infelizmente o gestor público fica de mãos atadas diante de situações como essa, pois apesar da Constituição Federal de 88 - por meio de Emenda de 1998 - prever a perda do cargo por servidor que não atenda a critérios de desempenho (Art. 41, § 1º, Inciso III), esse dispositivo carece de regulamentação infraconstitucional, o que não aconteceu até hoje. No dia que isso for regulamentado, certamente será um choque de gestão na administração pública.

Também não posso negar que o "ritmo" na administração pública é muito mais lento em comparação com a iniciativa privada. Mas a explicação pra isso é lógica: toda a burocracia de alguns processos e a lentidão na tomada de decisão na administração pública deriva de um arcabouço legal e um modelo de gestão defasado. Vejamos...

A Constituição Federal, Art. 5º Inciso II diz o seguinte "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". Portanto, eu como cidadão brasileiro posso fazer qualquer coisa, desde que a lei não me proíba. Portanto eu como gestor na minha empresa particular posso tomar todo tipo de decisão de forma muito rápida e intuitiva, desde que não esteja cometendo nenhum ato ilegal. Entretanto o mesmo não se aplica ao gestor público, na verdade é justamente o inverso: o servidor público só pode atuar onde a lei expressamente o autoriza. Então toda tomada de decisão de um gestor público deve ser fundamentada em um arcabouço legal.

Isso é reflexo de uma administração pública burocrática, modelo de gestão pública que desde 1930 tem sido substituído por uma administração pública gerencial em vários países mais desenvolvidos, entretanto cá em terras tupiniquins as coisas não mudam tão rapidamente. Houve lampejos dessa mudança, mas nada que tenha impactado significativamente o modelo burocrático ainda vigente.

A sorte é que essa leva de novos servidores públicos, que foram atraídos por ótimos salários e passaram por uma peneira dificílima que é o concurso público, estão contribuindo para que o país faça essa transição para um modelo mais gerencial, mas como já disse Capitão Nascimento "Pra mudar as coisas ainda vai levar muito tempo. O sistema é foda!"

Vou encerrar esse post deixando algumas perguntas para os colegas do mercado privado: 

A sua empresa é um mar de produtividade?
Só tem gente proativa e eficiente?
Os melhores são aqueles que são promovidos ?
A meritocracia é uma realidade?
Há transparência na ascensão profissional?

Abraços,

Ministro

terça-feira, 9 de maio de 2017

Qual a Melhor Corretora? Eu Quase Desisti Aqui...



No post passado eu falei qual seria minha estratégia inicial de investimentos. O próximo passo é escolher uma instituição financeira para intermediar essas aplicações, seja um grande banco, seja uma corretora de valores. Os grandes bancos têm aquela vantagem da segurança e comodidade para quem já é correntista, mas por outro lado têm custos maiores que as corretoras e produtos com rentabilidade mais baixa.

Como bom “comodista” minha primeira opção foi pesquisar as opções de investimento do banco em que sou correntista, no caso a CAIXA (ok, pode me apedrejar!). Logicamente as opções foram totalmente broxantes:

a) Tesouro Direto: taxa de custódia de 0,4% a.a e sem integração.
b) LCA: não tem
c) LCI: 78% a 80% do CDI
d) CDB: 83% do CDI
e) Ações: custódia mensal de R$ 8,65 e taxa de corretagem de 0,25% do valor operado.
f) Fundos Imobiliários: não tem

Em relação às opções de renda fixa não há nem o que comentar, rentabilidade baixa para LCI/LCA/CDB e cobrança de custódia para Tesouro Direto, portanto, descartado. Em relação à renda variável, os custos para operar com ações estão bem em conta, dentro da faixa de preço que procuro, entretanto não oferece a opção de negociar FII’s, que é um dos produtos que almejo, portanto descartei por esse motivo. Além disso, em se tratando de CAIXA, duvido que seu Home Broker seja interessante. Portanto, parti para pesquisar as corretoras independentes.

Confesso que não foi uma pesquisa fácil, foram praticamente 4 dias intensos revirando sites de corretoras, blogs, fóruns, vídeos, etc. A quantidade de informações e de opiniões diferentes é muito grande, cada corretora tem suas vantagens e desvantagens, o que torna o processo de escolha muito complicado. Para um “comodista financeiro” como eu, essa etapa quase me levou a desistir desse “negócio de investimento” e deixar meu dinheirinho na tão prática, segura e cômoda poupança.


Minha cara depois de horas de pesquisa sem qualquer conclusão

Acontece que meu caminho para a IF é irreversível, não tem mais volta, por isso não me deixei abater por essa situação e segui firme na minha pesquisa.

Pois bem, feitas as pesquisas, tendo conhecido várias boas corretoras e toda sorte de opiniões de usuários, decidir adotar uma estratégia simples de escolha, utilizando dois critérios: custos e reputação. Em relação aos custos pesquisei essa informação no site de cada corretora. Felizmente é uma informação que as instituições colocam de forma bem visível em seus sites.

Em relação à reputação, a pesquisa foi feita em fóruns e blogs, de forma que meu leque de opções se restringiu às corretoras mais conhecidas, mais comentadas e mais utilizadas. Para ajudar aqueles que estão no mesmo processo de escolha, na tabela seguinte detalho quais as corretoras que pesquisei e os custos de cada uma delas, tanto para renda variável como para renda fixa.

Importante frisar que em minhas pesquisas constatei que é muito válido utilizar duas corretoras diferentes, uma para renda variável e outra para renda fixa, uma vez que em cada uma dessas modalidades de aplicação tem instituições com mais e menos vantagens. Utilizar uma só corretora é, logicamente mais cômodo, mas isso implicaria em um custo maior, e meu objetivo é enxugar custos e obter o máximo de lucratividade, mesmo que isso me force a me afastar cada vez mais de uma zona de conforto.

RENDA VARIÁVEL





Fiz uma projeção de custos considerando uma operação mensal com ações e duas com FII, que é mais ou menos a proporção de aportes que pretendo seguir. Mesmo que haja variações nessa proporção, de qualquer forma a projeção se mostra válida. Dessa forma considerei o custo de uma operação no mercado fracionário (para ações) e duas operações no mercado padrão (para FII). 

Perceba que a corretora Socopa possui um custo imbatível, uma vez que sua taxa de corretagem é zero para investimento em FII e ao operar uma vez com Ações, há isenção da Taxa de Custódia. Mesmo que em algum mês eu eventualmente opere só com FII ou não opere com nada e, consequentemente, tenha que pagar a Taxa de Custódia, ainda assim o custo seria de apenas R$ 10,00 no mês. Em um ano, o custo máximo seria de R$ 120,00. Operando nas corretoras “famosas” em apenas 2 ou 3 meses esse valor seria superado.

Ressalto que não pesquisei a fundo aspectos como a apresentação de gráficos, qualidade do home broker e qualidade de recomendações, pois não pretendo ser um trader assíduo, nem operar utilizando análise técnica, tampouco pretendo seguir recomendações de corretoras.

Escolhi a Socopa para começar na renda variável, mas pode ser que depois de entrar eu descubra que existam problemas que não compensam o baixo custo, mas isso vai acontecer com o tempo. Uma hora é preciso tomar uma decisão, e como diz aquele velho ditado “feito é melhor que perfeito”. 



RENDA FIXA


Em relação à Renda Fixa não tem muito segredo, grande parte das corretoras praticam a política de TAXA ZERO, o que dá mais liberdade para conhecer as corretoras “famosas”, conforme tabela abaixo.














Como sabemos, 

Em relação à renda fixa minha escolha ainda não é definitiva. Fiquei na dúvida entre a XP e a Easynvest. A XP porque é a maior e mais famosa do Brasil e possivelmente conseguirá oferecer excelentes oportunidades de investimento. Já a Easyinvest também é uma grande corretora e o formato e design do seu site me agradou bastante.

Abri conta nas duas e ambas as plataformas me agradaram, a XP parece uma plataforma mais robusta e profissional, mas a Easynvest me agradou pela praticidade e simplicidade. Os produtos oferecidos são parecidos. Um diferencial interessante da XP foi que um assessor de investimento teve o cuidado de me ligar e perguntar sobre os meus recursos e objetivos, mandando logo em seguida uma sugestão de carteira por e-mail. Excetuando-se o Fundo Multimercado que ele indicou (afinal ele precisa dar lucro pra corretora), achei a carteira que ele recomendou interessante. 

Já a Easynvest possui custo de corretagem bem menor que a XP, caso um dia eu decida unificar os investimentos em renda fixa e variável na mesma corretora, a Easynvest seria uma melhor escolha.

Por enquanto estou tendendo para escolher a XP mesmo para renda fixa...

Abraços,

Ministro



quinta-feira, 4 de maio de 2017

Patrimônio Financeiro Abril/2017: R$ 189.062,59 + Perspectivas Futuras


Como eu já mencionei anteriormente, apesar de nunca ter tido uma consciência financeira mais apurada em relação à investimentos, sempre fui controlado financeiramente e sempre cumpri com louvor o primeiro mandamento de todo consultor de finanças pessoais que diz “não gaste mais do que ganha”. Nunca peguei empréstimo pessoal, nunca paguei menos que o total da fatura de cartão de crédito, mas por outro lado, os recursos poupados eram esquecidos em uma gaveta escura e fria chamada caderneta de poupança e eventualmente gastos, não em sua totalidade, mas o suficiente para impedir um crescimento mais sustentável do bolo.

O único investimento que eu posso me gabar de ter feito, e acredito que tenha sido um ótimo investimento, foi comprar um apartamento (na planta) para receber renda de aluguel. Para ser bem sincero, a compra desse apartamento foi inicialmente idealizada para que fosse minha moradia, entretanto, as circunstâncias da vida (circunstâncias benéficas, diga-se de passagem) me levaram a destiná-lo para a obtenção de renda de aluguel.

O melhor é que comprei esse imóvel em 2010, época em que o Brasil vivia o boom da casa própria. Ainda consegui surfar um pouco nessa onda, pois logo após a entrega do imóvel, o seu valor de mercado já era superior em 40% ao valor que paguei. Essa valorização certamente compensará parte dos juros que irei pagar do financiamento.

Ah, ainda tenho uma parte aplicada em Fundo DI, que na verdade foi uma aplicação automática feita pelo meu banco, mas acabei optando por mantê-la em parte, pois isso amenizava meu sentimento de frustração por não aplicar meu dinheiro em nada que preste. Ok, Fundo DI é uma bosta, mas pelo menos é algo diferente da poupança.

MEU PATRIMÔNIO FINANCEIRO


Após conhecer a Blogosfera de Finanças, em 2016, percebi que o que eu tinha poupado, que até então era motivo de orgulho, na verdade era uma quantia irrisória perto do que era possível fazer, vide o exemplo de outros blogueiros bem sucedidos. Por isso, 2016 foi basicamente um ano de consciência financeira em relação ao que eu tinha e o que eu poderia ter. Na esfera financeira, foi um ano de abrir a cabeça, de sair da Matrix, uma desintoxicação da forma como o brasileiro médio pensa.

Resultado disso é que no ano passado meu patrimônio financeiro cresceu 30%, sendo que o meu patrimônio financeiro não imobilizado DOBROU (crescimento de 101%), basicamente com aumento de aportes visto que os rendimentos da poupança não foram relevantes. Foi uma marca incrível que espero ainda poder repetir, mas não será tarefa fácil.

Minha projeção para 2017 é manter o patrimônio financeiro total crescendo à mesma taxa de 30%, detalhe que quanto maior o patrimônio mais difícil percentualmente é fazê-lo crescer, ou seja, os 30% desse ano significarão muito mais dinheiro do que foram os 30% do ano passado.

Pois bem, vamos ao que interessa, meus ativos financeiros atuais (fechamento de Abril/2017) são os seguintes:








 
*Desse valor aplicado em poupança, cerca de R$ 9 mil está, por enquanto, “preso” para fins específicos.
**Esse valor do imóvel foi obtido a partir do seu preço de mercado subtraindo o saldo devedor do financiamento. Para obter o preço de mercado faço uma pesquisa anual em uma famosa imobiliária e tiro a média de preço de pelo menos 10 IMÓVEIS IGUAIS (mesma planta) situados no MESMO CONDOMÍNIO, eliminando desse cálculo os 2 maiores e os 2 menores valores obtidos.

A expectativa é romper a barreira dos R$ 200 mil nos próximos dois meses.


Nada de muito fantástico mas é um bom começo!

PROJEÇÕES PARA O FUTURO


O projeto inicial de “destinação consciente” dos meus recursos não imobilizados é fazer a seguinte alocação:

50% em Renda Fixa
30% em Fundos Imobiliários
20% em Ações

Na parte da Renda Fixa devo deixar uma reserva de emergência na poupança, algo em torno de R$ 5 a R$ 8 mil e o restante aplicar em Tesouro Direto, LCI, LCA ou CDB. Por enquanto estou numa dúvida cruel em relação a onde colocar os recursos de renda fixa, uma vez que com a queda da Taxa Selic, e consequentemente do CDI, e a queda da inflação, e ainda as perspectivas de mais quedas futuras, os investimentos atrelados ao à Selic, CDI e ao IPCA tem sua rentabilidade questionável.

Fiz uma pesquisa no banco onde tenho conta corrente, o oferecido variou de 76% a 80% do CDI para LCI/LCA e 83% do CDI para os CDB, taxas essas que não me atraíram. Na verdade essas são taxas vergonhosas, se eu fosse funcionário de um banco como esses não teria coragem nem de abrir a boca pra falar uma rentabilidade dessas. Mas ainda estou à procura, sugestões são bem-vindas!

Em relação aos Fundos Imobiliários e Ações são mercados mais complexos e que demandarão mais estudos, isso pode adiar um pouco a aplicação na renda variável, mas vou me policiar para não enrolar muito nisso. O que já decidi é que irei investir considerando critérios fundamentalistas, pensando a longo prazo, como sócio de uma grande companhia ou de um empreendimento imobiliário, e não como especulador.

A análise de fundamentos de empresas (no caso das ações) não será um grande desafio, é um solo relativamente conhecido pra mim, entretanto no caso dos FII’s ainda precisarei pesquisar melhor que tipo de fundamento é essencial para analisar essa modalidade de fundo de investimento.

O planejamento traçado para chegar ao milhão é mais ou menos o seguinte:
  • Aportes Mensais: R$ 4.000,00 (com correção anual de 3%)
  • Rentabilidade da Carteira: 0,7% ao mês (estou sendo conservador)
Obs: Além desse aporte, os valor mensal destinado a amortização do financiamento (excluídos os juros) também pode ser considerado um aporte. Portanto o aporte mensal pode ser superior a R$ 4.000,00.

A projeção é que, considerando os juros compostos e uma expectativa conservadora de rentabilidade, em 5 anos eu consiga romper a barreira dos R$ 500 mil e em 9 anos eu atinja o tão sonhado milhão. Claro que temos que considerar a inflação e um milhão daqui há 9 anos não vai valer o mesmo que hoje, mas ainda acredito que será uma soma considerável. Além disso, a tendência é que depois do rompimento do hímen do milhão, o bolo passe a crescer mais rapidamente.

O milhão é nosso porra!


Já tenho em mente que uma despesa extraordinária que possivelmente terei nos próximos anos pode adiar em 1 ou 2 anos essa meta, por isso já tenho alguns planos de renda extra para atenuar essa baixa, se de fato acontecer. Tanto essa despesa extraordinária como os projetos de renda extra podem se tornar assuntos de posts futuros.

O gráfico de planejamento para evolução do milhão é o seguinte:



Existem alguns fatores que podem influenciar essa evolução, mas a ideia é seguir esse referencial.

Então é isso, por hoje ficamos por aqui. Meu próximo passo é pesquisar corretoras e instituições financeiras que possam oferecer LCI, LCA e CDB com taxas atrativas, taxa zero para operar no Tesouro Direto, e reputação e custos atrativos para operar na bolsa, tanto para compra de ações como de FII’s.

Abraços,

Ministro

terça-feira, 2 de maio de 2017

Foi Dada a Largada do Milhão!


Então esse é o começo do fim!

Inicia-se aqui mais um blog na Blogosfera de Finanças. Meu objetivo aqui é compartilhar um projeto que está se iniciando de conquistar a independência financeira. Embora eu já tenha passado dos 30 e ganhe um salário razoável, alcançar a independência financeira por meio de renda passiva nunca foi algo a que eu havia atentado. 

Na verdade sempre fui controlado financeiramente, entretanto nunca me preocupei em investir corretamente os recursos poupados, simplesmente enfiava tudo na poupança, mesmo sabendo que não era a melhor opção. O comodismo sempre me impediu de parar e estudar a melhor forma de aplicar meus recursos.





Entretanto, em algum momento de 2016 conheci a Blogosfera de Finanças e tudo começou a mudar. Aos poucos comecei a mudar meu entendimento sobre a forma como eu estava tratando meu dinheiro e principalmente comecei a vislumbrar, acreditar e almejar alcançar a tão aclamada independência financeira. Ver “pessoas normais” multiplicando seus patrimônios e trocando experiências de investimento me motivou a adotar uma atitude diferente em relação às minhas finanças. Desde então tenho estado mais atento as minhas finanças, controlando e economizando mais, mas só agora vou começar a aplicar o dinheiro de uma forma mais eficiente.

Minha porta de entrada nesse mundo foi o Blog do Pobretão, me divertia muito com seu humor ácido e sua forma politicamente incorreta de escrever, mas me incomodava a sua frugalidade extrema, misoginia exagerada e o vitimismo/derrotismo dele e de boa parte de seus seguidores nojentos.

Entretanto, tenho notado um certo “amadurecimento” da Blogosfera de Finanças, muitas postagens interessantíssimas, tratando não só de finanças mas também de experiências pessoais muito enriquecedoras. Isso misturado ao humor peculiar dos diversos blogueiros tem contribuído muito para o desenvolvimento dos blogs de finanças. 

Iniciei esse blog basicamente por três razões:

a) Compartilhar e trocar conhecimentos e experiências (principalmente em relação à finanças mas eventualmente com alguma discussão de assuntos pessoais) com os colegas da Blogosfera e leitores avulsos, como eu era.

b) Compartilhar meus primeiros passos como investidor, tentando assim inspirar outras pessoas que por comodismo não pensam melhor suas finanças e seu futuro financeiro. Invariavelmente assumirei uma posição mais conservadora no início, mas aos poucos pretendo fazer investimentos mais agressivos.

c) O blog também servirá para que eu mesmo me discipline em acompanhar minha carteira e tomar as decisões que precisam ser tomadas em relação a ela.

Por hoje é isso. Na próxima postagem vou falar sobre o meu patrimônio financeiro e quais meus planos e objetivos para multiplicar os pães.

Abraços,

Ministro