terça-feira, 25 de julho de 2017

A Burocracia das Empresas Está Criando Empregados Medíocres

Antes de decidir ser um blogueiro, eu lia esporadicamente alguns blogs e eventualmente passei a acompanhar mais de perto um ou outro. Percebi então que alguns blogueiros postam uma vez por mês, outros 4 vezes por mês, e outros 3 vezes por semana, e esse fato por si só é algo a que eu nunca havia me atentado, era simplesmente um número relacionado à vontade de o blogueiro escrever ou não.

Entretanto, após criar meu blog e me tornar oficialmente um blogueiro, pude sentir na pele o quão difícil é fazer postagens regulares e de qualidade, o esforço criativo é enorme! Eu tiro o chapéu para os blogs que estão por ai, duradouros e consolidados, não só na blogosfera de finanças, mas em qualquer outro nicho. É justamente sobre o esforço criativo que vou focar nessa postagem, pois, nos tempos modernos, pelo menos no Brasil, temos a seguinte situação:

A criatividade é completamente sufocada pelas empresas e também pelas escolas.

Não estou falando de supermercados de favela ou escolas de periferia, mas de grandes companhias e escolas de elite. São empresas que embora gigantes, tem uma cultura organizacional que repele a criatividade e inovação.

COMO AS EMPRESAS ENTERRAM A INOVAÇÃO E CRIATIVIDADE DOS EMPREGADOS


Semana passada aconteceu uma situação peculiar no meu trabalho, não foi diretamente comigo mas fui testemunha ocular. Uma determinada pessoa de nível Operacional, vamos chamar de nível 1, identificou uma situação que, na opinião dela, era uma falha relevante e deveria ser corrigida. Após analisar e reanalisar a situação para ter certeza do que ela havia identificado, resolveu levar o fato ao conhecimento de seu superior, Gerente nível 2.

Após um longo debate sobre a relevância ou não daquele fato, quais medidas poderiam ser tomadas e quem seriam os responsáveis por adotar tais medidas, decidiu-se que sim, era uma situação que merecia tratamento, mas que para isso deveriam consultar o Coordenador, nível 3, que estava de férias e retornaria em 3 dias.

Ao retornar de férias, o Coordenador nível 3 começou o processo de "atualização" do que havia acontecido em sua ausência e dentre os diversos assuntos em pauta, estava a tal situação e, como de se esperar, aconteceu o mesmo debate: relevância, medidas, responsáveis, etc. A conclusão foi uma "tendência" para se decidir adotar alguma ação em relação a essa situação, mas, para isso, deveria ser consultado o Diretor nível 4.

Então, o Coordenador nível 3 e o Gerente nível 2 conseguiram uma agenda com o Diretor nível 4, oportunidade em que fizeram novamente toda a exposição da situação e, finalmente, a decisão definitiva do Diretor foi a seguinte: Esse não é um assunto importante no momento e não merece a atenção da equipe.

Veja como uma situação como essa, que de certa forma é cotidiana no mundo corporativo, pode nos dar algumas lições.

A EXCESSIVA VERTICALIZAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES ENGESSA A INOVAÇÃO


Na situação narrada, o Operacional nível 1 identificou uma oportunidade de melhoria que julgou relevante, e, considerando que é essa pessoa que está no dia a dia daquela operação, certamente a sua opinião deve ser levada em consideração. Veja que ele poderia simplesmente ter se restringido a fazer apenas a sua parte, esperar o fim do expediente e ir pra casa com a cabeça tranquila, mas ao invés disso essa pessoa decidiu sair da sua zona de conforto e se aprofundou em uma situação que ela julgou que poderia trazer benefícios para a organização.

Quem chefia equipes sabe o quão difícil é encontrar pessoas que conseguem enxergar além das suas atribuições, que querem fazer além do feijão com arroz, que estão verdadeiramente engajadas com a missão do negócio. Entretanto, no fim das contas, após passar por diversas instâncias decisórias, a ideia morreu na mesa de um Diretor que, na prática, está muito longe dos fatos que seriam tratados e não tem a melhor sensibilidade da situação posta.

Embora essa tenha sido uma situação pontual, certamente já aconteceu antes e certamente ainda irá acontecer novamente e a recorrência de episódios como esse causa o seguinte: o empregado Operacional nível 1 não terá mais estímulos para propor melhorias nos produtos/processos uma vez que qualquer ideia passa por uma enorme cadeia decisória e que a decisão final é de alguém que está longe do processo e não tem a sensibilidade para lidar com aquela situação.

Dessa forma, não vale a pena o Operacional nível 1 (ou mesmo o Gerente nível 2) "se queimar" propondo projetos inovadores que provavelmente não serão aprovados. Afinal, tanto o Operacional como o Gerente tem muito trabalho a fazer, se eles ficarem com essa "besteira" de propor inovações na empresa, não vai sobrar tempo para cumprir a suas obrigações, o seu feijão com arroz.

A FALTA DE AUTONOMIA DESTRÓI A CRIATIVIDADE


A falta de autonomia é diretamente relacionada à verticalização das empresas tradicionais. O empregado operacional tem poder decisório muito baixo, quase nulo, e olhe que não estou falando de peões de fábrica, estou falando de empregados operacionais de alto nível. As organizações tradicionais mantém o processo decisório alheio aos empregados operacionais, criando estruturas hierárquicas que tornam a tomada de decisão lenta e distante da grande massa de colaboradores. O que se tem na prática, guardadas as devidas proporções, são grandes companhias, com pessoal extremamente qualificado, mas que gere as pessoas como se fosse um canteiro de obras cheio de peões ignorantes e inaptos a fazerem algo que fuja do seu habitual.

Quem não gostaria de se sentir responsável por uma mudança ou inovação que agregou valor à organização e/ou trouxe benefícios de uma forma geral, seja financeiro ou não financeiro? Todo mundo! Todos querem se sentir úteis, se sentir importantes, se sentir parte de algo maior. Isso gera engajamento dos funcionários com a missão da organização, estimula-os a serem cada vez mais criativos e a expressarem suas ideias.

Entretanto, o que as empresas fazem? Deixam que todo o processo decisório (e os créditos por decisões bem tomadas) fique na mão de um Diretor/Gerente/Coordenador "fodão" que mata no peito e decide tudo, esperando que os demais empregados que estão nas trincheiras inferiores da hierarquia se sintam representados.

Muitas empresas dizem que promovem a comunicação em relação à tomada de decisão e acham que isso é suficiente. Na verdade o que engaja as pessoas não é comunicá-las sobre as decisões tomadas, mas sim envolvê-las no processo decisório.

OU SE ASSUME A MORTE CRIATIVA OU ENCONTRA-SE UMA SAÍDA


Quem trabalha em organizações que adotam essa cultura sabe que isso no longo prazo vai levando a mente para um estado vegetativo, em que se acostuma a fazer apenas aquilo que é habitual, sem nunca ousar ou pensar em fazer de forma diferente. É apenas entregar as metas pactuadas no prazo pactuado, é pensar apenas no quantitativo renegando o qualitativo.

Para evitar que fiquemos com o cérebro viciado, com a mente preguiçosa, e viremos Homer Simpsons (como diria William Bonner) vislumbro 3 soluções para esse dilema:

1) Ser o chato insistente dentro da empresa
Para uma pessoa criativa e inovadora e que sempre está enxergando soluções e oportunidades de melhorias, trabalhar numa empresa engessada pode ser um martírio. Entretanto, mesmo na mais engessada companhia há espaço para a inovação, às vezes existem determinados departamentos ou gestores mais aberto a isso, a questão é cultivar o networking, buscar os melhores espaços e persistir nas tentativas.

2) Empreender
Quando se decide empreender, o céu é o limite para a criatividade, aliás, a criatividade é fundamental para um empreendedor pois a gama de situações de mudança a que um negócio está sujeito é infinita, é preciso sempre estar pensando em soluções criativas e enxergando alguns passos a frente. Muitas vezes a necessidade que uma pessoa sente de empreender decorre justamente da vontade de poder permitir ser criativo e tomar decisões baseadas nisso.

3) Buscar uma válvula de escape
Para evitar cultivar um cérebro preguiçoso, é preciso sempre colocá-lo para trabalhar. Se no ambiente corporativo a proposição de ideias e soluções criativas ou inovadoras não é bem aceita, pode-se buscar um outro modo, fora do trabalho, de externar a criatividade, escrevendo um blog por exemplo, criando um canal no youtube, escrevendo um livro, desenhando, etc. Eu, por exemplo, acho a atividade de escrever posts aqui para o blog um grande exercício de criatividade.

CONCLUSÃO


Grande parte das organizações tradicionais (sejam públicas ou privadas) adotam uma estrutura organizacional verticalizada, que contribui para a manutenção de uma cultura organizacional que inibe a criatividade e inovação entre os empregados. Empresas como essa acabam formando empregados com cérebro num eterno estado de inércia, preguiça e conformismo, os mesmos que serão demitidos para dar lugar a gente "jovem e cheia de ideias".

Mas esse problema não é só das empresas, ele nasce bem antes, nas escolas. Sobre isso, vou deixar a seguir um vídeo de uma palestra muito interessante feita pelo Murilo Gun, vale a pena assistir!

Abraços,

Ministro


terça-feira, 18 de julho de 2017

Os 3 Grandes "Buracos" do Nosso Orçamento Pessoal


Esses dias estava navegando aleatoriamente pela Blogosfera, pulando de blog em blog, lendo artigos muito interessantes, comentando em alguns, adicionando parceiros no meu blogroll, enfim, essas coisas que sempre fazemos e que é muito mais saudável do que acompanhar o feed do Facebook, Instagram, Snapchat, Whatsapp Status, Twitter, Linkedin, Google+, Orkut, MSN, mIRC, etc.

Nessa navegação, me deparei com um artigo muito interessante do blog Clube dos Poupadores, intitulado “Para onde vai 75% da sua renda”. Esse artigo faz uma análise crítica de uma pesquisa feita pelo IBGE entre 2008 e 2009 que aborda aspectos relacionados aos rendimentos, despesas e condições de vida do brasileiro. A pesquisa não é tão recente, então acredito que os números absolutos não são de muita valia, entretanto, os padrões de consumo em termos relativos não devem ter mudado tanto de lá pra cá.

A grande questão é que a pesquisa constatou que as famílias brasileiras gastam em média, 75% de sua renda em três rubricas: habitação (35,9%), alimentação (19,8%) e transporte (19,6%).

Essas três categorias de despesa são certamente as mais básicas de um cidadão comum. Para fechar o quadrilátero do que é essencial, eu adicionaria as despesas relacionadas à “Assistência de Saúde”, que a mesma pesquisa atestou que o brasileiro gasta, em média, 7,2% do orçamento nessa rubrica.

Para “validar” essa pesquisa resolvi fazer uma comparação com o meu orçamento mensal e, como previsto, as três categorias de despesa citadas (habitação, transporte e alimentação) são as que têm maior peso no meu orçamento, relativamente à minha renda líquida. O meu resultado foi o seguinte:

Despesas com Habitação: 26%
Despesas com Transporte: 6%
Despesas com Alimentação: 9%

À priori, estou com gastos bem abaixo da média brasileira, e olha que eu acho que tenho um padrão de vida muito bom e poderia ser bem mais frugal. Logicamente que o nível de renda influencia muito esses números, uma vez que esses percentuais tendem a ser mais pesados para as faixas menores de renda. Também tem a questão do custo de vida de cada cidade, quem mora no interior ou em capitais mais "baratas" (não é meu caso) tem vantagem nesse aspecto.

Para que você possa fazer levantamento semelhante, foram utilizados os seguintes parâmetros:

Habitação: Aluguel, prestação financiamento do imóvel, aluguel não monetário*, condomínio, IPTU, energia, telefonia (fixo e celular), TV, internet, gás, água, serviços domésticos (faxineira, passadeira, jardinagem, etc).
*Aluguel não monetário: para aqueles que tem imóvel próprio quitado, considera-se aluguel não monetário o valor que você pagaria caso você morasse de aluguel no seu imóvel. A ideia é que esse é o dinheiro que você está abrindo mão de ganhar por morar no seu imóvel.
Transporte: tarifas de transporte público de qualquer espécie (ônibus, táxi, metrô, uber, etc), combustível, aquisição de veículo (parcela de financiamento, por exemplo),  manutenção de veículo, IPVA, seguro veículo, DPVAT, estacionamento, viagens esporádicas (passagens aéreas e de ônibus).
Alimentação: todo tipo de alimento comprado para consumo dentro e fora de casa, ou seja supermercado, padaria, frigorífico, restaurante, lanches, bares, etc.

Analisando-se as despesas que se inserem dentro dessas categorias fica fácil perceber que é justamente nelas em que o brasileiro médio perde a mão no que concerne ao orçamento pessoal.

Morar em um imóvel mais robusto do que se pode pagar, ter empregada(s) doméstica quando não se pode dar esse luxo, esbanjar super pacotes de TV e internet, comprar um carro mais luxuoso do que seu orçamento permite (o que traz consigo o aumento de outros gastos como combustível e impostos), fazer super viagens para postar nas redes sociais, almoçar todo dia em restaurantes caros, comer fora de casa habitualmente por preguiça de cozinhar, etc.

Além de toda a tentação inerente a esses itens de consumo, o brasileiro muitas vezes é iludido por compras parceladas. Outro dia ouvi a conversa de dois vigilantes de onde trabalho e um deles comentava que a aquisição de determinado bem teria sido vantajosa pois ele ficou com "uma parcela boa". Ou seja, o cidadão pensa só na parcela que pagará mensalmente, sem se preocupar com o valor total que pagará pelo bem adicionando-se os juros.

Família brasileira comemorando a compra do carrão e a viagem pra Disney

Logicamente que não devemos cortar indiscriminadamente despesas relacionadas a habitação, transporte e alimentação, afinal quem não quer morar num lugar confortável, ter um carro que lhe satisfaça, e poder ir de vez em quando em bons restaurantes com amigos/namorada/esposa/filhos. Não acredito que ninguém sensato vá se mudar para a favela, andar 10 km a pé por dia para trabalhar, e comprar comida vencida só para economizar gastos. A questão é que esses gastos devem ser equilibrados com a realidade do orçamento pessoal de cada indivíduo, pois são essas despesas as grandes vilãs dos aportes!

Eu, por exemplo, acho que o meu gasto com habitação (26% da minha renda líquida) poderia ser menor, entretanto esse meu padrão atual está bom para mim. Não é nada luxuoso mas também não é humilde, é um patamar que me deixa muito satisfeito e está acima da média do brasileiro comum. Fazendo aqui uma simulação, caso eu necessitasse, conseguiria baixar esse percentual para 20% no curto/médio prazo, sem uma perda tão significativa de padrão de vida, mas não é algo que vejo necessidade de fazer.

E, logicamente, como destaquei nesse artigo, a diminuição dos percentuais de despesa em relação à renda pode se dar não só com cortes de gastos (que é geralmente uma solução mais fácil e imediata), mas também com o aumento de receitas.

E você, tem um orçamento equilibrado em relação à habitação, transporte e alimentação?

Abraços,


Ministro

terça-feira, 11 de julho de 2017

Morar Com os Pais Pode Dar Prejuízo



Não é segredo pra ninguém que hoje vivemos a era em que os filhos estão prolongando a fase de “morar com os pais” mesmo adquirindo poderio financeiro para morarem sozinhos, é a chamada "Geração Canguru". Navegando na internet vi uma pesquisa de 2012 feita pelo IBGE que constata que 25% dos jovens de 25 a 34 anos ainda moram com os pais. Hoje esse número deve ser maior ainda. A justificativa é, geralmente, a economia financeira, o apego emocional, ou mesmo a comodidade de ter "casa, comida e roupa lavada". 

Também temos casos em que os próprios pais fazem de tudo para os filhos não “abrirem as asas”, tomo como exemplo um primo meu, que está juntando uma grana pra morar sozinho e, ao saber disso, sua mãe o encheu de mimos e até ofereceu pagar pra ele uma passagem pra passar férias na Europa (para que ele gastasse lá o dinheiro que havia juntado).

Analisando friamente, é lógico que morar com os pais parece uma solução melhor, afinal, morar sozinho (ou mesmo dividindo apto com amigos/esposa) demanda muito mais responsabilidade e gastos. Observando aqui meu orçamento mensal e fazendo um cálculo grotesco, eu estimo que, com minha renda atual, se eu morasse com meus pais e fosse um encostado que não ajuda nada em casa, ou mesmo que desse aquela ajudinha protocolar, eu economizaria de R$ 3 a 4 mil por mês. É um valor razoável, que daria uma boa alavancada nos meus aportes e encurtaria o atingimento da independência financeira.

Entretanto tem uma questão que é muito pouco abordada a respeito desse tema e tem potencial de mudar completamente a vida daqueles que optam por permanecer na asa de seus progenitores: o vínculo ao molde dos pais.

Nossos pais são responsáveis por grande parte da realidade que nos cerca.

Nosso entendimento de mundo, nossa ideia do que é certo ou errado, do que é possível ou impossível, é criada principalmente na nossa infância/adolescência e é moldada por figuras de autoridade na nossa vida, como professores e, principalmente, nossos pais. Pare um pouco pra pensar na sua vida e na vida das pessoas próximas, o caminho mais natural é o filho trilhar trajetória parecida com o dos pais. Filhos de empresários geralmente viram empresários, filhos de servidores públicos geralmente viram servidores públicos, filhos de médico geralmente viram médicos, filhos de pobre geralmente continuam pobres e filhos de rico geralmente acabam por também enriquecer. Não estou falando de herança ou falta/abundância de oportunidades, estou falando de mentalidade.

Apesar dos nosso pais serem nosso modelo, pro bem ou pro mal, chega um momento da nossa vida que nós conseguimos pensar racionalmente e nos damos conta que eles não são super-heróis, são pessoas comuns, como eu e você, que ralaram pra criar seus filhos, que também tem seus dilemas e dificuldades, e que também cometem erros. Sempre que nos dá esse “estalo” o pensamento natural é que vamos ser “mais” que nossos pais, que temos que ir além. Ai que está o ponto onde quero chegar nesse post.

Ao se optar por continuar vivendo na casa dos pais - apesar de muitos pensarem que são independentes, pois ganham o próprio salário, ajudam em casa, não pedem dinheiro aos pais, só ficam ali no seu quarto -, a verdade é que estando ali morando na casa deles, de uma forma ou outra, se está sujeito a autoridade e influência deles, até mesmo no seu tão restrito e privado quarto (que, afinal, é propriedade deles!).

Não que isso seja ruim, tenho certeza que a maioria das pessoas tiveram bons pais, eu também tive, mas estando sob a influência e autoridade deles estamos, inconscientemente, nos limitando às suas regras e aos seus padrões comportamentais, em relação à tudo: política, religião, comportamento, relacionamento e, logicamente, finanças. Se já é difícil, estando longe dos pais, conseguir sair de dentro dos limites mentais impostos por anos de criação, imagine para quem continua morando com os “velhos”.

Por isso que no título do post eu destaquei que morar com os pais pode dar prejuízo, pois ao se sujeitar às fronteiras impostas por eles, mesmo que subliminarmente, você pode estar se sabotando financeiramente a longo prazo. Embora morar com os pais pareça uma economia no presente, pensando no longo prazo pode ser um grande prejuízo, considerando tanto no lado da receita como da despesa. Você, inconscientemente, pode estar ganhando menos do que poderia e gastando mais do que deveria. Além disso, para os mais acomodados, sempre será muito conveniente colocar a culpa dos seus fracassos nos pais.

Por mais amorosos que sejam, nossos pais nos colocam amarras que precisamos, algum dia, quebrar

É só depois que saímos da casa dos pais que conseguimos enxergar com mais clareza quais atitudes e comportamentos deles nós queremos evitar e em quais nós queremos nos espelhar. É aí que começamos a realmente a conhecer nosso verdadeiro potencial, moldar nossa própria personalidade e sair, se assim for desejável, dos limites mentais nos impostos em nossa criação. Tornamo-nos verdadeiramente responsáveis por nossas escolhas, colhendo resultados bons ou ruins, e isso traz um crescimento gigante.

Vou fechar o post com um trecho do livro “Os Segredos da Mente Milionária”:

“Você precisa acreditar que é você mesmo quem conquista o seu próprio êxito, que é você mesmo quem promove a sua própria mediocridade e que é você mesmo quem estabelece a sua própria batalha pelo dinheiro e pelo sucesso. Consciente ou inconscientemente, sempre se trata de você”.

Abraços,

Ministro

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Drops do Ministro: Inversão de Valores dos Pais e Viagem Para o Futuro


Eu geralmente gosto de escrever aqui no Blog quando tenho algum assunto interessante para desenvolver um post um pouco mais elaborado, que permita algum tipo de discussão interessante. Entretanto vez ou outra acontecem fatos no nosso dia a dia que por mais simples e pontuais que possam parecer, nos dão lições importantes.
Resolvi então fazer esse post com alguns “drops” acerca de fatos interessantes que testemunhei recentemente. Na verdade eu podia fazer um post mais elaborado sobre esses dois assuntos específicos, mas realmente não é algo que meu instigou nesse momento, mas não pude deixar de fazer o registro.

Drop nº 1 – Inversão de Valores dos Pais

Tenho certeza que todo mundo já viu a charge acima ou alguma parecida.
Ela retrata a inversão de valores dos pais de hoje em dia, que criam seus filhos de forma super protetora, como se fossem eternos bebês, e o resultado são jovens mimados que acham que são merecedores de toda a sorte e abundância do mundo.
Pois bem, eu pessoalmente nunca tinha presenciado uma situação como essa, até por que não tenho convívio com o meio escolar, onde deve rolar muito isso. Entretanto esses dias tive uma amostra dessa realidade.
Uma colega de trabalho, que senta próximo a mim, fez uma ligação para o colégio do filho e, embora, a princípio, eu não tivesse nenhum interesse em tomar conhecimento dessa conversa, a referida colega tem dificuldades em usar um tom de voz moderado, de forma que foi impossível não ouvir toda a ligação.
Nessa ligação, a colega (que deve ter uns 40 e poucos anos), tentava localizar o coordenador do colégio do filho com o objetivo de entregar um recurso para uma nota que o garoto tirou numa prova, detalhe, o “menino” cursa a 9ª série, ou seja, deve ter uns 14 ou 15 anos. Na ligação ela esbravejava com uma secretaria dizendo que já tentara várias vezes entregar esse recurso para o referido coordenador e não teria conseguido.
Quando eu ouvi essa conversa, fiz um paralelo com a minha época de 9ª série, na verdade nem existia 9ª série, ainda era a 8ª série. Esse ano foi particularmente interessante na minha trajetória escolar pois foi o primeiro ano em que fiquei de recuperação no colégio (e repetiria esse feito nos anos seguintes, mas nunca fui reprovado de ano). Nessa época, se eu tirava uma nota baixa, a primeira atitude era tentar achar uma brecha para pedir “uns pontinhos” para o professor, eram os meus argumentos contra os argumentos do professor numa conversa cara a cara, e, obviamente, o professor sempre tinha a palavra final, as vezes cedendo, e na maior parte das vezes não. E se eu tirava nota baixa, não fazia a menor questão que meus pais tomassem conhecimento disso.
Hoje em dia o aluno tira nota baixa, coloca a culpa no professor e ainda recorre aos pais para entrarem com um recurso junto ao coordenador. Que tipo de educação é essa?

Drop nº 2 – Viagem Para o Futuro

Todo mundo de vez em quando tem algumas sensações ou percepções estranhas difíceis de explicar como ocorreram. Já aconteceu algumas vezes comigo (não muitas) a sensação de estar “se observando”, como se eu fosse um ente externo, observando a mim mesmo, como se, por um instante, eu saísse daquele momento presente e ficasse apenas observando meu “eu” agir. Nas vezes que isso aconteceu deu-se enquanto eu dirigia distraído e foi coisa de poucos segundos.
Recentemente aconteceu isso comigo, mas foi um pouco diferente. Eu estava dirigindo, distraído, e rolou essa percepção de que eu era um observador externo, mas a diferença é que bateu uma sensação como se aquilo que eu estava observando (eu dirigindo) fosse o meu passado e o meu “eu externo” estaria em alguma época no futuro. Assim, meu “eu externo” refletia criticamente se o que eu estava fazendo nessa época da minha vida (o meu presente atual) era o melhor que eu poderia fazer, se os caminhos que segui e estou seguindo são os que irão me levar aos melhores destinos.
Essa é uma reflexão e tanto! Será que daqui há 20 anos, quando pensarmos o que era nossa vida em 2017 teremos orgulho disso?
Obs: Não consumo nem nunca consumi drogas ilícitas. Apesar de hoje em dia estar na moda ser maconheiro, a única droga que consumi na minha vida é álcool, sendo a modalidade mais pesada a cachaça Ypióca. Nunca sequer experimentei cigarro de qualquer tipo, nem aqueles narguilés ridículos.
Por hoje é isso! Em breve escreverei um post sobre minha perda da virgindade na bolsa de valores (sim, finalmente aconteceu) e como eu comecei fazendo merda =D
Abraços,

Ministro

terça-feira, 4 de julho de 2017

Atualização Patrimonial Junho/2017: R$ 197.851,18 (+2,01%)



Então chegou o momento de mais um fechamento mensal!

Esse mês de junho estive um pouco ausente do blog e da blogosfera por basicamente dois motivos: em metade do mês eu trabalhei incessantemente para fechar um determinado projeto dentro do prazo e na outra metade do mês estive de férias!

Férias tem de dois tipos: a que você descansa e a que você se cansa mais ainda. Geralmente quando se viaja a turismo a tendência é curtir mas também se cansar bastante: na correria de planejar itinerários, controlar os custos, bater perna, conhecer o maior número de lugares possíveis, etc, acabamos por ficar esgotados. Entretanto, essas minhas férias, apesar de não terem sido em casa, podem ser consideradas do tipo “descanso” pois fui para um lugar que também posso chamar de casa.

O bom desse tipo de férias é que ao se desligar da rotina de trabalho, abrimos a cabeça para novais ideias e insights. Tive muitas ideias de assuntos para escrever aqui no blog, mas optei apenas por registrar os tópicos no Evernote e deixar para desenvolver os respectivos posts depois. Então provavelmente esse mês teremos alguns assuntos interessantes para discutir aqui.

16 dias de sombra e água fresca
Esse período de férias também me reacendeu uma chama que já tive acesa em outra época mas que acabei não colocando pra frente: ganhar dinheiro na internet. Já tenho uma ideia formada sobre que modelo de negócios vou adotar e espero muito brevemente colocá-lo em prática e ver os resultados acontecerem. Devo fazer um post dando mais detalhes sobre isso. Mas estou aspirando a ganhar dinheiro de verdade, e não trocados com Adsense.

Em relação às finanças, esse mês recebi um super salário, pois acumulou-se o salário normal do mês com adicional de férias e metade do 13º (sem o desconto de IR, que virá só no fim do ano). Que coisa linda é olhar para meu contracheque e ver essas cifras...fico até imaginando como seria ganhar isso todo mês...eu chegaria ao primeiro milhão em uns quatro anos talvez...

Delírios à parte, quando se fala em super salário, também falamos de super aporte! Entretanto não foi o caso. Meu aporte foi até menor do que o planejado para um mês comum. Minha meta é um aporte mensal de R$ 4.000,00 entretanto aportei apenas R$ 3.400,00 em junho. Você deve agora estar se perguntando para onde foi todo o super salário? Sim, é isso mesmo, eu gastei, torrei a grana toda!.

Meu "plus" salarial rapidamente virando cinzas
Mas calma, não gastei com camarotes VIPs, whisky, charutos e mulheres. Gastei eliminando uma dívida! Como adiantei no fechamento do mês passado, aproveitei o salário inflado desse mês para quitar a dívida do meu carro.  Essa operação me economizou quase R$ 3 mil de juros e com a eliminação da prestação poderei fazer aportes maiores nos próximos meses.

Dessa forma posso afirmar que sou quase um "não pagador de juros", pois ainda pago os juros de um imóvel financiado, mas nesse caso pelo menos é um ativo que me gera renda. De qualquer forma, também pretendo quitar essa dívida o quanto antes. Vai demorar um pouco mais que o carro, mas chego lá!


Então vamos aos números do mês! Antes só uma observação: como estava de férias, acabei não tirando tempo para decidir onde alocar o aporte desse mês (pretendia colocar na bolsa), então optei por colocar na poupança e ao longo desse mês penso em um destino melhor.














A barreira dos R$ 200k está muito perto de ser superada, algo que, salvo algum desastre, ocorrerá nesse mês de julho. Apesar disso, ainda não estou confortável com o meu desempenho como investidor. Tudo bem que comecei agora, mas meu desempenho está desprezível. Falo isso baseado na planilha de rendimentos do AdP.

Como relatei no fechamento passado, esse mês eu iria começar a utilizar essa planilha para levantar a rentabilidade dos meus investimentos, e os resultados são os seguintes:










Observa-se que a minha rentabilidade de quando eu era apenas mais um brasileiro na poupança (até abril), foi maior do que quando eu comecei a sair da Matrix financeira, o que, em tese, é um contrassenso. Essa rentabilidade pífia ou até negativa de maio e junho tem nome e sobrenome: Tesouro IPCA. Em relação à isso cabem duas observações:

1) Esse é um prejuízo virtual. Não pretendo vender o título antes do vencimento, apenas se o valor de mercado for superior à rentabilidade acumulada, dessa forma não é um prejuízo que pretendo colocar no meu bolso.

2) Assumo que cometi um erro. Investi uma grande soma (grande em relação à minha atual realidade) de recursos de uma vez só no Tesouro IPCA e acabei pegando um dia em que o título estava pagando uma remuneração baixa. O mais prudente seria ter investido em períodos variados, mitigando esse risco.

No mais é isso, a perspectiva para esse mês é de menos correria no trabalho, aportes maiores e (finalmente) entrar na bolsa. Confesso que a experiência com o TD me deu um medinho de entrar na bolsa, mas nada que seja suficiente para me impedir!

Abraços!

Ministro


terça-feira, 6 de junho de 2017

A Blogosfera Está Disseminando Uma Mentalidade de Pobreza?



Meu trajeto de casa para o trabalho dura entre 20 e 30 minutos, depende do trânsito, portanto passo, por dia, de 40 a 60 minutos dentro de um carro. Nesse tempo ao invés de ficar ouvindo a programação deprimente das rádios locais, costumo ouvir cursos, audiolivros, podcasts, etc. principalmente de finanças e empreendedorismo. Se você não faz isso, recomendo fortemente que o faça. O trajeto casa-trabalho-casa é um tempo precioso para o aprendizado.

Esses dias estava ouvindo o audiolivro "Os Segredos das Mentes Milionárias" de T. Harv Eker. Eu já li esse livro há uns 3 anos, mas é engraçado que a medida que amadurecemos, passamos a digerir a mesma informação de forma diferente. Por vezes nos vemos frente a livros ou ensinamentos que podem mudar nossa vida, mas ainda não estamos em um nível de maturidade suficiente para compreender isso.

Pois bem, esse livro traz muitos ensinamentos valiosos sobre finanças sob a forma de 17 "Arquivos da Riqueza". Cada arquivo traz um ensinamento e a cada arquivo que eu ouvia, invariavelmente fazia um comparação com minhas atitudes pessoais e atitudes em geral que acompanho de pessoas conhecidas e da Blogosfera de Finanças. O que me deixou feliz é que muitas das minhas atitudes estão convergindo para ter uma "mente milionária", assim como a Blogosfera de Finanças também está muito alinhada com os ensinamentos de T. Harv Eker.

Entretanto, um desses arquivos me deixou muito intrigado, que é o que diz: "As pessoas ricas entram no jogo do dinheiro para ganhar. As pessoas de mentalidade pobre entram no jogo do dinheiro para não perder".

Nesse ponto o autor fala que a principal preocupação da maioria das pessoas é a sobrevivência e a segurança, e não a conquista de riqueza e abundância. O autor afirma que a   meta   das   pessoas   verdadeiramente   ricas   é   ter   grande   fortuna   e   abundância. Não apenas algum dinheiro, mas muito dinheiro, enquanto as pessoas de mentalidade pobre querem ter apenas dinheiro suficiente para pagar as contas em dia. Em um trecho o autor destaca o seguinte: "Se o seu objetivo é ter algum conforto, é provável que você nunca fique rico. Mas, caso a sua meta seja enriquecer, é provável que você alcance uma situação ricamente confortável".

Lendo/Ouvindo isso, fiz um paralelo imediato com a Blogosfera. Nos diversos blogs que leio e/ou acompanho percebo que o grande objetivo dos blogueiros é alcançar a independência financeira por meio de investimentos que retornem rendimentos passivos, ou seja, ter rendimentos financeiros suficientes para pagar as contas e assim ter a liberdade de trabalhar se quiser e com o que quiser. Ao mesmo passo, prega-se a racionalização dos gastos, a famosa frugalidade, pois quanto menos despesas, mais rapidamente os rendimentos financeiros podem suportar o estilo de vida desejado.

Comparando-se a filosofia da Blogosfera com o que está descrito no livro "Os Segredos das Mentes Milionárias" fica óbvia a contradição: 

Estamos buscando "algum conforto e segurança" ou estamos buscando "riqueza, muito dinheiro e abundância"? 

A filosofia blogosferiana trata apenas de juntarmos um punhado de dinheiro para vivermos confortavelmente ou trata de sermos verdadeiramente ricos? 

Estamos disseminando uma mentalidade rica ou pobre?



Eu sinceramente estou sentindo falta de troca de conhecimentos que disseminem riqueza, basta verificar a grande quantidade de postagens que vemos por ai a respeito de "cortar despesas", em detrimento da abordagem superficial em relação a "aumentar receitas". Afinal, se queremos uma vida superavitária financeiramente, podemos olhar para as duas metades do copo, a da despesa e da receita e trabalhar cada uma à sua maneira. Por que não minimizar despesas ao mesmo passo em que se maximizam receitas?

Talvez o pensamento inicial seja que cortar despesas é mais fácil pois é algo que está a nosso alcance imediato: podemos cortar a TV a cabo e assistir mais Youtube ou Netflix, podemos chamar a diarista menos vezes e nos esforçarmos mais na limpeza da casa, podemos vender o carro e andar de ônibus, etc. Já no lado do aumento de receitas acreditamos que seja algo que não está sob nossa governabilidade: depende do chefe, da empresa, do mercado, dos clientes, da economia, etc. Mas será mesmo que é algo que foge totalmente da nossa governança ou só estamos arranjando desculpas para evitar o sofrimento que é necessário para a obtenção de mais receitas?

Isso traz ainda mais questionamentos especificamente em relação aos assalariados, como eu. Logicamente a nossa capacidade de gerar receitas com nosso salário tem um limite, que é o que o empregador está disposto a pagar. A depender da empresa, chega-se a um ponto em que por mais que se produzam resultados extraordinários, a remuneração tende a não acompanhar esse desempenho. Na esfera pública isso é mais acentuado ainda, uma vez que não há resultados financeiros mensuráveis.

Voltando ao livro "Os Segredos das Mentes Milionárias", o autor traz o seguinte ensinamento: "As pessoas ricas preferem ser remuneradas por seus resultados. As pessoas de mentalidade pobre preferem ser remuneradas pelo tempo que despendem". O autor afirma ainda que "Não há nada errado em ter um contracheque estável, a não ser que ele interfira na capacidade que você possui de ganhar o que merece. É nesse ponto que está o problema: ele geralmente interfere.". Diz ainda que  as pessoas ricas escolhem ser remuneradas pelos resultados que produzem, sendo assim costumam ter o seu próprio negócio e tiram os seus rendimentos dos lucros que obtêm. O livro "Adeus, Aposentadoria!", do Gustavo Cerbasi, também traz muito forte esse conceito do empreendedorismo como forma de ganhos financeiros e satisfação pessoal.

Então, será que é hora de pensarmos em ficar ricos? Em investirmos em iniciativas empreendedoras (seja de que tipo for) e potencializarmos nossa independência financeira? Podemos como assalariados pensar em iniciativas empreendedoras paralelamente ou seria matar o pouco tempo livre que temos? Será que vale a pena o sacrifício para conseguir isso?

Por outro lado, devemos então continuar focando em cortar as despesas pessoais e tentar aportar parte de nossos salários para que no futuro possamos viver com conforto e pagar nossas contas sem precisar trabalhar?

Eu pessoalmente estou bastante inclinado a acreditar nos ensinamentos de T. Harv Eker....e você?

Abraços,

Ministro

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Atualização Patrimonial Maio/2017: R$ 193.960,58 (+2,59%)

O mês de maio foi um marco na minha vida financeira pois significou meu primeiro mês dentro do mercado financeiro. Ok, os investimentos que fiz até o momento não foram lá muito ousados e complexos, mas foi um bom começo. Apesar de ter sido um início tímido, pra mim foi um enorme passo, pois tudo foi muito estudado, e acredito que tenha conseguido delimitar pelo menos as diretrizes gerais da minha estratégia financeira para os próximos anos.

Resumindo o que fiz por enquanto foi tirar uma parte do que tinha na poupança e aplicar em títulos públicos e CDB. Ainda vou retirar uma outra parte e destinar para a renda variável, ações e FII. Meus estudos sobre esses dois tipos de ativos avançaram bem, principalmente em relação às ações. Já tenho um leque de 5 empresas que considero sólidas e seguras para investir, mas ainda vou estudar um pouco mais antes de fechar negócio. Provavelmente já em junho eu deva botar meus pés na bolsa. 

Em relação aos FII ainda não consegui delimitar uma estratégia para estudar esse tipo de ativo financeiro, minhas pesquisas em relação a eles podem demorar um pouco mais, entretanto já tenho dois fundos que me pareceram bem seguros e rentáveis, mas certamente devo estudá-los com um pouco mais de profundidade antes de aportar neles.

Esse mês passamos por um Circuit Breaker na bolsa, o que me deixou muito tentado a comprar ações das empresas que eu estava estudando, uma vez que tiveram boas quedas/desconto, mas preferi agir com cautela e só investir quando estiver seguro dessa decisão. É aquela velha máxima do “preço não importa”.

Por falar em perdas, esse mês tive o meu primeiro “prejuízo virtual” com o TD IPCA, uma vez que investi R$ 20.000,92 esse mês de maio e meu saldo em 31/05/2017 é de R$ 19.418,78. Estou ciente que ao resgatar no vencimento (que é meu objetivo) receberei todo o valor investido corrigido pela taxa pactuada, mas após anos investindo na poupança, ver esse “prejuízo” dá um gosto agridoce: amargo pela queda da carteira, mas doce por perder a virgindade no que tange aos riscos do mercado.

Eu ligando para a corretora e perguntando "cadê a porra dos meus R$ 20k?!?!"

Meu aporte esse mês foi de exatos R$ 4.000,00 o que me fez cumprir com exatidão a meta mensal estipulada, um ótimo começo! No próximo mês meu contracheque vai vir gordinho, receberei adicional de férias e 13º salário, e irei utilizá-los para quitar meu carro e assim liberar uma boa margem para aumentar o valor desse aporte. Ok, podem me apedrejar por ter financiado carro, mas quando o fiz eu ainda estava com um pé na Matrix. De qualquer forma financiei “só” 40% do valor do carro e num prazo curto, então o estrago não foi tão grande. Também comprei um carro um pouco melhor pois pretendo ficar com ele por um longo período (algo em torno de 10 anos).


Mas, sem mais delongas, vamos ao fechamento do mês de maio/2017.













*O valor do imóvel foi obtido a partir do seu preço de mercado subtraindo o saldo devedor do financiamento. Para obter o preço de mercado faço uma pesquisa anual em uma famosa imobiliária e tiro a média de preço de pelo menos 10 IMÓVEIS IGUAIS (mesma planta) situados no MESMO CONDOMÍNIO, eliminando desse cálculo os 2 maiores e os 2 menores valores obtidos. 

A partir do próximo mês vou tentar levantar a rentabilidade individual de cada um dos investimentos usando a planilha do AdP, mas estou na correria, então, por enquanto, vou trazer só os saldos mesmo. A “porra vai ficar séria” quando eu colocar uns trintinha na renda variável, aí sim as oscilações do mercado podem inflar ou secar o meu fechamento mensal.

Além da quitação da dívida do carro, tenho alguns planos de renda extra que podem dar uma alavancada nos aportes e acelerar o atingimento da independência financeira, mas ainda tenho que refletir sobre isso, principalmente ponderando o custo/benefício. Em breve escreverei algo a esse respeito.

No trabalho foi um mês corrido. Muitas reuniões (internas e, principalmente, externas) com as mais diversas pessoas, o que me levou a, por duas vezes, confundir nomes de pessoas, algo que odeio fazer pois passa uma impressão de desleixo e desprestígio com o indivíduo que teve o nome confundido. Apesar disso, foram, no geral, reuniões produtivas, que agregaram muito valor ao projeto que estamos concluindo, e agregaram valor pessoal para meu ego também, pois como sou o chefe da equipe que está à frente desse trabalho, assumo uma posição de liderança e destaque nas reuniões, muitas delas com quórum razoável (15 ou mais pessoas) e qualificado (pessoas de altos cargos).

"Ownando" nas reuniões
Esse mês de junho é hora de dar uma pausa nas reuniões e levantamentos diversos, sentar na cadeira e colocar as coisas no papel. Para algumas pessoas essa é uma fase muito complicada, pois muitos têm dificuldade em organizar por escrito suas ideias e argumentações de forma didática e razoável. Não é o meu caso, mas tenho pessoas na minha equipe que padecem desse mal, o que demanda muitos esforços de revisão e orientação.

Apesar disso, ainda conseguirei tirar duas semaninhas de férias em junho, para descansar e relaxar nas belas praias nordestinas. Felizmente quando tiro férias consigo me desligar do lado profissional, então, mesmo que o “pau cante” no trabalho, não irei abrir e-mail corporativo nem me preocupar com nada relacionado, confiarei 100% no meu substituto.

Então é isso, “vamo que vamo” rumo ao rompimento da barreira dos R$ 200k, pois como já dizia o velho poeta: é nóis que voa bruxão!

Abraços

Ministro


P.S: minha decisão de quitar logo o carro foi muito inspirada pela ótima postagem do Frugal Simples, intitulada "Quem Entende de Juros, Recebe, Quem Não Entende Paga".

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Medo de Falar em Público: Um Destruidor de Carreiras


Vira e mexe são feitas pesquisas com a seguinte pergunta: Qual é o seu maior medo? Quase sempre o medo de falar em público aparece em primeiro lugar, à frente de outros medos que, em tese, causariam muito mais dano ou prejuízo como o medo da morte, doença ou problemas financeiros. Isso é perceptível no dia a dia, as pessoas em geral fogem de situações em que precisam falar para um público, mesmo que seja para um pequeno público.

Eu mesmo por boa parte da minha vida fugi de situações como essas, a exceção era na faculdade onde, vez ou outra, era preciso apresentar algum seminário. Como estudei em universidade pública, de vez em quando surgia um professor vagabundo com preguiça de dar aula entupindo os alunos com seminários a serem apresentados.

Entretanto, esse medo de falar em público atingiu o seu ápice quando, em um processo seletivo para uma grande companhia, eu tive uma performance lamentável e embaraçosa na dinâmica de grupo. Estávamos em uma sala, com mais ou menos 20 candidatos, e cada um deveria falar de suas experiências e expectativas profissionais, na frente de todo mundo. Antes da dinâmica eu notei que muitos candidatos já se conheciam e já haviam formado panelinhas de conversa. Meu objetivo ali não era me enturmar, então fiquei meio isolado. Isso, de certa forma, já minou um pouco minha confiança.

Quando chegou minha hora de falar, fiquei muito nervoso e minha voz saiu embargada e trêmula, deixando nítido o meu desconforto e nervosismo. Eu nem sequer lembro o que falei e imagino que não tenha sido nada de muito admirável. Obviamente não fui aprovado nessa etapa e isso me causou um certo trauma relativo a falar em público.

Quando isso aconteceu, eu devia ter uns 21 ou 22 anos.  Desde então eu fugia de falar em público como diabo foge da cruz, sempre pagando de ser uma pessoa que não tem vocação pra esse tipo de coisa, que não era meu perfil, etc (conheço gente com seus 50 anos dando essas mesmas desculpas).

Eu, quando alguém tocava no assunto "falar em público"
Acontece que em determinado momento da minha carreira profissional (eu já devia ter uns 26 anos) eu trabalhava num departamento que era especializado em um assunto específico. Naquele momento estava sendo preparado um evento que iria abordar, dentre outros, justamente esse assunto em que meu setor era especializado e eu era especialista. Sendo assim, fomos convocados a enviar um representante para palestrar nesse evento.

Em condições normais quem iria era o Coordenador, mas por alguma razão ele não pôde ir e a segunda opção dele também não estava disponível na data. Então de especialista no assunto que seria objeto da palestra sobrou eu e outro colega, cada um mais medroso que o outro em relação a falar em público.

Depois de muita pressão e insistência do Coordenador para que um de nós palestrasse, e após tentarmos fugir de todo jeito eu tomei uma decisão meio que no impulso: eu ia encarar esse desafio! Naquele momento eu pensei que aquela situação seria um divisor de águas, ou eu superava esse medo de falar em público ou eu ia fugir disso pra sempre. Já havia se passado alguns anos desde meu vexame na entrevista e já era hora de virar essa página!

Me preparei arduamente para essa palestra, estudei e reestudei o assunto que seria abordado, montei slides maravilhosos, peguei casos práticos bem interessantes, ensaiei na frente do espelho quase todo dia, até que chegou o grande dia.

O público que me esperava não era tão grande, na faixa de 50 pessoas, mas em compensação era um público qualificado, só autoridades. Fui ao banheiro várias vezes me certificar que minha imagem pessoal estava impecável, ajustar a gravata, tirar poeira do terno, ajeitar o cabelo e repetir mantras do tipo “eu posso”, “eu consigo”. Até que chegou minha hora de subir ao palco.

Nos primeiros 2 minutos de apresentação minhas mãos ficaram trêmulas e minha voz ameaçou falhar e embargar, transportando minha mente, por alguns segundos, diretamente para aquele fatídico dia da dinâmica coletiva. Falei de forma pausada para evitar que o nervosismo fosse notado e após esses dois minutos iniciais foi como se uma chave tivesse virado: me senti numa crescente de confiança, gradualmente me senti dono da situação, poderoso na frente de todas aquelas pessoas que prestavam atenção em mim.

Com a confiança aumentando, meu desempenho foi ficando cada vez melhor. Chegado o momento dos casos práticos, rolou uma interação e troca de argumentos muito interessante e minha atuação como mediador foi impecável. Eu realmente me surpreendi com meu desempenho. 

Após os 2 minutos iniciais, não fiquei nervoso em mais nenhum momento da palestra, só perdi um pouco minha linha de raciocínio quando direcionei meu olhar para uma Promotora lindíssima e estonteante. Uma quarentona de tirar o fôlego. Aqueles olhos verdes me fitando me levaram a 2 segundos de deslocalização em relação ao que eu estava falando. Incrível como a beleza feminina exerce um fascínio gigantesco nos homens. Por precaução, evitei olhar pra ela. 

Lembro que ao final da palestra algumas pessoas vieram falar comigo sobre o conteúdo abordado (sinal de que a palestra gerou interesse) e uma pessoa específica chegou pra mim apenas pra elogiar, disse que a palestra foi ótima e que eu era muito cativante! Isso foi incrível, uma redenção após tanto tempo fugindo!

Ninguém me segura mais! Sai da frente se não eu atropelo!
Depois desse episódio, passei a não fugir mais de situações em que é preciso falar em público, tanto em eventos e palestras como (com muito mais frequência) em reuniões internas e externas. É perceptível que quanto mais vezes eu sou exposto a a situações como essa, mais minha capacidade e confiança para encarar esse tipo de desafio aumenta, e logicamente meu desempenho é cada vez melhor.

Em relação a isso faço um destaque importante:

Se você quiser crescer na carreira tem que se acostumar a falar em público!

Para quem almeja crescer na carreira, falar em público com alguma desenvoltura é condição essencial. Não adianta fazer um trabalho técnico impecável, desenvolver sistemas maravilhosos, escrever relatórios elucidativos, desenhar projetos revolucionários se não souber apresentar e defender o seu trabalho na frente de um público qualificado.

As oportunidades de ascensão profissional que me surgiram foram graças ao combo de:
1) trabalho tecnicamente louvável;
2) apresentação impecável; e
3) formação de networking.

Quem tem medo de falar em público se restringe apenas à primeira etapa, o que não é muita coisa pois quem ganha os créditos por um trabalho, sempre é aquele que mostra a cara! Quem está nos bastidores, apenas fazendo o trabalho técnico, só pega as migalhas.

Abraços,

Ministro

terça-feira, 16 de maio de 2017

A Maior Contribuição da Blogosfera e a Importância de Divulgar a Carteira


Quem conhece um pouquinho de marketing sabe que as principais estratégias de vendas estão focadas em trabalhar o sistema límbico cerebral do potencial consumidor, ou seja, driblar a razão e apelar para a emoção, levando o prospecto a tomar atitudes de compra baseadas em critérios muito mais emocionais do que racionais.

A principal arma usada pelos profissionais do marketing/vendas para atingir em cheio nosso sistema límbico chama-se gatilhos mentais. Muitos desses gatilhos foram brilhantemente abordados e explicados no livro “As Armas da Persuasão” de Robert Cialdini. Eu diria que o livro “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas” de Dale Carnegie também aborda muito esses gatilhos (não os tratando expressamente dessa forma), com enfoque maior no relacionamento interpessoal.

Mas o que isso tem a ver com a Blogosfera de Finanças?

Existe um gatilho mental específico chamado “similaridade”. Este gatilho mental é o que tem a capacidade de unir pessoas em torno de um objetivo comum, fazendo coisas semelhantes, criando comunidades, discutindo os mesmos assuntos. Para explicar melhor, vou usar o exemplo que vi outro dia de um dos “gurus” do marketing no Brasil.

Pois bem, ele contava que foi a uma praia e tentava ensinar seu filho de 4 anos a pegar uma onda com aquelas pranchas de bodyboarding (“pegar jacaré”). Por mais que ele mostrasse para o filho como fazer, o garoto simplesmente se recusava a encarar o desafio, tinha medo, não se achava capaz. Entretanto, no mesmo momento surgiu outro pai com seu filho, também na faixa de 4 anos. Esse outro garoto começou a pegar várias ondas com a prancha com o auxílio de seu pai. Nesse momento, o filho do "guru" (o garoto medroso), tomou coragem de encarar o desafio, pois ao ver um moleque da mesma idade que ele conseguindo cumprir aquela tarefa ele pensou “se ele pode, eu também posso”.

A Blogosfera de finanças gera exatamente o mesmo impacto!

Embora existam muitos gurus dos negócios e de investimentos que merecem ser ouvidos e estudados, a capacidade deles de se conectar conosco, meros mortais, é muito pequena. Por mais que eu leia e admire Warren Buffet, não me vejo alcançando os mesmos resultados que ele pois os ambientes a que fomos expostos são diferentes, além, claro, de sermos pessoas completamente diferentes, dificilmente obterei um dia os resultados que ele obteve,

Já na Blogosfera, temos a oportunidade de ver e interagir com pessoas “normais”, "gente como a gente" e acompanhar o seu crescimento em tempo real. São pessoas sujeitas ao mesmo ambiente de trabalho e negócios e que vão, mês a mês, remando em direção a sua independência financeira. Ao ler todos esses blogs e ver tantos colegas blogueiros atingindo resultados expressivos, fazendo negócios lucrativos, se desenvolvendo pessoal e profissionalmente, o que vem na cabeça é justamente o gatilho mental da similaridade: “se ele pode, eu também posso”.



Por isso é muito mais interessante acompanhar os blogs em que são divulgadas as carteiras, os aportes, os investimentos, a trajetória profissional, etc. Se hoje um leitor é estagiário e ganha seus R$ 1k e tem a oportunidade de estar na Blogosfera interagindo com um gerente de uma grande companhia que ganha seus R$ 15k e que está montando uma grande carteira, isso invariavelmente o inspira a chegar lá. Se hoje um pequeno comerciante que está iniciando a montagem de sua carteira tem a oportunidade de acompanhar o crescimento financeiro de um empreendedor já consolidado, isso também inspira! Também é possível que um indivíduo acompanhe um blog e perceba que embora o blogueiro tenha situação financeira semelhante (ou até pior), esteja conseguindo montar uma carteira muito mais robusta, isso igualmente inspira!

É disso que estou falando e foi exatamente o que aconteceu comigo! Eu vi diversos blogueiros com capacidade de aporte inferior à minha com carteiras recheadas e rendimentos interessantes, enquanto eu aportava muito menos do que poderia e não cuidava de investir da melhor forma. A Blogosfera tem me inspirado a mudar essa atitude, de acompanhar meu patrimônio financeiro com outros olhos, e com certeza ainda fará isso por muita gente!

Não tenho dúvidas que a Blogosfera será a grande engrenagem que levará dezenas de brasileiros ao posto de "milionário" nos próximos 10 anos, e em muito pouco tempo teremos rankings mais recheados de colegas que desvirginaram o seu milhão!

Por isso acho importante compartilhar a carteira, aportes, experiências profissionais, etc. Estamos resguardados pelo anonimato, então aproveitemos isso para quebrar tabus e falar de empreendedorismo, carreira e dinheiro de forma nua e crua! Meras taxas de rentabilidade ou códigos de ações não conquistam nem inspiram ninguém! O que move e inspira as pessoas são histórias e números reais e não meras porcentagens.



Abraços,


Ministro

quinta-feira, 11 de maio de 2017

A Falácia do "Funça" Improdutivo e Sugador de Impostos

Quando se fala em "Carreira Pública" na Blogosfera já se pode esperar que muitas opiniões divergentes vão surgir. Enquanto muitos tentam arduamente a aprovação em um concurso público de ponta, muitos outros têm ódio dos "funcionários públicos"* taxando-os como seres improdutivos, sugadores de impostos, que não sobreviveriam na iniciativa privada pois o máximo que sabem fazer é passar numa prova à base de "decoreba". 

*apesar de ainda constar no código penal, a expressão "funcionário público" foi legalmente extinta, o correto é servidor público ou empregado público, a depender do regime jurídico.

Mas até que ponto isso é verdade e até que ponto isso não passa de inveja ou desconhecimento? A verdade é que existem muitas variáveis, que possivelmente não serei capaz de esgotar aqui mas vamos abordar esse assunto sem paixões. Em primeiro lugar destaco que discordo veementemente da expressão que destaquei no primeiro parágrafo. Poucos dos que criticam os "funças improdutivos" de fato conhecem como funciona a administração pública.

De início é importante destacar que o Brasil tem seguidamente optado por um modelo de Estado provedor e regulador, que tem como OBRIGAÇÃO ser provedor de direitos sociais, promotor do bem-estar social e ainda regulador e incentivador do mercado privado. Não vou discutir aqui se seria melhor um Estado mais liberal, talvez até fosse, mas a opção do povo brasileiro é pelo Estado Mãe. Nessa condição, a administração pública é imensamente cobrada pela constante promoção de programas e políticas públicas, principalmente por aquele público das camadas mais baixas da sociedade, que, infelizmente, é maioria no nosso país.

Dessa forma, torna-se natural a necessidade de pessoal para dar conta dos diversos braços da atuação estatal (educação, saúde, cultura, segurança, assistência social, previdência, habitação, saneamento básico, controle e fiscalização, regulação, etc.), sem contar as áreas meios necessárias como RH, financeiro, compras e licitações, etc.

Acontece que nos primórdios o serviço público pagava mal e dava péssimas condições de trabalho, dessa forma, só seguia a carreira pública aqueles que não conseguiam coisa melhor na iniciativa privada, e foi assim até a década de 90. Com a consolidação dos concursos públicos e a melhora salarial que os cargos públicos tiveram nos últimos 10 a 15 anos, a carreira pública passou a ser atrativa e começou a sobrepor a iniciativa privada na atração de talentos, provavelmente 2008 foi o auge disso. O que se percebeu com isso foi uma melhora significativa no nível dos profissionais da administração pública.

Desde o primeiro mandato de Dilma Roussef (em 2011) os concursos e nomeações tem apresentado quedas expressivas, o que de certa forma contribui para que só consigam entrar nos quadros da administração pública pessoas realmente qualificadas. 

Bom mas vamos a questão principal:

O servidor público, vulgo "funça", é realmente um ser improdutivo sugador de impostos que ganha altos salários e benefícios para passar o dia inteiro tomando cafezinho e jogando conversa fora?

Só de intitular a imagem com o termo "Funcionário Público" já mostra que o autor da piada é um leigo
Primeiro vamos desconstruir algumas coisas. Tomemos como exemplo o Distrito Federal, berço da maioria dos órgãos públicos e de servidores públicos. O salário médio de um servidor público federal no DF é de R$ 4.458,00. Eu não sei qual é sua condição de vida, mas pra mim isso passa longe de ser um salário de marajá.

Sobre os benefícios,  reconheço que os servidores "antigões" tem muitos, como licença-prêmio, adicional por tempo de serviço, incorporação de função comissionada, paridade e integralidade da aposentadoria, etc. Entretanto todos esses benefícios já foram extintos há bastante tempo, do governo FHC pra cá. É importante destacar também que servidor público, em regra, não tem bônus, não tem FGTS, não tem participação nos lucros, não tem reajuste anual pela inflação.

Entretanto, eu devo reconhecer que há órgãos públicos que pagam muito bem, salários significativamente superiores à média da iniciativa privada, mas, em regra, essas são instituições mais relevantes e que, por opção da alta gestão e do parlamento, decidiu-se por valorizar determinada carreira frente a sua importância para o Estado (ou pela pressão política).


Mas então os "funças" são improdutivos ou não?

Hoje eu trabalho em uma organização pública respeitada e que tem o corpo profissional extremamente qualificado, fruto do pagamento de bons salários, gestão profissional (com raras indicações políticas) e realização periódica de concursos. Mas também já trabalhei em órgão público sucateado, sem uma função pública relevante, servindo praticamente como cabide de emprego político, com a força de trabalho composta basicamente por servidores "antigões" na faixa de 50 a 60 anos, apenas aguardando o dia de sua aposentadoria enquanto tomam café e falam sobre a vida.

Veja que são realidades opostas, assim como na iniciativa privada temos a Ambev com toda a cultura meritocrática de Jorge Paulo Lemman, também temos a Rede de Supermercado Estrela Cadente, com um estilo de gestão completamente diferente. Da mesma forma não podemos generalizar o serviço público. Só por que o seu pai, mãe ou tio que é um "funça" antigão e preguiçoso que provavelmente trabalha em um órgão público sucateado, conta os "causos" da improdutividade do serviço público, isso não quer dizer que é a realidade de toda a administração pública.

Eu mesmo posso contar um "causo" do tal órgão sucateado que trabalhei. Minha diretoria ocupava o andar inteiro de um prédio e não havia divisórias entre os diversos setores. Pois bem, havia um senhor lá, na casa dos 50 e poucos anos, típico "malandro" carioca, conversador, piadista, falava alto, etc. Na maior parte do tempo estava conversando, mas também ficava lá na sua baia supostamente trabalhando. A baia dele ficava no cantinho da sala, sem muita visibilidade. Pois bem, depois de alguns meses de trabalho eu fui descobrir que na mesa desse senhor não havia sequer um computador, papéis, relatórios, NADA. Quando lá estava sentado ou ele estava lendo jornal ou assistindo a programação da TV aberta em seu aparelho portátil.

"Funça" dos Correios mostrando produtividade no despacho de encomendas

Apesar de surreal, isso passa muito longe de ser a regra no serviço público. Como eu disse, não dá pra generalizar. Em órgãos públicos do Poder Legislativo, por exemplo, esse tipo de situação é mais comum pois os parlamentares indicam "companheiros" de campanha e de luta para ocupar cargos comissionados. É só passear por Câmaras de Vereadores ou Assembleias Legislativas que facilmente se encontram analfabetos funcionais ocupando cargos comissionados. Mas eu faço questão de frisar, isso não é a regra na administração pública!

Existem sim casos de servidores que fazem corpo mole no trabalho, que apresentam baixa produtividade. Infelizmente o gestor público fica de mãos atadas diante de situações como essa, pois apesar da Constituição Federal de 88 - por meio de Emenda de 1998 - prever a perda do cargo por servidor que não atenda a critérios de desempenho (Art. 41, § 1º, Inciso III), esse dispositivo carece de regulamentação infraconstitucional, o que não aconteceu até hoje. No dia que isso for regulamentado, certamente será um choque de gestão na administração pública.

Também não posso negar que o "ritmo" na administração pública é muito mais lento em comparação com a iniciativa privada. Mas a explicação pra isso é lógica: toda a burocracia de alguns processos e a lentidão na tomada de decisão na administração pública deriva de um arcabouço legal e um modelo de gestão defasado. Vejamos...

A Constituição Federal, Art. 5º Inciso II diz o seguinte "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". Portanto, eu como cidadão brasileiro posso fazer qualquer coisa, desde que a lei não me proíba. Portanto eu como gestor na minha empresa particular posso tomar todo tipo de decisão de forma muito rápida e intuitiva, desde que não esteja cometendo nenhum ato ilegal. Entretanto o mesmo não se aplica ao gestor público, na verdade é justamente o inverso: o servidor público só pode atuar onde a lei expressamente o autoriza. Então toda tomada de decisão de um gestor público deve ser fundamentada em um arcabouço legal.

Isso é reflexo de uma administração pública burocrática, modelo de gestão pública que desde 1930 tem sido substituído por uma administração pública gerencial em vários países mais desenvolvidos, entretanto cá em terras tupiniquins as coisas não mudam tão rapidamente. Houve lampejos dessa mudança, mas nada que tenha impactado significativamente o modelo burocrático ainda vigente.

A sorte é que essa leva de novos servidores públicos, que foram atraídos por ótimos salários e passaram por uma peneira dificílima que é o concurso público, estão contribuindo para que o país faça essa transição para um modelo mais gerencial, mas como já disse Capitão Nascimento "Pra mudar as coisas ainda vai levar muito tempo. O sistema é foda!"

Vou encerrar esse post deixando algumas perguntas para os colegas do mercado privado: 

A sua empresa é um mar de produtividade?
Só tem gente proativa e eficiente?
Os melhores são aqueles que são promovidos ?
A meritocracia é uma realidade?
Há transparência na ascensão profissional?

Abraços,

Ministro