quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Atualização Patrimonial Setembro/2019 - R$ 360.225,49 (AINDA ESTOU VIVO! rsrs)



Falaaaae blogosfera!

Andei sumido, se é que alguém percebeu, mas não morri, estamos ainda firme e forte na luta pela tão sonhada IF!

O motivo de eu ter parado de postar é um misto de falta de tempo, de energia e de prioridades.

TRABALHO

Em relação ao trabalho, desde o começo desse ano estou em um novo departamento, encarando trabalhos extremamente desafiadores, que embora me demandem mais, tem sido gratificante ver os resultados acontecendo.

Que resultados são esses? Não, não vou ser promovido, até rolou um convite mas declinei com educação! O resultado são trabalhos bem feitos, elogiados, que agregam valor. Se eu aceitasse algum cargo de chefia ia perder um dos "ativos profissionais" que tem me conquistado até o momento: liberdade.

Isso porque estou experimentando com mais frequência novos formatos de trabalho, novas formas de gerenciamento, trabalho em home office, etc.

No final das contas estou trabalhando bastante, mas tendo em retorno o que eu sempre quis: participar de trabalhos importantes e ter liberdade pra fazer isso!

RENDA EXTRA

Outra coisa que acabou limitando a minha disponibilidade para estar aqui foi um negócio extra que venho desenvolvendo desde o começo do ano. Foi algo que comecei sem muitas expectativas e tem tomado proporções muito interessantes.

Por enquanto não vou dar muitos detalhes sobre esse negócio mas de maio (quando comecei a monetizar) pra cá já me rendeu um faturamento de cerca de R$ 12 mil, com uma margem até o momento de cerca de 90%.

Tenho planos ousados pra escalar esse negócio para o próximo ano, vamos ver no que vai dar! Não é fácil, dá trabalho, os frutos se colhem aos poucos, mas tenho uma visão ambiciosa sobre onde isso pode chegar!

PATRIMÔNIO

Sobre o patrimônio, vou fazer atualizações mais sucintas por enquanto. Não tenho mais acompanhado rentabilidade por meio da Planilha do Adp, decidi que acompanhar rentabilidade não é algo que agrega nos meus investimentos.

Porém ainda uso a planilha de registros de investimento do Adp para facilitar na hora da declaração de IR.

Meu patrimônio esse mês fechou em R$ 360.255,49

Coisa curiosa desse mês é que tive uma com meu imóvel que alugo, na reavaliação anual que faço dele, em 2019 o preço de mercado caiu -1,8%. A verdade é que desde 2016 o valor de mercado desse imóvel só patina em torno do mesmo valor, e tem gente que acha que imóvel sempre valoriza.

Se o mercado imobiliário ajudar, talvez eu considere vender esse imóvel e jogar tudo pro mercado financeiro.

Na renda variável já estou hoje com uma posição de cerca de R$ 120 mil e seguimos em frente! já tem bastante tempo que venho aportando full na bolsa e ainda devo seguir assim por bastante tempo!

REDES SOCIAIS DE FINANÇAS

Desenterrei minha conta no Twitter para acompanhar o pessoal de finanças por lá, os fortes geralmente são os gestores de fundos de investimento, e, sinceramente, me decepcionei.

Os caras ficam arrotando termos difíceis e cálculos complexos só pra deslumbrar o sardinha, para que o pobre leigo acredite que ele PRECISA de um matemático fazendo cálculos complexos para se fazer bons investimentos.

É o jogo dos caras né, mas nada como o aprendizado que se troca aqui na blogosfera, de gente comum para gente comum, de investidor raiz, sem frescura, com o objetivo de acumular patrimônio e viver de renda, e não buscar "upsides".

É isso galera!

Vou tentar aparecer com mais frequência e levantar alguns debates interessantes por aqui!

Temos muito a aprender e a ensinar!

Abraço!

Senhor Ministro

quarta-feira, 6 de março de 2019

Atualização Patrimonial Fevereiro/2019: R$ 302.199,07 - Fui Pro Cheque Especial!!



Coé rapaziada!

Bom, não sei se alguém percebeu mas esse mês estive completamente ausente da blogosfera, por uma série de motivos, principalmente porque, conforme eu tinha relatado aqui, eu acabei mudando de departamento no trabalho, fui pra uma área muito diferente do que eu estava acostumado a atuar, e a curva de aprendizado está sendo enorme. O gasto de energia mental está sendo muito grande. Sem falar que também tirei 10 dias de férias, fora o carnaval.

Além disso estou me dedicando a um projeto paralelo meu e dando uma força em um projeto dos meus pais. Portanto toda minha energia criativa está sendo focada nessas três frentes, de forma que o blog acabou ficando de lado. Porém é coisa passageira, não pretendo abandonar o blog.

Ao mesmo passo que o blog ficou de lado, minhas finanças também acabaram ficando muito aquém do esperado nesse mês, aporte pequeno e resgate de investimento por descasamento de fluxo de caixa.

Acabei acumulando muitas despesas em um mês só (passagens aéreas para 3 viagens diferentes, IPVA/Licenciamento/DPVAT, seguro do carro, manutenção do carro, celular novo, dentre outras não recorrentes). A maior parte desses gastos foi em janeiro, mas como muitos foram pagos no cartão de crédito, comprometeram o fluxo de caixa de fevereiro e acabei entrando no cheque especial. Por isso tive que resgatar uns R$ 200,00 do meu Fundo DI lixoso pra cobrir o cheque especial.

Logo depois recebi o aluguel do meu apartamento e acabou dando um alívio na conta, mas de qualquer forma foi uma sensação bem estranha, não lembro a última vez que isso tinha acontecido comigo, se é que já aconteceu.

Pelo menos o patrimônio segue crescendo, que é o que importa!

Vamos então aos números!

Aporte: R$  1.750,50 (subscrição de 15 cotas do GGRC11)
Resgate: R$ 205,21 (Fundo DI)

Carteira:





Rentabilidade esse mês ficou negativa, puxada pelas ações, conforme quadros abaixo:






Em relação a esse cálculo de rentabilidade, que é feito pela planilha do AdP, fico na dúvida se não seria melhor adicionar no cômputo da rentabilidade os proventos recebidos. Se alguém tiver alguma opinião sobre isso, agradeço!

Maiores Altas: MFII11 (+ 8,88%), B3SA3 (+ 4,19%), SAPR11 (+ 4,19%)
Maiores Baixas: FLRY3 (-10,23%), CIEL3 (-8,96%), ITSA4 (-8,37%)

Por hoje é só!

Pretendo trazer esse mês a análise de algumas empresas com base nos balanços anuais que estão sendo divulgados!

Abraços,

Senhor Ministro

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

A Forma Mais Fácil e Rápida de Investir em Ações Americanas


Faaaaala pessoal!

Acredito que todo mundo, ou pelo menos a maioria das pessoas que aqui frequentam, já entenderam ou já ouviram falar da importância da diversificação dentro de uma carteira de investimentos. A ideia é muito simples: diminuir o risco.

Uma carteira de investimento bem diversificada (cuidado para não confundir com pulverizada) tende a oferecer uma relação risco/retorno mais favorável ao investidor, afinal, a melhor forma de ficar rico é simplesmente sobrevivendo no mercado. Ficar rico rápido é para poucos, mas ficar rico devagar não tem muito segredo, basta acumular capital e sobreviver.

E quando se fala de diversificação, não podemos deixar de citar a diversificação geográfica dos investimentos, ou seja, investir em ativos fora do Brasil, em economias mais sólidas, como dos EUA, ou emergentes, como da Turquia.

O motivo para fazer essa diversificação internacional é reduzir seu risco, é estar menos exposto a apenas uma economia de um país emergente e problemático como o Brasil, onde até o passado é incerto. Essa diversificação descorrelaciona a sua carteira: os preços das ações de países não aumentam ou diminuem em sincronia, e é justamente essa falta de sincronia que protegerá sua carteira da volatilidade.

Ok, falar é fácil, mas como fazer isso??

Confesso que AINDA não sou um expert em investimentos no exterior e justamente por isso optei pelo caminho mais fácil e rápido:

IVVB11

O que é isso? O IVVB11 é um ETF que espelha o índice S&P500.

Sendo preciosista: o IVVB11 investe no ETF IVV que, por sua vez, investe diretamente nas empresas do índice. Portanto é um ETF do ETF, porém os resultados tendem a ser os mesmos. 



O S&P500, índice criado pela Standard & Poor's, é composto pelas 500 maiores empresas americanas (pelo valor de mercado) com ações listadas em bolsa. O valor total de mercado das empresas integrantes do S&P 500 passa dos U$ 20 trilhões, representando mais de 80% do mercado acionário americano.

Estamos falando de empresas como Facebook, Apple, Google, Amazon, Walmart, Microsoft, Berkshire Hathaway (empresa do Warren Buffet), JP Morgan, Exxon, PayPal, TripAdvisor, BlackRock, Visa, Oracle, Nvidia, Polo Ralph Lauren, Citigroup, CBS, Harley Davidson, Best Buy, Eletronic Arts, Nike, Xerox, Pepsi, Coca-Cola, e muitas outras empresas gigantes!

Já deu pra perceber que não estamos falando de qualquer empresa né?

Portanto cada cota do ETF IVVB11 equivale a um pedacinho dessas 500 empresas, ou seja, você compra, de um vez só, um pacotão de ações. E, ao contrário dos ETFs brasileiros, os ETFs americanos, pelas suas regras de composição e pelo próprio porte das empresas, tendem a ser muito mais perenes e dar mais retorno.

E o melhor de tudo, o IVVB11 pode ser comprado aqui na B3, na nossa bolsa de valores!!

O lote mínimo é de 10 cotas, que hoje está totalizando um investimento mínimo de cerca de R$ 1.000,00.

Assim como os demais ETFs brasileiros, o IVVB11 faz o reinvestimento automático de dividendos e não faz jus ao benefício tributário de isenção de IR para vendas de até R$ 20 mil por mês.

CONCLUSÃO


Ao investir em IVVB11 você está atrelando uma parte do seu patrimônio à empresas americanas e ao próprio dólar (o valor da cota do ETF varia tanto pelo desempenho das ações americanas como pela cotação do dólar).

É uma forma simples e prática de diversificar o seu patrimônio, mitigando o risco Brasil. Entretanto cabe destacar que comprando IVVB11 seus ativos, embora sejam correlacionados com empresas americanas, estarão custodiados na B3, ou seja, no Brasil. Caso surja um governo maluco e mande confiscar tudo, você não estará livre desse risco.

E ai, você conhece esse ativo, tem ele em carteira?

Abraços,

Senhor Ministro

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Atualização Patrimonial Janeiro/2019: R$ 300.515,13 (Rentabilidade + 6,88%) - Tá Tudo Voando!!!!



Cá estamos nós pra mais um fechamento mensal!

Bom, em relação ao trabalho está havendo um certo processo de "dança das cadeiras", como contei num post anterior, e enxerguei esse momento de mudanças como oportuno para respirar novos ares. Acionei alguns contatos e se tudo der certo no próximo mês estarei trabalhando em um novo departamento exercendo novas atividades bem interessantes e que, de certa forma, me ajudarão também como investidor.

Falando agora de investimentos, o mercado está muito otimista o que leva as ações a ficarem muito esticadas e isso dá uma angústia danada na hora de investir pois ainda está fresco na memória o preço pré-eleição dos papéis. A gente fica naquele dilema "agora está caro, não vale a pena aportar, porém pode subir mais ainda".

Por outro lado, quanto mais eu vivo esses momentos de altas e baixas, mais vou entendendo a filosofia "preço não importa" do Bastter. Não concordo 100%, mas hoje estou concordando bem mais que antes.

Vamos então à carteira:

Aporte do Mês: R$ 6.873,59

100 FLRY3, 300 FRAS3, 20 IVVB11, 5 MALL11, 5 VISC11.

Além disso já deixei na conta da corretora a grana necessária para a subscrição das 15 cotas que tenho direito do GGRC11 (não estou contando esse dinheiro no aporte desse mês nem na carteira, só quando houver a liquidação).

Comecei o ano com 4 novos ativos na carteira: FLRY3, FRAS3, IVVB11 e VISC11.

- O IVVB11 é o ETF que espelha o índice S&P 500

- A Fras-Le (FRAS3) é uma microcap que atua no segmento de peças para veículos, especialmente lonas de freio para veículos pesados e pastilhas de freios.

- A Fleury (FLRY3) já é mais conhecida dos investidores, empresa especializada em análise clínica e laboratoriais

- Entrei de leve em VISC11 que é um FII atuante no segmento de shoppings, o que me deixa agora com 3 FIIs de shoppings (dois bons - VISC e MALL - e um lixo - FIGS).

Eventualmente falarei mais a fundo de alguns desses ativos em posts específicos ao longo do mês.

CARTEIRA:






Esse mês meu patrimônio penetrou na barreira dos R$ 300k e é só o começo. Esse ano vai decolar mais ainda!


Esse mês vou parar de procrastinar e zerar essa minha conta poupança e o Fundo DI (que é tão lixo que tem rentabilidade menor que a poupança). Vou botar uns R$ 20k em Tesouro Selic, como reserva de emergência, e o resto em CDB de liquidez diária, aguardando oportunidades na renda variável (ou mesmo na renda fixa, já que hoje os CDBs e LCIs da vida estão dando rentabilidades pífias).

A rentabilidade de cada tipo de investimento ficou da seguinte forma:


E a rentabilidade geral ficou assim:



Esse mês foi incrível para minhas ações, 15% de rentabilidade, coisa de louco:

Maiores altas: CIEL3 (+34,31%), KROT3 (+28,86%), EGIE3 (+26,74%) e SAPR11 (+20,34%)

Maiores baixas: FIGS11 (-14,77%), GGRC11 (-2,16%), GRLV11 (-0,76%)

Meus dois patinhos feios (CIEL3 e KROT3) mostrando serviço! Até o MFII11 que eu jurei de morte, está se recuperando bem. GRLV também boto fé que vai se recuperar, só o maldito FIGS que é só decepção, erro de principiante, mas que me deixou a lição!

Títulos públicos também voando baixo! Só para dar uma ideia, o meu Tesouro IPCA 2045, que investi em maio/2017 já está com rentabilidade acumulada de 45%. Sou adepto do lema de não girar a carteira mas talvez nesses patamares valha a pena fazer uns cálculos e cogitar a possibilidade de resgate antecipado.

Para quem tiver curiosidade, segue a carteira de ações e FIIs:



Por hoje é só pessoal!

Abraço!

Senhor Ministro

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Você Gostaria de Ser Promovido? Eu Não!




Faaaala pessoal!

Hoje mais um insight de carreira e negócios, dessa vez baseado em duas coisas: num vídeo que vi (já tem algum tempo) do Érico Rocha e numa situação de "dança das cadeiras" que estou presenciando no trabalho. Nesse vídeo o Érico Rocha narrava sua história desde quando era empregado de um banco de investimentos em Londres, até quando decidiu largar tudo e como montou sua empresa. Lógico que, pra efeitos de marketing, o cara vai dar uma glamourizada na história, mas um trecho me chamou a atenção...

Quando ele trabalhava no tal banco, recebia um excelente salário, porém estava infeliz no trabalho. Um dos insights que levou ele a largar tudo e voltar pro Brasil foi pensar o seguinte: aonde eu quero chegar trabalhando aqui? Se eu trabalhar muito mais e for reconhecido eu vou chegar onde eu quero? Eu quero estar na posição do meu chefe, ou do chefe do meu chefe?

Daí a reflexão foi que não tinha mais sentido ele continuar trabalhando ali pois ele não estava feliz com seu trabalho atual tampouco almejava ser promovido ou subir na carreira.

Eu acho que já falei aqui, mas já ocupei posição de chefia no meu trabalho e tem um pouco mais de 1 ano que estou sem cargo de chefia. No começo é chato tanto a perda financeira como a perda de poder de decisão e influência, porém com o tempo eu comecei a enxergar muitos pontos positivos como:

1. Possibilidade de estar focado em uma atividade específica (sem precisar responder 500 e-mails e ir para 200 reuniões) possibilitando uma maior especialização e aprofundamento no trabalho.

2. Mais liberdade de trabalho, podendo gerenciar seu tempo com mais previsibilidade.

3. Livre de preocupações chatas e burocráticas como de gestão de pessoas (folha de ponto, férias, recesso, etc) e de sistemas (atualizar o sistema de gestão de processos, o de atividade finalística, o de não sei o que, etc)

4. E o mais importante: mais tempo para se dedicar a coisas extra trabalho (família, amigos, esportes, renda extra, etc)


A verdade é que, infelizmente, em muitas organizações os chefes ao invés de serem gestores, conduzindo equipes para o sucesso e pensando estrategicamente o negócio, tornam-se meros apagadores de incêndio, tendo que passar o dia inteiro resolvendo assuntos pontuais, participando de reuniões e respondendo e-mails. 

Como eu narrei no início, estou presenciando uma certa "dança das cadeiras" com algumas pessoas conhecidas no trabalho e conversando com elas vejo o quanto alguns estão angustiados e chateados com a possibilidade de perderem seus cargos. Nesses momentos a politicagem corporativa rola solta e não necessariamente as pessoas boas serão as promovidas ou escolhidas para algum cargo de liderança.

Estar fora desse circuito me dá um certo alívio e sensação de liberdade, pois não fico na dependência de convites para cargo de chefia, e se eventualmente eu quiser trabalhar em outro setor ou departamento, basta acionar alguns contatos e consigo mais facilmente uma movimentação (já que não há gratificações ou cargos envolvidos nessa negociação). 

Sinceramente hoje eu não tenho vontade de ocupar a posição do meu chefe, nem do chefe do meu chefe, porém isso não significa que estou infeliz no trabalho, pelo contrário, sair desse circuito está me possibilitando me tornar um profissional muito melhor e ter muito mais liberdade. Essa última palavrinha (liberdade) é minha prioridade no momento!

Abraços,

Senhor Ministro

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Diploma de Ensino Superior Ainda Vale Alguma Coisa?

Diploma de Ensino Superior Ainda Vale Alguma Coisa?

Faaaala pessoal

O papo de hoje é sobre faculdade/universidade no Brasil. Muita coisa que escrevo aqui vem de algum insight que tenho no dia a dia, que me leva a alguma reflexão e acabo desenvolvendo a ideia aqui. Pois bem, já relatei aqui antes que gosto de ouvir podcasts enquanto dirijo, é uma forma de transformar um tempo "morto" num espaço de aquisição de conhecimento.

Pois bem, estava ouvindo esses dias um podcast do Raiam Santos (Mundo Raiam) em que ele entrevista a Kim Farrel, uma garota americana que se tornou gerente/executiva de marketing do Google no Brasil. Nessa entrevista a Kim conta toda a história dela que é muito baseada no meio acadêmico americano, toda a saga de tirar boas notas, ter comportamentos destacados, ser aceita em grandes universidades (ela estudou em Harvard), o perfil de profissional formado por cada universidade, o prestígio profissional que tem os profissionais formados em determinadas universidades (ela até cita que na entrevista pra trabalhar no Google havia um requisito de ser formada nas top 10 universidades do país), etc.

Pode ser que para muitos tudo isso não seja novidade, mas para mim, alguém que nunca se interessou nem pesquisou sobre fazer faculdade nos EUA, achei bem curiosa a cultura americana relacionada ao ensino superior, principalmente em dois pontos: o diploma universitário em determinadas universidades ter um peso decisivo no currículo e na vida da pessoa; e as grandes universidades terem mentes brilhantes como professores formando outras mentes brilhantes.

Talvez eu tenho caído um pouco na romantização da coisa, mas pelo que foi "pintado" percebi uma diferença abissal com a realidade de hoje no Brasil. Acho que há uns 25 ou 30 anos atrás havia uma cultura aqui de se estudar pesado para entrar em universidades públicas, pois eram as que tinham o melhor ensino (além de ser de "graça") e tinha uma ou outra particular de muito destaque que também eram muito disputadas.

Com todo o boom de democratização do ensino superior, principalmente por meio do FIES e Prouni, houve uma explosão de criação de faculdades, muitas com ensino de qualidade duvidosa, sem qualquer critério de seleção, prontas para entregar o diploma para qualquer um com cérebro maior que de uma formiga (desde que eles, ou o governo, paguem as mensalidades), as famosas Uniesquinas.

diploma universitario


Resultado: o diploma de ensino superior perdeu seu valor, recém formados sofrem para conseguir empregos mal remunerados.

Faz bastante tempo que estou por fora desse meio acadêmico e de busca por emprego, porém minha percepção é que mesmo diplomas de universidades públicas já não tem tanto valor também. É como se a contaminação do mercado tivesse afetado a todos, mais ou menos como acontece no mercado de venda de carros usados: como tem muito vendedor picareta, os bons vendedores acabam ficando com a má fama também.

E aí o cidadão acaba dedicando 4 anos de sua vida e boa parte de seus recursos financeiros, até mesmo contraindo dívidas elevadas, em um projeto de ensino que tem mais probabilidade de não lhe dar o retorno esperado do que o contrário.

Será que a tal democratização do ensino superior, da forma como foi feita, transformou o diploma de graduação num pedaço de papel sem valor? Eu não tenho uma resposta conclusiva pra isso, pois, como citei, não vivo essa realidade.

E você, o que acha? Como o seu diploma te ajudou ou como você espera que vá ajudá-lo? Como a sua empresa encara a questão da formação acadêmica para seleção e promoção de profissionais? Ainda vale a pena fazer faculdade?

Abraços,

Senhor Ministro

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Se Você Nasceu em Família Pobre, Seu Problema Não é o Dinheiro!


Faaaala pessoal!

Esses dias reparei uma coisa curiosa onde trabalho e que me levou a uma reflexão pesada sobre a capacidade que as pessoas tem para ganhar, ou não, dinheiro. Deixe-me explicar.

Em qualquer ecossistema da sociedade as pessoas tendem a se organizar em castas com características semelhantes. Por exemplo, na escola os vagabundos tendem a fazer amizade com outros vagabundos, os nerds com nerds, os populares com populares e os impopulares com impopulares. Na igreja vai ser a mesma coisa, na vizinhança a mesma coisa e no trabalho a mesma coisa.

Esses dias estava reparando isso no meu trabalho: os servidores de alto escalão tendem a andar apenas com outros servidores de alto escalão, os servidores "normais" tendem a andar com outros servidores "normais", os terceirizados tendem a andar com outros terceirizados, os estagiário com estagiários, e os prestadores de serviço com outros colegas semelhantes.

Qual a relação disso com dinheiro? TODA!

Se eu me cerco apenas de pessoas semelhantes a mim a tendência é que a minha forma de enxergar as coisas seja sempre a mesma, que minha mente enxergue sempre as mesmas oportunidades e os mesmos riscos. Se eu puxar o papo "empreendedorismo" e "marketing digital" com um casal de servidores públicos em que cada um ganha R$ 10 mil, eles provavelmente farão pouco caso ou mesmo críticas sobre o assunto, já que a bolha deles (em que eles vivem bem) são aqueles dois contracheques de R$ 10 mil.

Quer ver só? Outro dia escutei duas terceirizadas conversando sobre concursos, dando conselhos uma para a outra sobre a forma como estavam estudando, quais matérias estudar, etc. Ai eu pensei: nenhuma das duas passou em qualquer concurso pra estar dando conselhos uma para outra e, ironicamente, elas trabalham num órgão com um dos concursos mais disputados do Brasil, por que não pedir conselhos para algum dos centenas de servidores que já passaram por esse desafio e que trabalham ao lado delas?

Todo mundo conhece aquele ditado que diz: você é a média das pessoas com quem convive.

Sendo assim, para crescermos em alguma área da vida o ideal é buscarmos conviver com pessoas que já chegaram lá ou que pelo menos estão no caminho certo.

Dito isso, vou ao título do post: quem nasce em família pobre precisa vencer uma coisa que é muito mais forte que a falta de dinheiro que é a...

MENTALIDADE DE POBREZA!



É muito louco mas quem não abre os olhos pra isso e vai vivendo aquela vida "pré determinada" vai deixando que suas condições econômicas as molde. Eu vejo muito isso no trabalho, os servidores efetivos (bem remunerados e a maioria de famílias com condições razoáveis) se comportam de uma maneira totalmente diferente dos terceirizados (salários baixos e famílias humildes).

Não me refiro ao preço da roupa ou ao carro que andam, mas em relação a aspectos comportamentais. A entonação da voz, o vocabulário, a forma de falar, a forma de andar, os hábitos alimentares, o tipo de roupa que vestem, a forma física, as coisas sobre as quais conversam, etc. É como se só de olhar, mesmo sem um crachá pra distinguir, você consegue identificar a qual "casta" pertence determinada pessoa.

A mesma coisa aconteceria se um grupo de jovens empresários observasse a minha casta, de servidores efetivos, iriam olhar com desdém pensando que são pessoas que trocam seu tempo por dinheiro, que tem sua renda limitada a um contracheque, que se submetem a cumprir horários em troca de um salário, que não tem liberdade, etc.

CONCLUSÃO


A moral dessa história é que um dos passos mais importantes para crescermos em uma determinada área da vida é buscar conviver com pessoas que tenham esse mesmo objetivo e, principalmente, com pessoas que já chegaram lá.

A própria blogosfera de finanças é uma forma genuína de convivermos com pessoas que estão na busca da independência financeira e com algumas que já chegaram lá.

Então se você quer passar em um concurso, troca ideia com alguém que já fez isso.
Se você quer montar um negócio digital, troca ideia com alguém que já fez isso.
Se você quer ficar sarado com barriga de tanquinho, troca ideia com alguém que já fez isso.
E se você quiser sair da pobreza, troca ideia com alguém que já fez isso.

Abraços,

Senhor Ministro

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Atualização Patrimonial Dezembro/2018: R$ 295.543,59


Faaaaala galera!

Não sei se alguém percebeu mas tirei um período sabático aqui do blog, aproveitando muita sombra e água fresca nesse final de 2018 e início de 2019. Novo ano, e renova-se a esperança de alcançar a tão sonhada independência financeira, sem deixar, claro, de ser feliz durante essa jornada!

Pois bem, financeiramente falando talvez você já tenha percebido que eu não alcancei a meta de patrimônio de R$ 300k porém cheguei muito perto disso! No fim das contas, o que importa é acreditar e seguir o processo que os resultado virão!

Como esse é o fechamento anual, eu optei por incluir na carteira os recursos parados em caixa, já que nesse final de ano, num misto de desleixo e preguiça, eu deixei um bocado de dinheiro assim. No fim das contas não deixa de ser dinheiro né?

Ademais, fui tomado por uma euforia empreendedora nos últimos tempos e no final do ano passado eu dei meu pontapé inicial num negócio online que eu vinha flertando há um tempo. Por enquanto não monetizei nada, mas a base de seguidores/curtidores está crescendo muito rápido. Pretendo até o fim de janeiro fazer minha primeira tentativa de monetização.

Na verdade essa minha euforia empreendedora não pode ser chamada de euforia pois é algo que tenho desde sempre, vide um dos primeiros posts que fiz aqui no blog (veja aqui) e que até hoje é um dos mais populares. Mas se tem algo que me deu uma impulsionada forte foi o livro "The Millionaire Fastlane", um livro que estava bem fora do meu radar mas foi uma surpresa muito positiva (embora o autor detone a teoria da ser frugal e enriquecer no longo prazo aportando parte do salário, que é o que a maioria de nós aqui fazemos).

O livro tem uma versão em português que é vendida por uma empresa de marketing (que tem a licença do livro) mas eu preferi comprar a versão em inglês na Amazon, tanto por ser mais prático comprar direto na Amazon e ler pelo app do Kindle, como para dar uma treinada no inglês e também por ser BEM mais barato (R$ 19,00). Depois pretendo fazer uma resenha do livro. Quem se interessar pode ver mais detalhes pelo link abaixo:


Vamos ao que interessa então, à carteira final de 2018 ficou da seguinte forma:





Rentabilidade foi a seguinte:


Como se pode perceber os produtos de renda fixa que seguraram a rentabilidade do ano e permitiram que eu encerrasse o ano com um número levemente positivo. Em relação as ações, apesar de ter fechado o ano com uma baixa de 10%, eu acredito na minha carteira e acho que, de uma forma geral, estou indo no caminho certo. Já em relação aos FIIs, acredito que cometi alguns erros de avaliação nos meus primeiros investimentos, mas agora tenha uma visão muito mais madura e uma capacidade de análise muito melhor.

Isso que é interessante e desafiador de medir a rentabilidade, saber discernir quando uma rentabilidade negativa da sua carteira significa apenas uma variação normal de mercado e quando significa um erro de avaliação seu. A medida que se amadurece no mercado essa percepção vai ficando mais nítida. O contrário também é verdadeiro, uma carteira positiva em um mês ou um ano, não necessariamente significa que se está indo no caminho certo, isso pode iludir algumas pessoas.

No fim das contas o mais importante é estratégia e direção: confiar na suas estratégia de investimento e seguir na direção traçada. Sem esquecer do principal: o APORTE!

Pra fechar esse post só uma observação em relação à renda passiva: eu passei uns 20 dias sem encostar aqui no blog, mesmo assim o blog me gerou, nesse período, U$ 2,00 de receita. Uma mixaria, sim, já que Adsense não é o nosso forte (nem nosso foco) aqui, porém é um simbolismo interessante do que é uma renda passiva.

That's all folks!

Feliz ano novo pra todo mundo!

Abração!

Senhor Ministro

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Nova Emissão do GGRC11: Vale a Pena? Quais os Riscos?

Emissão do GGRC11


Caso você não conheça, o GGRRC11 é um Fundo Imobiliário de imóveis logísticos e industriais, relativamente recente (lançado no primeiro semestre de 2017) mas que já acumula patrimônio de mais de R$ 460 milhões e é atualmente um dos mais negociados da bolsa.

Uma das coisas que chama a atenção nesse fundo é a quantidade e diversificação dos imóveis: hoje o fundo é proprietário de 13 imóveis e, ao contrário de muitos outros FIIs que se concentram no eixo Rio-São Paulo, esses imóveis são espalhados em oito estados em diversas regiões do Brasil (PR, SC, SP, MT, GO, PB, MG e RS).

Outra informação importante acerca desse fundo é que todos os seus contratos são atípicos, isso quer dizer que são contratos de longa duração (vencimentos entre 2025 e 2033) e que preveem, caso o locatário rescinda o contrato, multa correspondente ao pagamento integral dos aluguéis de todo o contrato, garantindo assim mais proteção ao fundo.

Outro ponto positivo do fundo é sua gestão. Trata-se de um fundo de gestão ativa e, portanto, o tino imobiliário do gestor pode causar grande impacto, positivo ou negativo, no ativo. No caso do GGRC11 o impacto parece estar sendo positivo, pois a gestão do fundo demonstrou aptidão para negócios imobiliários: as alocações iniciais de recursos foram feitas rapidamente e, em out/2018, um dos imóveis foi alienado, sendo prontamente sucedido (em nov/2018) da aquisição de um novo imóvel nos mesmos moldes dos demais (Sale and Leaseback - explico o que é isso mais a frente - e contrato atípico).


A última distribuição de rendimentos foi de R$ 1,08 por cota e o preço atual da cota é de cerca de R$ 130,00 o que dá um Dividend Yeld de 0,8% a.m e de cerca de 10% a.a, um ótimo Yeld, entretanto no valor dessa distribuição ainda há  alguma coisa relacionada à recente alienação de um imóvel, de forma que um DY mais realista seria de algo em torno de 9% a.a, o que, ainda assim, é um excelente rendimento. Esse DY pode melhorar muito ainda se considerarmos o preço de aquisição da cota na emissão, que falaremos a seguir...

3ª EMISSÃO GGRC11


Em 03 de dezembro de 2018 foi aprovada em assembleia a 3ª emissão de cotas do GGRC11, num valor total de até R$ 300 milhões, portanto o fundo vai quase dobrar de tamanho, é uma emissão bem ousada!

Então vamos ao que interessa: hoje no mercado secundário a cota do GGRC11 está sendo negociada por volta de R$ 130,00, na emissão o preço da cota vai ser de R$ 116,70. Como geralmente acontece nas emissões em que há um desconto relevante em relação ao preço negociado no mercado secundário, espera-se que o preço de negociação desse ativo dê uma baixada, porém isso é só especulação. A verdade é que o preço da emissão parece bastante atrativo.

Importante: os atuais cotistas terão direito de preferência na aquisição de cotas nessa nova emissão, na proporção de 57,56% de sua participação. Eles devem divulgar mais detalhes acerca dessa continha na divulgação oficial da oferta de cotas.

O valor mínimo para entrar na emissão é o de R$ 1.167,00, correspondente a 10 cotas, exceto para os cotistas que exercerem seu direito de preferência, nesse caso não há valor mínimo. A oferta terá duração de 6 meses.

QUAIS OS RISCOS DO GGRC11

Emissão do GGRC11


Uma das principais características do GGRC11 é o modelo de negociação Sale and Leaseback adotado em todas as suas aquisições. Como isso funciona? Vamos a um exemplo.

Uma empresa industrial XYZ é proprietária de um grande galpão logístico onde funciona um de seus centros de distribuição. A empresa está precisando de capital para expandir seus negócios, mas as linhas de crédito que ela está conseguindo estão com juros muito altos.

Qual saída para empresa levantar capital? Ela chega para o Fundo Imobiliário e faz a seguinte proposta: "eu te vendo esse meu galpão logístico e alugo ele de você num contrato de longa duração, assim você já vai comprar um imóvel com um inquilino garantido"

Para o fundo é um bom negócio, pois compra um imóvel com um inquilino já garantido e para a empresa é um bom negócio pois ela recebe uma injeção de capital (referente à venda do imóvel) e os aluguéis que ela vai pagar para o fundo são menores que os juros bancários que ela pagaria caso pegasse um empréstimo.

Mas é justamente aí que está o maior risco do fundo!

Ao adotar esse tipo de contrato o fundo praticamente entra numa parceria com a empresa, pois o imóvel é totalmente personalizado para as necessidades daquela empresa. Então eventualmente se a empresa enfrentar dificuldades financeiras e começar a atrasar aluguéis o fundo ficará numa situação delicada, pois ruim com aluguéis atrasados, pior com a empresa falindo!

Além disso, se a empresa falir ou optar por rescindir o contrato (mesmo com as multas elevadas) o fundo pode ter alguma dificuldade para realocar os imóveis uma vez que, como citado, são imóveis totalmente personalizados para as necessidades de uma empresa específica, e localizados em áreas, por vezes, distantes de grandes centros comerciais.

Portanto nesse tipo de fundo a atuação do gestor é primordial, tanto no sentido de estar ligado no mercado imobiliário, mas também de estar próximo aos locatários tentando sempre alinhar os interesses deles com o interesse do fundo.

Importante destacar que os gestores sabem desses riscos e adotaram medidas para mitigá-los como a contratação de seguros, alienação fiduciária de ativos em garantia, e inserção de cláusulas de compra e venda do imóvel nos contratos. Porém, ainda assim é um risco que precisa ser considerado.

CONCLUSÃO


Esse é um fundo que vem crescendo muito e ganhando muito destaque ultimamente no mercado de fundos imobiliário. Eu particularmente gosto do fundo, tenho algumas cotas dele e pretendo comprar mais cotas nessa nova emissão. Obviamente que isso não se trata de uma recomendação, mas apenas a exposição da minha intenção de investimento.

Entretanto, é preciso estar ciente dos riscos envolvidos. Os contratos firmados até agora são muito vantajosos para o fundo, com cap rate elevado, porém é um ativo que ainda não passou por nenhuma provação mais desafiadora.

E você, vai entrar nessa emissão?

Abraços,

Senhor Ministro

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Palestra Motivacional é Melhor que Palestra "Desmotivacional"

Palestra Motivacional é Melhor que Palestra "Desmotivacional"

Eu vejo muita gente por aí que torce o nariz ou faz chacota com livros de autoajuda ou palestras motivacionais. Geralmente dizem que esse tipo de conteúdo é caça-níquel e que não tem efeitos práticos na vida.

Em parte eu posso até concordar, tem gente que usa os conteúdos motivacionais como uma forma de fuga, pessoas que se viciam em consumir esse tipo de conteúdo para viver a ilusão que está se tornando uma pessoa melhor, que está melhorando a sua vida, sem, contudo, colocar em execução qualquer projeto ou mudança de comportamento que efetivamente faça alguma diferença.

Entretanto, me parece irônico que tanta gente torça o nariz para conteúdos motivacionais mas, por outro lado, deem todos os ouvidos para conteúdos “desmotivacionais”. Na verdade eu até sei o motivo disso: as “palestras desmotivacionais” que ouvimos geralmente veem de pessoas próximas a nós, que, pelo menos em tese, querem o nosso bem, por isso exercem tanta influência na nossa vida.

Por exemplo, quando você começa a conversar de investimentos e independência financeira com alguém próximo (cônjuge, amigo, pais, parente, etc) essa pessoa pode dizer que “isso é besteira, tem que viver a vida, ninguém sabe o que vai acontecer amanhã, isso é pra quem tem muito dinheiro, etc”.

Ou então você decidiu investir num negócio online buscando ser uma autoridade em alguma área que você manja e quem sabe ganhar dinheiro com consultorias, mentorias, cursos, etc. Mais uma vez alguém próximo vai dizer: “esse negócio de ser "blogueiro" não dá dinheiro, já tem muita gente melhor que você fazendo isso, pra ensinar isso você precisa ter um pós-doutorado, etc”.

Ou você decidiu começar a praticar um esporte e, mais uma vez, pessoas próximas dizem: “você não tem porte físico pra esse esporte, esse esporte tem muita lesão, você nem tá ganhando dinheiro com isso, etc”.


Palestra Motivacional é Melhor que Palestra "Desmotivacional"




Eu podia dar inúmeros exemplos de “palestras desmotivacionais” que comumente ouvimos de amigos, cônjuges, pais, parentes, etc.

Por gostarmos dessas pessoas e acreditarmos que elas estão pensando no nosso bem, temos a tendência de dar muita importância a esse tipo de “conselho”, muito mais do que deveríamos. Porém poucas pessoas conseguem enxergar realmente o que acontece que é um choque de valores. Se você preza pelos valores “liberdade e independência” vai, invariavelmente, entrar em choque com uma pessoa que tem forte os valores “segurança e estabilidade”.

Então se um pai quer apoiar o filho a ser independente, empreendedor, ficar longe de concursos públicos, ou sequer fazer faculdade, e a mãe, por sua vez, quer que esse mesmo filho passe na melhor universidade pública e passe no melhor concurso público, para ter bom salário e estabilidade, o que está acontecendo ai é um choque de valores.

É por isso que um velho jargão do mundo de autoajuda faz tanto sentido:

NÃO LIGUE PARA A OPINIÃO DOS OUTROS!!!

Na prática não dá pra ignorar totalmente a opinião dos outros, principalmente de pessoas importantes, caso contrário seríamos apenas idiotas antissociais e egoístas. Porém, acima de tudo, precisamos buscar a nossa individualidade, de fazer o que acreditamos, mesmo que seja passando por cima ou ignorando a opinião de pessoas importantes.

Mesmo que não dê certo e aquela pessoa fale “viu só? Eu te avisei”, não importa! Se acreditamos em algo e se esse algo está alinhado com nossos valores e projetos de vida, vale o risco. Se não der certo, é aprendizado!

Nesses momentos, a opinião de pessoas que tem os mesmos valores que a gente, mesmo que seja um total desconhecido - como um autor de livros de autoajuda, um palestrante motivacional, alguém que você conheceu em uma conferência de negócios, ou alguns blogueiros com endereço blogspot.com - vale muito mais que a opinião da sua esposa(o), namorada(a), pais ou amigos.

Abraços,

Senhor Ministro

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Como Saber Se Uma Ação Está Cara ou Barata


Quando se trata de investimento em ações focado no longo prazo, o famoso Buy and Hold, existem duas correntes de pensamento: os que acham que o preço não importa e os que acham que o preço importa.

A primeira corrente prega que para nós, investidores individuais, não vale a pena se preocupar com o preço de uma ação, o foco deve ser integralmente nos fundamentos da empresa. A ideia é que se uma empresa for boa, e continuar boa, a melhor opção é ir aportado regularmente nela, sem se preocupar com o preço da ação pois, no longo prazo, a tendência é você estar sempre no lucro pois as compras nas baixas e altas vão se compensando.

A segunda corrente pensa mais ou menos parecido quanto a aportar em empresas que apresentem, e continuem apresentando, bons fundamentos porém há um elemento adicional: evitar aportar em empresas que, apesar de boas, estão com o valor da ação muito esticado, ou seja, estão muito caras. Adicionalmente, buscar empresas que estejam igualmente boas, porém com preço da ação atrativo, ou seja, estão baratas.

Eu respeito as duas correntes, porém me identifico mais com a segunda.

Mas afinal, como saber se uma ação está cara ou barata?

O leigo vai pensar inicialmente no valor absoluto da ação, então ele vai dizer que a OGXP3, cotada a R$ 1,71, está barata e que a ITUB3, cotada a R$ 30,00, está cara, porém sabemos que não funciona bem assim.

Uma ação é um pedaço de uma empresa, portanto o valor de uma ação vai depender basicamente de duas coisas: em quantos pedaços essa empresa está partida (quantidade de ações) e, principalmente, qual é o valor dessa empresa. Lembre-se que preço é o que você paga, valor é o que você leva.

Afinal, quem você acha que entrega mais valor, a OGX ou o Banco Itaú? A resposta é óbvia né, por isso faz todo sentido pagar mais caro pelas ações do Itaú, já que a probabilidade de a empresa continuar crescendo e/ou pagando dividendos é muito maior!

"Pode comprar que OGX está barata, menos de R$ 2,00"


Ok, mas como saber se a ação do Itaú está cara ou barata? É ai que está o X da questão!

A ciência que estuda isso é chamada de "valuation". Os especialistas em valuation utilizam modelo matemáticos para calcular o valor justo de uma ação. Se a ação estiver cotada abaixo do valor justo quer dizer que ele está descontada, e é uma boa opção de compra. Já se ela estiver cotada acima do valor justo, ele está muito esticada, devendo-se buscar outras opções de ações com maior margem de segurança.

Os métodos mais conhecidos de valuation são os feitos por fluxo de caixa descontado e por dividendos descontados, em que, basicamente, se estima um fluxo futuro de caixa ou dividendos e traz-se esses números a valor presente para compor o preço da ação. Falando assim parece simples mas são modelos avançados e que envolvem um elevado grau de subjetividade.

O método que eu mais gosto, e o mais simples, é o valuation comparativo por múltiplos. Um múltiplo é um indicador que compara o preço da ação com algum resultado relacionado à empresa. O múltiplo que eu mais gosto é o P/L que faz a relação entre o preço da ação e os lucros apresentados pela empresa. Basicamente o P/L diz em quantos anos eu vou recuperar meu investimento na empresa por meio da parte do lucro que eu "tenho direito".

Gosto de olhar o P/L histórico e comparar com empresas do mesmo setor a fim de identificar se a empresa que estou analisando está descontada ou esticada.

Logicamente que esse não é um método perfeito, ele pode apresentar algumas falhas, por exemplo: há empresas boas que embora operam com P/L alto, aparentemente caras, porém estão sempre crescendo mais e mais; há empresas com lucros não recorrentes que podem "mascarar" o P/L, empresas desacreditadas tendem a ter P/L baixo porém não necessariamente são oportunidades boas de compra, etc.

A verdade é que analisar uma ação unicamente pelos seus múltiplos, ou por qualquer outra forma de valuation, passa longe de ser garantia de sucesso. Uma boa análise envolve muitos outros critérios como ver se a empresa tem um histórico de lucros crescentes, ganho de market share, boa rentabilidade, endividamento controlado, boa gestão, geração de caixa, está inserida em um setor perene, tem uma diferencial competitivo, etc.

Fazer valuation, seja pelos métodos mais complexos ou pela análise de múltiplos, é um "plus" na análise, pode te ajudar a fazer melhores negócios ao comprar ações mais descontadas, porém não pode ser considerado, por si só, um critério suficiente de sucesso.

Abraços,

Senhor Ministro

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Retrospectiva 2018 Blog "Ministro do Investimento" (51 posts, 56 mil acessos, 1.008 comentários)



Fala pessoal, chegando o fim do ano e é hora de fazer a retrospectiva do blog!

No ano passado eu também a fiz (embora tivesse apenas 7 meses de blog) e esse ano é a primeira retrospectiva de um ano calendário completo!

A gente vai adquirindo experiência na blogosfera e vai vendo muitos blogs surgirem e logo desaparecerem, muitos blogueiros experientes desistindo ou desacelerando suas atividades online, assim como muitos outros surgindo e fazendo excelentes trabalhos.

É um constante desafio manter a criatividade e entregar conteúdo de valor aqui, mas é um desafio gratificante. De alzheimer "nóis" num morre!

Ainda quero ver esse blog crescendo muito mais, mas, principalmente, que continue sendo um guia pra mim e para outras pessoas no rumo da independência financeira!

Vamos aos números apurados então:

Artigos Publicados


> 2017: 30 artigos publicados (média de 4 por mês)
> 2018: 51 artigos publicados (média de 4 por mês)

Nesse aspecto os números foram constantes

Número de Visualizações


> 2017: 16.134 visualizações (média de 2.305 por mês, 77 por dia)
> 2018: 55.940 visualizações (média de 4.661 por mês, 153 por dia)

Nesse aspecto o crescimento foi significativo, incremento de 102% no número de visualizações/mês.

Número de Comentários


> 2017: 674 comentários (média de 22 por artigo)
> 2018: 1.008 comentários (média de 20 por artigo)

Aqui teve uma pequena queda, porém nada significativo.

Artigo Mais Visitado


> 2017: o artigo mais visitado era o "A Blogosfera Está Disseminando Uma Mentalidade de Pobreza" com 828 visualizações
> 2018: o artigo mais visitado do blog atualmente é o "As Melhores Ações do Setor Elétrico" com 5.513 visualizações

Artigo Mais Comentado


> 2017: o artigo mais comentado era o "A Blogosfera Está Disseminando Uma Mentalidade de Pobreza" com 39 comentários
> 2018: o artigo mais comentado atualmente é o "Depressão Pós Bitcoin" com 56 comentários

Origem dos Visitantes do Blog


Na posição atual, as principais fontes de tráfego do blog são:

1. Google
2. Finansferas
3. Viver de Construção (in memoriam)

Obs: em 2017 o Google era apenas a 9ª maior fonte de tráfego do blog, hoje ganha de lavada das outras.

Meu objetivo para 2019, assim como foi antes, é continuar escrevendo com regularidade artigos que agreguem valor e gerem boas discussões, e, claro, continuar usando o blog como uma ferramenta para alavancar a minha própria vida financeira.

Abraços,

Senhor Ministro

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Atualização Patrimonial Novembro/2018: R$ 280.046,70 (+ R$ 8.732,71) e Rentabilidade (+ 2,0%)



Fechadas as portas do mês de novembro e adentramos no fatídico último mês do ano. Eu gosto muito do mês de dezembro, é um mês que geralmente significa viagem, rever família e amigos, festividades, e principalmente somos acometidos por aquele clima de reflexão sobre o que fizemos no ano e o que pretendemos fazer no ano vindouro.

Ainda vou analisar bem as metas atingidas e não atingidas porém eu estou particularmente muito otimista com o ano de 2019, sinto que alguns projetos interessantes iniciados em esse ano poderão dar bons frutos no próximo ano. Estou otimista com o país como um todo também.

BENEFÍCIO DE TER SEMPRE ORÇAMENTO SOBRANDO


Nos últimos meses eu tive alguns gastos não recorrentes expressivos, principalmente com passagens aéreas. E pô, bate aquela sensação de se estar gastando demais e fugindo do orçamento, mas o bom de se acostumar a viver com um padrão abaixo do possível é que esses golpes são absorvidos com muita suavidade e no fim do mês lá está a conta cheia de bolsonaros prontos para serem investidos.

Ter rendas extras também gera sensação semelhante, embora eu ainda não esteja tão desenvolvido nesse sentido, é muito bom você projetar que tem uma quantia X, e de repente brotar um aluguel aqui, um rendimento ali, uma venda acolá. A sensação é de liberdade!

Afinal, muito mais do que felicidade, dinheiro compra liberdade!

BATENDO ÀS PORTAS DA META DO ANO


A meta que estabeleci de patrimônio para o ano foi alcançar os R$ 300 mil. No período eleitoral, no auge do "mau humor do mercado" (odeio analista que fala isso kkkk), essa cifra pareceu distante porém a luz no fim do túnel já está aparecendo e já estou conseguindo enxergar o atingimento dessa cifra. O que vai mudar na minha vida? Nada, porém é sempre bom atingir uma meta estabelecida, e continuar crescendo sempre. Mas isso é papo para um post específico sobre as metas do ano...

Vamos, sem mais delongas, a carteira do mês de novembro:

INVESTIMENTOS E RENTABILIDADE


Aporte: R$ 5.235,86

2 GGRC11, 100 CIEL3, 50 HAPV3, 100 KROT3, 15 MALL11

(ainda sobraram uns R$ 2k na conta da corretora, não contabilizado nesse fechamento, pois eu simplesmente não identifiquei uma boa oportunidade de alocação)

A bolsa, com o otimismo generalizado em relação à economia do país, esticou bastante. Temos muitos bons papéis porém com múltiplos muito altos. Talvez por isso eu tenha optado por investimentos um pouco mais ousados esse mês, notadamente Cielo e Kroton, duas gigantes que estão extremamente desacreditadas (e justamente por isso rodando a múltiplos muito baixos) mas que eu acredito ainda terem bala na agulha para entregar muito valor a seus acionistas no longo prazo.

Nos FIIs, GGRC11 tem se mostrado um ativo muito bem administrado e vai brindar os seus cotistas com um preço bem competitivo numa vindoura nova emissão. Já o MALL11 foi uma opção pra dar uma diversificada no setor de shoppings aproveitando que esse é um dos poucos FIIs de shopping com preço atrativo (tirando o FIGS11, mas isso por conta da RMG). O MALL11 hoje é um monoativo, tem um ótimo shopping em Maceió, e está em processo de emissão para adquirir mais ativos (o que é um grande receio dos investidores, de o fundo acabar comprando algum shopping meia boca).

A carteira ficou assim:


A rentabilidade dos investimentos foi a seguinte:


Ações, FIIs e títulos públicos subindo forte, sabe-se lá até quando! Inclusive notícias como essa me deixam um pouco preocupado, é o famoso "som dos violinos". Daqui a pouco o William Bonner tá falando de ações no Jornal Nacional, ai é sinal vermelho de alerta!

A carteira atual de ações e FIIs é a seguinte:

Quando peguei essa tela o mercado já estava aberto, as cotações podem divergir do fechamento

E é isso ai, que venha dezembro, que venha salário, que venha o que sobrou do 13º, que venha sei lá o que tiver por vir e que venha os R$ 300k.

P.S: eu vou tirar esse dinheiro da poupança, eu prometo!

Abraços

Senhor Ministro

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Para Lucrar na Bolsa é Preciso Nadar Contra a Maré (Comportamento Anticíclico)


Um dos principais gatilhos mentais a qual estamos sujeitos, inconscientemente, em nossas vidas chama-se "prova social". Ao tomarmos uma decisão, buscamos a confirmação se outras pessoas estão tomando a mesma decisão, afinal, quanto mais gente seguindo em um determinado caminho, maior a tendência de esse ser o caminho certo. Isso acontece no nosso inconsciente.

É por isso que se estamos num lugar desconhecido e queremos tomar um café, por não termos parâmetros anteriores para nos ajudar e por "praticidade mental", simplesmente optamos pela cafeteria que está mais lotada, já que se tem muita gente lá, quer dizer que o café deve ser muito bom. O mesmo acontece com a compra do frango assado pro almoço, perto da minha casa tem pelo menos uns 10 lugares que vendem frango, mas eu sempre tendo a achar que aquele que tem a maior fila é o melhor.

Porém, quando se trata de investimento em ações esse comportamento pode mais atrapalhar do que ajudar. Isso porque as grandes oportunidades na bolsa geralmente estão nos momentos anticíclicos, ou seja, quando todo mundo está dizendo que o Brasil vai quebrar, que o país não presta, que é melhor investir no exterior, etc. Vivemos um momento como esses há poucos meses e eu até escrevi um post afirmando que se alguém não acredita no Brasil, é melhor não investir na bolsa.

O mercado de capitais é um jogo de soma zero, para alguém ganhar, outro vai perder. É por isso que os grandes investidores tem no comportamento frio e racional o maior diferencial para sobreviver e se manter no lucro na bolsa de valores. Enquanto muitos vendem no pânico, os bons investidores aproveitam as oportunidades.

"Nossa minhas ações caíram 5%, vou vender pra não perder tudo!"


Falar é fácil, porém a grande massa de investidores só se sente confiante de investir em uma ação em, basicamente, duas hipóteses: ou se a ação está se valorizando ou se algum especialista/analista indicou a compra.

A primeira hipótese é falha uma vez que, no curto prazo, as ações podem oscilar sem necessariamente acompanhar uma visão de longo prazo dos fundamentos da empresa. Dois trimestres ruins podem derrubar a cotação de uma companhia, porém isso não significa muita coisa se estamos pensando em investimento para 10 anos ou mais.

A segunda hipótese também é falha uma vez que os analistas, embora possam ajudar a entender o mercado e até indicar algumas boas escolhas, tendem a optar pelo caminho da segurança, por indicar papéis que sejam bons para os investidores mas que, principalmente, não os comprometa (tem casa de análise boa apanhando até hoje por indicar Smiles, Multiplus e Wis). Isso quando não se trata de corretoras ou assessores de investimentos que só querem que o investidor gire patrimônio para pagar taxas de corretagem.

É como disse Warren Buffet: "Seja medroso quando os outros são gananciosos e seja ganancioso quando os outros estão com medo".

Abraços,

Senhor Ministro

P.S: tem sentido comparar Cielo com Forja Taurus? Sim, tem gente fazendo isso...

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

As Empresas Mais Endividadas da Bolsa

As Empresas Mais Endividadas da Bolsa

Atualização: Para escrever esse post extraí os dados do site Fundamentus, porém notei que alguns dados estão divergentes para algumas empresas, distorcendo as posições no ranking. O post foi editado para refletir os número reais. Peço perdão aos leitores pelo equívoco!

Se tem um sintoma de uma empresa estar ruim das pernas, eu diria que o nível de endividamento é o principal deles. Muita gente deixa pra considerar uma empresa ruim apenas se ela apresentar prejuízo, entretanto o alto nível de endividamento é um sintoma que precede o prejuízo, é o início do fim para muitas empresas.

Claro que um endividamento elevado, por si só, não pode ser levado em conta para avaliar uma empresa: existem empresas bastante alavancas, ou seja, que contraem muita dívida porém usam esses recursos para gerar receita em montante superior aos juros pagos pelos empréstimos e financiamentos. Porém, não deixa de ser uma informação bastante elucidadora.

Então, sem mais delongas, vamos ao ranking. Para aferir o grau de endividamento, existem alguns indicadores diferentes (Dívida Bruta/PL, Dívida Líquida, Dívida Líquida/EBITDA, etc), nesse caso eu usei o indicador Dívida Bruta/Patrimônio Líquido, que mostra a capacidade geral de uma companhia saldar suas dívidas (inclusive com a venda de ativos se for necessário).

#5 Marfrig (MFRG3)

Abrindo o ranking, em 5º lugar temos a Marfrig. A empresa atua na área de produção, processamento, industrialização, venda e distribuição de proteína animal (bovinos, ovinos e aves) e outros produtos alimentícios como empanados, pratos prontos, peixes, vegetais congelados, sobremesas, etc.

O patrimônio líquido da companhia é de R$ 2,2 bilhões e sua dívida chega a cifra de R$ 19 bilhões, uma relação Dívida/PL de 8,59.

E os resultados dela, adivinha só, são desanimadores: desde 2010 a empresa não sabe o que é ter um balanço anual com lucro, prejuízo atrás de prejuízo!

#4 Ecorodovidas (ECOR3)

Em 4º lugar temos a Ecorodovias, empresa que atua principalmente na concessão de rodovias. A companhia tem um patrimônio líquido de R$ 778 milhões e sua dívida chega a R$ 7,4 bilhões, uma relação de Dívida/PL de 9,55. Ou seja, a dívida da companhia é 9,55x maior que o seu PL.

Além disso, é uma companhia com resultados "errantes" e com gestores envolvidos na Operação Lava Jato.

#3 Julio Simões Logística - JSL (JSLG3)

A medalha de bronze fica com a JSL, uma empresa de transporte de carga e logística em geral. A companhia tem patrimônio líquido de R$ 1 bilhão e dívida de R$ 11 bilhões, uma relação Dívida/PL de 10,11.

Além disso os resultado da empresa também não animam, além de ter registrado prejuízo nos dois últimos anos, a sua margem líquida é tão baixa que qualquer espirro coloca a empresa no vermelho.

#3 Tecnosolo (TECN3)

A medalha de prata fica com a Tecnosolo, uma empresa de engenharia, que atua desde a concepção do projeto até a execução das obras. O patrimônio líquido da companhia é de R$ 2,7 milhões e sua dívida chega a R$ 34,4 milhões, uma relação Dívida/PL de 12,54.

Além disso, os resultados financeiros dessa empresa empolgam menos que a campanha presidencial do Henrique Meirelles, uma típica "micocap".

#1 Metalfrio (FRIO3)

E a grande campeã do endividamento é a Metalfrio, uma multinacional brasileira e atua na fabricação de equipamentos de refrigeração comercial. A companhia tem patrimônio líquido de R$ 64 milhões e dívida de R$ 925 milhões, uma relação Dívida/PL de 14,36.

Os resultados dela, como nos outros casos, decepcionam. A companhia teve prejuízo em 4 dos últimos 5 anos.

CONCLUSÃO

Como eu citei no início do texto, o indicador de endividamento, por si só, não é suficiente para afirmar se uma empresa é boa ou ruim, porém, como se percebeu pelos cases apresentados, um alto endividamento é um forte indicador de saúde financeira debilitada de uma companhia.

Não à toa (com exceção da Ecorodovias), não se vê muito esses papéis nas carteiras dos investidores de longo prazo.

A propósito, por que diabos as pessoas gostam dessa Ecorodovias?

Abraço

Senhor Ministro

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Guia Rápido Para Investir Certo no Tesouro Direto (Sem Frescura e Direto ao Ponto!)


Eu adoro falar de renda variável aqui no blog, porém não podemos ignorar que existe um negocinho chamado renda fixa e ela tem sua importância dentro de uma carteira de investimento de longo prazo.

Sim, existem pessoas que fazem all in em renda variável, uma estratégia que tem seus riscos, assim como tem pessoas que fazem all in em renda fixa (muitos apenas em poupança, como eu antigamente) que igualmente tem seus riscos (relacionados ao custo de oportunidade), porém penso que um mix entre essas duas categorias de investimento é o cenário perfeito, tanto no sentido de proteção como expansão do capital.

Dentro dos investimentos em renda fixa, temos poupança, LCI, LCA, debêntures, CDB, LC, COE (sim, essa porcaria é quase renda fixa), CRI, CRA, etc, porém acredito que o principal investimento em renda fixa são os títulos públicos, carinhosamente conhecidos como Tesouro Direto.

Dentro do Tesouro Direto, por sua vez, temos três tipos de títulos públicos: Tesouro IPCA+, Tesouro Prefixado e Tesouro Selic.

Vou explicar agora de forma rápida e prática como funcionam esses três tipos de títulos e qual a função de cada um deles dentro de uma carteira de investimentos.

Tesouro IPCA+

Nesse título seu dinheiro vai render a inflação + um percentual definido na hora do investimento. No cenário atual a inflação tá em torno de 4,5% a.a e o percentual do Tesouro IPCA tá uns 5% a.a (depende da data de vencimento do título). Se a inflação aumentar, seu dinheiro rende mais, se a inflação diminuir seu dinheiro rende menos. Esse tipo de título se caracteriza por ser de longo prazo, hoje, por exemplo, estão sendo negociados títulos com vencimento em 2024, 2035 e 2045.

Há também a opção de comprar Tesouro IPCA com juros semestrais, isso quer dizer que todo semestre vai cair na sua conta os rendimentos desse título, com o devido desconto do imposto de renda.

Vantagem: seu dinheiro vai estar protegido da inflação, ou seja, você sempre garantirá a inflação mais um troco por um longo período de tempo.

Desvantagem: se você resgatar o título antes do vencimento estará sujeito à marcação de mercado e pode perder dinheiro.

Orientação Prática: Coloque em Tesouro IPCA dinheiro que vai pra aposentadoria, por isso invista em títulos com data de vencimento próximas a quando você tem expectativa de se aposentar. Não invista em títulos com juros semestrais, pois a cada juros que é retirado do montante é um valor a menos para ser capitalizado para o longo prazo.

Tesouro Prefixado


Nesse título seu dinheiro vai render a uma taxa fixa determinada no momento do investimento, hoje essa taxa está entre 8%  a 10% a.a, dependendo do vencimento do título. Esse tipo de título se caracteriza por ser de médio prazo, atualmente estão sendo negociados com vencimento em 2021, 2025 e 2029. Assim como no TD IPCA, também há a opção de comprar Tesouro Prefixado com pagamento de juros semestrais.

Vantagem: se você conseguir pegar um TD Prefixado com uma rentabilidade interessante (acima de 10% pelo menos) terá a oportunidade de "travar" essa rentabilidade por alguns anos.

Desvantagem: se você resgatar o título antes do vencimento estará sujeito à marcação de mercado e pode perder dinheiro. Além disso, se a inflação subir muito, você sairá prejudicado pois sua rentabilidade está "travada" e pode até perder para a inflação.

Orientação prática: Coloque em Tesouro Prefixado um dinheiro que você não vai precisar no curto prazo, porém vislumbra utilizá-lo no médio prazo (para comprar um imóvel ou trocar de carro por exemplo), ou que tenha a expectativa de alocá-lo em outro tipo de investimento futuramente. Não invista em títulos com juros semestrais, pois cada juros que é retirado do montante é um valor a menos para ser capitalizado para o longo prazo.

Tesouro Selic

Nesse título seu dinheiro vai ter rendimento igual à Taxa Selic, que é definida pelo Banco Central em reuniões realizadas a cada 1 mês e meio mais ou menos. Hoje ela está em 6,5% a.a. Se a Taxa Selic subir seu dinheiro rende mais, se a Taxa Selic cair, seu dinheiro rende menos. A principal diferença desse título para os outros dois é que ele não sofre com a marcação a mercado, seu rendimento é praticamente linear, por isso você pode resgatar a qualquer momento sem medo de perder dinheiro.

O Tesouro Selic pode até ser considerado a "nova poupança", pois rende mais que a poupança, tem rendimento diário (rendimento da poupança é mensal) e tem liquidez quase diária.

Vantagem: o dinheiro rende mais que a poupança (mesmo considerando o desconto de imposto de renda) e pode ser resgatado a qualquer momento sem riscos de perdas.

Desvantagem: esse título tende a render menos que os outros títulos disponíveis no Tesouro Direto e outras opções disponíveis no mercado

Orientação Prática: Coloque em Tesouro Selic o dinheiro da reserva de emergência, ou seja, aquela grana que você não se importa de render um pouco menos, pois o mais importante é ter ela disponível em eventuais necessidade urgentes (ou quase urgentes).

Taxas e Impostos a Pagar

Ao investir em Tesouro Direto, você estará sujeito à uma única taxação, que é a tarifa de custódia da B3 (Bolsa de Valores) referente aos serviços de guarda dos títulos e às informações e movimentações dos saldos. Portanto, não importa por qual corretora ou banco você invista, sempre terá a taxa de custódia da B3. O valor dessa tarifa é de 0,3% ao ano em cima do seu saldo investido. A cobrança é feita semestralmente, debitada direto da sua conta.

Em relação aos impostos, quando do resgate do título você pagará imposto de renda sobre o rendimento auferido. A alíquota do imposto varia de 22,5% a 15%. Se você investir por mais de 2 anos já garante a alíquota mínima, e mesmo que o investimento for inferior a 2 anos, em qualquer cenário o rendimento do Tesouro Direto bate a poupança.

Se o seu banco ou corretora quiser cobrar mais alguma taxa, simplesmente diga que vai comprar cigarros e não volte mais.

Conclusão

Em mais ou menos 800 palavras, que demandam algo em torno de 6 ou 7 minutos de leitura, destrinchamos tudo que importa sobre investir no Tesouro Direto. Agora basta colocar em prática e ficar rico (ou morrer tentando!)

Abraços,

Senhor Ministro

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Ainda Vale a Pena Investir em Cielo (CIEL3)?


Uma das empresas mais faladas na bolsa neste ano de 2018 foi a CIELO. Outrora queridinha dos investidores, uma das empresas mais lucrativas da bolsa, a Cielo figura agora como um case negativo: a cotação de suas ações atingiu queda superior a 60% desde o início do ano.

Mesmo que você seja totalmente alheio à bolsa de valores, já deve ter percebido o motivo: há pouco tempo atrás, pagamento com cartão era sinônimo de maquininha da Cielo, hoje essa situação está cada vez menos frequente, agora pagamos com maquininhas da Stone, da Pagseguro, da Getnet, da Rede, etc.

A concorrência aumentou e está tomando o lugar da Cielo, para tanto foi utilizada a mais primitiva das estratégias de mercado: a guerra de preços. Com taxas e condições mais competitivas, os lojistas, principalmente o pequeno e médio, começaram a substituir a Cielo pelas novas concorrentes.

A Cielo até que tentou, investiu em maquininhas mais modernas e em campanhas de marketing mais agressivas, porém na prática a companhia vem apanhando do mercado, os resultados obtidos em 2018 estão em tendência descendente em relação ao ano anterior: apenas no 3T2018, o lucro líquido chegou a cair quase 30% em relação ao 3T2017. O seguinte trecho, extraído do relatório da própria Cielo, é bem elucidador:

"Importante destacar que o yield de receita líquida foi negativamente impactado pela menor receita de aluguel, e pelo menor preço praticado como reflexo de um cenário mais competitivo".

E agora o que todos se perguntam é se estamos diante de um caso em que a empresa perdeu fundamentos e devemos ficar longe dela, ou é um caso de desespero exagerado do mercado abrindo a oportunidade de comprar ações de uma ótima empresa por preço de banana.

Comprar porque está barato ou vender porque perdeu fundamentos?

O que é certo é que a Cielo como a conhecemos, com margens de lucro na casa dos 35%, vai mudar. O novo presidente da companhia já sinalizou que vai entrar forte na guerra de preços para, pelo menos no curto prazo, barrar o avanço dos concorrentes. Ou seja, podemos esperar para o 4T2018 e até para 2019 queda nos lucros. A Cielo parece querer mostrar que na guerra de preços é ela que tem mais condições de sobreviver, até pela pomposa reserva em caixa de mais de R$ 4 bilhões.

Outra notícia preocupa o setor como um todo: o Banco Central anunciou que pretende, até 2021, implantar um sistema de pagamentos instantâneos por meio de QR Code que representará uma alternativa mais barata para os lojistas, dispensando o uso das maquininhas e creditando instantaneamente o pagamento na conta do fornecedor. Ou seja, o filão de compras no cartão de débito está sob ameaça!

Entretanto, nem tudo é esse inferno todo, a Cielo ainda é líder de mercado, detendo mais da metade do volume total de pagamentos processados no país. Uma companhia com lucros bilionários, altíssima geração de caixa e com margens ainda na casa dos 30%. O ROE apesar de vir apresentando quedas constantes, ainda pode ser considerada muito satisfatório, cerca de 25%.

Portanto, a conclusão é que estamos diante de um ponto de inflexão, a Cielo finalmente desceu do salto e reconheceu que os "pequenos", como Stone e PagSeguro, podem sim ameaçar o seu reinado, e era isso que muitos investidores vinham cobrando há tempos. Ao que tudo indica, a Cielo vai entrar de cabeça na guerra. Porém, no curto prazo isso custará a diminuição de lucro, é o preço da sobrevivência. A partir desse ponto ou a Cielo toma atitudes concretas para esboçar uma reação no médio prazo, ou afunda de vez.

Dessa forma, estamos naquele momento em que os especialistas vão precificar a ação lá embaixo, pois a maioria só olha para o curto prazo, no entanto, caso a companhia consiga crescer novamente, estamos diante de uma das maiores pechinchas da bolsa!

E ai, você confia na capacidade da Cielo se reinventar e barrar o avanço da concorrência ou é um caso perdido? Comenta ai!

Abraço!

Senhor Ministro

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Ficar Rico é Fácil, Difícil é Ganhar Dinheiro Todo Dia


O post de hoje é fruto de uma inquietação que sinto e que foi muito bem verbalizada por uma pessoa que sigo no Instagram. Esse cara (que eu sigo) é um jovem empresário, tem 32 anos, donos de um grupo de umas 10 empresas, e o foco dele é falar sobre empreendedorismo. Apesar de falar muitas coisas interessantes sobre negócios, o cara tem uma vida meio de playboy ostentação, apesar disso gosto das coisas que ele fala.


Recentemente eu assisti a um dos stories em que ele fez a seguinte afirmação: "ficar rico é fácil, basta ganhar R$ 10 mil e economizar R$ 9 mil, depois de 20 anos você vai estar rico. O difícil é ganhar dinheiro todo dia, esse é o desafio".

Apesar de eu achar que o objetivo da frase foi levantar aquele velho debate "ser empregado x ser dono do negócio", minha abordagem sobre essa frase será um pouco diferente.

Simplificações grosseiras à parte, essa frase me levou a algumas reflexões relacionadas ao enorme risco de vivermos sob a condição de receber salário uma vez por mês de uma única fonte de renda. Mesmo para quem é empresário ou autônomo (talvez principalmente para esses), depender de um único tipo de produto ou serviço pra lhe dar renda também pode ser uma atitude deveras arriscadas.

Quando se investe no mercado financeiro, uma das premissas básicas é a diversificação, de forma a diluir o risco. Quem faz all in em algum investimento específico geralmente é taxado de louco e tem grande possibilidade de tomar ferro (e vimos alguns se dando muito mal com all in em criptomoedas recentemente).

O mesmo princípio deve ser aplicado às nossas vidas pessoais: é arriscado confiar em uma única fonte de renda. E se seu chefe for substituído e o novo chefe não gostar do seu perfil? E se o ramo de atuação da empresa passar por uma crise? E se surgir concorrência predatória? E se a regulação estatal inviabilizar o exercício de uma profissão? E se a sua principal fonte de clientes, redes sociais, por exemplo, restringir o seu alcance?

Servidores públicos tendem a estar numa situação mais confortável em relação a esse tipo de risco, no entanto não dá pra relaxar, as coisas podem mudar de uma hora pra outra, nada é garantido. Pra essa categoria, o maior risco que vejo é de congelamento salarial, fazendo com que a inflação corroa a renda.

Tem gente que nem gosta de pensar nisso para não perder a cabeça



Por isso que, há um tempo, eu me lancei o desafio de diversificar as fontes de renda, de "ganhar dinheiro todo dia". De início parece algo incompatível, já que o nosso trabalho principal nos ocupa durante todo o dia. Para algumas pessoas essa desculpa pode até ser procedente, pois são exigidas dentro e fora do horário de trabalho, porém, para a maioria, acredito que é plenamente possível conciliar uma renda paralela.

No começo a gente fica meio travado, pois nos acostumamos a "ser" a nossa profissão principal. Somos advogados, contadores, engenheiros, médicos. Mas a verdade é que isso não nos limita, as possibilidades são imensas. Esses dias mesmo estava conversando com um colega de profissão que manja dos "paranauê" de milhas aéreas e inclusive participa de grupos especializados nisso. Os caras têm todo tipo de técnica para ganhar mais milhas e alguns faturam muito bem com isso.

Nos últimos meses minhas rendas extras não foram tão relevantes frente ao meu salário, porém o importante é dar o primeiro passo, é pensar fora da caixa. Nesse período, além da minha renda principal, obtive renda de quatro outras fontes (sem considerar as aplicações financeiras), e pretendo ao longo dos próximos meses gerar ainda mais caixa e consolidar melhor uma ou outra fonte de renda que se mostraram mais promissoras. Isso sem falar na possibilidade de implementar novas fontes de renda, já que ideias não faltam, o difícil é executá-las.

As aplicações financeiras, por si só, não deixam de ser uma forma de diversificar a renda, porém estou me desafiando a fazer mais que isso.

E você já pensou nisso?

Abraços,

Senhor Ministro