segunda-feira, 30 de julho de 2018

Análise Fundamentalista: Grendene 2T2018 - Queda de 30% no Lucro!!! O Que Aconteceu?!?

E cá estamos nós em mais uma safra de balanços!

Estamos em momento de divulgação dos balanços do 2T2018 e é chegada a hora de fazermos aquela breve análise das empresas dais quais somos sócios. Todos já sabemos que, como investidores de valor, buy and holders, buscamos boas empresas para sermos sócios e colher os frutos no longo prazo, porém isso não significa que vamos sentar em cima das nossas ações e esperar o tempo passar, não podemos esquecer que uma empresa muito boa pode ficar muito ruim, assim como o contrário também é possível, uma empresa muito ruim se tornar muito boa.

E para acompanharmos o desempenho das empresas das quais somos sócios temos como principal insumo os demonstrativos financeiros, popularmente conhecidos como balanços. Portanto, como investidores em ações, precisamos pelo menos a cada 3 meses dar uma olhadinha nos balanços trimestrais das “nossas” empresas para vermos como elas estão se saindo. A ideia é nos mantermos sócios de empresas boas e que permaneçam boas e deixar de ser sócios de empresas que eventualmente fiquem ruins.

E a escolhida para analisarmos hoje é a nossa queridíssima Grendene, líder de mercado no segmento de calçado, detentora de marcas fortes e consolidadas como Melissa, Ipanema, Rider, dentre outras.  

No 2T2018 a Grendene apresentou um resultado que assustou muita gente: lucro líquido quase 30% inferior ao aferido no 2T2017.

Mas calma, não criemos pânico, vamos entender exatamente o que aconteceu!


O primeiro item que vamos analisar é a Receita!

RECEITA



A receita é um dos principais indicadores de crescimento de uma empresa, se a receita está crescendo significa, a grosso modo, que a empresa está vendendo mais produtos (o que é ótimo) ou, mesmo que não haja aumento da quantidade de produtos vendidos, a companhia está conseguindo cobrar um ticket maior por suas mercadorias (o que também é ótimo).

Como vemos no quadro acima, no caso da Grendene a receita do mercado interno ficou praticamente estável, sendo as receitas advindas das exportações o carro chefe do crescimento de 1,6% na receita bruta total, que, diga-se de passagem, não é um crescimento tão significativo. O crescimento das receitas de exportações ocorreu, principalmente, em virtude da valorização do dólar frente ao real, explico: supondo que a companhia vende seus sapatos no exterior por $ 10 dólares, antes isso equivalia a R$ 33,00 mas com a desvalorização do real hoje os mesmos $ 10 dólares valem cerca de R$ 40,00.

Uma das justificativas da companhia foi a greve dos caminhoneiros, conforme trecho seguinte extraído do release:

"Entretanto, no 2T18 vários acontecimentos afetaram os negócios de uma forma geral. A greve nos transportes interrompeu a  tímida  recuperação  do  consumo  no  Brasil  e,  embora  não  tenha  afetado  significativamente  nossa  produção em  nossa avaliação afetou o sell-out com o varejo apresentando estoques mais elevados por falta de vendas nos dias da paralisação ou  estoques  em  trânsito,  retidos  nos  bloqueios  das  estradas.  Também  afetou  nossas  exportações,  especialmente  para  América Latina, cujo transporte é rodoviário".

ESTRUTURA DE CUSTOS


Em companhias industriais, como é o caso da Grendene, o custo dos produtos vendidos (CPV) merece especial atenção pois qualquer descontrole nos custos da produção pode impactar fortemente o resultado do período. Lembrando que custos são os dispêndios relacionados diretamente com a produção de mercadorias (exemplo: pessoal da fábrica, manutenção de máquinas, aluguel e energia dos complexos fabris, etc), já as despesas são os demais gastos não relacionados com a produção, como gastos com as lojas, salário de vendedores, bônus de diretores e executivos, marketing e propaganda, etc.

Vamos aos números da Grendene:


A melhor forma de analisar a evolução dos custos é compará-lo de forma relativa em relação a receita. Para tanto vamos utilizar o indicador margem bruta (lucro bruto/receita líquida). A margem bruta da Grendene em 2T2017 foi de 45%, já em 2T2018 caiu para 44%, portanto isso indica que houve um crescimento proporcional de 1% dos custos. Não é nada alarmante mas merece o destaque.

No Release a própria Grendene justifica esse fato da seguinte forma:

"A  insegurança  política  pela  proximidade  e  indefinição  das  eleições,  a  greve  nos  transportes,  o  mercado  externo  mais turbulento e a volatilidade cambial contribuíram para o aumento de preços em diversas matérias primas e insumos, inclusive nos nossos produtos o que afetou nossa margem bruta que caiu 1 pp no 2T18 em relação ao 2T17".

DESPESAS OPERACIONAIS


Como destaquei anteriormente, as despesas são os gastos não relacionados com a produção de mercadorias. Na Grendene, destacam-se as despesas gerais e administrativas (DG&A), despesas de publicidade e propaganda, e despesas de vendas. Vamos ver então os resultados:



Observa-se portanto que todos os tipos de despesas caíram em valores absolutos e proporcionais. Tamanho empenho da empresa em enxugar despesas provavelmente se dá em virtude da consciência da estagnação econômica que ainda paira sobre o setor. Isso é bom ou ruim? Depende! Diminuir gastos com marketing nem sempre pode ser bom para uma empresa, por exemplo.

RESULTADO OPERACIONAL (EBIT)


O resultado operacional é o lucro efetivamente gerado pelo negócio, ou seja, deduzindo-se os custos de produção e as despesas operacionais. Esse é um excelente indicador para aferir o desempenho da companhia no que se refere às suas operações, que no caso da Grendene trata-se de produção e venda de calçados. Vamos então aos números:

Observa-se portanto que houve um incremento de quase 9% no lucro operacional da companhia, comparando-se o 2T2018 com o 2T2017, me parece um ótimo número. Porém isso não significou necessariamente crescimento do lucro líquido e no próximo tópico vamos entender o porquê.

RESULTADO FINANCEIRO


O resultado financeiro é segregado do resultado operacional pois não está diretamente relacionado às operações da empresa. A Grendene não é uma empresa financeira, sua operação é produzir e vender calçados, porém ela também faz investimentos financeiros, opera com derivativos e faz hedge cambial. Tudo isso é refletido no resultado financeiro.

E foi justamente o resultado financeiro o grande vilão da Grendene no 2T2018, vejamos:



Observe que houve uma queda de 66,7% no resultado financeiro, equivalente a R$ 64 milhões inferior ao mesmo trimestre de 2017. Tal fato impactou de forma significativa o lucro líquido. O principal motivo dessa forte queda no resultado financeiro foram operações com derivativos cambiais, não que a empresa tenha feita "apostas" em derivativos, ela apenas usa esses instrumentos para fazer hedge de suas receitas no exterior, entretanto a grande volatilidade do câmbio após a greve dos caminhoneiros acabou gerando essa distorção no resultado financeiro. Porém, esse prejuízo contábil com operações cambiais no mercado futuro tende a ser compensado com as receitas em dólar dos próximos dois trimestres.

LUCRO LÍQUIDO


Como destaquei anteriormente, o lucro líquido da Grendene caiu quase 30% no 2T2018 em relação ao 2T2017, e como vimos, embora a companhia tenha incrementado o seu resultado operacional, a grande queda do resultado financeiro levou ao decréscimo de 28,4% no lucro líquido em relação a 2T2017, conforme números abaixo:


OUTROS INDICADORES


Vimos acima os indicadores relacionados ao resultado da empresa, porém existem outros indicadores importantes, vou relatar alguns a seguir:

1. Geração de caixa estável
2. Baixo endividamento
3. Ótima Margem Líquida
4. Ótimo ROE
5. Bom Dividend Yeld

CONCLUSÃO


A Grendene é uma companhia muito estável, que vem crescendo sempre de forma moderada, sem grandes surpresas. Eu trataria essa grande queda do lucro no 2T2018 como algo acarretado por um evento não recorrente: como a própria companhia destaca no release, as perdas contábeis em virtude dos contratos futuros em dólar serão compensadas pelas vendas em dólar nos próximos meses. E como é algo da natureza dos eventos não recorrentes, esse "estrago" tende a não se repetir.

Portanto no que concerne às operações da Grendene ela continua muito bem, o mercado interno de calçados parece ainda estar baqueado mas a companhia vem conseguindo bons resultados.

Quando se trata de Grendene é mais ou menos isso: crescimento devagar e sempre. É uma empresa conservadora e que, talvez justamente por isso, consegue entregar bons resultados para seus acionistas por longos períodos de tempo.


E ai, o que você achou dessa análise? Faz sentido pra você?

Diz aqui embaixo nos comentários!

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

sexta-feira, 27 de julho de 2018

A Estratégia do Lobo de Wall Street Para Vender Ações


 
Atualmente estou lendo o livro "Os Segredos do Lobo - O Método Infalível de Vendas do Lobo de Wall Street" onde Jordan Belfort (o Lobo de Wall Street) fala do método que ele utilizava para treinar sua equipe de corretores para vender ações. No caso, Belfort fez fortuna vendendo ações baratas de pequenas empresas supostamente promissoras para ricassos acostumados a comprar apenas ações "blue chips".

De acordo com o próprio Jordan, o seu método, que ele denomina de "Linha Reta" é tão eficiente que ele fez com que "um bando de idiotas que mal saíram da adolescência confrontar os mais ricos investidores dos Estados Unidos". Muitos desses "idiotas" ficaram milionários ganhando comissões pela venda de ações na corretora Stratton Oakmont. Segundo Jordan, o seu método era tão eficiente e fácil de seguir que era "virtualmente à prova de idiotas".

Uma das coisas interessantes do livro é que o Jordan defende que por mais que alguém saiba as palavras certas a serem ditas para um potencial comprador (ou alguém que precisa ser persuadido), apenas as palavras não são suficientes para se esquivar da mente lógica do comprador e criar uma reação emocional, que é o que move a maior parte das pessoas a tomar uma decisão.

Para tanto, o autor defende que existem dois elementos fundamentais que vão fazer com que um vendedor consiga falar com o lado emocional do comprador: o tom de voz e a linguagem corporal. Ele diz que o seu tom de voz, o modo como move o corpo, suas expressões faciais, o tipo de sorriso que oferece, o jeito como se veste, o modo como estabelece contato visual e todos aqueles grunhidos enquanto se escuta alguém falar (ooh, aah, hanram etc) são parte fundamental da comunicação e causam enorme impacto em como você é percebido. Jordan defende que a comunicação humana é realizada 45% pelo tom de voz, 45% pela linguagem corporal, e apenas 10% pelas palavras efetivamente proferidas.

Não dá pra eu falar detalhadamente de cada aspecto do método "Linha Reta" pois esse post ficaria gigantesco (e talvez eu sofresse um processo por direitos autorais rs) mas uma das partes do "Linha Reta" que eu achei mais interessante e replicável para diversos momentos da nossa vida cotidiana e profissional é o método da "Âncora Olfativa".

O cerne desse método é o seguinte: para que você tenha chances de persuadir alguém - seja para fazer uma venda, apresentar um projeto, fazer uma entrevista, convencer seu filho ou esposa a agir de certa forma, conquistar aquela gata, etc - é preciso estar num estado emocional de poder. Esse estado emocional deflagra os quatro Cs: certeza, clareza, confiança e coragem.

A questão é que ninguém é 100% confiante e tem 100% certeza de tudo a todo momento, e isso nem é saudável, afinal aqueles que tem certeza de tudo toda hora são mais conhecidos como "cara chato" ou "idiota", certo? Ai que está o X da questão, o Jordan ensina com seu método como despertar esse estado de poder em momentos específicos.


O MÉTODO DA ÂNCORA OLFATIVA

Esse método não foi inventando 100% pelo Jordan Belfort, na verdade é um método bem antigo originário da PNL, sobre o qual eu já tinha lido e até tentado colocar em prática, mas a forma como o Jordan apresenta me pareceu bem interessante. A ideia é que podemos ser provativos no que diz respeito a escolher nosso estado emocional, ou seja, deixamos de ser reféns das circunstâncias da vida e passamos a escolher de forma consciente nosso estado emocional.

Para ilustrar, cito um cientista russo chamado Ivan Pavlov, conhecido por seus estudos relacionados à psicologia do comportamento. Certa vez ele fez um experimento que consistia no seguinte: presentear um cachorro faminto com um pedaço de carne ao mesmo tempo que se toca um sino. Previsivelmente o cachorro começou a salivar assim que viu a carne, enquanto o som do sino era só uma coincidência, pelo menos no início. Contudo, o que Pavlov logo percebeu é que a medida que ele ia repetindo o processo não demorou para que o cachorro começasse a salivar simplesmente ao som do sino, a carne não era mais necessária.

Na PNL o som do sino tocando é chamado de âncora e o processo pelo qual dois itens não relacionados (sino e carne) estabelecem um ligação dessa forma é chamado de fixar âncora. Dessa forma, para conseguirmos "ativar" o estado emocional de poder, o método mais eficiente seria criar uma âncora para despertar esse estado. Mas como fazer isso?

O passo a passo tradicional da PNL é o seguinte:

1. Escolha um Estado: estabeleça uma intenção para o estado emocional que você quer ancorar (estado de certeza e confiança, por exemplo)

2. Escolha sua Concentração: fechar os olhos e retomar um momento em que você estava naquele estado de certeza e confiança e criar uma imagem desse momento na sua mente

3. Escolha sua Fisiologia: mudar sua fisiologia para corresponder àquele estado, por exemplo, ficar em pé sustentando a cabeça com certeza, caminhar com confiança, etc.

4. Intensifique seu Estado: foque novamente naquela situação em que você se sentiu com certeza e confiante e tente buscar mais detalhes da situação para intensificar o sentimento.

5. Estabeleça sua Âncora: Pegar o estado intenso que você acabou de criar e ligá-lo a uma palavra ou um mantra, algum som externo ou alguma sensação aguda, como bater palmas ou gritar a palavra "sim".

O PULO DO GATO

No livro, Jordan relata que tentou por diversas vezes seguir esses cinco passos para construir sua âncora porém não obtinha resultados satisfatórios. Ele identificou basicamente duas coisas: não é nada fácil conseguir estabelecer um estado de absoluta certeza por meio de memórias, pois por mais que tenhamos boas lembranças, dificilmente apenas memorar o fato vai nos levar para um estado de pico absoluto de certeza. Outro problema era a âncora, não adianta estabelecer uma âncora genérica demais como pular, bater palma ou gritar a palavra "sim". É preciso ter uma âncora muito específica e individual para despertar aquele estado.

No fim das contas, ele se deu conta de que a única forma infalível de estar naquele grau megaintenso de absoluta certeza e confiança para estabelecer uma âncora legítima era esperar até estar nesse estado organicamente, e ai sim, estabelecer a âncora. Já para a âncora, ao invés de escolher âncoras genéricas, como as citadas acima, ele escolheu uma âncora muito específica: uma âncora olfativa. Ou seja, a âncora para ser vinculada ao estado emocional de certeza absoluta seria cheirar algo específico. Lá nos tempos de Lobo de Wall Street certamente ele usou como âncora muitas substâncias ilícitas, porém no livro ele recomenda o produto Boom Boom Energy (não sei se existem similares no Brasil, mas pelo que pesquisei esse BoomBoom é uma espécie de tubo que exala determinadores odores e que geram benefícios como melhorar respiração, combater sinusite, melhorar concentração, etc)

Portanto, resumidamente a ideia é a seguinte: esperar aquele momento impressionante em que você fecha uma grande venda, faz uma grande apresentação, conquista a mulher mais gata da festa, ou qualquer situação que te leve a um estado de absoluta certeza e confiança, e, nesse instante, sacar o tubo de BoomBoom e dar uma grande inalada em uma narina de cada vez, para fixar bem aquele odor. Depois cerre o punho e aperte com força, para que consiga sentir as unhas apertando a palma da sua mão e solte a palavra "sim" (ou "yes") de forma decidida.

A partir dai, sempre que passar por outra situação de absoluta certeza, reforce a âncora, dê mais uma cheiradinha. Com a prática o simples fato de sentir aquele cheiro em específico vai te despertar o estado emocional de certeza e confiança absoluta.

CONCLUSÃO


Eu ainda não testei esse método mas me parece extremamente interessante. Não sei se no Brasil vende algo semelhante a esse BoomBoom mas se houver vou comprar um e deixar a postos. Na próxima situação em que eu me sentir no estado de certeza e confiança absoluta, vou começar a testar o método.

E você, já conhecia ou já tentou algo do tipo?

Abraços

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

Caso queira conhecer melhor o livro, é só clicar no link abaixo:


terça-feira, 24 de julho de 2018

Minha Homenagem ao Viver de Construção

Ontem foi com muita surpresa, choque, incredulidade e tristeza que recebi a notícia do falecimento repentino do nosso colega Viver de Construção, um cara jovem, saudável, cheio de objetivos que teve a vida encerrada de forma abrupta. Sinceramente, no início achei que fosse uma brincadeira de mal gosto, ou que alguém havia invadido a conta do blogger dele, mas quando os mais próximos a ele confirmaram o fato, realmente fiquei muito triste.

Embora eu não o conhecesse pessoalmente, a forma como ele estava sempre escrevendo, fazendo desabafos sobre sua vida profissional, respondendo comentários e comentando nos blogs, e apoiando novos blogueiros, nos fazia tê-lo como um verdadeiro amigo. Inclusive o apoio dele foi muito importante para o crescimento do meu blog: o blog Viver de Construção é a segunda maior fonte de tráfego aqui do blog, perdendo apenas para o Google.

Nossa comunidade de blogs de finanças envolve muita gente, são dezenas de milhares de pessoas que leem esses blogs costumeiramente. Já tivemos alguns grandes expoentes como Viver de Renda e o Pobretão, e sem dúvidas o Viver de Construção está no rol dos grandes ícones da Blogosfera. Independente de concordar ou não, gostar ou não de todas suas postagens eu o via como uma espécie de líder dos blogs de finanças, falar em Viver de Construção era sinônimo de falar da blogosfera de finanças.

O mais triste é que o cara deixou a vida no seu auge, há um mês havia comemorado o atingimento da chamada tranquilidade financeira, quando atingiu renda passiva superior ao seu salário, estava a todo vapor com seu novo site "Informaremos", planejava viagem pra Europa e até falava em ter filhos.

Se sua esposa ou alguém da família um dia ler isso, o que eu queria deixar é uma mensagem de conforto, não sei como era a vida "offline" do VdC, mas em sua vida "online" ele deixou um legado enorme, influenciou positivamente dezenas ou centenas de milhares de pessoas com a sua saga de vida em busca da independência financeira, um cara humilde que alcançou o sucesso financeiro. E o seu legado é não só financeiro, mas também por ser um cara família, uma pessoa do bem.

Para nós que ainda habitamos esse mundo fica a lição que a vida é breve por isso deve ser vivida. Não estou falando de torrar dinheiro em jogos e viagens, lembre-se que a possibilidade de morrer repentinamente é bem menor do que a possibilidade de ficarmos vivos. Dessa forma os objetivos e a consciência financeira não mudam, o que muda é ter a consciência da brevidade da nossa existência como um lembrete para que nós possamos nos arriscar mais, enfrentar nossos medos, chegar mais cedo do trabalho para brincar com os filhos, elogiar quem merece ser elogiado, dizer "eu te amo" para os mais queridos.

VdC, vá com Deus, sua missão na Terra foi curta, mas seu legado é enorme!

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

terça-feira, 17 de julho de 2018

Vale a Pena Se Arriscar em "Banquinho" Para Ganhar 1% ao Mês LÍQUIDO?

Rendimentos de 1% ao mês
 
Em tempos de vacas magras na renda variável muitos olhos começaram a se virar para a renda fixa. Obviamente não temos mais aquele cenário de vacas gordas na renda fixa semelhante ao tempo em que a Taxa Selic estava nas alturas, porém, vira e mexe aparecem algumas boas "oportunidades" que são prontamente alardeadas pelas corretoras buscando ganhar os corações de seus clientes mais conservadores ou daqueles mais machucados com as recentes pancadas que a bolsa tem dado.

Digo isso pois recebi recentemente um e-mail da minha corretora com o seguinte título: "Quais são seus planos para 7 anos?". O indicativo é para que o cliente faça um plano financeiro de longo prazo e apresenta, para tanto, um CDB prefixado com vencimento em 7 anos e com remuneração de 14,35% ao ano, emitido pelo Banco Máxima.

Descontando-se os 15% de imposto de renda incidente sobre os rendimentos, teríamos esse CDB pagando uma remuneração líquida de 12,20% ao ano, durante 7 anos. Isso equivale a um rendimento de cerca de 1% ao mês líquido! Vejam só o tão famoso "1% ao mês" de volta!

Não há dúvidas que trata-se de um ótimo rendimento e com a oportunidade de "travá-lo" por 7 anos, garantindo excelentes ganhos ao fim do período. No entanto existe um pequeno porém que muitos investidores acabam passando batido: a saúde financeira do banco emissor.

De acordo com o site Banco Data, os resultados do Banco Máxima, emissor do CDB supracitado, não estão lá essas coisas, conforme imagem abaixo:

Banco Máxima
Será que vale a pena emprestar dinheiro para um banco que parece que não vai muito bem das pernas?

Advogando a favor da causa eu diria dois pontos:

1. É difícil um banco quebrar no Brasil: segundo reportagem do Valor Econômico, entre 2008 e 2015 apenas sete bancos quebraram, porém é algo possível sim de acontecer, vide o caso recente do Banco Neon.

2. Existe a garantia do FGC: investimentos de até R$ 250 mil numa mesma instituição financeira são cobertos pelo FGC. Portanto se o banco quebrar e você tiver investido nele um montante inferior a essa quantia, você será restituído. Até onde sei o FGC funcionou muito bem no caso recente da quebra do Banco Neon.

E ai, será que vale a pena se aventurar num investimento desses ou é muita dor de cabeça para ganhar uns trocados a mais?

Abraços,

Senhor Ministro

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Atualização Patrimonial Junho/2018: R$ 245.256,13 (+R$ 5.732,66) e Rentabilidade (-1,14%)


E ai moçada!

Vamos então a mais um fechamento de mês. Esse mês acabei ficando um pouco ausente da finansfera, mês de copa do mundo, acabei dando uma desligada do modo "finanças". Isso me trouxe uma reflexão importantíssima: para sustentar uma disciplina de aportes e investimentos no longo prazo, é preciso simplificar o processo. Querer estar sempre nas "melhores oportunidades" ou "bater o mercado" mesmo que não leve a prejuízos, pode levar a perda da vontade ou motivação para manter uma regularidade de investimento.

O mercado continua aquela coisa né, baixa após baixa, tudo vermelho. Esse mês já é meu 4º mês seguido fechando com rentabilidade negativa, mas paciência né, o foco é o longo prazo.

Já tenho sérias dúvidas se conseguirei atingir a meta de patrimônio que estabeleci para 2018: R$ 300.000,00. 

O aporte do mês foi de: R$ 6.578,00

A carteira ficou da seguinte forma:


A rentabilidade do ano é a seguinte:


E a rentabilidade, pro investimento, no mês, ficou assim:

Esse mês o fechamento vai ser simplificado mesmo, basicamente o aporte foi todo em renda variável nos seguintes papéis:

Ações: TAEE11, SAPR11 e ITUB3
FII: VRTA11 e SPTW11.

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

terça-feira, 12 de junho de 2018

Se Você Não Acredita no Brasil, Não Invista na Bolsa

Se Você Não Acredita no Brasil, Não Invista na Bolsa


Calma! Antes que você pense que fui tomado por um sentimento ufanista em virtude da Copa do Mundo, te adianto que não é nada disso! Eu gosto de futebol e acho que o Brasil tem grandes chances de ser hexa, mas o papo aqui é finanças, mais especificamente: bolsa de valores.

O mês de maio foi um dos piores meses da bolsa nos últimos tempos, com quedas fortes em todos (ou quase todos) os ativos. Além de acompanhar a blogosfera eu também acompanho uma galera que fala de finanças no Youtube e Instagram, e o que percebi foi o seguinte: os investidores amadores não aguentaram ver seu patrimônio derretendo e caíram fora da bolsa. Já os investidores mais "antenados" decidiram aproveitar o momento para comprar pechinchas.

Mas uma coisa engraçada aconteceu: muitos investidores "antenados" começaram a "arregar". Muitos começaram a duvidar da capacidade de o Brasil e, consequentemente, da bolsa se reerguer. Alguns decidiram parar de aportar em renda variável e aguardar a turbulência passar, outros decidiram investir só no exterior. A breve experiência "venezuelística" que tivemos com a greve dos caminhoneiros  certamente contribuiu para essa descrença generalizada. Ficou escancarada a fragilidade política e econômica do país.

Como então investir em ações em um país tão instável? Será que num país como o nosso é possível pensar em investir em ações no longo prazo?

E pensando no agora, no meio dessa crise toda, é hora de aguardar as eleições e uma definição melhor do que será o país ou enxergar esse momento como oportunidade de investimento?

Não existe uma resposta certa ou errada para essa pergunta, mas uma coisa eu afirmo: se você não acredita que o Brasil pode melhorar e dar a volta por cima, não invista na bolsa. Por melhor que sejam as empresas listadas na Bovespa, todas estão expostas ao risco sistêmico, portanto se o Brasil tomar um rumo equivocado economicamente, todas as ações vão sofrer. Portanto investir na bolsa é acreditar que o Brasil do futuro pode ser melhor que o Brasil do presente, pelo menos economicamente falando.


Nesse momento há uma descrença generalizada no país, sentimento diretamente refletido na cotação das ações, que estão em queda livre. Nesse momento o Brasil está em baixa, com baixíssima credibilidade. Nesse momento cabe a você, investidor, perguntar a si mesmo se acredita que o Brasil, 9ª maior economia do mundo, pode dar a volta por cima (e aproveitar para pagar "barato" pelo Brasil), ou se você acha que o Brasil ainda não chegou no fundo do poço e o buraco ainda é mais embaixo.

Como estamos em clima de Copa do Mundo, vamos fazer uma analogia com a história do grande jogador Ronaldo "Fenômeno". Copa de 1998, Ronaldo, recém eleito o melhor jogador do mundo pela 2ª vez, era a maior esperança de gol para o Brasil, porém, na final da copa, sofreu de misteriosas convulsões que prejudicaram severamente o seu desempenho e que levou o Brasil a derrota de 3x0 pra França.

No ano seguinte, 1999, Ronaldo, jogando pela Inter de Milão, sofre uma lesão no joelho que resulta na sua primeira operação. Depois de 5 meses parados, ele retorna a campo no 2º tempo da final da Copa da Itália, contra a Lazio, depois de 6 minutos em campo ele acaba contundindo gravemente o mesmo joelho operado (imagem abaixo) e sai de campo chorando.

ronaldo lesão

Essa lesão deixou o jogador mais 1 ano e 3 meses fora dos gramados. Ronaldo volta a jogar em Julho/2001, exatamente 1 ano antes da Copa, porém em Dez/2001 mais uma lesão, mais 3 meses sem jogar. Naquele momento o jogador Ronaldo estava em baixa, muitos questionaram a convocação dele para a Copa do Mundo de 2002, afinal entre 1999 e 2002 ele passou mais tempo machucado do que em campo e tínhamos o baixinho Romário artilheiro do campeonato brasileiro na época. O resto da história vocês devem conhecer. Quem "comprou" Ronaldo barato antes da copa, deve ter "vendido" caro, depois do penta.

ronaldo

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

quarta-feira, 6 de junho de 2018

O Tesouro Direto Pode Ser o Gatilho Para a Queda dos Fundos Imobiliários


Quando um investidor aplica seu dinheiro em fundos imobiliários ele está basicamente esperando duas coisas: recebimento de renda de aluguéis e valorização da cota acompanhando, por exemplo, a valorização dos imóveis do fundo.

Como os aluguéis, em regra, são reajustados pela inflação, o investidor fica tranquilo em relação à renda que ele está recebendo aumentar em linha com a inflação. Portanto se um FII hoje paga um DY de 8% ao ano, o investidor pode esperar que ele irá receber esses 8% a.a + Inflação ao longo dos anos.

Em contrapartida, a valorização dos imóveis é um "plus" a mais para o investimento porém não parece ser algo tão impactante. Em um estudo de 2015 que achei pela internet, foi realizado um levantamento da valorização REAL dos imóveis entre 1979 e 2015 e chegou-se ao número final de 1,23% ao ano.

É bem verdade que o valor da cota de um fundo imobiliário varia (pra cima ou pra baixo) por diversos fatores e não apenas pela valorização ou não do imóvel. Também é verdade que dependendo das condições de mercado e dos imóveis, os aluguéis podem não ser reajustado pela inflação e podem até sofrer redução. Não podemos esquecer que os fundos imobiliários são produtos de renda variável e, portanto, variam, não há linearidade.

Por outro lado, em oposição aos FII mas com algumas semelhanças temos um título público específico disponível no Tesouro Direto, aplicação mais segura e previsível,  trata-se do Tesouro IPCA+. Em síntese, esse garotinho garante ao investidor que o dinheiro aplicado seja reajustado pela inflação e renda um determinado prêmio, que varia dependendo das condições macroeconômicas. Hoje esse prêmio está em 5,89% ao ano.

Percebe-se nessa breve introdução que há semelhança entre o investimento em Fundos Imobiliários e no Tesouro IPCA+. Em ambos os casos o investidor espera que o valor aplicado renda um determinado percentual + inflação. Vamos analisar isso então:

O Tesouro IPCA+ está pagando hoje, sem risco: Inflação + 5,89% e os FIIs??

Com auxílio da plataforma de FIIs da Socopa, fiz um levantamento do DY anualizado médio dos fundos imobiliários integrantes do IFIX, baseado na última distribuição. Exclui apenas o KNRE11 que está com o DY distorcido em virtude de o fundo estar fazendo amortizações.

A partir desse levantamento, verifiquei que o rendimento anual (DY) médio dos fundos imobiliários que compõem o IFIX é de 7,01%.

Considerando que os rendimentos dos fundos contam, em tese, com reajuste inflacionário, a briga entre Tesouro IPCA+ e Fundos Imobiliários ficaria assim:

Tesouro IPCA+: Inflação + 5,89%  
Fundos Imobiliários: Inflação + 7,01%

Observa-se, portanto, que hoje ainda há uma vantagem de 1,12% a favor dos Fundos Imobiliários, que é justamente o prêmio pelo risco. A questão é: esse prêmio de risco me parece estar muito pequeno o que faz com que muitos investidores optem pela segurança e previsibilidade dos títulos públicos.

Nesse cálculo eu não levei em conta a valorização ou desvalorização da cota do fundo imobiliário, que é um componente relevante, mas só a título de curiosidade, considerando os mesmos ativos do IFIX, os FIIs variaram, em média -1,07% no ano.

Dessa forma, caso a taxa de remuneração do IPCA+ continue crescendo, a tendência é que haja uma migração de investimentos para os títulos públicos, o que irá impactar fortemente o mercado de fundos imobiliários, gerando forte quedas no mercado. Logicamente que caso isso aconteça, essa queda irá assustar muitos investidores, porém, quando a poeira baixar os mais preparados perceberão que é a oportunidade de pagar mais barato pelas cotas de FIIs aumentando assim o DY do investimento, e assim o mercado se equilibra.

Considerando a instabilidade política e a expectativa de aumento da inflação, se desenha um cenário propício para a ocorrência dos fatos narrados. Não sou economista nem gosto de futurologia, mas, na minha percepção, em breve (alguns meses) se abrirá uma boa janela de entrada em fundos imobiliários, corrigindo um pouco o mercado, que, como há um consenso, está muito esticado.

E ai, você concorda?

Abraços,

Senhor Ministro

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Atualização Patrimonial Maio/2018: R$ 238.706,06 (- R$ 2.828,23) e Rentabilidade (- 4,91%)

 
Uma nuvem negra pairou pela bolsa no mês de maio. A greve dos caminhoneiros escancarou um país frágil e debilitado, somando-se às perspectivas de aumento de juros americanos e ainda a proximidade de um das mais controversas e imprevisíveis corridas presidenciais das últimas décadas, os investidores, principalmente os estrangeiros, não perdoaram.

O resultado disso é que caiu tudo: ações, FII, tesouro direto e até as criptomoedas (que não tem qualquer relação com o cenário macroeconômico brasileiro) também caíram, ou seja, não sobrou pedra sobre pedra. Por outro lado, como relatei no post em que falo das lições de Peter Lynch, mercados em queda são ótimas oportunidades para comprar boas ações a preços mais baixos e foi isso que fiz, continuei aportando normalmente.

Vamos ao estrago então:

Aporte: R$ 2.830,25

Na verdade o aporte do dinheiro de maio vai totalizar algo em torno de R$ 5.800,00 mas o que foi efetivamente aportado em maio foi o valor acima, o restante estou aportando agora no comecinho de junho, portanto será contabilizada no fechamento seguinte.

Tal aporte foi destinado à compra de KROT3 e ITUB3. Com o que estou aportando agora no comecinho do mês comprarei duas grandes geradoras de dividendos: TAEE11 e SAPR11. Por enquanto sem aportes em FII's, a próxima reunião do COPOM ainda é uma incógnita e caso haja elevação dos juros, os FII's podem cair, então preferi aguardar. Posso estar errado, mas nesse momento vejo uma janela de oportunidade melhor nas ações.

A carteira fechou o mês assim:


Mesmo com o aporte, a carteira fechou com valor de quase R$ 3 mil inferior ao mês passado. Nos números de rentabilidade abaixo fica evidente os motivos disso:


Observa-se portanto que todos os produtos de renda variável (incluindo Tesouro Pré e IPCA, que se comportam como renda variável antes do vencimento) fecharam em fortes quedas. As carteiras de ações e FII fecharam assim:



Os papéis com melhor (ou menos pior) desempenho foram os seguintes: EGIE3 (0,0%), VRTA11 (-0,9%) e KNIP11 (-0,9%).

Os papéis com pior desempenho foram os seguintes: KROT3 (-22,8%), FIGS11 (-22,7%) e ABEV3 (-15,6%).

Então é isso, sigamos aportando, pois quando a maré virar estaremos bem equipados!

Abraços

Senhor Ministro

terça-feira, 29 de maio de 2018

Lições de Peter Lynch Para o Atual Momento de Bolsa em Queda

bolsa em queda


Nesse momento, todos aqueles que investem em ações devem sentir um friozinho na barriga ao abrir o home broker, o sangue está escorrendo na Bovespa e os números vermelhinhos pipocam na tela. A verdade é que todos esperávamos que isso iria acontecer, desde 2014 o Brasil tornou-se um caldeirão de pólvora prestes a explodir a qualquer momento e um ano eleitoral é a faísca perfeita para causar algumas explosões. A greve geral dos caminhoneiros e a crise de abastecimento no país é apenas um sintoma, a verdadeira causa do declínio nos mercados é a fragilidade política que foi escancarada para o mundo inteiro ver, está dado o recado: "o Brasil não é um país sério".

Mas convenhamos que isso não é novidade para ninguém. Vamos então ao que importa: bolsa em queda livre, e agora, o que fazer? Em momentos como esse há duas correntes de investidores, de um lado aqueles do "que merda, eu devia ter realizado o lucro logo, agora é tarde demais" e do outro lado temos aqueles do "bolsa em queda, é hora de comprar ações por preço de oferta". E ai, quem está certo?

Quem vai responder essa pergunta não serei eu, mas sim Peter Lynch, lendário gestor de fundos de ações americano. Todas as citações a seguir foram extraídas do livro "O Jeito Peter Lynch de Investir".

peter lynch

"Os investidores tendem a ser otimistas e pessimistas precisamente nos momentos equivocados, de modo que é prejudicial a si próprio a atitude de tentar investir em bons mercados e sair em maus mercados"

"Diversos investidores preferem debater se uma ação está subindo, como se a musa das finanças fosse lhe proporcionar a resposta, em vez de checar a empresa"

"As ações têm maior probabilidade de serem aceitas como prudentes no momento em que não o são".

"As ações são relativamente previsíveis entre 10 e 20 anos. Em relação à dúvida sobre estar em alta ou em baixa dentro de 2 ou 3 anos, você poderia lançar uma moeda para ter a resposta".

"O investidor incauto continuamente passa por três estágios emocionais: preocupação, descuido e capitulação. Ele fica preocupado após uma queda no mercado ou após a economia transmitir a sensação de que começa a falhar, o que o impede de comprar ações de boas empresas a preços baixos. Então, após comprá-las por preços elevados, ele fica tranquilo porque os preços das ações continuam a subir. Esse é precisamente o momento em que ele deveria estar suficientemente preocupado para analisar os fundamentos, mas não está. Assim, finalmente, quando suas ações perdem valor em momentos difíceis e os preços caem para níveis mais baixos do que aqueles em que ele havia comprado, ele capitula e as vende em um momento de turbulência."

"Se economistas profissionais não podem predizer economias e analistas profissionais não podem prever mercados, então que chances tem um investidor amador? Eu não acredito na previsão de mercados. Eu acredito em adquirir ações de grandes empresas - especialmente daqueles que estão subavaliadas ou subapreciadas."

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O Que Você Faria Se Sua Vaca Caísse do Penhasco?

vaca penhasco precipício mestreUma pergunta corriqueira quando duas pessoas estão se conhecendo é aquela velha “o que você faz da vida?” e a resposta geralmente é bem simples e curta: “sou programador”, “sou vendedor”, “sou analista de recursos humanos”, “sou contador”, “sou advogado”, “sou dentista”, “sou médico”, “sou engenheiro”, etc.

E nós usamos a palavra “sou” porque de fato é aquilo que somos: se um cidadão passou 4 anos na faculdade de direito, ralou para ser aprovado na OAB, tem experiência de trabalho apenas em escritórios de advocacia, como ele poderia ser algo se não advogado?

Feita essa introdução, vou trazer, rapidamente, a historinha da vaca no penhasco. Acredito que seja uma história bem conhecida, mas se você ainda não conhece, vale a leitura e reflexão.

vaca penhasco precipício mestre

"Mestre e discípulo andavam pela estrada. O caminho era inóspito, agressivo. Muitas pedras e montanhas escarpadas de muito pouca vegetação. Avistaram, ao longe, uma casinha de aspecto pobre e humilde, e para lá se dirigiram.

Foram recebidos, hospitaleiramente, pelo dono da casa e sua numerosa família. Foram abrigados, e os residentes, com eles, compartilharam sua escassa comida e seu espaço para dormir. Interrogado pelo mestre, o dono da casa disse que a alimentação provinha de uma única fonte: uma única vaca da qual tiravam leite e seus subprodutos. O excedente era usado para efetuar trocas no povoado mais próximo.

Mestre e discípulo ficaram ali mais alguns dias, e depois partiram. Algumas horas depois da partida, o mestre disse ao discípulo:

- Volte lá, às escondidas, e jogue a vaca no penhasco.

Estupefato, o discípulo argumentou:

- Mestre, como podes me pedir isto? Então não percebes a pobreza de tão numerosa família, e que seu único sustento é a vaca? E, mesmo assim, pedes-me para jogá-la no penhasco?

- Sim - disse o mestre. Jogue a vaca no penhasco.

Desorientado, o discípulo decidiu atender o mestre, no entanto, não conseguia fazê-lo, sem sentir uma enorme culpa. Mesmo assim, o fez pelo mestre.

Alguns anos depois, passavam novamente pelas proximidades, o mestre e o discípulo. Sem nada dizer ao mestre, o discípulo decidiu que pediria perdão por ter jogado a vaca do penhasco. Assim, dirigiu-se até lá. Mas, quando chegou, não mais encontrou a pobre casinha em seu lugar. Havia uma construção nova e confortável. As pessoas que avistou eram limpas e bem vestidas, o ambiente era de trabalho, e o progresso era evidente. Foi, então, até uma das pessoas e perguntou:

- Há uns dois ou três anos, aqui havia uma pequena e pobre casinha. Saberia me dizer para onde foram aquelas pessoas?

- Somos nós - respondeu o homem.

- Não, refiro-me àquelas pessoas pobres que aqui viviam.

- Somos nós - respondeu ele, novamente.

- Mas, o que aconteceu? - disse, olhando o progresso a sua volta.

- Bem , ocorreu uma tragédia conosco. Nossa vaquinha leiteira, única fonte de sustento da família, se soltou do pasto e caiu no precipício. Entramos em aflição e não tivemos outra alternativa a não ser buscar outras formas de nos manter. Assim, aprendemos a plantar e cultivar diversas frutas e hortaliças, começamos a fazer produtos próprios e comercializá-los lá na cidade. Como resultado, temos hoje uma bonita e confortável casa"

E QUAL A MORAL DA HISTÓRIA?



Na maioria das vezes estamos tão preocupados em ser grandes advogados, arquitetos, engenheiros que esquecemos de nos questionar o que mais nós "somos"...

Será que esse caminho profissional que adotamos, muitas vezes iniciado aos 17 ou 18 anos quando escolhemos um curso universitário ou mesmo quando logramos aprovação em um concurso público, é o que nos dará mais retorno financeiro e pessoal ao longo da vida ou seria interessante atirar essa vaca no precipício?

Você já parou pra pensar se sabe fazer outra coisa além do que você faz habitualmente e se seria bem remunerado por isso? Se sim, compartilha ai nos comentários!

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Aniversário de 1 Ano do Blog "Ministro do Investimento"

 
Sim meus amigos, há exatamente um ano eu começava a minha jornada na blogosfera. Para ser mais preciso, meu primeiro post foi no dia 2 de maio de 2017, e de lá pra cá posso dizer que evolui muito no que tange a investimentos e mindset financeiro.

A verdade é que ninguém começa a investir do nada, sempre existe a influência de alguém, seja um parente, seja um livro, ou mesmo um youtuber. No meu caso, os influenciadores foram os diversos blogs aqui da blogosfera, que embora amadores na pretensão de rentabilizar o conteúdo, são extremamente profissionais quando se trata do conteúdo propriamente dito. Então agradeço a todos que estão compartilhando seus conhecimentos em seus respectivos blogs e a todos que engrandecem os debates comentando aqui no blog, mesmo que anonimamente.

Se você não conhece a blogosfera de finanças, dá uma olhadinha aqui ao lado na lista de "Blogs Parceiros", só gente de qualidade!

Para se ter ideia de como evolui, vamos dar uma olhadinha na carteira do meu primeiro fechamento patrimonial, referente à abril de 2017:


Nessa oportunidade, eu relatei que a partir de 2016 eu adquiri uma consciência financeira maior de poupar mais e evitar comportamentos consumistas, o que fez meu patrimônio aumentar em 30% naquele ano, mesmo "investindo" só em poupança. Também comentei que gostaria de, a princípio, manter esse crescimento de 30% por ano do patrimônio. Bom, vamos ver então como ficou meu patrimônio um ano depois:


O aumento absoluto foi de R$ 52.471,70 e em termos percentuais de 27,7%. Não atingi a marca dos 30% mas chegou muito perto disso. Porém é notável a maior diversificação do patrimônio, com ativos financeiros bem mais rentáveis que a poupança.

Eu também havia estabelecido o objetivo de ter a seguinte alocação de ativos (ex-imóvel): 50% em Renda Fixa, 30% em Fundos Imobiliários, 20% em Ações. Bom, esse é um objetivo que ainda estou um tanto longe de alcançar, estou, hoje, com a seguinte alocação: Renda Fixa (70%), Ações (15%) e FII (15%). Não tenho pressa para cumprir esse objetivo, uma eventual correção mais violenta do mercado pode dar a oportunidade para aumentar no curto prazo a alocação em renda variável. Por enquanto, sigo aportando só em ações e FII, aumentando aos poucos a proporção desse tipo de investimento na carteira.

Lá no meu primeiro fechamento patrimonial eu também delimitei uma meta de rentabilidade de 0,7% ao mês, que, à época, considerei conservadora mas dada a nova realidade de juros e inflação no Brasil, diria que é uma rentabilidade bem aceitável. Essa meta eu cumpri à risca, minha rentabilidade média mensal nos últimos 12 meses, de maio/2017 a abril/2018, foi exatamente 0,7% a.m, conforme abaixo:


Rentabilidade anual de 8,33%

Em relação ao blog, em um ano, foram publicados 57 artigos, média de 4,7 por mês, um número aceitável, mas eu espero escrever mais, quem sabe aumentar essa média para uns 6 ou 7 por mês, claro, tentando não ficar repetitivo ou esgotar a capacidade criativa. Aliás, essa é uma coisa muito interessante de escrever um blog, estamos sempre expandindo nossa capacidade criativa.

Nesse um ano o blog teve cerca de 35.600 visualizações, média de mais ou menos 3.000 por mês, número muito interessante, mas o que acho mais interessante é a participações do pessoal nos comentários, sempre trazendo opiniões construtivas. Outro fato extremamente interessante é que após 1 ano, o Google assumiu a dianteira como a principal fonte de tráfego para o blog.

Então é isso, só para deixar registrado mesmo o primeiro aniversário do blog e o meu agradecimento a todos que nos leem.

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Atualização Patrimonial Abril/2018: R$ 241.534,29 (+R$ 3.182,81) e Rentabilidade (-0,75%)



Mais um fechamento mensal, e esse é um fechamento especial, pois completa-se 1 ano de atualizações patrimoniais aqui no blog. Por enquanto não vou fazer nenhum retrospecto, vou deixar isso para um post  específico que estou preparando, mas sem dúvidas foi uma evolução muito interessante nesse um ano de blog, evolução tanto material como psicológica.

Esse mês consegui completar e superar toda minha meta de renda extra, que era de R$ 1.500,00 no ano. Consegui isso basicamente por meio da venda de milhas (R$ 1.300,00) e venda de objetos usados (R$ 400,00) na OLX. Aliás, é muito interessante esse lance de vender coisas usadas, pois quando paramos para pensar no que não estamos mais usando e que poderia ser vendido, descobrimos uma quantidade enorme de objetos que estão só entulhando dentro de casa e que poderiam liberar espaço gerando renda.

CARTEIRA FINANCEIRA

Aporte do mês: R$ 4.530,00

Esse mês retive em caixa, ou seja deixei de aportar, pouco mais de R$ 1.500,00 pois estou revendo minha metodologia de investimento em renda variável. Em breve falarei mais sobre isso. Esse valor não irá constar dessa atualização pois, ao contrário dos fechamentos anteriores, não irei mais contabilizar aqui no blog recursos em caixa, mesmo que seja na corretora.

Compras do Mês

25 ações MDIA3, 100 ações KROT3, 15 cotas GGRC11.

Aproveitei a queda de preços da MDIA3 e comprei 25 ações para fechar o lote de 100. Depois que eu comprei a ação caiu mais ainda, mas paciência, a empresa é muito boa e acredito que vai superar a má fase trazida pelas recentes operações policiais (se você está por fora do assunto, leia aqui sobre a recente queda da MDIA3)

Comprei um lote de ações da Kroton alguns dias antes de ela adquirir a Somos Educação, iniciando sua jornada no ensino básico. Aqui acho que foi uma jogada arriscada. O setor de ensino é muito pulverizado e a concorrência é muito grande, mas a Kroton vem apresentando números fantásticos nos últimos anos e mostrou muita resiliência frente à queda de alunos FIES. É uma companhia que tem uma sede enorme por aquisições, que pode tanto alavancar o seu crescimento como botar tudo a perder com algumas aquisições erradas, ou "piorizações" como chama Peter Lynch. De qualquer forma, eu acredito que é uma companhia que pode sim ainda crescer bastante.

Pra finalizar, comprei 15 cotas de GGRC11, é um fundo imobiliário novo, que iniciou sua negociação em maio de 2017, mas que tem se mostrado um ativo com bom potencial de retorno e crescimento, com uma boa e diversificada carteira imóveis, todos com contratos atípicos, embora também tenha riscos associados. Em breve farei uma postagem sobre ele. Vamos então à carteira...





Carteira




A rentabilidade foi a seguinte:





Pelo segundo mês consecutivo minha carteira fechou no vermelho impactada, principalmente, pelas minhas ações, que só nos últimos dois meses já caíram mais de 10%. Confesso que esses números me deram uma pequena angústia, essa é a primeira queda expressiva na minha carteira de ações e a gente começa a se questionar se está investindo da forma certa. Entretanto esse lampejo de fraqueza logo é superado quando se tem em mente que o objetivo é o longo prazo.

Em relação às criptomoedas, eu praticamente desisti de aportar mais nelas. É um sobe e desce violento e completamente irracional, além disso não há qualquer base para fazer uma análise fundamentalista desse tipo de ativo, por outro lado acredito que seja um ótimo ativo para trades, porém essa não é minha praia.

A carteira de Ações e FIIs fechou o mês assim:




Principais altas do mês: VRTA11 (+0,56%) - Sim, apenas esse papel subiu esse mês, todos os outros caíram ou mantiveram o preço.

Principais baixas do mês: MDIA3 (-13,74%), CIEL3 (-7,20%) e EGIE3 (-5,54%)

Olhando acima para minha carteira de ações e vendo todos esse números vermelhos inicialmente dá um desânimo, mas analisando friamente estou hoje no prejuízo (virtual) com M. Dias Branco, Engie e Grendene, três companhias com ótimos fundamentos, portanto estou tranquilo. Já quanto à Cielo, não sei muito bem o que pensar dela, os últimos resultados (inclusive o do 1T2018) não foram muito animadores, vou acompanhá-la com mais cuidado. Já tem gente realizando prejuízo com ela, bom, eu prefiro aguardar mais um pouco antes de sair.

Pra fechar, a renda recebida no mês dos FII foi de R$ 139,78, o que me dá um DY de 0,89% a.m considerando o preço médio de aquisição.

Por hoje é só!

Abraços!

Senhor Ministro

Contato: mininvestimento@gmail.com

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Investir em Ações do Banco Inter: Oportunidade ou Furada?


O ano de 2018 talvez simbolize uma virada (tímida) da economia brasileira, estamos começando a sair do buraco, e crescimento econômico traz consigo uma nova onda de IPOs. Se você não sabe o que é IPO, essa é a sigla, em inglês, para Oferta Pública Inicial de ações, ou seja, é o ato de uma empresa abrir seu capital na bolsa de valores.

Esse ano tivemos ou teremos alguns estreantes bem interessantes na bolsa, e um deles é o nosso querido Banco Inter, o amigo de todo investidor, pois permite que façamos transferências para nossas corretoras sem cobrar taxas por isso. Aliás, essa é uma das principais estratégias do banco, atrair clientes isentando-os da cobrança de taxas de manutenção de conta, TED e cartão de crédito.

O grande diferencial do Banco Inter é o fato de ser um banco digital: todo atendimento, abertura de contas, investimento, contratação de serviço é feito pela internet. Num mercado bancário tão tradicional e concentrado como o nosso, em que apenas alguns bancos dominam a cena e acumulam reclamações e insatisfação de seus clientes, o Banco Inter encontra um cenário ideal para abocanhar uma fatia do mercado.

Não à toa o banco informa que está atualmente com a impressionante marca de, em média, 2.700 contas abertas POR DIA. Isso é muita coisa, é uma taxa impressionante de aquisição e novos clientes. Esse crescimento cresceu exponencialmente em 2017, quando o número de clientes saltou de 80 mil para 379 mil.

Olhando sob essa perspectiva o Banco Inter parece um ótimo prospecto mas vamos refletir um pouco: se a proposta do banco é não cobrar tarifas, como ele faz para ganhar dinheiro?

Obviamente que em uma instituição financeira as tarifas são apenas uma das fontes de receita. Como o Banco Inter não possui todo o custo de manter uma estrutura de agências, é razoável que abra mão de algumas receitas para se diferenciar da concorrência. Dessa forma, outras fontes de receitas podem dar os resultados que o banco espera como a concessão de empréstimos e financiamentos. Vamos então fazer uma Raio-X da carteira de crédito do Banco Inter:

Os principais produtos do banco são crédito imobiliário, crédito pessoal e crédito para empresas na seguinte proporção:


Observa-se que nos últimos 3 anos, o crédito imobiliário foi o grande filão do banco e o principal responsável por seus resultados, representando mais de 50% da carteira de crédito. Isso provavelmente remonta às raízes do banco, que pertence ao mesmo grupo familiar proprietário da MRV Engenharia e que fundou o banco em 2008 justamente para atuar no segmento de operações de crédito imobiliário.

Se o crédito imobiliário é tão relevante no Banco Inter resolvi então simular uma contratação desse tipo de financiamento para verificar se, realmente, o Banco tem algum diferencial nessa área e as características do CredCasa, apelido do financiamento imobiliário do Banco Inter, são as seguintes:


Sinceramente, eu não vi muito diferencial nisso, pelo contrário, achei os juros bem elevados: 0,83% a.m daria uma taxa anual de 10,43% e projetando-se um IPCA de 4%, teríamos uma taxa de juros de mais de 14% ao ano. Isso considerando um IPCA controlado, mas todos sabemos que no Brasil, o IPCA pode subir e descer de forma bem exponencial, gerando mais um risco para o tomador de um empréstimo vinculado ao IPCA, principalmente levando em conta que trata-se de um empréstimo de longuíssimo prazo.

Ai eu me pergunto: se nós temos ai no mercado grandes players trabalhando com taxas de, em média, 9% a.a + TR (que varia muito pouco), por que alguém contrataria um financiamento custando 14% a.a e se sujeitando ao risco de variação do IPCA?

Provavelmente essa carteira de crédito imobiliário do Banco Inter seja fruto da estreita ligação com a MRV Engenharia, pois com essas condições acima, dificilmente o Banco conseguiria ter um diferencial competitivo no mercado.

Portanto eu não investiria no Banco Inter buscando ter em minha carteira um player relevante do mercado imobiliário, na verdade não se trata aqui de investir numa instituição financeira com resultados consolidados, mas sim em uma aposta, uma aposta que o Banco Inter conseguirá mudar o perfil do seu portfólio, aumentando receitas provenientes de outras fontes como seguros, cartões, crédito pessoal e crédito a empresas.

A enorme e impressionante captação de clientes em 2017 mostra que o Banco Inter tem a faca e o queijo na mão para crescer muito, além disso, o Banco declara que pretende destinar os recursos levantados no IPO para incrementar suas operações de crédito, investir em tecnologia, investir em marketing e expandir os negócios por meio de aquisições estratégicas. Portanto aqui o banco já dá uma dica: talvez a diversificação da carteira de crédito se dê por meio de aquisições de outros players.

A verdade é que, no fim das contas, ao investir no Banco Inter se está confiando que o Banco fará o que não fez antes, aquisições estratégicas e diversificação de receitas e da carteira de crédito, pois se for para esperar investir num player do mercado de financiamento imobiliário, não vejo um futuro tão brilhante assim para o Banco.

Abraços,

Senhor Ministro

quarta-feira, 18 de abril de 2018

MFII11: A Caixa-Preta dos Fundos Imobiliários


Vamos conversar um pouco sobre aquele FII que é igual ao Big Brother Brasil, todo mundo fala mal, diz que não presta, mas já está na sua 98372ª edição, e possivelmente dando boa audiência, ou seja, é o FII com mais haters no mercado mas que não para de crescer, é isso mesmo senhores, o papo hoje é sobre Mérito Desenvolvimento Imobiliário, também conhecido como MFII11.

Apesar de eu ter participação nesse FII, vou procurar fazer uma análise isenta, sem tentar justificar meu investimento, mas tão somente comentar a situação do fundo na minha percepção pessoal e, claro, receber a opinião dos leitores. Até porque, se eu entender como mais adequado, basta um clique para eu me desfazer dos meus ativos nesse fundo.

Vamos começar dando uma olhada na "fuça" do gestor do fundo, o Sr. Alexandre Despontin, um jovem pródigo, engenheiro aeronáutico formado no ITA em 2010 e que em 2012 fundou a Mérito Desenvolvimento Imobiliário.

Qualquer semelhança com Harry Potter é mera coincidência

Agora vamos falar do fundo propriamente dito. O MFII11 é um fundo de desenvolvimento imobiliário, ou seja, a atuação dele é semelhante a uma incorporadora/construtora, diferente dos fundos "normais" de aluguéis, ele atua adquirindo terrenos, aprovando projetos e vendendo unidades, portanto tem uma movimentação financeira bem maior e bem menos previsível que os fundos de aluguel. Os riscos desse tipo de FII também são maiores pois o fundo assume todo o risco da incorporação e desenvolvimento do projeto imobiliário. Logicamente que os potenciais ganhos também superam os FII convencionais.

Hoje o fundo tem em sua carteira 15 projetos imobiliários em diferentes fases (veja aqui e aqui), alguns já estão 100% concluídos e vendidos, apenas restando ao fundo receber os valores que foram financiados aos compradores das unidades, outros projetos estão com obras em andamento e outros ainda estão em fase de pré-lançamento, ou seja, ainda na fase de aquisição e regularização do terreno. O ciclo de desenvolvimento imobiliário da Mérito é o seguinte:



O fundo pode entrar em um empreendimento em qualquer uma dessas fases, podendo, inclusive adquirir um empreendimento 100% concluído e vendido, restando apenas administrar os recebíveis dos clientes financiados, como é o caso do projeto Vila Ferrara, recém adquirido em Ubatuba/SP.

Cada um desses projetos é tocado pelo fundo em conjunto com um parceiro, para isso é constituída uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), ou seja, uma empresa específica para tocar a empreitada. Nesse relatório constam alguns detalhes de todos os projetos.


Agora vamos às polêmicas! 

Por se tratar de um fundo de desenvolvimento, com projetos nas mais diversas fases e com fluxos de caixa inconstantes, seria normal esperar uma grande flutuação na distribuição de proventos aos cotistas, até mesmo uma distribuição trimestral ou semestral, dada peculiaridade da atuação do fundo. No entanto, o fundo vem distribuindo religiosamente R$ 1,18 por cota todos os meses, um Dividend Yeld mensal de 0,9% (considerando o valor da cota hoje), se enquadrando no Top 5 dos FII com maior DY na bolsa.

E quando a esmola é demais, o santo desconfia né! O investidor começa então a se perguntar: "Se os projetos estão em fases diferentes e o fluxo de caixa é inconstante, de onde está saindo esse dinheiro para fazer distribuições mensais tão generosas? Qual projeto está contribuindo financeiramente para isso?"

Polêmica nº 1 - Falta de Transparência


A resposta é: não sei e ninguém sabe, simplesmente porque o fundo não divulga essa informação. O fundo não divulga os balanços das SPE's de cada projeto, portanto não é possível saber qual projeto está gerando caixa, qual projeto está queimando caixa, qual projeto vai bem, qual projeto vai mal, qual projeto está endividado, etc.

Também não são divulgados os contratos dessas SPE, onde deve constar, por exemplo, que tipo de acordo o fundo fez com o parceiro, quais as responsabilidades e parcelas de ganho de cada parte no empreendimento, etc.

Em entrevista ao Professor Baroni, da Suno Research, o Sr. Alexandre "Harry" Despontin "Potter" informou que o fundo criou uma holding para gerenciar todas as SPE, que os balanços das SPE estão em processo de auditoria, e que, após isso (previsão para Maio/2018) vão estudar como apresentar os resultados das SPE.


Polêmica nº 2 - Queima de Caixa e Esquema Ponzi (Pirâmide)


Mas afinal, de onde saiu a grana para pagar as generosas distribuições? De acordo com informação confirmada pelo próprio gestor, as atuais distribuições estão sendo feitas às custas de parte dos recursos arrecadados na última emissão de cotas, ou seja, o fundo está pagando proventos não com os resultados das suas operações, mas com parte do dinheiro investido pelos recém ingressos.

(para quem não lembra o MFII fez uma emissão, muito bem sucedida, em que se pagava R$ 110,00 por cota, sendo a cota no valor de R$ 100,00 e os outros R$ 10,00 de taxa. São justamente essas taxas que estão custeando as atuais distribuições)

Estima-se que esses recursos irão acabar em meados de junho ou julho de 2018, e ai vem a questão: após "queimados" os recursos da última emissão, o fundo tem condição de continuar pagando os mesmos rendimentos? Na entrevista que supracitei, o gestor disse que sim, que a Holding já tem resultados suficientes para continuar com as distribuições de proventos, PORÉM, como não há transparência dos resultados das SPE, não é possível saber se essa afirmação é verdadeira.

E ai os mais desconfiados começam a levantar a possibilidade de ser um esquema de pirâmide, em que os pagamentos da renda dos atuais cotistas vão sendo custeados pelos recursos dos novos cotistas (emissões). Eu não acho que seja o caso, mas tem gente que defende isso. Se em junho ou julho o fundo vier com outra emissão sem explicitar os resultados da holding, ai sim a coisa vai ficar feia.

Conclusão

O que se percebe é que o MFII11 não se trata de um fundo imobiliário qualquer, é na verdade um fundo que carrega uma certa complexidade de análise pois se assemelha muito mais a uma construtora/incorporadora e, como tal, está sujeito a muitos riscos inerentes ao processo de construção e venda de imóveis (flutuação de preço dos insumos, falha de premissa no planejamento orçamentário, riscos técnicos e legais, distratos e inadimplência, etc). Além disso, como os investidores em ações já estão cansados de saber, o setor de construção civil é cíclico, de forma que é impossível esperar que esse fundo entregue uma renda perene por muitos e muitos anos.

Por outro lado, como todos devem imaginar, construir e vender um imóvel é muito mais lucrativo do que comprar um imóvel para alugar, e se o fundo for competente em fazer isso, vai gerar retornos extraordinários para seus cotistas.

Portanto o MFII11 é um FII que, se bem gerido, pode ser muito rentável, porém, demanda acompanhamento mais ativo do investidor pois eventual descasamento do fluxo de caixa (causado por n fatores, desde imprevistos nos projetos até desaceleração econômica no país) pode comprometer a saúde financeira do fundo. E, para que o investidor possa fazer esse acompanhamento, é essencial que o Gestor aprimore a transparência dos resultados das SPE, pois do jeito que está hoje, o investidor não tem outra opção senão confiar cegamente na gestão.

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com