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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

A Forma Mais Fácil e Rápida de Investir em Ações Americanas


Faaaaala pessoal!

Acredito que todo mundo, ou pelo menos a maioria das pessoas que aqui frequentam, já entenderam ou já ouviram falar da importância da diversificação dentro de uma carteira de investimentos. A ideia é muito simples: diminuir o risco.

Uma carteira de investimento bem diversificada (cuidado para não confundir com pulverizada) tende a oferecer uma relação risco/retorno mais favorável ao investidor, afinal, a melhor forma de ficar rico é simplesmente sobrevivendo no mercado. Ficar rico rápido é para poucos, mas ficar rico devagar não tem muito segredo, basta acumular capital e sobreviver.

E quando se fala de diversificação, não podemos deixar de citar a diversificação geográfica dos investimentos, ou seja, investir em ativos fora do Brasil, em economias mais sólidas, como dos EUA, ou emergentes, como da Turquia.

O motivo para fazer essa diversificação internacional é reduzir seu risco, é estar menos exposto a apenas uma economia de um país emergente e problemático como o Brasil, onde até o passado é incerto. Essa diversificação descorrelaciona a sua carteira: os preços das ações de países não aumentam ou diminuem em sincronia, e é justamente essa falta de sincronia que protegerá sua carteira da volatilidade.

Ok, falar é fácil, mas como fazer isso??

Confesso que AINDA não sou um expert em investimentos no exterior e justamente por isso optei pelo caminho mais fácil e rápido:

IVVB11

O que é isso? O IVVB11 é um ETF que espelha o índice S&P500.

Sendo preciosista: o IVVB11 investe no ETF IVV que, por sua vez, investe diretamente nas empresas do índice. Portanto é um ETF do ETF, porém os resultados tendem a ser os mesmos. 



O S&P500, índice criado pela Standard & Poor's, é composto pelas 500 maiores empresas americanas (pelo valor de mercado) com ações listadas em bolsa. O valor total de mercado das empresas integrantes do S&P 500 passa dos U$ 20 trilhões, representando mais de 80% do mercado acionário americano.

Estamos falando de empresas como Facebook, Apple, Google, Amazon, Walmart, Microsoft, Berkshire Hathaway (empresa do Warren Buffet), JP Morgan, Exxon, PayPal, TripAdvisor, BlackRock, Visa, Oracle, Nvidia, Polo Ralph Lauren, Citigroup, CBS, Harley Davidson, Best Buy, Eletronic Arts, Nike, Xerox, Pepsi, Coca-Cola, e muitas outras empresas gigantes!

Já deu pra perceber que não estamos falando de qualquer empresa né?

Portanto cada cota do ETF IVVB11 equivale a um pedacinho dessas 500 empresas, ou seja, você compra, de um vez só, um pacotão de ações. E, ao contrário dos ETFs brasileiros, os ETFs americanos, pelas suas regras de composição e pelo próprio porte das empresas, tendem a ser muito mais perenes e dar mais retorno.

E o melhor de tudo, o IVVB11 pode ser comprado aqui na B3, na nossa bolsa de valores!!

O lote mínimo é de 10 cotas, que hoje está totalizando um investimento mínimo de cerca de R$ 1.000,00.

Assim como os demais ETFs brasileiros, o IVVB11 faz o reinvestimento automático de dividendos e não faz jus ao benefício tributário de isenção de IR para vendas de até R$ 20 mil por mês.

CONCLUSÃO


Ao investir em IVVB11 você está atrelando uma parte do seu patrimônio à empresas americanas e ao próprio dólar (o valor da cota do ETF varia tanto pelo desempenho das ações americanas como pela cotação do dólar).

É uma forma simples e prática de diversificar o seu patrimônio, mitigando o risco Brasil. Entretanto cabe destacar que comprando IVVB11 seus ativos, embora sejam correlacionados com empresas americanas, estarão custodiados na B3, ou seja, no Brasil. Caso surja um governo maluco e mande confiscar tudo, você não estará livre desse risco.

E ai, você conhece esse ativo, tem ele em carteira?

Abraços,

Senhor Ministro

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Se Você Nasceu em Família Pobre, Seu Problema Não é o Dinheiro!


Faaaala pessoal!

Esses dias reparei uma coisa curiosa onde trabalho e que me levou a uma reflexão pesada sobre a capacidade que as pessoas tem para ganhar, ou não, dinheiro. Deixe-me explicar.

Em qualquer ecossistema da sociedade as pessoas tendem a se organizar em castas com características semelhantes. Por exemplo, na escola os vagabundos tendem a fazer amizade com outros vagabundos, os nerds com nerds, os populares com populares e os impopulares com impopulares. Na igreja vai ser a mesma coisa, na vizinhança a mesma coisa e no trabalho a mesma coisa.

Esses dias estava reparando isso no meu trabalho: os servidores de alto escalão tendem a andar apenas com outros servidores de alto escalão, os servidores "normais" tendem a andar com outros servidores "normais", os terceirizados tendem a andar com outros terceirizados, os estagiário com estagiários, e os prestadores de serviço com outros colegas semelhantes.

Qual a relação disso com dinheiro? TODA!

Se eu me cerco apenas de pessoas semelhantes a mim a tendência é que a minha forma de enxergar as coisas seja sempre a mesma, que minha mente enxergue sempre as mesmas oportunidades e os mesmos riscos. Se eu puxar o papo "empreendedorismo" e "marketing digital" com um casal de servidores públicos em que cada um ganha R$ 10 mil, eles provavelmente farão pouco caso ou mesmo críticas sobre o assunto, já que a bolha deles (em que eles vivem bem) são aqueles dois contracheques de R$ 10 mil.

Quer ver só? Outro dia escutei duas terceirizadas conversando sobre concursos, dando conselhos uma para a outra sobre a forma como estavam estudando, quais matérias estudar, etc. Ai eu pensei: nenhuma das duas passou em qualquer concurso pra estar dando conselhos uma para outra e, ironicamente, elas trabalham num órgão com um dos concursos mais disputados do Brasil, por que não pedir conselhos para algum dos centenas de servidores que já passaram por esse desafio e que trabalham ao lado delas?

Todo mundo conhece aquele ditado que diz: você é a média das pessoas com quem convive.

Sendo assim, para crescermos em alguma área da vida o ideal é buscarmos conviver com pessoas que já chegaram lá ou que pelo menos estão no caminho certo.

Dito isso, vou ao título do post: quem nasce em família pobre precisa vencer uma coisa que é muito mais forte que a falta de dinheiro que é a...

MENTALIDADE DE POBREZA!



É muito louco mas quem não abre os olhos pra isso e vai vivendo aquela vida "pré determinada" vai deixando que suas condições econômicas as molde. Eu vejo muito isso no trabalho, os servidores efetivos (bem remunerados e a maioria de famílias com condições razoáveis) se comportam de uma maneira totalmente diferente dos terceirizados (salários baixos e famílias humildes).

Não me refiro ao preço da roupa ou ao carro que andam, mas em relação a aspectos comportamentais. A entonação da voz, o vocabulário, a forma de falar, a forma de andar, os hábitos alimentares, o tipo de roupa que vestem, a forma física, as coisas sobre as quais conversam, etc. É como se só de olhar, mesmo sem um crachá pra distinguir, você consegue identificar a qual "casta" pertence determinada pessoa.

A mesma coisa aconteceria se um grupo de jovens empresários observasse a minha casta, de servidores efetivos, iriam olhar com desdém pensando que são pessoas que trocam seu tempo por dinheiro, que tem sua renda limitada a um contracheque, que se submetem a cumprir horários em troca de um salário, que não tem liberdade, etc.

CONCLUSÃO


A moral dessa história é que um dos passos mais importantes para crescermos em uma determinada área da vida é buscar conviver com pessoas que tenham esse mesmo objetivo e, principalmente, com pessoas que já chegaram lá.

A própria blogosfera de finanças é uma forma genuína de convivermos com pessoas que estão na busca da independência financeira e com algumas que já chegaram lá.

Então se você quer passar em um concurso, troca ideia com alguém que já fez isso.
Se você quer montar um negócio digital, troca ideia com alguém que já fez isso.
Se você quer ficar sarado com barriga de tanquinho, troca ideia com alguém que já fez isso.
E se você quiser sair da pobreza, troca ideia com alguém que já fez isso.

Abraços,

Senhor Ministro

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Nova Emissão do GGRC11: Vale a Pena? Quais os Riscos?

Emissão do GGRC11


Caso você não conheça, o GGRRC11 é um Fundo Imobiliário de imóveis logísticos e industriais, relativamente recente (lançado no primeiro semestre de 2017) mas que já acumula patrimônio de mais de R$ 460 milhões e é atualmente um dos mais negociados da bolsa.

Uma das coisas que chama a atenção nesse fundo é a quantidade e diversificação dos imóveis: hoje o fundo é proprietário de 13 imóveis e, ao contrário de muitos outros FIIs que se concentram no eixo Rio-São Paulo, esses imóveis são espalhados em oito estados em diversas regiões do Brasil (PR, SC, SP, MT, GO, PB, MG e RS).

Outra informação importante acerca desse fundo é que todos os seus contratos são atípicos, isso quer dizer que são contratos de longa duração (vencimentos entre 2025 e 2033) e que preveem, caso o locatário rescinda o contrato, multa correspondente ao pagamento integral dos aluguéis de todo o contrato, garantindo assim mais proteção ao fundo.

Outro ponto positivo do fundo é sua gestão. Trata-se de um fundo de gestão ativa e, portanto, o tino imobiliário do gestor pode causar grande impacto, positivo ou negativo, no ativo. No caso do GGRC11 o impacto parece estar sendo positivo, pois a gestão do fundo demonstrou aptidão para negócios imobiliários: as alocações iniciais de recursos foram feitas rapidamente e, em out/2018, um dos imóveis foi alienado, sendo prontamente sucedido (em nov/2018) da aquisição de um novo imóvel nos mesmos moldes dos demais (Sale and Leaseback - explico o que é isso mais a frente - e contrato atípico).


A última distribuição de rendimentos foi de R$ 1,08 por cota e o preço atual da cota é de cerca de R$ 130,00 o que dá um Dividend Yeld de 0,8% a.m e de cerca de 10% a.a, um ótimo Yeld, entretanto no valor dessa distribuição ainda há  alguma coisa relacionada à recente alienação de um imóvel, de forma que um DY mais realista seria de algo em torno de 9% a.a, o que, ainda assim, é um excelente rendimento. Esse DY pode melhorar muito ainda se considerarmos o preço de aquisição da cota na emissão, que falaremos a seguir...

3ª EMISSÃO GGRC11


Em 03 de dezembro de 2018 foi aprovada em assembleia a 3ª emissão de cotas do GGRC11, num valor total de até R$ 300 milhões, portanto o fundo vai quase dobrar de tamanho, é uma emissão bem ousada!

Então vamos ao que interessa: hoje no mercado secundário a cota do GGRC11 está sendo negociada por volta de R$ 130,00, na emissão o preço da cota vai ser de R$ 116,70. Como geralmente acontece nas emissões em que há um desconto relevante em relação ao preço negociado no mercado secundário, espera-se que o preço de negociação desse ativo dê uma baixada, porém isso é só especulação. A verdade é que o preço da emissão parece bastante atrativo.

Importante: os atuais cotistas terão direito de preferência na aquisição de cotas nessa nova emissão, na proporção de 57,56% de sua participação. Eles devem divulgar mais detalhes acerca dessa continha na divulgação oficial da oferta de cotas.

O valor mínimo para entrar na emissão é o de R$ 1.167,00, correspondente a 10 cotas, exceto para os cotistas que exercerem seu direito de preferência, nesse caso não há valor mínimo. A oferta terá duração de 6 meses.

QUAIS OS RISCOS DO GGRC11

Emissão do GGRC11


Uma das principais características do GGRC11 é o modelo de negociação Sale and Leaseback adotado em todas as suas aquisições. Como isso funciona? Vamos a um exemplo.

Uma empresa industrial XYZ é proprietária de um grande galpão logístico onde funciona um de seus centros de distribuição. A empresa está precisando de capital para expandir seus negócios, mas as linhas de crédito que ela está conseguindo estão com juros muito altos.

Qual saída para empresa levantar capital? Ela chega para o Fundo Imobiliário e faz a seguinte proposta: "eu te vendo esse meu galpão logístico e alugo ele de você num contrato de longa duração, assim você já vai comprar um imóvel com um inquilino garantido"

Para o fundo é um bom negócio, pois compra um imóvel com um inquilino já garantido e para a empresa é um bom negócio pois ela recebe uma injeção de capital (referente à venda do imóvel) e os aluguéis que ela vai pagar para o fundo são menores que os juros bancários que ela pagaria caso pegasse um empréstimo.

Mas é justamente aí que está o maior risco do fundo!

Ao adotar esse tipo de contrato o fundo praticamente entra numa parceria com a empresa, pois o imóvel é totalmente personalizado para as necessidades daquela empresa. Então eventualmente se a empresa enfrentar dificuldades financeiras e começar a atrasar aluguéis o fundo ficará numa situação delicada, pois ruim com aluguéis atrasados, pior com a empresa falindo!

Além disso, se a empresa falir ou optar por rescindir o contrato (mesmo com as multas elevadas) o fundo pode ter alguma dificuldade para realocar os imóveis uma vez que, como citado, são imóveis totalmente personalizados para as necessidades de uma empresa específica, e localizados em áreas, por vezes, distantes de grandes centros comerciais.

Portanto nesse tipo de fundo a atuação do gestor é primordial, tanto no sentido de estar ligado no mercado imobiliário, mas também de estar próximo aos locatários tentando sempre alinhar os interesses deles com o interesse do fundo.

Importante destacar que os gestores sabem desses riscos e adotaram medidas para mitigá-los como a contratação de seguros, alienação fiduciária de ativos em garantia, e inserção de cláusulas de compra e venda do imóvel nos contratos. Porém, ainda assim é um risco que precisa ser considerado.

CONCLUSÃO


Esse é um fundo que vem crescendo muito e ganhando muito destaque ultimamente no mercado de fundos imobiliário. Eu particularmente gosto do fundo, tenho algumas cotas dele e pretendo comprar mais cotas nessa nova emissão. Obviamente que isso não se trata de uma recomendação, mas apenas a exposição da minha intenção de investimento.

Entretanto, é preciso estar ciente dos riscos envolvidos. Os contratos firmados até agora são muito vantajosos para o fundo, com cap rate elevado, porém é um ativo que ainda não passou por nenhuma provação mais desafiadora.

E você, vai entrar nessa emissão?

Abraços,

Senhor Ministro

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Como Saber Se Uma Ação Está Cara ou Barata


Quando se trata de investimento em ações focado no longo prazo, o famoso Buy and Hold, existem duas correntes de pensamento: os que acham que o preço não importa e os que acham que o preço importa.

A primeira corrente prega que para nós, investidores individuais, não vale a pena se preocupar com o preço de uma ação, o foco deve ser integralmente nos fundamentos da empresa. A ideia é que se uma empresa for boa, e continuar boa, a melhor opção é ir aportado regularmente nela, sem se preocupar com o preço da ação pois, no longo prazo, a tendência é você estar sempre no lucro pois as compras nas baixas e altas vão se compensando.

A segunda corrente pensa mais ou menos parecido quanto a aportar em empresas que apresentem, e continuem apresentando, bons fundamentos porém há um elemento adicional: evitar aportar em empresas que, apesar de boas, estão com o valor da ação muito esticado, ou seja, estão muito caras. Adicionalmente, buscar empresas que estejam igualmente boas, porém com preço da ação atrativo, ou seja, estão baratas.

Eu respeito as duas correntes, porém me identifico mais com a segunda.

Mas afinal, como saber se uma ação está cara ou barata?

O leigo vai pensar inicialmente no valor absoluto da ação, então ele vai dizer que a OGXP3, cotada a R$ 1,71, está barata e que a ITUB3, cotada a R$ 30,00, está cara, porém sabemos que não funciona bem assim.

Uma ação é um pedaço de uma empresa, portanto o valor de uma ação vai depender basicamente de duas coisas: em quantos pedaços essa empresa está partida (quantidade de ações) e, principalmente, qual é o valor dessa empresa. Lembre-se que preço é o que você paga, valor é o que você leva.

Afinal, quem você acha que entrega mais valor, a OGX ou o Banco Itaú? A resposta é óbvia né, por isso faz todo sentido pagar mais caro pelas ações do Itaú, já que a probabilidade de a empresa continuar crescendo e/ou pagando dividendos é muito maior!

"Pode comprar que OGX está barata, menos de R$ 2,00"


Ok, mas como saber se a ação do Itaú está cara ou barata? É ai que está o X da questão!

A ciência que estuda isso é chamada de "valuation". Os especialistas em valuation utilizam modelo matemáticos para calcular o valor justo de uma ação. Se a ação estiver cotada abaixo do valor justo quer dizer que ele está descontada, e é uma boa opção de compra. Já se ela estiver cotada acima do valor justo, ele está muito esticada, devendo-se buscar outras opções de ações com maior margem de segurança.

Os métodos mais conhecidos de valuation são os feitos por fluxo de caixa descontado e por dividendos descontados, em que, basicamente, se estima um fluxo futuro de caixa ou dividendos e traz-se esses números a valor presente para compor o preço da ação. Falando assim parece simples mas são modelos avançados e que envolvem um elevado grau de subjetividade.

O método que eu mais gosto, e o mais simples, é o valuation comparativo por múltiplos. Um múltiplo é um indicador que compara o preço da ação com algum resultado relacionado à empresa. O múltiplo que eu mais gosto é o P/L que faz a relação entre o preço da ação e os lucros apresentados pela empresa. Basicamente o P/L diz em quantos anos eu vou recuperar meu investimento na empresa por meio da parte do lucro que eu "tenho direito".

Gosto de olhar o P/L histórico e comparar com empresas do mesmo setor a fim de identificar se a empresa que estou analisando está descontada ou esticada.

Logicamente que esse não é um método perfeito, ele pode apresentar algumas falhas, por exemplo: há empresas boas que embora operam com P/L alto, aparentemente caras, porém estão sempre crescendo mais e mais; há empresas com lucros não recorrentes que podem "mascarar" o P/L, empresas desacreditadas tendem a ter P/L baixo porém não necessariamente são oportunidades boas de compra, etc.

A verdade é que analisar uma ação unicamente pelos seus múltiplos, ou por qualquer outra forma de valuation, passa longe de ser garantia de sucesso. Uma boa análise envolve muitos outros critérios como ver se a empresa tem um histórico de lucros crescentes, ganho de market share, boa rentabilidade, endividamento controlado, boa gestão, geração de caixa, está inserida em um setor perene, tem uma diferencial competitivo, etc.

Fazer valuation, seja pelos métodos mais complexos ou pela análise de múltiplos, é um "plus" na análise, pode te ajudar a fazer melhores negócios ao comprar ações mais descontadas, porém não pode ser considerado, por si só, um critério suficiente de sucesso.

Abraços,

Senhor Ministro

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Para Lucrar na Bolsa é Preciso Nadar Contra a Maré (Comportamento Anticíclico)


Um dos principais gatilhos mentais a qual estamos sujeitos, inconscientemente, em nossas vidas chama-se "prova social". Ao tomarmos uma decisão, buscamos a confirmação se outras pessoas estão tomando a mesma decisão, afinal, quanto mais gente seguindo em um determinado caminho, maior a tendência de esse ser o caminho certo. Isso acontece no nosso inconsciente.

É por isso que se estamos num lugar desconhecido e queremos tomar um café, por não termos parâmetros anteriores para nos ajudar e por "praticidade mental", simplesmente optamos pela cafeteria que está mais lotada, já que se tem muita gente lá, quer dizer que o café deve ser muito bom. O mesmo acontece com a compra do frango assado pro almoço, perto da minha casa tem pelo menos uns 10 lugares que vendem frango, mas eu sempre tendo a achar que aquele que tem a maior fila é o melhor.

Porém, quando se trata de investimento em ações esse comportamento pode mais atrapalhar do que ajudar. Isso porque as grandes oportunidades na bolsa geralmente estão nos momentos anticíclicos, ou seja, quando todo mundo está dizendo que o Brasil vai quebrar, que o país não presta, que é melhor investir no exterior, etc. Vivemos um momento como esses há poucos meses e eu até escrevi um post afirmando que se alguém não acredita no Brasil, é melhor não investir na bolsa.

O mercado de capitais é um jogo de soma zero, para alguém ganhar, outro vai perder. É por isso que os grandes investidores tem no comportamento frio e racional o maior diferencial para sobreviver e se manter no lucro na bolsa de valores. Enquanto muitos vendem no pânico, os bons investidores aproveitam as oportunidades.

"Nossa minhas ações caíram 5%, vou vender pra não perder tudo!"


Falar é fácil, porém a grande massa de investidores só se sente confiante de investir em uma ação em, basicamente, duas hipóteses: ou se a ação está se valorizando ou se algum especialista/analista indicou a compra.

A primeira hipótese é falha uma vez que, no curto prazo, as ações podem oscilar sem necessariamente acompanhar uma visão de longo prazo dos fundamentos da empresa. Dois trimestres ruins podem derrubar a cotação de uma companhia, porém isso não significa muita coisa se estamos pensando em investimento para 10 anos ou mais.

A segunda hipótese também é falha uma vez que os analistas, embora possam ajudar a entender o mercado e até indicar algumas boas escolhas, tendem a optar pelo caminho da segurança, por indicar papéis que sejam bons para os investidores mas que, principalmente, não os comprometa (tem casa de análise boa apanhando até hoje por indicar Smiles, Multiplus e Wis). Isso quando não se trata de corretoras ou assessores de investimentos que só querem que o investidor gire patrimônio para pagar taxas de corretagem.

É como disse Warren Buffet: "Seja medroso quando os outros são gananciosos e seja ganancioso quando os outros estão com medo".

Abraços,

Senhor Ministro

P.S: tem sentido comparar Cielo com Forja Taurus? Sim, tem gente fazendo isso...

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

As Empresas Mais Endividadas da Bolsa

As Empresas Mais Endividadas da Bolsa

Atualização: Para escrever esse post extraí os dados do site Fundamentus, porém notei que alguns dados estão divergentes para algumas empresas, distorcendo as posições no ranking. O post foi editado para refletir os número reais. Peço perdão aos leitores pelo equívoco!

Se tem um sintoma de uma empresa estar ruim das pernas, eu diria que o nível de endividamento é o principal deles. Muita gente deixa pra considerar uma empresa ruim apenas se ela apresentar prejuízo, entretanto o alto nível de endividamento é um sintoma que precede o prejuízo, é o início do fim para muitas empresas.

Claro que um endividamento elevado, por si só, não pode ser levado em conta para avaliar uma empresa: existem empresas bastante alavancas, ou seja, que contraem muita dívida porém usam esses recursos para gerar receita em montante superior aos juros pagos pelos empréstimos e financiamentos. Porém, não deixa de ser uma informação bastante elucidadora.

Então, sem mais delongas, vamos ao ranking. Para aferir o grau de endividamento, existem alguns indicadores diferentes (Dívida Bruta/PL, Dívida Líquida, Dívida Líquida/EBITDA, etc), nesse caso eu usei o indicador Dívida Bruta/Patrimônio Líquido, que mostra a capacidade geral de uma companhia saldar suas dívidas (inclusive com a venda de ativos se for necessário).

#5 Marfrig (MFRG3)

Abrindo o ranking, em 5º lugar temos a Marfrig. A empresa atua na área de produção, processamento, industrialização, venda e distribuição de proteína animal (bovinos, ovinos e aves) e outros produtos alimentícios como empanados, pratos prontos, peixes, vegetais congelados, sobremesas, etc.

O patrimônio líquido da companhia é de R$ 2,2 bilhões e sua dívida chega a cifra de R$ 19 bilhões, uma relação Dívida/PL de 8,59.

E os resultados dela, adivinha só, são desanimadores: desde 2010 a empresa não sabe o que é ter um balanço anual com lucro, prejuízo atrás de prejuízo!

#4 Ecorodovidas (ECOR3)

Em 4º lugar temos a Ecorodovias, empresa que atua principalmente na concessão de rodovias. A companhia tem um patrimônio líquido de R$ 778 milhões e sua dívida chega a R$ 7,4 bilhões, uma relação de Dívida/PL de 9,55. Ou seja, a dívida da companhia é 9,55x maior que o seu PL.

Além disso, é uma companhia com resultados "errantes" e com gestores envolvidos na Operação Lava Jato.

#3 Julio Simões Logística - JSL (JSLG3)

A medalha de bronze fica com a JSL, uma empresa de transporte de carga e logística em geral. A companhia tem patrimônio líquido de R$ 1 bilhão e dívida de R$ 11 bilhões, uma relação Dívida/PL de 10,11.

Além disso os resultado da empresa também não animam, além de ter registrado prejuízo nos dois últimos anos, a sua margem líquida é tão baixa que qualquer espirro coloca a empresa no vermelho.

#3 Tecnosolo (TECN3)

A medalha de prata fica com a Tecnosolo, uma empresa de engenharia, que atua desde a concepção do projeto até a execução das obras. O patrimônio líquido da companhia é de R$ 2,7 milhões e sua dívida chega a R$ 34,4 milhões, uma relação Dívida/PL de 12,54.

Além disso, os resultados financeiros dessa empresa empolgam menos que a campanha presidencial do Henrique Meirelles, uma típica "micocap".

#1 Metalfrio (FRIO3)

E a grande campeã do endividamento é a Metalfrio, uma multinacional brasileira e atua na fabricação de equipamentos de refrigeração comercial. A companhia tem patrimônio líquido de R$ 64 milhões e dívida de R$ 925 milhões, uma relação Dívida/PL de 14,36.

Os resultados dela, como nos outros casos, decepcionam. A companhia teve prejuízo em 4 dos últimos 5 anos.

CONCLUSÃO

Como eu citei no início do texto, o indicador de endividamento, por si só, não é suficiente para afirmar se uma empresa é boa ou ruim, porém, como se percebeu pelos cases apresentados, um alto endividamento é um forte indicador de saúde financeira debilitada de uma companhia.

Não à toa (com exceção da Ecorodovias), não se vê muito esses papéis nas carteiras dos investidores de longo prazo.

A propósito, por que diabos as pessoas gostam dessa Ecorodovias?

Abraço

Senhor Ministro

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Guia Rápido Para Investir Certo no Tesouro Direto (Sem Frescura e Direto ao Ponto!)


Eu adoro falar de renda variável aqui no blog, porém não podemos ignorar que existe um negocinho chamado renda fixa e ela tem sua importância dentro de uma carteira de investimento de longo prazo.

Sim, existem pessoas que fazem all in em renda variável, uma estratégia que tem seus riscos, assim como tem pessoas que fazem all in em renda fixa (muitos apenas em poupança, como eu antigamente) que igualmente tem seus riscos (relacionados ao custo de oportunidade), porém penso que um mix entre essas duas categorias de investimento é o cenário perfeito, tanto no sentido de proteção como expansão do capital.

Dentro dos investimentos em renda fixa, temos poupança, LCI, LCA, debêntures, CDB, LC, COE (sim, essa porcaria é quase renda fixa), CRI, CRA, etc, porém acredito que o principal investimento em renda fixa são os títulos públicos, carinhosamente conhecidos como Tesouro Direto.

Dentro do Tesouro Direto, por sua vez, temos três tipos de títulos públicos: Tesouro IPCA+, Tesouro Prefixado e Tesouro Selic.

Vou explicar agora de forma rápida e prática como funcionam esses três tipos de títulos e qual a função de cada um deles dentro de uma carteira de investimentos.

Tesouro IPCA+

Nesse título seu dinheiro vai render a inflação + um percentual definido na hora do investimento. No cenário atual a inflação tá em torno de 4,5% a.a e o percentual do Tesouro IPCA tá uns 5% a.a (depende da data de vencimento do título). Se a inflação aumentar, seu dinheiro rende mais, se a inflação diminuir seu dinheiro rende menos. Esse tipo de título se caracteriza por ser de longo prazo, hoje, por exemplo, estão sendo negociados títulos com vencimento em 2024, 2035 e 2045.

Há também a opção de comprar Tesouro IPCA com juros semestrais, isso quer dizer que todo semestre vai cair na sua conta os rendimentos desse título, com o devido desconto do imposto de renda.

Vantagem: seu dinheiro vai estar protegido da inflação, ou seja, você sempre garantirá a inflação mais um troco por um longo período de tempo.

Desvantagem: se você resgatar o título antes do vencimento estará sujeito à marcação de mercado e pode perder dinheiro.

Orientação Prática: Coloque em Tesouro IPCA dinheiro que vai pra aposentadoria, por isso invista em títulos com data de vencimento próximas a quando você tem expectativa de se aposentar. Não invista em títulos com juros semestrais, pois a cada juros que é retirado do montante é um valor a menos para ser capitalizado para o longo prazo.

Tesouro Prefixado


Nesse título seu dinheiro vai render a uma taxa fixa determinada no momento do investimento, hoje essa taxa está entre 8%  a 10% a.a, dependendo do vencimento do título. Esse tipo de título se caracteriza por ser de médio prazo, atualmente estão sendo negociados com vencimento em 2021, 2025 e 2029. Assim como no TD IPCA, também há a opção de comprar Tesouro Prefixado com pagamento de juros semestrais.

Vantagem: se você conseguir pegar um TD Prefixado com uma rentabilidade interessante (acima de 10% pelo menos) terá a oportunidade de "travar" essa rentabilidade por alguns anos.

Desvantagem: se você resgatar o título antes do vencimento estará sujeito à marcação de mercado e pode perder dinheiro. Além disso, se a inflação subir muito, você sairá prejudicado pois sua rentabilidade está "travada" e pode até perder para a inflação.

Orientação prática: Coloque em Tesouro Prefixado um dinheiro que você não vai precisar no curto prazo, porém vislumbra utilizá-lo no médio prazo (para comprar um imóvel ou trocar de carro por exemplo), ou que tenha a expectativa de alocá-lo em outro tipo de investimento futuramente. Não invista em títulos com juros semestrais, pois cada juros que é retirado do montante é um valor a menos para ser capitalizado para o longo prazo.

Tesouro Selic

Nesse título seu dinheiro vai ter rendimento igual à Taxa Selic, que é definida pelo Banco Central em reuniões realizadas a cada 1 mês e meio mais ou menos. Hoje ela está em 6,5% a.a. Se a Taxa Selic subir seu dinheiro rende mais, se a Taxa Selic cair, seu dinheiro rende menos. A principal diferença desse título para os outros dois é que ele não sofre com a marcação a mercado, seu rendimento é praticamente linear, por isso você pode resgatar a qualquer momento sem medo de perder dinheiro.

O Tesouro Selic pode até ser considerado a "nova poupança", pois rende mais que a poupança, tem rendimento diário (rendimento da poupança é mensal) e tem liquidez quase diária.

Vantagem: o dinheiro rende mais que a poupança (mesmo considerando o desconto de imposto de renda) e pode ser resgatado a qualquer momento sem riscos de perdas.

Desvantagem: esse título tende a render menos que os outros títulos disponíveis no Tesouro Direto e outras opções disponíveis no mercado

Orientação Prática: Coloque em Tesouro Selic o dinheiro da reserva de emergência, ou seja, aquela grana que você não se importa de render um pouco menos, pois o mais importante é ter ela disponível em eventuais necessidade urgentes (ou quase urgentes).

Taxas e Impostos a Pagar

Ao investir em Tesouro Direto, você estará sujeito à uma única taxação, que é a tarifa de custódia da B3 (Bolsa de Valores) referente aos serviços de guarda dos títulos e às informações e movimentações dos saldos. Portanto, não importa por qual corretora ou banco você invista, sempre terá a taxa de custódia da B3. O valor dessa tarifa é de 0,3% ao ano em cima do seu saldo investido. A cobrança é feita semestralmente, debitada direto da sua conta.

Em relação aos impostos, quando do resgate do título você pagará imposto de renda sobre o rendimento auferido. A alíquota do imposto varia de 22,5% a 15%. Se você investir por mais de 2 anos já garante a alíquota mínima, e mesmo que o investimento for inferior a 2 anos, em qualquer cenário o rendimento do Tesouro Direto bate a poupança.

Se o seu banco ou corretora quiser cobrar mais alguma taxa, simplesmente diga que vai comprar cigarros e não volte mais.

Conclusão

Em mais ou menos 800 palavras, que demandam algo em torno de 6 ou 7 minutos de leitura, destrinchamos tudo que importa sobre investir no Tesouro Direto. Agora basta colocar em prática e ficar rico (ou morrer tentando!)

Abraços,

Senhor Ministro

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Ainda Vale a Pena Investir em Cielo (CIEL3)?


Uma das empresas mais faladas na bolsa neste ano de 2018 foi a CIELO. Outrora queridinha dos investidores, uma das empresas mais lucrativas da bolsa, a Cielo figura agora como um case negativo: a cotação de suas ações atingiu queda superior a 60% desde o início do ano.

Mesmo que você seja totalmente alheio à bolsa de valores, já deve ter percebido o motivo: há pouco tempo atrás, pagamento com cartão era sinônimo de maquininha da Cielo, hoje essa situação está cada vez menos frequente, agora pagamos com maquininhas da Stone, da Pagseguro, da Getnet, da Rede, etc.

A concorrência aumentou e está tomando o lugar da Cielo, para tanto foi utilizada a mais primitiva das estratégias de mercado: a guerra de preços. Com taxas e condições mais competitivas, os lojistas, principalmente o pequeno e médio, começaram a substituir a Cielo pelas novas concorrentes.

A Cielo até que tentou, investiu em maquininhas mais modernas e em campanhas de marketing mais agressivas, porém na prática a companhia vem apanhando do mercado, os resultados obtidos em 2018 estão em tendência descendente em relação ao ano anterior: apenas no 3T2018, o lucro líquido chegou a cair quase 30% em relação ao 3T2017. O seguinte trecho, extraído do relatório da própria Cielo, é bem elucidador:

"Importante destacar que o yield de receita líquida foi negativamente impactado pela menor receita de aluguel, e pelo menor preço praticado como reflexo de um cenário mais competitivo".

E agora o que todos se perguntam é se estamos diante de um caso em que a empresa perdeu fundamentos e devemos ficar longe dela, ou é um caso de desespero exagerado do mercado abrindo a oportunidade de comprar ações de uma ótima empresa por preço de banana.

Comprar porque está barato ou vender porque perdeu fundamentos?

O que é certo é que a Cielo como a conhecemos, com margens de lucro na casa dos 35%, vai mudar. O novo presidente da companhia já sinalizou que vai entrar forte na guerra de preços para, pelo menos no curto prazo, barrar o avanço dos concorrentes. Ou seja, podemos esperar para o 4T2018 e até para 2019 queda nos lucros. A Cielo parece querer mostrar que na guerra de preços é ela que tem mais condições de sobreviver, até pela pomposa reserva em caixa de mais de R$ 4 bilhões.

Outra notícia preocupa o setor como um todo: o Banco Central anunciou que pretende, até 2021, implantar um sistema de pagamentos instantâneos por meio de QR Code que representará uma alternativa mais barata para os lojistas, dispensando o uso das maquininhas e creditando instantaneamente o pagamento na conta do fornecedor. Ou seja, o filão de compras no cartão de débito está sob ameaça!

Entretanto, nem tudo é esse inferno todo, a Cielo ainda é líder de mercado, detendo mais da metade do volume total de pagamentos processados no país. Uma companhia com lucros bilionários, altíssima geração de caixa e com margens ainda na casa dos 30%. O ROE apesar de vir apresentando quedas constantes, ainda pode ser considerada muito satisfatório, cerca de 25%.

Portanto, a conclusão é que estamos diante de um ponto de inflexão, a Cielo finalmente desceu do salto e reconheceu que os "pequenos", como Stone e PagSeguro, podem sim ameaçar o seu reinado, e era isso que muitos investidores vinham cobrando há tempos. Ao que tudo indica, a Cielo vai entrar de cabeça na guerra. Porém, no curto prazo isso custará a diminuição de lucro, é o preço da sobrevivência. A partir desse ponto ou a Cielo toma atitudes concretas para esboçar uma reação no médio prazo, ou afunda de vez.

Dessa forma, estamos naquele momento em que os especialistas vão precificar a ação lá embaixo, pois a maioria só olha para o curto prazo, no entanto, caso a companhia consiga crescer novamente, estamos diante de uma das maiores pechinchas da bolsa!

E ai, você confia na capacidade da Cielo se reinventar e barrar o avanço da concorrência ou é um caso perdido? Comenta ai!

Abraço!

Senhor Ministro

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Ficar Rico é Fácil, Difícil é Ganhar Dinheiro Todo Dia


O post de hoje é fruto de uma inquietação que sinto e que foi muito bem verbalizada por uma pessoa que sigo no Instagram. Esse cara (que eu sigo) é um jovem empresário, tem 32 anos, donos de um grupo de umas 10 empresas, e o foco dele é falar sobre empreendedorismo. Apesar de falar muitas coisas interessantes sobre negócios, o cara tem uma vida meio de playboy ostentação, apesar disso gosto das coisas que ele fala.


Recentemente eu assisti a um dos stories em que ele fez a seguinte afirmação: "ficar rico é fácil, basta ganhar R$ 10 mil e economizar R$ 9 mil, depois de 20 anos você vai estar rico. O difícil é ganhar dinheiro todo dia, esse é o desafio".

Apesar de eu achar que o objetivo da frase foi levantar aquele velho debate "ser empregado x ser dono do negócio", minha abordagem sobre essa frase será um pouco diferente.

Simplificações grosseiras à parte, essa frase me levou a algumas reflexões relacionadas ao enorme risco de vivermos sob a condição de receber salário uma vez por mês de uma única fonte de renda. Mesmo para quem é empresário ou autônomo (talvez principalmente para esses), depender de um único tipo de produto ou serviço pra lhe dar renda também pode ser uma atitude deveras arriscadas.

Quando se investe no mercado financeiro, uma das premissas básicas é a diversificação, de forma a diluir o risco. Quem faz all in em algum investimento específico geralmente é taxado de louco e tem grande possibilidade de tomar ferro (e vimos alguns se dando muito mal com all in em criptomoedas recentemente).

O mesmo princípio deve ser aplicado às nossas vidas pessoais: é arriscado confiar em uma única fonte de renda. E se seu chefe for substituído e o novo chefe não gostar do seu perfil? E se o ramo de atuação da empresa passar por uma crise? E se surgir concorrência predatória? E se a regulação estatal inviabilizar o exercício de uma profissão? E se a sua principal fonte de clientes, redes sociais, por exemplo, restringir o seu alcance?

Servidores públicos tendem a estar numa situação mais confortável em relação a esse tipo de risco, no entanto não dá pra relaxar, as coisas podem mudar de uma hora pra outra, nada é garantido. Pra essa categoria, o maior risco que vejo é de congelamento salarial, fazendo com que a inflação corroa a renda.

Tem gente que nem gosta de pensar nisso para não perder a cabeça



Por isso que, há um tempo, eu me lancei o desafio de diversificar as fontes de renda, de "ganhar dinheiro todo dia". De início parece algo incompatível, já que o nosso trabalho principal nos ocupa durante todo o dia. Para algumas pessoas essa desculpa pode até ser procedente, pois são exigidas dentro e fora do horário de trabalho, porém, para a maioria, acredito que é plenamente possível conciliar uma renda paralela.

No começo a gente fica meio travado, pois nos acostumamos a "ser" a nossa profissão principal. Somos advogados, contadores, engenheiros, médicos. Mas a verdade é que isso não nos limita, as possibilidades são imensas. Esses dias mesmo estava conversando com um colega de profissão que manja dos "paranauê" de milhas aéreas e inclusive participa de grupos especializados nisso. Os caras têm todo tipo de técnica para ganhar mais milhas e alguns faturam muito bem com isso.

Nos últimos meses minhas rendas extras não foram tão relevantes frente ao meu salário, porém o importante é dar o primeiro passo, é pensar fora da caixa. Nesse período, além da minha renda principal, obtive renda de quatro outras fontes (sem considerar as aplicações financeiras), e pretendo ao longo dos próximos meses gerar ainda mais caixa e consolidar melhor uma ou outra fonte de renda que se mostraram mais promissoras. Isso sem falar na possibilidade de implementar novas fontes de renda, já que ideias não faltam, o difícil é executá-las.

As aplicações financeiras, por si só, não deixam de ser uma forma de diversificar a renda, porém estou me desafiando a fazer mais que isso.

E você já pensou nisso?

Abraços,

Senhor Ministro

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A Triste Situação de Quem, Após 35 Anos de Trabalho, Não Pode se Aposentar

A Triste Situação de Quem, Após 35 Anos de Trabalho, Não Pode se Aposentar

Esses dias estava almoçando com um colega de trabalho, um senhor já com seus 60 anos, e ele fez um desabafo sobre a sua situação financeira. Esse senhor já atingiu todas as condições legais para se aposentar e mais importante, ele quer muito se aposentar. Mas se ele tem a faca e o queijo na mão, por que não se aposentar logo de uma vez por todas e curtir a vida com uma renda passiva garantida pelo governo?

Resposta: completo descontrole financeiro e familiar.

Descontrole financeiro pois nem ele nem a mulher (que segundo ele adora gastar dinheiro) nunca tiveram a consciência de poupar nada e chegaram à beira da aposentadoria sem reservas financeiras, confiando apenas na aposentadoria do governo.

A mulher chegou a se aposentar antes dele, e adivinha: só depois de "pendurar as chuteiras" ela descobriu o quanto o seu salário de aposentada era inferior ao salário de servidora pública ativa. E o pior: ela não consegue baixar o padrão de vida, continua gastando como antes.

Se não bastasse isso, o referido casal tem três filhos, os três ainda moram com os pais, cada um tem um carro, estudam em faculdade particulares e nenhum deles trabalha. Como se tudo isso não fosse suficiente, surgiu uma alta cobrança do governo relativa ao terreno em que ele mora, portanto mais uma despesa pra arcar.

Resultado: esse colega por mais que queira, e tenha direito, não pode se aposentar, pois ele conta com o salário integral dele (mais o abono permanência) para sustentar as despesas da casa. Caso ele se aposentasse a redução salarial inviabilizaria o seu modo de vida. Do jeito que ele me contou sobre sua situação financeira, suspeito que ele terá que ficar trabalhando até o limite de idade do serviço público, que é os 75 anos.

A Triste Situação de Quem, Após 35 Anos de Trabalho, Não Pode se Aposentar
Não esquece de bater o ponto vovô!
 
Fico imaginando o tamanho da frustração, após décadas de trabalho, não poder se aposentar por um questão puramente financeira. Será que se ele tivesse tido uma consciência de formação de patrimônio, construção de renda passiva e atingimento de independência financeira aos 30 ou 40 anos ele não estaria numa situação financeira bem melhor? E se ele tivesse começado aos 20?

O pior é que ele não teve consciência financeira nenhuma durante a vida e sua mulher e filhos seguiram no mesmo caminho, ou seja, desastre total.

E olhe que essa situação narrada reflete uma realidade de um servidor público, se fosse na iniciativa privada, muito dificilmente esse meu colega teria a opção de continuar trabalhando até os 75 anos, certamente seria demitido antes.

É por isso que a jornada de fazer aportes, construir patrimônio, obter renda passiva e lutar pela independência financeira não é uma luta só daqueles que querem se aposentar cedo, é uma luta que todos devem travar, mesmo aqueles que pretendem se aposentador aos 60/65 anos.

Não existe coisa pior que se dar conta que aos 60 anos de idade, depois de mais de 35 anos trabalhando, você não é nem nunca será independente financeiramente, que até o fim dos seus dias você dependerá da boa vontade de um empregador, de um governo, de ajuda de parentes, etc.

É por isso que a construção de patrimônio e busca da independência financeira deve ser um caminho trilhado desde cedo, de preferência antes dos 30 como destaquei nesse artigo,  porém, mesmo que você já tenha 30 e poucos ou 40 e poucos anos e não tenha iniciado essa jornada, comece desde já a construir a sua ponte para a liberdade, ainda dá tempo, não faça como esse meu colega de trabalho fez.

Muito além de comprar felicidade, o dinheiro compra, principalmente, liberdade!

Abraços,

Senhor Ministro

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Se Você Tem Menos de 30 Anos, Leia Isso...

jovem investidor

Em nossas vidas temos alguns marcos temporais interessantes, diria que o primeiro deles é quando completamos 18 anos e atingimos a maioridade: podemos dirigir, podemos ser presos, podemos consumir bebidas alcoólicas (até parece que não consumíamos antes kkk), mas sobretudo a vida dá uma reviravolta com o fim do longo período escolar (que se iniciou quando éramos crianças) e somos introduzidos à dura realidade que para ser alguém na vida precisamos ganhar dinheiro.

O outro marco igualmente interessante são os 30 anos completos, é quando, passada a euforia dos "20 e poucos anos" paramos pra fazer uma reflexão profunda sobre os caminhos que demos para a vida. É nesse momento que muita gente entra em desespero pois pensam "nossa, tenho 30 anos e não casei nem tenho filhos", "nossa, tenho 30 anos e não tenho um emprego decente", "nossa, tenho 30 anos e ainda moro com meus pais", mas uma das questões mais relevantes é:  

"Nossa, completei 30 anos de vida e não tenho um centavo guardado/investido".

Se isso aconteceu ou pode acontecer com você é motivo para se preocupar? Lógico!!!

Quando se trata de construir patrimônio, gerar renda passiva, atingir a independência financeira, temos uma equação muito simples que resume tudo: Aporte x Tempo x Rentabilidade. Só que nessa singela equação as variáveis "Aporte" e "Tempo" tem muito mais peso que a "Rentabilidade" (pelo menos na fase de acumulação de patrimônio).

Portanto, quem chega aos 30 anos sem um puto no bolso e quer atingir a IF, logicamente terá menos tempo para isso do que uma pessoa de 20 anos, por conseguinte terá que reforçar a variável "Aporte" para compensar a diminuição da variável "Tempo". "ah mas essa pessoa pode focar em ter uma rentabilidade acima da média pra recuperar o tempo perdido". Só se for montando uma empresa bem lucrativa ou algo do tipo, pois buscar rentabilidades astronômicas no mercado financeiro é o início do fracasso.

jovem investidor
Não precisa chorar

Por que estou falando isso? Para assustar aqueles que completaram 30 anos e estão endividados e sem patrimônio? Claro que não! É possível sim sair dessa situação e ainda atingir a IF, é só questão de ter consciência do estado atual e traçar uma rota para o estado desejado. Esse é papo para outro post.

A minha mensagem principal de hoje é para aqueles que estão nos seus 20 e poucos anos, curtindo a vida e deixando para depois esse papo de "aportar e investir". Mesmo que você ganhe pouco, comece agora! Fiz uma pequena simulação para demonstrar a importância de começar a aportar desde jovem, mesmo ganhando pouco, veja só:

jovem investidor

Para construir essa simulação utilizei uma taxa de aporte de 20% da renda, que é um valor completamente possível para um jovem com poucas despesas e responsabilidade (principalmente considerando que as pessoas estão cada vez mais prolongando a "estadia" na casa dos pais), e rentabilidade anual de 6,5% (atual rentabilidade do Tesouro Selic).

Veja que uma pessoa que faz esse esforço, que consegue adquirir essa disciplina de aportes e investimentos (sem muito sacrifício, diga-se de passagem), consegue, saindo do absoluto zero, chegar aos 30 anos com um patrimônio de R$ 80 mil. Nada mal. E repare nos salários que eu utilizei para fazer a simulação, nada astronômico, não é salário de executivo ou gerente sênior, salários normais e atingíveis.

Essa pessoa, além de iniciar a sua fase de "trintão" com um bom patrimônio, ganhará outra coisa de valor inestimável: disciplina e conhecimento. Depois de anos de aportes e investimentos, mesmo eventualmente aportando pouco, essa pessoa estará muito mais preparada e habituada a economizar e investir. No momento em que sua renda aumentar ela terá capacidade de aportar mais e saberá exatamente como investir esse dinheiro, aumentando significativamente a velocidade e intensidade da acumulação patrimonial.

Se você, assim como eu, já passou dos 30, certamente se arrepende de não ter tido essa consciência quando mais jovem. Eu particularmente me arrependo muito, e olha que meus salários foram bem maiores que esses que utilizei na simulação (muito embora tenho assumido responsabilidades bem mais cedo que a média dos jovens de hoje em dia).

Mas nunca é tarde, a melhor hora pra começar é agora, e se você é jovem, melhor ainda!

Abraços,

Senhor Ministro

terça-feira, 23 de outubro de 2018

A Verdadeira Fórmula do Sucesso Financeiro

A Verdadeira Fórmula do Sucesso Financeiro


Na sua opinião, que ponto, financeiramente falando, você precisa alcançar para se considerar bem sucedido financeiramente? Ou melhor, vamos tornar isso menos pessoal: pense em quais são as características apresentadas pelas pessoas que você considera bem sucedidas financeiramente.

Num primeiro momento é normal pensarmos em pessoas que ostentam bens de luxo - como carros importados, grandes casas/apartamento e barcos -, pessoas que fazem viagens internacionais com regularidade, pessoas que são proprietárias de grandes empresas e/ou grandes marcas, pessoas que ocupam altos cargos em multinacionais, etc.

De fato essas pessoas se revestem de uma "casca" de sucesso financeiro e acabam influenciando uma infinidade de outras pessoas, principalmente os jovens, a buscar o mesmo nível de sucesso, porém a verdade é que é impossível mensurar se essas pessoas são, de fato, bem sucedidas financeiramente.

Será que aquele apartamento com vista pro mar e aquele carrão não foram sustentados por endividamento exorbitante? Será que apesar de todas as fotos de viagem no Instagram aquela pessoa dificilmente consegue verdadeiramente relaxar pois é ininterruptamente inundada por demandas de trabalho sem falar na preocupação de perder o emprego e não ter como sustentar a família? Será que aquele cargo executivo não vem às custas de sacrificar o tempo com a família e a saúde? A resposta para essas perguntas pode ser "sim" mas também pode ser "não".

A verdade é que quando somos jovens, nada disso importa, queremos ganhar bem e mostrar que ganhamos bem, não importa a que custo. Porém no longo prazo essa conta pode sair cara e algumas coisas que faziam sentido, já não farão mais, porém sair dessa ciranda pode não ser tão fácil.

É por isso que medir o sucesso financeiro apenas pelo que se vê é um enorme equívoco. Os verdadeiros elementos que definem o sucesso financeiro estão longe dos olhos das pessoas, e baseiam-se no atingimento de dois estágios de vida: a tranquilidade e a independência financeira.

A Verdadeira Fórmula do Sucesso Financeiro
 
A tranquilidade financeira é um ponto no qual dificilmente alguma emergência, fato não recorrente ou imprevisto financeiro, por maior que seja, vai tirar o seu sono. Um exemplo simples para ilustrarmos um pouco esse estágio de vida, é o seguinte: imagina se você, depois de anos de carreira, é executivo de uma grande empresa porém, em virtude de uma reestruturação, perde o seu cargo e passa a ganhar metade do seu antigo salário.

Para a maioria das pessoas isso significa tragédia financeira, mudança brusca de padrão de vida,  endividamento crescente, e possível falência financeira. Porém para quem atingiu a tranquilidade financeira, isso não vai ser uma preocupação tão grande, na prática, a vida vai seguir seu rumo normal e o cidadão terá tempo e tranquilidade para pensar em um eventual rearranjo de sua carreira. Mas como? a resposta é: renda passiva. A renda passiva do indivíduo é suficiente para cobrir o déficit (ou pelo menos parte dele) pela perda salarial.

Já a independência financeira é o estágio seguinte. É aquele ponto em que a renda passiva do indivíduo é suficiente para custear sua vida sem a dilapidação do seu patrimônio. Nesse ponto essa pessoa não depende financeiramente de mais ninguém: empresa, chefe ou governo. Nesse ponto a pessoa pode simplesmente optar por sair de uma multinacional e trabalhar meio expediente na praia alugando pranchas de surf, e sua vida financeira não será alterada. Nesse estágio da vida financeira, o governo pode anunciar o congelamento da aposentadoria por 50 anos, e a vida financeira da pessoa não será alterada.

Tranquilidade e independência, essas são as verdadeiras características do sucesso financeiro. É por isso que há casos de pessoas bem sucedidas financeiramente, mas que não aparentam ser, ao mesmo passo que temos pessoas com a vida financeira em frangalhos, mas que aparentam o sucesso.

É possível ser tranquilo e independente financeiramente morando num apartamento de 60m² e andando de Palio? Sim, é possível. É possível ser tranquilo e independente financeiramente morando num apartamento de frente pro mar e andando de BMW? Sim, também é possível. As expectativas de vida de cada pessoa são diferentes, assim como também será o tamanho da renda passiva necessária para atender a essas expectativas.

E para atingir esse sucesso financeiro que eu descrevi, no fim das contas, existe basicamente uma chave para acessá-lo: renda passiva (de preferência de fontes diversificadas e riscos gerenciados).

Você já parou pra pensar nisso?

Abraços,

Senhor Ministro

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Uma Análise Sobre os Fundos Imobiliários (FIIs) Com Alta Rentabilidade e os Riscos Envolvidos (Caso FAMB11B)

Fundos Imobiliários (FIIs) Com Alta Rentabilidade FAMB11B

O investimento em Fundos Imobiliários ainda é uma modalidade desconhecida por muitos brasileiros, mas vem crescendo a cada dia. Em Junho/2018 a B3 contabilizou cerca de 129 mil investidores pessoas físicas em fundos imobiliários contra 730 mil investidores individuais em ações. Apesar dessa grande defasagem em relação ao mercado acionário, é inegável que os FII vêm crescendo muito e caindo no gosto de novos investidores todos os dias.

Entretanto, no que tange à análise de Fundos Imobiliários no Brasil, ainda vejo algo muito incipiente. Não há muita literatura acerca do assunto e o número de especialistas é igualmente reduzido. Da mesma forma, não há uma maturidade de extração e estruturação de dados dos FII para auxiliar os investidores, como temos com as ações à exemplo do que fazem sites como Fundamentus e PenseRico.

Dessa forma, o processo de escolha de um FII para investir pode ser um enorme desafio para muitos investidores. Que parâmetros utilizar? Existem vários, por exemplo: localização do imóvel, padrão construtivo, idade do imóvel, valor do aluguel em relação ao praticado na região, quantidade de imóveis do fundo, quantidade de inquilinos de um imóvel, tipo e duração dos contratos, qualidade da gestora, etc.

Veja que são inúmeros critérios, alguns extremamente subjetivos, o que torna tudo mais difícil. E ai alguns investidores resolvem simplificar as coisas e utilizar AQUELE critério, o único, o soberano, o magnânimo, aquele que realmente importa: qual fundo está pagando mais. Em termos mais técnicos, chamamos isso de Dividend Yeld.

Caso você não saiba, o Dividend Yeld é o termo técnico utilizado para fazer uma espécie de medição da rentabilidade de um fundo e se dá pelo seguinte cálculo: Rendimentos/Preço da Cota. Supondo então que a cota de um determinado FII custe R$ 100,00 e ele esteja distribuindo mensalmente R$ 0,80 por cota, podemos afirmar que o DY mensal desse fundo é de 0,80%. Só a título de comparação a poupança está pagando hoje um “DY” mensal de 0,37%.

Então o critério do DY é excelente não? Assim podemos escolher os fundos imobiliários que irão nos dar maior retorno. Em tese é isso, porém quando se trata de mercado financeiro temos que lembrar sempre daquela velha máxima: quanto maior o retorno, maior o risco. Nos fundos imobiliários isso se aplica perfeitamente, e para mostrar os perigos de investir buscando apenas rentabilidade, vou citar um exemplo a seguir de um FII com alta rentabilidade porém com riscos significativos.

FAMB11B – Edifício Almirante Barroso

Como o nosso foco é buscar fundos imobiliários com altos rendimentos, vamos inicialmente dar uma olhadinha no DY desse fundos nos últimos meses:

Fundos Imobiliários (FIIs) Com Alta Rentabilidade FAMB11B

Repare na coluna "DY", esse fundo tem rendido mais de 1% ao mês e em agosto/2018 rendeu absurdos 1,6% ao mês!! Isso é muita coisa!! Só pra você ter uma ideia, se você investisse R$ 100 mil nesse fundo receberia todo mês R$ 1.600,00 de proventos. Se aplicasse os mesmos R$ 100 mil na poupança eles renderiam apenas R$ 370,00 por mês. Olha a diferença!



Mas calma, antes de abrir a sua corretora e sair comprando algumas cotas de FAMB11B vamos analisar um pouco melhor o fundo:
a) o fundo é detentor de apenas um imóvel, o Edifício Almirante Barroso;
b) Esse imóvel é integralmente locado para a CAIXA, ou seja, o fundo fica na dependência de apenas um inquilino;
c) O prédio é velho, precisa de reformas e quanto mais gastos com reformas, menos lucro para distribuir para os cotistas;
d) O fundo e a CAIXA não se entenderam sobre a prorrogação do contrato e atualmente vigora um contrato por tempo indeterminado sem multa rescisória, ou seja, a CAIXA pode sair do imóvel quando bem entender sem pagar multa;
e) Há boatos circulando na imprensa de que a CAIXA tem intenção de deixar o Edifício Almirante Barroso;
f) O imóvel está localizado em um dos estados mais falidos e com maior taxa de vacância do Brasil (Rio de Janeiro).

Perceba que após considerar esses fatos, aquele "rendimentão" de 1,6% já não fica mais tão bonito né? Já pensou se a CAIXA resolve deixar o imóvel, seria um caos para o fundo, que teria muitas despesas a arcar com reforma e poderia ter grandes dificuldades para locar seus espaços novamente e, quando o fizesse, faria por um preço de aluguel bem inferior ao atualmente praticado com a CAIXA. O próprio preço da cota reflete esses riscos, uma vez que em 1 ano o valor da cota caiu quase 50%.

Eu não sei na sua cidade, mas perto de onde trabalho tem alguns desses prédios antigões que foram desocupados por um grande inquilino e nunca mais foram locados. Dá pena ver o comércio da região, antes lotado, restaurantes cheios na hora do almoço e agora os poucos que sobraram vão lutando para conquistar os parcos clientes que sobraram.

Conclusão

Ao investir em fundos imobiliários pense que se está fazendo um investimento de longo prazo, portanto é preciso pensar não só nos rendimentos atualmente distribuídos pelo fundo mas a sua sustentabilidade no longo prazo e os principais riscos envolvidos.

Eu usei o FAMB11B como caso prático para a análise mas temos outros exemplos de fundos que pagam, ou pagavam, altos rendimentos mas que carregavam com si riscos significativos. O caso mais recente é o do MFII11, que já abordei aqui no blog, que tinha um dos mais altos DY do mercado mas que acabou tendo suas negociações suspensas em virtude de suspeitas de irregularidades.

De certo o mercado de informações relacionadas aos FII ainda tem muito a crescer e se democratizar, mas isso acontecerá com o tempo e com o próprio crescimento do mercado, afinal quanto mais consumidores mais profissionais interessados em gerar e rentabilizar conteúdo relacionado ao assunto.

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com


segunda-feira, 30 de julho de 2018

Análise Fundamentalista: Grendene 2T2018 - Queda de 30% no Lucro!!! O Que Aconteceu?!?

E cá estamos nós em mais uma safra de balanços!

Estamos em momento de divulgação dos balanços do 2T2018 e é chegada a hora de fazermos aquela breve análise das empresas dais quais somos sócios. Todos já sabemos que, como investidores de valor, buy and holders, buscamos boas empresas para sermos sócios e colher os frutos no longo prazo, porém isso não significa que vamos sentar em cima das nossas ações e esperar o tempo passar, não podemos esquecer que uma empresa muito boa pode ficar muito ruim, assim como o contrário também é possível, uma empresa muito ruim se tornar muito boa.

E para acompanharmos o desempenho das empresas das quais somos sócios temos como principal insumo os demonstrativos financeiros, popularmente conhecidos como balanços. Portanto, como investidores em ações, precisamos pelo menos a cada 3 meses dar uma olhadinha nos balanços trimestrais das “nossas” empresas para vermos como elas estão se saindo. A ideia é nos mantermos sócios de empresas boas e que permaneçam boas e deixar de ser sócios de empresas que eventualmente fiquem ruins.

E a escolhida para analisarmos hoje é a nossa queridíssima Grendene, líder de mercado no segmento de calçado, detentora de marcas fortes e consolidadas como Melissa, Ipanema, Rider, dentre outras.  

No 2T2018 a Grendene apresentou um resultado que assustou muita gente: lucro líquido quase 30% inferior ao aferido no 2T2017.

Mas calma, não criemos pânico, vamos entender exatamente o que aconteceu!


O primeiro item que vamos analisar é a Receita!

RECEITA



A receita é um dos principais indicadores de crescimento de uma empresa, se a receita está crescendo significa, a grosso modo, que a empresa está vendendo mais produtos (o que é ótimo) ou, mesmo que não haja aumento da quantidade de produtos vendidos, a companhia está conseguindo cobrar um ticket maior por suas mercadorias (o que também é ótimo).

Como vemos no quadro acima, no caso da Grendene a receita do mercado interno ficou praticamente estável, sendo as receitas advindas das exportações o carro chefe do crescimento de 1,6% na receita bruta total, que, diga-se de passagem, não é um crescimento tão significativo. O crescimento das receitas de exportações ocorreu, principalmente, em virtude da valorização do dólar frente ao real, explico: supondo que a companhia vende seus sapatos no exterior por $ 10 dólares, antes isso equivalia a R$ 33,00 mas com a desvalorização do real hoje os mesmos $ 10 dólares valem cerca de R$ 40,00.

Uma das justificativas da companhia foi a greve dos caminhoneiros, conforme trecho seguinte extraído do release:

"Entretanto, no 2T18 vários acontecimentos afetaram os negócios de uma forma geral. A greve nos transportes interrompeu a  tímida  recuperação  do  consumo  no  Brasil  e,  embora  não  tenha  afetado  significativamente  nossa  produção em  nossa avaliação afetou o sell-out com o varejo apresentando estoques mais elevados por falta de vendas nos dias da paralisação ou  estoques  em  trânsito,  retidos  nos  bloqueios  das  estradas.  Também  afetou  nossas  exportações,  especialmente  para  América Latina, cujo transporte é rodoviário".

ESTRUTURA DE CUSTOS


Em companhias industriais, como é o caso da Grendene, o custo dos produtos vendidos (CPV) merece especial atenção pois qualquer descontrole nos custos da produção pode impactar fortemente o resultado do período. Lembrando que custos são os dispêndios relacionados diretamente com a produção de mercadorias (exemplo: pessoal da fábrica, manutenção de máquinas, aluguel e energia dos complexos fabris, etc), já as despesas são os demais gastos não relacionados com a produção, como gastos com as lojas, salário de vendedores, bônus de diretores e executivos, marketing e propaganda, etc.

Vamos aos números da Grendene:


A melhor forma de analisar a evolução dos custos é compará-lo de forma relativa em relação a receita. Para tanto vamos utilizar o indicador margem bruta (lucro bruto/receita líquida). A margem bruta da Grendene em 2T2017 foi de 45%, já em 2T2018 caiu para 44%, portanto isso indica que houve um crescimento proporcional de 1% dos custos. Não é nada alarmante mas merece o destaque.

No Release a própria Grendene justifica esse fato da seguinte forma:

"A  insegurança  política  pela  proximidade  e  indefinição  das  eleições,  a  greve  nos  transportes,  o  mercado  externo  mais turbulento e a volatilidade cambial contribuíram para o aumento de preços em diversas matérias primas e insumos, inclusive nos nossos produtos o que afetou nossa margem bruta que caiu 1 pp no 2T18 em relação ao 2T17".

DESPESAS OPERACIONAIS


Como destaquei anteriormente, as despesas são os gastos não relacionados com a produção de mercadorias. Na Grendene, destacam-se as despesas gerais e administrativas (DG&A), despesas de publicidade e propaganda, e despesas de vendas. Vamos ver então os resultados:



Observa-se portanto que todos os tipos de despesas caíram em valores absolutos e proporcionais. Tamanho empenho da empresa em enxugar despesas provavelmente se dá em virtude da consciência da estagnação econômica que ainda paira sobre o setor. Isso é bom ou ruim? Depende! Diminuir gastos com marketing nem sempre pode ser bom para uma empresa, por exemplo.

RESULTADO OPERACIONAL (EBIT)


O resultado operacional é o lucro efetivamente gerado pelo negócio, ou seja, deduzindo-se os custos de produção e as despesas operacionais. Esse é um excelente indicador para aferir o desempenho da companhia no que se refere às suas operações, que no caso da Grendene trata-se de produção e venda de calçados. Vamos então aos números:

Observa-se portanto que houve um incremento de quase 9% no lucro operacional da companhia, comparando-se o 2T2018 com o 2T2017, me parece um ótimo número. Porém isso não significou necessariamente crescimento do lucro líquido e no próximo tópico vamos entender o porquê.

RESULTADO FINANCEIRO


O resultado financeiro é segregado do resultado operacional pois não está diretamente relacionado às operações da empresa. A Grendene não é uma empresa financeira, sua operação é produzir e vender calçados, porém ela também faz investimentos financeiros, opera com derivativos e faz hedge cambial. Tudo isso é refletido no resultado financeiro.

E foi justamente o resultado financeiro o grande vilão da Grendene no 2T2018, vejamos:



Observe que houve uma queda de 66,7% no resultado financeiro, equivalente a R$ 64 milhões inferior ao mesmo trimestre de 2017. Tal fato impactou de forma significativa o lucro líquido. O principal motivo dessa forte queda no resultado financeiro foram operações com derivativos cambiais, não que a empresa tenha feita "apostas" em derivativos, ela apenas usa esses instrumentos para fazer hedge de suas receitas no exterior, entretanto a grande volatilidade do câmbio após a greve dos caminhoneiros acabou gerando essa distorção no resultado financeiro. Porém, esse prejuízo contábil com operações cambiais no mercado futuro tende a ser compensado com as receitas em dólar dos próximos dois trimestres.

LUCRO LÍQUIDO


Como destaquei anteriormente, o lucro líquido da Grendene caiu quase 30% no 2T2018 em relação ao 2T2017, e como vimos, embora a companhia tenha incrementado o seu resultado operacional, a grande queda do resultado financeiro levou ao decréscimo de 28,4% no lucro líquido em relação a 2T2017, conforme números abaixo:


OUTROS INDICADORES


Vimos acima os indicadores relacionados ao resultado da empresa, porém existem outros indicadores importantes, vou relatar alguns a seguir:

1. Geração de caixa estável
2. Baixo endividamento
3. Ótima Margem Líquida
4. Ótimo ROE
5. Bom Dividend Yeld

CONCLUSÃO


A Grendene é uma companhia muito estável, que vem crescendo sempre de forma moderada, sem grandes surpresas. Eu trataria essa grande queda do lucro no 2T2018 como algo acarretado por um evento não recorrente: como a própria companhia destaca no release, as perdas contábeis em virtude dos contratos futuros em dólar serão compensadas pelas vendas em dólar nos próximos meses. E como é algo da natureza dos eventos não recorrentes, esse "estrago" tende a não se repetir.

Portanto no que concerne às operações da Grendene ela continua muito bem, o mercado interno de calçados parece ainda estar baqueado mas a companhia vem conseguindo bons resultados.

Quando se trata de Grendene é mais ou menos isso: crescimento devagar e sempre. É uma empresa conservadora e que, talvez justamente por isso, consegue entregar bons resultados para seus acionistas por longos períodos de tempo.


E ai, o que você achou dessa análise? Faz sentido pra você?

Diz aqui embaixo nos comentários!

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

terça-feira, 17 de julho de 2018

Vale a Pena Se Arriscar em "Banquinho" Para Ganhar 1% ao Mês LÍQUIDO?

Rendimentos de 1% ao mês
 
Em tempos de vacas magras na renda variável muitos olhos começaram a se virar para a renda fixa. Obviamente não temos mais aquele cenário de vacas gordas na renda fixa semelhante ao tempo em que a Taxa Selic estava nas alturas, porém, vira e mexe aparecem algumas boas "oportunidades" que são prontamente alardeadas pelas corretoras buscando ganhar os corações de seus clientes mais conservadores ou daqueles mais machucados com as recentes pancadas que a bolsa tem dado.

Digo isso pois recebi recentemente um e-mail da minha corretora com o seguinte título: "Quais são seus planos para 7 anos?". O indicativo é para que o cliente faça um plano financeiro de longo prazo e apresenta, para tanto, um CDB prefixado com vencimento em 7 anos e com remuneração de 14,35% ao ano, emitido pelo Banco Máxima.

Descontando-se os 15% de imposto de renda incidente sobre os rendimentos, teríamos esse CDB pagando uma remuneração líquida de 12,20% ao ano, durante 7 anos. Isso equivale a um rendimento de cerca de 1% ao mês líquido! Vejam só o tão famoso "1% ao mês" de volta!

Não há dúvidas que trata-se de um ótimo rendimento e com a oportunidade de "travá-lo" por 7 anos, garantindo excelentes ganhos ao fim do período. No entanto existe um pequeno porém que muitos investidores acabam passando batido: a saúde financeira do banco emissor.

De acordo com o site Banco Data, os resultados do Banco Máxima, emissor do CDB supracitado, não estão lá essas coisas, conforme imagem abaixo:

Banco Máxima
Será que vale a pena emprestar dinheiro para um banco que parece que não vai muito bem das pernas?

Advogando a favor da causa eu diria dois pontos:

1. É difícil um banco quebrar no Brasil: segundo reportagem do Valor Econômico, entre 2008 e 2015 apenas sete bancos quebraram, porém é algo possível sim de acontecer, vide o caso recente do Banco Neon.

2. Existe a garantia do FGC: investimentos de até R$ 250 mil numa mesma instituição financeira são cobertos pelo FGC. Portanto se o banco quebrar e você tiver investido nele um montante inferior a essa quantia, você será restituído. Até onde sei o FGC funcionou muito bem no caso recente da quebra do Banco Neon.

E ai, será que vale a pena se aventurar num investimento desses ou é muita dor de cabeça para ganhar uns trocados a mais?

Abraços,

Senhor Ministro